30 junho 2018 CHARGES

MÁRIO ALBERTO

30 junho 2018 A PALAVRA DO EDITOR

PAJARO

30 junho 2018 CHARGES

SINOVALDO

30 junho 2018 CHARGES

VERONEZI

30 junho 2018 PERCIVAL PUGGINA

CUBA SOB NOVA DIREÇÃO?

Certamente não passava pela cabeça de Angel Castro, ao mudar-se para Cuba, a ideia de que seus dois rebentos transformariam a ilha toda numa espécie de empresa familiar na qual ambos viriam a mandar e onze milhões de cubanos obedeceriam.

Há muito salta aos olhos de qualquer observador intelectualmente honesto que a situação de Cuba enveredou por desastrosa picada sem fim previsível. Mesmo assim, o meio acadêmico brasileiro e expressiva parcela da intelectualidade nacional não poupam louvores a Fidel, ao ideário que ele encarnou e desossou, e aos ícones do fatigante “socialismo o muerte!”, que os cubanos retificam para “socialismo y muerte”. De seu caráter sanguinário dão prova as vítimas do paredón e as sepultadas vivas nas masmorras do regime.

Os malabarismos retóricos a que recorrem seus seguidores brasileiros, treinados para dar nó em pingo d’água quando se trata de defender o comunismo, já começam a exigir platéia com atestado de morte cerebral. Os vários debates de que participei ao longo dos últimos 30 anos forneceram eloquentes exemplos disso.

“Cuba é uma referência de autonomia”, insistem. Cuba? Autonomia? Desrespeitam a autonomia própria e a dos outros! Sob Fidel, esse país viveu trinta anos na mais servil submissão à URSS. Foram três décadas de tenebrosas concessões. Ao longo delas, os jovens cubanos eram alugados como bucha de canhão para as intervenções comunistas na autonomia de Angola, Moçambique, Congo, Nigéria, Bolívia, Nicarágua, El Salvador e onde quer que a URSS precisasse de alguém para o serviço sujo das guerrilhas. “Cuba é uma democracia, sim, mas diferente da nossa”, proclamam, referindo-se a um regime sem liberdade de imprensa e de opinião, que há 60 anos só tem um partido, onde o líder máximo, quando enfermo, transferiu o poder para o maninho, onde criticar o governo faz mal à saúde, e onde ainda hoje, a placa – “Sob nova direção” – oculta o fato de que, por trás dos bastidores e das câmaras ainda é Raúl quem apita o jogo.

O próprio Díaz-Canel encarregou-se de deixar bem claro, ao assumir, que Raúl lideraria “as decisões de maior transcendência para o presente e o futuro do país”. No início de junho, o novo presidente anunciou que seu antecessor comandaria, também, uma reforma constitucional que – surpresa! – não implicaria mudanças no modelo político e teria como pilares “a irrevogabilidade do sistema socialista, a união nacional e o papel do Partido (Comunista) como vanguarda organizada e força dirigente superior da sociedade e do Estado”.

Quando alguém, desmontando as farsas dos argumentos, põe os pingos nos “is” da história e desenrola o filme dos fatos, eles, inevitavelmente, entre resmungos, começam a falar mal do Trump.

30 junho 2018 CHARGES

CACINHO

SONETO DE AUSÊNCIA

Não estás. Mas tu és para sempre comigo,
onde minha alma for. A mente e o coração
gravaste-me de ti. Sabe! sou teu irmão
e pai e amante e esposo e confidente e amigo.

Teu olhar para mim foi-me a revelação
de um mundo que eu sonhava e em lágrimas bendigo.
Sei que sou para ti tudo quanto não digo
mas escutas em sonho… e sou tu mesma então!

Sei que ouves, a distância, o meu mudo acalanto.
Estou contigo, amor! minha alma te socorre
na tua angústia, ansiar, sufocamento… Entanto,

cada estrela de amor que nos teus olhos morre,
nesta separação, mantém-me vivo, enquanto
do olhar morto do tempo um longo pranto escorre.

30 junho 2018 CHARGES

DODÔ

30 junho 2018 AUGUSTO NUNES

TRÊS SORVETES E UMA TAÇA

Há exatos sessenta anos, o Brasil vencia a Suécia na Copa de 1958, conquistando seu primeiro título mundial. Para comemorar aquele histórico 29 de junho, a coluna republica o texto que narra o jogo pelos olhos de um menino de oito anos.

“Você não vai ouvir o jogo do Brasil? Pensei que gostasse de futebol”, estranhou minha mãe quando avisei que estava de saída para a sorveteria do Abbud. Ela vai ouvir o jogo contra a Suécia?, também estranhei ao vê-la de pé a um metro do rádio, com a caçula no colo e querendo saber dos dois filhos sentados no sofá como era mesmo o nome do juiz. Pensei que dona Biloca não gostasse de futebol.

Eu gostava. Aos 8 anos, ia me entendendo melhor com a bola, meu pai já avisara que eu era torcedor do Palmeiras e tinha decorado antes da estréia contra a Áustria os nomes dos 22 craques da Seleção. Gostava mais de jogar futebol que de ouvir, mas vinha acompanhando as batalhas da pátria em chuteiras na Guerra da Suécia pelo rádio da minha avó, uma imigrante italiana que se juntara à torcida brasileira ao descobrir que o elenco incluía um Bellini, um Mazzola, um De Sordi e um Dino Sani. Eu sabia que o time canarinho estava fazendo bonito, que Garrincha destroçara o futebol científico da comunistada russa e que, naquele domingo, o duelo em Estocolmo não se limitaria a decidir a Copa: também seria decidido se o Brasil tinha jeito.

Pelé chora nos ombros de Gilmar, após a Seleção Brasileira vencer a Suécia por 5 a 2, e conquistar o primeiro título em Copas do Mundo – 29/06/1958

O que eu não sabia é que seriam declarados traidores da nação em perigo, e sumariamente condenados à execração perpétua, sem direito a recursos encaminhados a instâncias superiores ou apelações julgadas por tribunais internacionais, todos os brasileiros – incluídos os recém-nascidos e os mortos do mês, os índios da Amazônia e os imigrantes procedentes de remotíssimas paragens, as normalistas oferecidas e as carmelitas descalças, os inimputáveis em geral e os loucos de hospício em particular – que no dia 29 de junho de 1958 pensassem em qualquer outra coisa além da conquista da Copa. Disso eu não sabia. E gostava muito de sorvete. Acordei pensando não nos dribles de Garrincha ou num gol de Pelé, mas num sorvete de limão.

“Volto antes da metade do primeiro tempo”, comecei a explicar quando fui aparteado por um dos irmãos. “Não dá, são quinze quarteirões. Fala logo que não gosta de futebol”, provocou o inimigo íntimo. Acusei-o de ter passado na casa de um amigo a tarde do duríssimo combate contra o País de Gales. “Só que ouvindo o rádio, não tomando sorvete”, ele mandou no ângulo. “Esse moleque é meio bobo”, resumiu o pensamento geral meu irmão mais velho. Estava planejando um carrinho por trás quando meu pai entrou em casa e os dois times entraram em campo. Aproveitei a distração dos adversários, fingi que recuava para proteger a retaguarda e invadi o quarto. Precisava de uma camisa. O dia estava frio.

O inverno ia chegando ao meio, e ainda havia no sertão paulista outras estações além do verão que acabaria eternizado pelo oceano de cana que engoliu primeiro as plantações de café, depois os laranjais e enfim, quando já não restavam campos a afogar, até os casarões das fazendas, as tulhas, os canteiros, as hortas e os quintais. Vesti uma camiseta verde, sem distintivo nem número nas costas. Continuei descalço. E com aquele calção detestável que todos os menores de 10 anos usavam, feito pelas mães e tias com a amputação, milímetros acima do joelho, das pernas de alguma calça de adulto derrotada pelo tempo.

Se me tratassem com mais cortesia, talvez tivesse deixado o sorvete para depois do jogo. Sob pressão é que não fico em casa mesmo, cismei. E não vou trazer sorvete para essa gente. Nem para a avó, radicalizei no momento em que o juiz, um francês chamado Messiê Guiguê conforme berrou a voz no rádio, apitou o começo da partida e da caminhada rumo à sorveteria. E então estranhei a paisagem: não havia ninguém na rua da minha casa.

Nem na rua General Glicério nem na Marechal Deodoro, fiquei intrigado no segundo minuto de jogo e na primeira esquina. Nem em qualquer outra rua de Taquaritinga, espantei-me aos 4 minutos do primeiro tempo, quando cheguei ao cruzamento da General Glicério com a Duque de Caxias junto com o gol da Suécia marcado na calçada da casa do médico da minha família e transmitido pelo locutor, sem entusiasmo, pelo rádio do sobrado de um vereador que não gostava do meu pai.

Haviam sumido das calçadas e das varandas os quase 10 mil habitantes, e todos os carros estavam nas garagens ou estacionados na rua. O único sinal de vida era a voz do locutor. Achei aquilo muito estranho e achei mais sensato desistir. Caminhei com Didi, ambos lentamente, ele em direção do meio de campo, com a cabeça erguida, a bola na mão esquerda e tranquilizando o time, eu de volta para casa, cabisbaixo, de mãos abanando e tentando preparar-me para a capitulação humilhante que só não foi consumada porque, aos 9 minutos, Vavá empatou na frente do portão do dentista.

Todo mundo estava ouvindo o jogo, confirmou a universalização da voz poderosa que se sobrepunha ao berreiro coletivo, a mesmíssima voz agora vinda de todos os pontos cardeais, do céu e da terra, multiplicada por dezenas, centenas, milhares de aparelhos ligados na mesma estação, atravessando todas as janelas que todas as famílias haviam escancarado para que até os jardins, os pomares ou algum transeunte desavisado testemunhassem, sem perderem um único centésimo de segundo, o triunfo da Seleção incomparável. E então os ouvidos atentos como os olhos do goleiro Gilmar captaram o recado sonoro: era só seguir o caminho das casas.

Deslumbrado, compreendi que poderia tomar sorvete e ouvir o jogo, e depois desconcertar a caipirada lá em casa com o mistério da minha ubiquidade, porque nenhum parente sabia o que eu acabara de saber e não contaria nem sob tortura. Montei o novo plano com a serenidade de um Feola. O roteiro redesenhado pelas circunstâncias singularíssimas agora passaria ao largo de clubes, repartições públicas, associações, bares ou botequins, estabelecimentos comerciais, escolas – tudo que pudesse estar fechado ou desprovido de aparelhos de rádio.

Subi outra vez pela General Glicério, virei à esquerda na Duque de Caxias com a elegância sutil de Nilton Santos, arranquei rente à lateral direita como Djalma Santos, parei feito Orlando diante do adversário na esquina com a Campos Salles, virei o jogo para a direita como Zito e corri para o abraço quando Vavá desempatou debaixo da segunda janela do advogado que discursava nos comícios do meu pai.

O Brasil descia para o vestiário e eu driblava o terreno da Força e Luz para virar à esquerda na esquina da Campos Salles com a Visconde do Rio Branco. O jogo estava no intervalo quando enxerguei a fachada da sorveteria. Hoje é meu dia, avisaram as portas abertas. Além de quatro homens sentados na mesa perto do rádio, que nem me olharam, lá estava um dos donos, que ouviu o pedido sem deixar de ouvir o comentarista.

Antes de terminar o palito de limão, descobri que estava sintonizado na Cadeia Verde-Amarela, liderada pela Bandeirantes, e que o primeiro tempo fora transmitido por Pedro Luiz. Edson Leite narraria o segundo, soube no palito seguinte, outra vez de limão. Igualmente soberba, a voz menos veloz e mais grave que a outra avisou: “Estão começando os 45 minutos que decidirão a sorte do Brasil na Copa do Mundo”. Pedi uma casquinha de abacaxi, só para variar, levantei-me certo de que a Taça já era nossa e fiquei com cara de campeão no momento do golaço de Pelé ao lado da casa do tesoureiro da prefeitura, no fim do primeiro quarteirão do caminho de volta.

Zagallo encaçapou de bico perto da jabuticabeira da minha professora do jardim da infância. Nem me abalei com o segundo da Suécia, marcado em frente do casarão com fama de assombrado ─ em clamoroso impedimento, soube por Edson Leite. Resolvi ganhar alguns minutos para entrar em casa no apito final, mas nem pensei em administrar a posse de bola, isso só existiria no futuro, não naquele junho em que o negócio era jogar pra frente, ou ficar driblando meio mundo, e por isso resolvi aproveitar a falta de espectadores para reproduzir os melhores lances imaginários.

Saí pela direita como Garrincha na esquina, percebi que voltara ao ponto de partida depois da quarta arrancada, sempre pela direita, e achei mais lógico avançar sem pressa como Didi, ultrapassei o Chevrolet rabo-de-peixe do doutor Luizinho Barbosa, encobri com um chapéu o Mercury preto do prefeito, escorei a bola de cabeça junto com Pelé no portão de casa, comemorei o quinto gol com a mão na maçaneta e entrei na sala gritando “Brasil!!!”

“Chegou o único do mundo que não ouviu o jogo”, debochou o irmão mais velho. “Esse bobo não gosta de futebol”, o outro pegou-me de novo no tornozelo. Revidei com elogios à qualidade do sorvete e à voz dos dois locutores, a narração detalhada dos cinco gols da pátria em chuteiras, um sorriso de campeão do mundo e aquele brilho no olhar só concedido a quem, ouvindo o rádio, viu como jogavam os heróis de 1958.

30 junho 2018 CHARGES

LUTE

30 junho 2018 DEU NO JORNAL

É PHODA ! ! !

O Brasil é um país tão surrealista e absurdo que, preso comum, condenado por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro na segunda instância, Lula continua dando ordens onde menos se esperava que tivesse poder: a cúpula do Poder Judiciário.

Sua defesa é tão implicante que se dá ao desplante de rejeitar relator e decidir em que plenário do STF seu cliente – que responde a mais seis processos criminais -, pretende ser julgado

E passou a ocupar o tempo de um colegiado que deveria estar cuidando de outros assuntos mais elevantes, a decidir sobre uma miríade de recursos que não interessa a ninguém mais do que ao criminoso em questão.

E ao seu público cativo de adoradores.

Como a chicana é prática comum na desmoralizada Corte, isso não tem fim.

* * *

Tem uma porrada de adjetivos que serviriam pra classificar Lula e sua defesa: canalhas, pulhas, biltres, patifes, arruaceiros, felas-da-puta (sem qualquer ofensa às putas, claro) e tantos outros mais.

Tô sem paciência pra adjetivar essa corja.

Limito-me apenas a desejar que tenham um péssimo final de semana e que vão todos tomar no olho do furico.

Quanto à expressão “desmoralizada Corte”, contida na nota aí de cima, ela cabe como uma luva numa porra de casa que tem Gilmar, Toffoli e Lewandowski como membros.

Putz…

Chega dá vontade de vomitar.

30 junho 2018 CHARGES

CLÁUDIO

COMPRAR OU VENDER?

Estamos diante de uma boa oportunidade aqui no Brasil. Só não sei dizer se é a chance de aproveitar ativos baratos e investir, ou vender tudo que temos e ir para o aeroporto.

A incerteza com nosso futuro nunca me pareceu tão grande como atualmente. Nada contribui para alguma previsão que transmita a menor segurança para nosso horizonte de curto prazo. Apesar da baixa probabilidade de acontecer, ainda não foi definitivamente afastada a hipótese de termos um presidiário condenado por corrupção, como candidato a presidente da república. Uma aberração! Mais uma. Os outros postulantes ao cargo bem cotados nas pesquisas, também não oferecem nenhuma garantia de que são capazes de entender as causas e consequências dos nossos problemas, que terão habilidade para liderar as urgentes mudanças constitucionais e outros ajustes necessários para viabilizar os negócios e fazer o País andar (pra frente), crescer e gerar empregos.

Até maio de 2017 estávamos indo numa direção mais previsível. Parecia que a troca da Presidenta pelo Presidente, havia colocado o Brasil numa rota de ajustes coerentes. Tivemos a impressão que o processo de correção dos erros estava em curso. Houve a aprovação de um teto para os gastos públicos. Uma medida que isoladamente não resolve nada, ao contrário limita ainda mais a liberdade orçamentária, mas demonstrava o comprometimento da equipe econômica do Governo Temer com o equilíbrio do orçamento. Tivemos as mudanças nas leis trabalhistas que indicavam seguir o caminho do programa do PMDB, “Uma Ponte Para o Futuro”.

Uma boa forma de aferir essa mudança de expectativas com a troca de governo foi a evolução do Índice Bovespa, que no auge do desgaste do mandato de Dilma e a Nova Matriz Econômica, esteve cotado em 37000 pontos e foi se recuperando na medida em que foi surgindo a possibilidade de impeachment e troca do comando para Temer. O Ibovespa alcançou 69000 pontos na semana em que Joesley resolveu jogar farofa no ventilador 17/05/2017.

Naquele momento a sociedade debatia seriamente assuntos relevantes. A imprensa ocupava maior espaço com a Reforma da Previdência, o cidadão parecia consciente da necessidade de reformar e se debatia qual reforma fazer. Essa dinâmica foi alterada com a confissão do crime dos Batista e a acusação contra Temer. O foco passou a ser a possível renúncia, ou impeachment. O Congresso parou. Suas Excelências, solidários com o Quadrilhão, esqueceram das reformas constitucionais e concentraram esforços no programa Um Por Todos e Todos Por Um. Livrar Temer foi um excelente negócio, em todos os sentidos.

Hoje a sociedade perdeu o foco. Sabemos que precisamos de muitas e profundas mudanças. Mas por onde começar? Segurança, previdência, reforma tributária, reforma política, privatizações, saúde pública, infraestrutura, equilíbrio fiscal, pacto federativo. Vai longe essa lista. Quem tem programa, apoio político, coragem e equipe para atacar tantas frentes?

Parece que o desafio é enorme e intransponível. Mas, no Brasil tudo muda com muita velocidade. Assim como é grande o obstáculo, também é gigante o prêmio para quem fizer a aposta correta. Continuo acreditando que apesar da imprevisibilidade de Ciro e Bolsonaro, eles terão que atacar, por sobrevivência, a previdência e o déficit fiscal. Alckmin é mais previsível, porém, no meu ponto de vista, tem telhado de vidro, sem resistência para enfrentar as batalhas contra a posição dos segmentos privilegiados pelos equívocos da Constituição Cidadã. Poderia dar continuidade ao presidencialismo de negócios que temos a décadas. Mais um refém do Um Por Todos e Todos Por Um.

O Brasil mesmo desgovernado como está, continua interessando aos investidores domésticos e estrangeiros. Por isso qualquer expectativa de governo sério, comprometido com as contas públicas, em melhorar as condições para empreender, dar segurança ao cidadão e promover as famosas Parcerias Público Privadas para viabilizar investimentos em infraestrutura, poderá desencadear um processo virtuoso de alta na Bolsa e crescimento econômico estilo chinês.

No momento o copo parece meio vazio, mas também pode estar meio cheio.

30 junho 2018 CHARGES

NANI

STAND-UP COM POESIA

A poesia é essa coisa meio louca,
feita por um louco, meio poeta.

Escrevo para que não se perca o
poema nem esqueçam o poeta.

FRUTO PROIBIDO

Nunca comi
Fruto proibido
Nada adiantou
Acabei sozinho
Aqui no paraiso
Com fome
Sem maçã
Sem Eva
Desvestido
E sem uma costela.

O POETA

O poeta
É como um cão farejador
Farejando tudo
Em plena luz do dia
Até no monturo
Encontra poesia

PESCARIA IMPRODUTIVA

Atirei minha rede
Nas águas deste rio
Você andava cheia …
Nuinha, nuinha
Deitada na areia
Tremendo de frio
Eu quase me afogando
Tentando, tentando
Pescar lambari

RESISTÊNCIA INÚTIL

Resisti enquanto pude
Mas cedi aos teus encantos
E como sou homem rude…
Não te ofereci meu pranto
Só minha alegria, meu canto,
Meus versos e minha poesia
No momento isso me basta
O resto faremos juntos:

MINHAS LEMBRANÇAS

Tomei banho tibungando
De cima duma pinguela
Bebi água de gamela…
Andei descalço fungando
Morceguei carro andando
Carreguei pote com rodia
Comigo ninguém bulia
Vivia o verde da esperança
Essas são minhas lembranças
E eu era feliz e sabia

TIBUNGAR = pular dentro do rio de cima de uma ribanceira ou de uma árvore…
PINGUELA = ponte rustica feita de madeira sobre córregos
GAMELA = vasilha de madeira feita de tronco de árvore para colocar água e ração para animais
FUNGAR = absorver pelo nariz; resmungar
MORCEGAR = pendurar-se em carroceria de caminhão em movimento
RODIA = o mesmo que RODILHA, rosca de pano em que se assenta a carga na cabeça.
BULIR= mexer com quem está quieto

Quando bate a saudade
Nesse meu peito ferido
Coração fica partido
Sangra, segrega, a vontade
Lembrando da mocidade
Dói em mim por todo canto
A vida perde o encanto
O poeta vira calouro
“Eu fui temperar o choro
Acabei salgando o pranto”

30 junho 2018 CHARGES

ATORRES

OS “PARÇAS”

Os “parças” continuam soltando as quadrilhas, afinal é tempo de dançar nas festas juninas, e eles nem precisam ensaiar. Elas, as quadrilhas, contam com a enorme compreensão dos alegres e desprendidos parceiros de festas os quais não se fazem de rogados em realizar um festival de “abre selas”. É na mão de um seleto grupo de “parças” togados, que está a “equilibrada” e “justa” “justiça” da maior Corte brasileira. Fazem uso da toga de forma célere e camarada, atropelando até mesmo a tramitação de processos. Um deles, de forma extraordinária, justificou que um condenado, sentenciado a mais de trinta anos, não poderia permanecer preso em razão da “plausibilidade” de um recurso interposto. Pergunto: como fica o Brasil nestes episódios dantescos do Supremo Tribunal Federal – STF? Que estímulo pode dar uma ação desta a população e aos olhos do resto do mundo? É lamentável. Mas o pior é o incompreensível e claro comprometimento de toda a sociedade e instituições representativas brasileiras que se mostram inertes e passivas neste mundo de patifarias que vem sendo imprimido a vida da Nação. Há um silêncio criminoso diante de tudo que está acontecendo, tanto de parte do povo como dos maiores dirigentes.

Aqui no Brasil até mesmo presidiário impedido, por lei, de ser candidato pelas muitas falcatruas cometidas, faz parte de pesquisas de opinião eleitoral. É uma aberração. Onde está o Tribunal Superior Eleitoral – TSE? A estratégia do Partido dos Trabalhadores, o maior produtor de malfeitos e de malfeitores já vista na história deste País, é manter a candidatura do presidiário Lulla da Silva até o 20º dia anterior a data de votação na eleição de outubro. Com isso, mantém, aos incautos e inocentes úteis da população, a perspectiva de ganhos eleitorais nas eleições dos estados e para o Congresso Nacional. Sem o presidiário como candidato, as chances de razoáveis resultados serão nulas, mas não se lembram de que, em 2016, mesmo com ele leve, livre e solto e também aprontando malfeitos, a derrota do PT foi fragorosa e acachapante em todo território nacional, salvou-se apenas na capital do Acre, Rio Branco.

Caso a decisão do TSE negue o registro da candidatura do presidiário após o 20º dia anterior à data de votação – 17 de setembro, o PT não poderá indicar novo candidato e todos os votos recebidos não serão considerados. Esta é data limite para o presidiário permanecer na disputa. Ocorre que os últimos acontecimentos apontam, de forma inequívoca, a estratégia de tentar, via os “parças” do STF, soltar o condenado e anular todo o processo de sua condenação. A meta é tornar o presidiário Lulla, candidato sem qualquer restrição legal. Escapando do presídio e sem restrição legal, pensa o PT em transforma-lo em um vencedor da justiça e com isso uma apoteótica volta as eleições. Daí a necessidade de ajuda dos colaboradores de plantão como os institutos de pesquisas IBOPE e Datafolha para manter o presidiário na frente das pesquisas de opinião, levando o povo a crer que é o candidato petista um injustiçado, perseguido pela justiça e pelas forças contrárias a ascensão dos pobres. O esquema conta também com a ajuda das urnas eletrônicas Smartmatic, de origem venezuelana, dos amigos do ditador Maduro. O detalhe escondido nessas pesquisas é que 60% não definiram voto e não tem feito questão disso.

É bem verdade que os “parças” estão “liberando geral”, de todos os partidos e implicados na Lava Jato, mas tudo isso é para justificar uma tentativa de soltura do presidiário petista. Isto quer dizer, também, que dificilmente os malfeitos do governo Alckmin irão produzir efeitos outros que não apenas os de perda da credibilidade junto ao eleitor. Mesmo assim, ele não abre mão de uma candidatura natimorta para efeito de vitória na corrida presidencialista. Está muito visível que a única e possível chance de sucesso do PSDB está na substituição do Alckmin pelo candidato ao governo paulista, João Dória Jr. De fortíssima presença e personalidade, suas possibilidades são imensas em qualquer cenário. No mais, temos que nos sujeitar, sem nos conformar e não esmorecer, na busca por uma atitude de mudança. O Brasil está com mau cheiro em todas as suas instituições, mas ainda há tempo de botar quente nessas festas das quadrilhas e frustrar as ações dos togados, os “parças”.

30 junho 2018 CHARGES

ADNAEL

30 junho 2018 DEU NO JORNAL

FICARAM MAIS SUJOS AINDA

No último dia antes do recesso do Judiciário, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, arquivou nesta sexta-feira o inquérito que apurava se o senador Aécio Neves (PSDB-MG) recebeu propina referente a contratos de Furnas.

O ministro também arquivou um inquérito que tinha como alvo o senador Jorge Vianna (PT-AC).

Segundo delatores da Odebrecht, o petista tinha recebido R$ 1,5 milhão via caixa dois em sua campanha ao senado em 2010.

* * *

Jorge Vianna e Aécio Neves, um petralha e um tucanalha.

Mesmo que fossem ambos santinhos (e não são), já estariam com as fichas irremediavelmente maculadas por terem sidos beneficiados com uma canetada de Gilmar Boca-de-Buceta.

Se lascaram-se.

Ao receberem um favor de Gilmar, sujaram ainda mais os seus já sujos prontuários.

Aécio e Vianna, dois tolôtes do mesmo pinico corrupcional

30 junho 2018 CHARGES

NANI

30 junho 2018 AUGUSTO NUNES

MÁFIA DE TOGA É DESMONTADA POR BARROSO

No mundo civilizado, garantismo é um conjunto de teorias jurídicas e filosóficas que pregam a redução do direito de punir conferido ao Estado.

Nada a ver com a versão degenerada parida por Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, todos especialistas em usar a lei para impedir que se faça Justiça.

Nesta quarta-feira, a trinca foi fulminada pela frase irretocável do ministro Luís Roberto Barroso:

“Garantismo à brasileira é uma mistura de compadrio com omertà”.

Omertà é o código de honra da máfia.

Simples assim.

Com dez palavras, Barroso restabeleceu a verdade e liquidou a conversa fiada dos garantistas de cabaré.

30 junho 2018 CHARGES

FRED

COPA DA FALTA DE VERGONHA NA CARA

Comentário sobre a postagem SPONHOLZ

Lena:

“A segunda turma do STF está marcando mais gols (a favor do time dos vagabundos e bandidos, é claro!) do que a seleção canarinho.

É a Copa da falta de vergonha na cara do STF (ou parte dele, pelo menos).

E só não marcaram o gol de placa (soltar o molusco e faze-lo candidato) porque o Fachin fez bem seu papel de zagueiro e abortou a jogada dos canalhas.”

* * *

30 junho 2018 CHARGES

PASSOFUNDO


© 2007 - 2018 Jornal da Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa