COMPRAR OU VENDER?

Estamos diante de uma boa oportunidade aqui no Brasil. Só não sei dizer se é a chance de aproveitar ativos baratos e investir, ou vender tudo que temos e ir para o aeroporto.

A incerteza com nosso futuro nunca me pareceu tão grande como atualmente. Nada contribui para alguma previsão que transmita a menor segurança para nosso horizonte de curto prazo. Apesar da baixa probabilidade de acontecer, ainda não foi definitivamente afastada a hipótese de termos um presidiário condenado por corrupção, como candidato a presidente da república. Uma aberração! Mais uma. Os outros postulantes ao cargo bem cotados nas pesquisas, também não oferecem nenhuma garantia de que são capazes de entender as causas e consequências dos nossos problemas, que terão habilidade para liderar as urgentes mudanças constitucionais e outros ajustes necessários para viabilizar os negócios e fazer o País andar (pra frente), crescer e gerar empregos.

Até maio de 2017 estávamos indo numa direção mais previsível. Parecia que a troca da Presidenta pelo Presidente, havia colocado o Brasil numa rota de ajustes coerentes. Tivemos a impressão que o processo de correção dos erros estava em curso. Houve a aprovação de um teto para os gastos públicos. Uma medida que isoladamente não resolve nada, ao contrário limita ainda mais a liberdade orçamentária, mas demonstrava o comprometimento da equipe econômica do Governo Temer com o equilíbrio do orçamento. Tivemos as mudanças nas leis trabalhistas que indicavam seguir o caminho do programa do PMDB, “Uma Ponte Para o Futuro”.

Uma boa forma de aferir essa mudança de expectativas com a troca de governo foi a evolução do Índice Bovespa, que no auge do desgaste do mandato de Dilma e a Nova Matriz Econômica, esteve cotado em 37000 pontos e foi se recuperando na medida em que foi surgindo a possibilidade de impeachment e troca do comando para Temer. O Ibovespa alcançou 69000 pontos na semana em que Joesley resolveu jogar farofa no ventilador 17/05/2017.

Naquele momento a sociedade debatia seriamente assuntos relevantes. A imprensa ocupava maior espaço com a Reforma da Previdência, o cidadão parecia consciente da necessidade de reformar e se debatia qual reforma fazer. Essa dinâmica foi alterada com a confissão do crime dos Batista e a acusação contra Temer. O foco passou a ser a possível renúncia, ou impeachment. O Congresso parou. Suas Excelências, solidários com o Quadrilhão, esqueceram das reformas constitucionais e concentraram esforços no programa Um Por Todos e Todos Por Um. Livrar Temer foi um excelente negócio, em todos os sentidos.

Hoje a sociedade perdeu o foco. Sabemos que precisamos de muitas e profundas mudanças. Mas por onde começar? Segurança, previdência, reforma tributária, reforma política, privatizações, saúde pública, infraestrutura, equilíbrio fiscal, pacto federativo. Vai longe essa lista. Quem tem programa, apoio político, coragem e equipe para atacar tantas frentes?

Parece que o desafio é enorme e intransponível. Mas, no Brasil tudo muda com muita velocidade. Assim como é grande o obstáculo, também é gigante o prêmio para quem fizer a aposta correta. Continuo acreditando que apesar da imprevisibilidade de Ciro e Bolsonaro, eles terão que atacar, por sobrevivência, a previdência e o déficit fiscal. Alckmin é mais previsível, porém, no meu ponto de vista, tem telhado de vidro, sem resistência para enfrentar as batalhas contra a posição dos segmentos privilegiados pelos equívocos da Constituição Cidadã. Poderia dar continuidade ao presidencialismo de negócios que temos a décadas. Mais um refém do Um Por Todos e Todos Por Um.

O Brasil mesmo desgovernado como está, continua interessando aos investidores domésticos e estrangeiros. Por isso qualquer expectativa de governo sério, comprometido com as contas públicas, em melhorar as condições para empreender, dar segurança ao cidadão e promover as famosas Parcerias Público Privadas para viabilizar investimentos em infraestrutura, poderá desencadear um processo virtuoso de alta na Bolsa e crescimento econômico estilo chinês.

No momento o copo parece meio vazio, mas também pode estar meio cheio.

1 comentário

    • gil (Mons.Anhanguera) em 30 de junho de 2018 às 22:38
    • Responder

    Está presidindo a república um indivíduo que foi eleito como vice-presidente pelos petistas.

    Como petista só faz merda, temos de aguentar o pulha até o fim do ano.

    O que não dá é ficar ouvindo os petistas resmungarem que não foram eles, mas os deputados e senadores que puseram o sujeitinho lá.

    Fica como lição: se teu candidato é ruim ou tem um vice que não presta, não vote nele.

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