1 julho 2018DESCASO



O serviço público é cheio de erros e defeitos que deixam a população em polvorosa, jogada no meio da rua, totalmente desprotegida. A culpa é dos agentes que não dão bolas para as necessidades carentes. É certo que a maioria do servidor público não ganha salário suficiente para se sentir confortado com a precária situação vivida nas instituições do governo.

No entanto, a minoria que recebe altos salários, Legislativo e Judiciário, se faz de cego e mouco, diante das reclamações do povo, para não ser perturbado, não se meter em furadas. Não procurar sarnas para se coçar por culpa de gestores incompetentes e desinteressados em sentir a ansiedade do povo, que apesar de buscar uma maneira de viver com dignidade, tem as carências desrespeitadas pelos administradores.

Como geralmente não dispõe de condições e nem de equipamentos para desempenhar um trabalho proveitoso no expediente, o servidor parte para o improviso. Então, diante das carências, da incompreensível falta de estrutura, é difícil o contribuinte encontrar no serviço público a esperada ajuda, o cobiçado calor humano para ser bem atendido.

O que salva no serviço público é a diminuta quantidade de gente devotada no atendimento, pessoas competentes, prestativas e humanas que fazem até o impossível para atender a quem procura as repartições, na ânsia de receber aquela gentil atenção no serviço social de qualidade.

Diariamente o cidadão sofre barbaridade no transporte público, ônibus, trens, metros sempre superlotados e ultrapassados.

Nos hospitais, postos de saúde e prontos socorros, o paciente enfrenta filas por falta de equipamentos adequados e, principalmente, pela ausência de profissionais preparados em quantidade para não deixar o povo na aflição. Entregue às baratas. Padecendo em macas nos corredores hospitalares.

Para o descaso no serviço público existem aceitáveis explicações. Desinteresse do governante, ineficiência administrativa, falta de recursos, oportunos desvios financeiros praticados pela corrupção, bandidagem de falsos representantes do povo no poder.

Na saúde, embora seja um direito constitucional do brasileiro, mas, quem manda é a negligência. Na Carta Magna está bem claro. Compete ao Estado, como dever, dispensar ao cidadão a devida atenção no atendimento. Mas, este procedimento acontecer de verdade é balela.

Para o dependente do SUS-Sistema Único de Saúde, em especial, o normal é o doente receber desumano atendimento. Péssima atenção. Desrespeito até nas urgências.

Foi o que aconteceu com o bebê, Alice Emanuele, de apenas dois meses de vida, filha da mãe Ariany Duarte da Fonseca, de 26 anos, de Santa Barbara d’Oeste, pequena cidade de São Paulo, com apenas 180 mil habitantes, que sofrendo de problemas respiratórios, procurou o pronto-socorro Afonso Ramos, do município, para atendimento emergencial.

Mas por falta de UTI neonatal, o bebê foi atendido provisoriamente numa caixa de papelão para fazer inalação. A sorte é que a improvisação deu certo, salvou a criança, até surgir socorro imediato em outra cidade.

A sorte é que na cidade vizinha, Sumaré, distante 114 quilômetros da capital, o Hospital Estadual ofereceu ajuda à criança que sofria de bronquiolite.

O curioso é a Secretaria de Saúde se pronunciar, enaltecendo a criatividade da equipe de médicos e de enfermeiros de Santa Bárbara d’Oeste que prontamamente salvou o bebê Alice.

Porém, desconhecer que o sofrimento da família deu-se justamente em função do descaso e da omissão do Estado, que não equipa as unidades hospitalares de acordo com as recomendações médicas mínimas exigidas para o perfeito atendimento da população é dose. É querer fazer o povo de besta. É enoralção de fato e de direito.

0 Comentários

Deixe o seu comentário!


© 2007 - 2018 Jornal da Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa