3 julho 2018DESPEDIDA



Orlando Tejo foi sepultado ontem em João Pessoa.

Jessier Quirino, colunista desta gazeta, se encarregou de fazer a despedida e falou em nome dos inúmeros amigos de Tejo, citando este editor como um deles.

Jessier leu mensagem enviada por Gilberto Melo, poeta de mão cheia, meu amigo e meu conterrâneo de Palmares.

Gilberto escreveu assim:

“Teje vivo, Tejo”.

O nordeste está de luto.

Perdemos uma figura admirável.

Nos próximos dias vou continuar falando de Orlando e contando suas histórias.

No vídeo abaixo, ele aparece cantando um samba de sua autoria intitulado “Indo e Voltando”.

A razão do título é esta: tanto faz você ler os versos de cima pra baixo, como de baixo pra cima.

Tudo se encaixa do mesmo jeito.

O vídeo foi gravado na minha casa, quando eu morava em Brasília, nos anos 90.

No vídeo, Tejo canta apenas a primeira estrofe do samba, de cima pra baixo e, em seguida, de baixo pra cima.

Após o vídeo, está a letra completa.

Confiram a genialidade desta figura encantada. 

INDO E VOLTANDO

Se eu quiser fazer um samba
É só evocar Noel
Batendo papo de bamba
Com o luar de Vila Isabel
A melodia descamba
No peito do menestrel

Como se sambista fosse
As rimas encho de som
A cadência a viola trouxe
Não precisa de outro tom
Só quero uma flauta doce
Para o samba sair bom

O samba é pombo-correio
Quando as suas asas solta
Transmitindo no passeio
A mensagem sem revolta
Se ele volta é porque veio
Se ele veio é porque volta

Se o samba é indo e voltando
E a gente faz batucada
O coração vai marcando
A rima cadenciada
E até surdo sai sambando
Se a luz faz emboscada

2 Comentários

  1. De tudo que soube do grande Orlando, pelas palavras francas e fraternas de Luiz Berto, só posso me sentir pesaroso. Mais: lamentar a perda do inconfundível poeta nacional!

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