“Que se dane o equilíbrio das finanças! Dinheiro é para investir; e investir no que seja preciso”

É isso que pensa nosso divertido e controverso confrade Goiano. Duvido que ele faça isso com seu suado dinheiro. Mesmo estando muito precisado de uma viagem a Europa, de um relógio Rolex, de tomar um vinho Romanée-Conti. Nosso amigo não detona sua poupança, nem faz dividida da forma que ele sugere que o Governo deveria fazer.

A propósito, saiu na Folha de São Paulo, edição de 03/07/2018: “Em crise, fábrica estatal de camisinha na floresta naufraga e para produção. Anunciada como promessa de saída sustentável para o abastecimento nacional de preservativos, a fábrica estatal de camisinha de Xapuri (AC) interrompeu sua produção e tem futuro incerto. Com o nome de Natex, o empreendimento foi inaugurado em 2008, com investimentos do Ministério da Saúde, na gestão do ex-presidente Lulla” Mais uma experiência fracassada do que Goiano acha que vai dar certo.

Concordo em parte com o talentoso fubânico, que o Governo deveria gastar com o que é preciso. O que estamos precisando? Saúde, segurança e educação. São essas as três prioridades para serem aplicados os recursos públicos. Principalmente na segurança, o Governo deve ser o único responsável por esse serviço. Dividir essa tarefa com o setor privado é delicado. Tendo sucesso nessa área tão carente no Brasil, já teremos consequências animadoras para a vida do cidadão com reflexos muito positivos na economia.

O processo que Goiano sugere no seu texto “76 bilhões de Reais” foi tentado durante os Governos Militares e repetido recentemente, desde de 2009 final do Governo Lulla e durante o desastrado período da Presidanta Dilma. Foi isso que assistimos desde a tentativa da política contracíclica (para enfrentar a marolinha) até o triste naufrágio da Nova Matriz Econômica, seus 14 milhões de desempregados e três anos de recessão. Consequência da libertinagem fiscal.

Os economistas chamam essa forma de induzir o crescimento aumentando os gastos públicos, de Ativismo Fiscal. Sobre esse tema trago parte de um texto do economista Samuel Pessoa, de junho de 2017 onde ele comenta sobre a experiência fracassada que nosso confrade sugere repetir. Certamente Goiano tem ajustes para o programa que imagina trarão resultados diferentes, embora usando o mesmo método equivocado e reprovado na prática.

Vamos ao que diz Samuel: “Uma forma de avaliar a política contracíclica realizada no biênio 2009-2010 é comparar o desempenho econômico do Brasil com nossos pares, os países da América Latina excluindo o Brasil, grupo que chamarei de AL-ex.

No biênio 2009-2010, a AL-ex (America Latina sem Brasil) andou a um ritmo anual de 1,6%, enquanto o Brasil cresceu 3,6% em média. Esses números sugerem que a política contracíclica que praticamos no biênio foi bem-sucedida. No entanto, quando olhamos um período um pouco mais longo, entre 2009 e 2014, a AL-ex cresceu 2,9% na média anual, comparado a 2,6% do Brasil.

Ou seja, com todo o ativismo observado entre 2009 e 2014, nosso desempenho foi pior do que o de nossos pares. A comparação é ainda pior, pois no final de 2014 o Brasil tinha acumulado desequilíbrios que comprometeram ainda mais o crescimento posterior”

Os desequilíbrios a que se refere Samuel Pessoa foram uma inflação de dois dígitos, alto desemprego, déficit fiscal primário, aumento acelerado da dívida pública, déficit externo da ordem de 4,5% do PIB. O “crescimento” posterior sabemos que foi -3,8% em 2015, – 3,6 em 2016 (maior recessão da história) e 1% em 2017.

O que não precisamos de fato é entregar mais dinheiro para o Governo gastar mal e desaparecer no mar da corrupção. Precisamos sim de menos governo, menos impostos, menos burocracia, mais facilidade para empreender. Que os governos se atenham as prioridades para as quais nossos impostos são pagos SES (segurança, educação e saúde). Quem assiste ao Jornal Nacional pode ver diariamente no quadro “O Brasil que você quer para o futuro” o desperdício do dinheiro público com obras inacabadas ou inúteis. É esse o resultado do dinheiro que pagamos com sacrifício para Suas Excelências desperdiçarem.

Tenho certeza que Goiano usa muito melhor sua poupança do que o Governo faz com nossos impostos. O “Plano Goiano” já foi tentado mais de uma vez aqui no Brasil e muitas outras vezes pelo mundo. O resultado foi sempre o mesmo, uns mais dramáticos, outros menos, mas todos frustrantes. Para nossa sorte, como diz Goiano, “Lula está preso e sem dúvida inelegível”

Repetindo uma máxima de Roberto Campos: “tudo que pode não dar certo, não vai dar certo”

2 Comentários

  1. Eu fico meio puto quando, para argumentar, se misturam os sacos, de modo que se fala de abóbora para exemplificar tomate.
    Porra, o que tem a ver as finanças particulares, de uma pessoa física, de pinto avantajado, no caso eu, com as públicas? São coisas completamente diferentes!
    Eu não tenho de investir em onça nenhuma, eu tenho de pegar meu salário no fim do mês, pagar as contas e beber cerveja com o resto que sobra!
    E faço isso com o propósito de aquecer a economia, porque se eu não comprar cerveja a Ambev vai à falência!

  2. Trabalhadores de todo o Brasil já estão seguindo os sábios conselhos do goiano: “Eu não tenho de investir em onça nenhuma, eu tenho de pegar meu salário no fim do mês, pagar as contas e beber cerveja com o resto que sobra!”
    Nada de pagar sindicatos e centrais.
    Isso levou a CUT a demitir. Sim, senhor, demitir. Ou, como opção até pouco tempo indesejada pelos sindicalistas, a transformar trabalhador em pessoa jurídica, para se livrar dos encargos ditos sociais.
    Veja em https://www.oantagonista.com/brasil/cut-demite/.
    A falta do dízimo levou a CUT a se mancomunar com o Pastor Valdomiro Gonçalves, para quem estaria vendendo sua sede, “patrimônio dos trabalhadores”. https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/07/cut-negocia-venda-da-sede-para-igreja-do-pastor-valdemiro-por-r-40-milhoes.shtml

Deixe o seu comentário!


© 2007 - 2018 Jornal da Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa