10 julho 2018NOTAS



Recife, a capital de Pernambuco, ainda não apagou a imagem de desigualdade que ostenta. Faz tempo, a capital pernambucana é considerada uma das mais desiguais cidades do país. Deficiente em infraestrutura, a população sofre com a precariedade de serviços de saneamento, distribuição de água, coleta de esgoto e de lixo, inclusive de drenagem urbana. As famílias recifenses, particularmente as de baixa renda, ainda tem de tolerar as deficiências disponíveis em educação e saúde. Quando necessitam de assistência do poder públivco, penam. Além de abrigar grande número de pessoas pobres nos subúrbios, as famílas da periferia, especialmente os que moram vizinhos a bairros com muitos prédios, como é o caso dos residentes no Morro da Conceição, Zona Norte da cidade, sentem de perto o resultado das desigualdades. Embora vizinhos, a convivência social não é saudável. Enquanto a pobreza se ressente do precário acesso aos serviços públicos, os descendentes de famílias de alta renda dispõem do bom e do melhor. Boa assistência médica e educacional. Embora todos sejam recifenses.

*
A questão é polêmica, de difícil interpretação. Ora, se a taxa Selic-Sistema Especial de Liquidação e Custódia despencou pra valer, os juros bancários não baixam. A Selic, a taxa básica de juros que regulamenta o financiamento interbancário de operações, garantida por títulos públicos federais, atualmente ocupa razoável patamar, graças aos esquemas empregados pelo Banco Central. Então, por que os juros bancários não caem também, permanecem lá em cima. Não cedem um pouco, não baixam nem a pau. Os bancos alegam bons motivos para cobrar juros tão caros. Argumentam pendências com as taxas de risco, a inadimplência, os impostos e o compulsório recolhido em função dos spreads, a diferença de juros entre o que o banco cobra do cliente e o que paga para captar dinheiro no mercado financeiro. No entanto, os economistas culpam a concentração de bancos como desculpa pelos juros altos. De fato, quem domina o mercado financeiro são apenas quatro bancos. O Banco do Brasil, a Caixa Econômica, o Bradesco e o Itaú. O grupo dos fortes é composto por dois bancos públicos e dois privados. Juntos, o quarteto bancário domina 72,98% dos ativos financeiros do país. Das 21.579 agências bancárias em funcionamento no Brasil, 78% pertencem a essas feras bancárias. Todavia, mesmo poderosos, os gigantes sentem a compressão do crédito. A falta de financiamento para faturar altos lucros. Porém, não cedem uma vírgula sequer para baixar os juros.

*
O nordestino nem desconfia. Mas, na opinião de médicos especialistas, o câncer encontra favorável ambiente no Nordeste para atacar pessoas com mais intensidade. A Paraíba conta com 223 municípios, porém, em quinze cidades, o câncer é o foco das mortes. Em Serra Grande, município do Sertão paraibano, quase a metade das mortes é provocada pela temível doença. Embora alguns tipos de câncer possam ser evitados com antecedência, mas, devido às dificuldades para diagnosticar a tempo as neoplasias, o crescimento anormal do tumor no organismo, adiando a prevenção e o tratamento, os óbitos aumentam. Segundo cancerologistas, existem naquelas paragens, boas condições para o aparecimento do câncer. A alta exposição do sertanejo ao sol, a falta de protetor solar para passar na pele, como dica protetiva, o uso de amianto na fabricação de canos para o saneamento, cuja utilização foi proibida, o consumo de água de açude, sem ser analisada antecipadamente, o vício do fumo e da bebida expandem elevam as mortes na Região. Por outro lado, não se deve esquecer que o estresse, o sedentarismo, a obesidade, quando não tratados convenientemente, também facilitam a incidência ddo câncer.

*
Realmente, quem pesquisa, descobre segredos. O escritor e mestre em Administração Moderna, o austríaco Peter Drucker, falecido em 2005, disse com muita propriedade. “Não existe país subdesenvolvido. Existem, sim, países mal administrados”. Quando falta qualidade, com certeza, o cliente mostra insatisfação com o produto comprado. O contribuinte reclama contra a desatenção do Poder Público, a pessoa prejudicada protesta, quando precisa se utilizar de serviço de seu interesse, no entanto, é presenteado com negligência ou deslealdade por parte do atendente. Inchado e ineficaz, o Brasil peca por falta de produtividade. Falha na produção, trabalha demais para produzir pouco, gasta muito e se endivida. Por isso, a população se queixa contra a carência dos serviços básicos. Critica o elevado custo Brasil, em função do excesso de burocracia, do festival de corrupção, da deslealdade de políticos despreparados para o mandato, de gestores incapazes e desonestos, de péssimos empresários que, donos do dinheiro, enfeitiçam os agentes públicos, levando-os para a intolerância, da abusiva desigualdade reinante e da tradiconal dependência econômica do petróleo.

*
Em país ordeiro, o bom comportamento é imprescindível, sob todos os aspectos. No trabalho, então, o Japão não perdoa erros, não releva espertezas, contesta indisciplina. A regra para o japonês jamais pode ser desrespeitada. Lá, o regulamento não pode ser ferido. De modo algum. Daí o bordão, “comeu, não leu, leva cacete”. Um velho funcionário de uma empresa do Estado, com 64 anos de idade, resolveu sair três minutos adiantados para o almoço. Avaliada a conduta do subordinado, os chefes descobriram que a prática de antecipar a saída para as refeições já se repetia em 26 vezes. Avaliada em conjunto pelos gestores, a conduta profissional do velho trabalhador foi classificada como de péssimo exemplo. Então, não restou outra alternativa para a empresa, senão repreender e punir o empregado, pedir desculpas à sociedade pelos escândalos que desvirtuam do tradicional padrão japonês de organização. O Japão faz questão cerrada de não fugir da regra de organização. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Japão sofreu muitos ataques dos adversários. Os bombardeios destruíram muitas indústrias. Na ânsia de reconstruir a base produtiva, os japoneses copiaram o modelo Ford de produção, criado por Henry Ford, em 1914, para engrenar a produção em massa. A metodologia ficou batizada como Fordismo. O Fordismo, criado por Henry Ford, seguia a seguinte estratégia para atingir a produção em massa. Elevar a produção, segurar os preços baixos, de modo a tornar o produto atrativo e bem disputado pelo consumidor. Para compensar o trabalhador, Ford adotou outra a regra. Oficializar o expediente de oito horas e cinco dólares. A ideia pegou, e com disciplina e eficiência, a linha automática de montagem em pouco tempo atingiu alta produtividade. O forte do Fordismo visava padronização, a produção em massa de bens homogêneos, formar grandes estoques e seguidos testes de qualidade. O Fordismo deu tão certo que foi copiado pelos japoneses na criação da metodologia do 5S, baseado na introdução de cinco palavres iniciadas pela letra S em japonês. As palavras são, Seiri, que significa senso de utilização, Seiton, simbolizando o senso de organização, Seiso, senso de limpeza, Seiketsu, senso de saúde, e Shitsuke, traduzida como senso de auto disciplina. Aprovada, a metodologia serviu para levantar a indústria japonesa, destruída pela guerra e dar moral para o Japão se reorganizar como nação em desenvolvimento. Seguindo o roteiro da ordem e da disciplina como fonte de progresso.

10 Comentários

  1. se fosse fazer prognostico deste respeito as regras e as leis , a moralidade a decencia ,a honra teria coragem de dar um espaço de tempo para que o brasil assum pelo menos a metade desta responsabilidade civil e cultural, se me questionarem sobre isto irei me abster de tentar chutar um prazo visto , que nos ultimos dezeseis anos so vimos a nossa sociedade se tornar mais conivente com criminosos eexpertos , o que se traduz em pais de terceiro mundo , somos como aquele cidadao que fura o barco em alto mar para molhar a roupa de uma pessoa mal quista ,mesmo ele tambem estando dentro do barco…

    • Caro Alberto Santo, realmente o brasileiro tem sido conivente com a criminalidade. É vítima, mas não exige da política melhores condições de trabalho policial para reduzir as brutalidades. Não cobra o emprego de tecnologia para topar com a ousadia do criminoso.

  2. apenas atualizando a presidente do STj,laurita vaz manteve lula preso e ainda deu aval e solidarizou-secom ojuiz sergio moro afirmando que ele agiu dentro das regras legais m e afirmou que o desmbargador favreto , com sua ordem de soltura do criminoso , usurpou direitos com atos de vassalagem ignorou todo o tramite legal alem de desqualificar todos os pedidos de soltura do criminoso , deixando claro que qualquer hc em respeito a lula ou utro condenado tem que passar pelo pleno do stj

    • Caro Alberto Santo, eu aprovei a decisão da presidente do STJ, ministra Laurita Vaz, referente ao episódio da soltura do ex-presidente Lula. Sensata, firme e corajosa, a ministra reprovou a conduta do magistrado inferior. É disso que o Brasil precisa para não se desestruturar por completo.

  3. Muito bom Ivan. A seriedade desse povo impresciona mesmo. Recentemente, cuidei de um projeto com uma empresa japonesa. No contrato eles colocaram, por exemplo, REPORT, e eu coloquei em relatórios, assim com letra minúscula. Tinha outras palavras e eles pediram para escrever do mesmo jeito que eles. Eu argumentei que não haveria impacto legal. Não teve jeito. Realmente, uma cultura que vale a pena

    • Caro Maurício Assuero, às vezes a gente pensa que o japonês é muito burocrático. Mas, no meu entendimento acho que o modo de não abrir nem pro trem faz parte da cultura local que recomenda agir sempre corretamente. Sem fugir do devidamente correto. Valeu a sua observação.

  4. Sr. Carlos Ivan, parabéns pelo texto. Belíssimo.
    Moro no Japão há 30 anos e sou eng. de sistemas do grupo Toyota e realmente tudo que dissestes é verdadeiro.
    Aqui a citação, Ordem e Progresso é levada a ferro e fogo.
    Abraços.

    • Caro Nino Yoshida agradeço de coração o seu excelente testemunho sobre o meu texto. Parabéns por morar num país super civilizado, exercer uma bela profissão e trabalhar numa empresa de alto conceito mundial. Enobrece saber que o termo Ordem e Progresso é levado a sério ao contrario do Brasil, onde, apesar de constar na nossa bandeira, a expressão é desobedecida na íntegra até pelas autoridades que dirigem o nosso país. Infelizmente. Daí os escândalos, a turbulência e as incertezas afundando o Brasil. Sucesso e alegrias nesse maravilhoso país.

    • Caro A. Luiz, lamentável, mas a sua citação sobre o termo Ordem e Progresso é desvirtuado completamente em nosso país. Justamente por pura palhaçada.

Deixe o seu comentário!


© 2007 - 2018 Jornal da Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa