14 julho 2018 CHARGES

LUTE

PEDRO MALTA – RIO DE JANEIRO-RJ

Berto,

A Croácia, com uma Presidente como Kolinda Grabar-Kitarovic, tem tudo para ser a campeã da copa.

Será que alguém discorda?

R. Caro colunista, eu não discordo de modo algum.

Uma galêga bonita assim, com um pé-de-rabo presidenciável deste porte e com peitos altamente mamáveis, tem mesmo tudo pra ser campeã do mundo.

Todavia, mais que essa boniteza toda, tem um detalhe muito importante e que merece ser ressaltado:

Ela comprou as passagens para ir à Russia com dinheiro do próprio bolso e viajou em avião comercial.

Mais ainda: mandou descontar do seu salário estes dias em que não está trabalhando, torcendo pela seleção do seu país.

Parece até que ela é presidente de Banânia, num é?…

14 julho 2018 CHARGES

CLÁUDIO

NOTAS

A greve dos caminhoneiros revelou outra fragilidade da economia. Para escoar a produção, o país depende basicamente do modal rodoviário. Mas, deixar um país submetido somente à estrada, aceitar que interesses políticos defendam o caminhão e o diesel para transportar mais da metade da produção nacional, especialmente quando as dimensões territoriais são extensas, é um erro. A Europa e a maioria dos países desenvolvidos do mundo, em vez de priorizar o caminhão, optou também pela ferrovia. Por óbvias razões. O trem transporta muito mais carga, muito mais minério e grãos, além de passageiros, numa única viagem, a um custo bem mais barato. A via férrea é menos poluente e bem atrativa para a infraestrutura. Enquanto a vida útil do caminhão não ultrapassa dez anos, a do trem chega aos trinta. Quem desmotivou a utilização da ferrovia no Brasil foi a indústria automobilística, implementada por JK, na década de 1950, com base apenas em opiniões políticas, ao invés de empregar planejamento técnico como é praxe nas melhores economias. Para piorar a situação, a decisão de JK foi reforçada pela ditadura militar com a privatização da RFFSA. A partir da expansão do parque industrial automobilístico, claro os investimentos na ferrovia caíram e permanecem parados até o momento, apesar do modal ferroviário ser abrangente por desdobrar-se em trem de carga, de passageiros, metrô e VLT-veículo leve sobre trilhos. A malha ferroviária brasileira, que um dia superou a dos Estados Unidos, com 37 mil km de trilhos, atualmente só dispõe de 29 mil km, com o inconveniente de boa parte das ferrovias encontrar-se sucateada, ou em estado de abandono ou então deteriorada pela ferrugem. Para construir uma ferrovia, existem obstáculos. O projeto geralmente acarreta longo prazo e como o governo muda de quatro em quatro anos, a descontinuidade no planejamento logístico desmotiva os investimentos. Ocasiona, evidentemente, deficiência neste meio de transporte e a falta de concorrência. O transporte rodoviário é importante na economia. Ajuda a agrupar valor aos produtos, porém é sujeito aos engarrafamentos, às estradas esburacadas, mal conservadas e à demora nos descarregamentos. No mundo, a predominância do meio de transporte é o ferroviário, seguido do rodoviário e hidroviário. Somente o Brasil não costuma diversificar os modais de transporte, preferindo concentrar-se no basicamente no rodoviário que tem custado caro à economia porque, além de travar o progresso, não diversificar o escoamento da produção, encarece, e como encarece o preço.

*

As eleições se aproximam. Convém ao eleitor tomar consciência da importância do voto. Quando bem sufragado, o voto evita dissabores e decepções. Na atual legislatura, aprovada nas urnas em 2014, por causa da eleição de péssimos parlamentares, o país sofre consequências. Absorve impactos negativos. Atualmente, o Brasil tem a pior representação política desde 1985, é mais conservadora do que a de 1964. Aliás, quando começou a atual legislatura, em 2015, a quantidade de partidos registrava 28 partidos. Hoje, o número de partidos pulou para 35 parece que para dificultar a governabilidade por falta, justamente de iniciativas ideológicas. Então, cabe ao eleitor não se esquecer das frases que marcaram nas últimas eleições, como propaganda política. “Quer transar, o governo dá camisinha. Engravidou, busque o Bolsa Família. Tá desempregado, procure o seguro desemprego, Matou ou roubou, proteja-se com o auxílio reclusão” que tudo se ajeita. De fato, brincadeira ou não, o voto tem um significado muito importante. Na verdade, o voto expressa a vontade, determina a preferência do eleitor por determinado candidato que, uma vez eleito, o vitorioso procure trabalhar com afinco, sinceridade e honestidade para não decepcionar quem lhe presenteou com um mandato legislativo nas urnas.

*

Pense num trem cinco estrelas. Será que existe na face da Terra é fantasia ou mera utopia. A tecnologia japonesa tem feito prodígio neste meio de transporte ferroviário que impacta e repercute. Quem procura o trem cinco estrelas, é bem recebido por uma comitiva de primeira linha, educada, cortês e sorridente. Ao entrar na locomotiva, as surpresas para o passageiro. O luxo no compartimento, a poltrona superconfortável, a visão panorâmica, a sala de estar de primeiro ordem, a mesa no restaurante, a cozinha sofisticada, o fino serviço gastronômico, o quarto, o conforto da cama e o requintado banheiro. Para completar, a mordomia inclui até pianista. O problema é a vontade de nunca mais querer sair de um ambiente tão acolhedor. Como se esta novidade não bastasse, o Japão inaugurou outro trem moderníssimo. Bem mais luxuoso. Trata-se do trem Shiki-Shima de dois andares com janelas panorâmicas, salas de descanso compartilhadas, refinado restaurante e 17 suítes com capacidade para duas pessoas. Para fazer uma viagem de dois dias, o passageiro paga o preço de R$ 8.8 mil. Mas, apesar do preço salgado, até março passado a lotação do trem mais luxuoso do mundo estava completa e a fila, extensa. É justamente poir causa dessas requintadas regalias que servem a tecnologia e o desenvolvimento. Qualidades usufruidas somente por quem tem o privilégio de morar em países de primeira linha.

*

A qualidade do servidor público permanece desagradando o cidadão. Segundo um instituto suíço, dentre 59 países analisados, o serviço público brasileiro foi enquadrado no 5º lugar, dentre os que apresentaram os piores índices de funcionamento. As causas das críticas se baseavam em má gestão, indicação política e o reduzido salário pago à categoria. Os países que apresentaram melhor nota no serviço público foram Hong Kong, Cingapura e Suíça. Em Pernambuco, de acordo com outro levantamento feito internamente, o quadro apresentado em 185 municípios, constata que quase 7 mil indicados pela política e contratados pelo poder público não tem o ensino fundamental. Todavia, a política não avalia o grau de instrução do candidato ao cargo público, muitas vezes nomeado para exercer a função de comissionado, pensando apenas em assegurar a reeleição do indicador. Na França, especialistas apontam que esse tipo de expediente para o serviço público, através da indicação política, ignorando a qualificação profissional, tem os seus inconvenientes. Não traz economia nenhuma para os cofres públicos porque só faz é desorganizar o serviço. Ser alvo de críticas da população. Então, para evitar dessabores, o gestor público tem de se empenhar em contratar funcionário que realmente demonstre eficiência para a função. Mas, para evitar dispêndios, a contratação de funcionários deve seguir os parâmetros da competitividade. Aliás, as críticas também atingem o concurso público. Na opinião do professor de Direito da FGV, Rio de Janeiro, Fernando Fontainha, o concurso público tem suas imperfeições. Beneficia quem tem dinheiro para garantir a aprovação em boa colocação, alimenta uma indústria de cursos destinada a cobrar caro pelo ensinamento das matérias do concurso, cria, enfim, um sistema de arrecadação para desfigurar o processo seletivo., Ao invés de cobrar taxa de inscrição e elaborar provas de múltipla escolha, Fontainha recomenda que no momento da seleção, o candidato apresente competência e experiência profissional para a função. Devidamente comprovadas.

*

O banheiro químico oferecido ao público nos eventos ao ar livre parece sucata. O cheiro é insuportável, o produto químico para diminuir o odor do xixi, é fraco. Não tira o mau cheiro. Por isso, o banheiro químico brasileiro incomoda o nariz, dar nojo entrar num deles. Apesar do tempo evoluir, a figura da cabine química não mudou nada, com o passar dos anos. Tem o mesmo formato, inclusive a cor, de quando foi inventado na Califórnia em 1940. Percebendo que o trabalhador perdia tempo nas obras ao precisar fazer as necessidades fisiológicas, e que não dispunham de banheiros fixos próximos para resolver o problema, um chefe bolou a cabine que todo mundo conhece, feita com paredes de fibras de vidro, tipo de plástico reciclável leve e higiênico, com capacidade para armazenar até 264 litros de excrementos humanos. Cada cabine atende 220 pessoas, durante um evento com uma hora de duração. Como não evoluiu, o cheiro do banheiro químico brasileiro é intolerável. Aliás, o país não pensou no deficiente físico, apesar de ser exigida instalação obrigatória e adaptada em eventos realizados ao ar livre nos espaços públicos e privados. Ao contrário do Brasil, a toilette oferecida ao público em Paris, França, é decente. A cabine é autolimpante. Após cada uso, o banheiro leva um banho de água para limpar a sujeira, ficar agradável de novo e devidamente pronto para receber outro usuário. Somente quando acender a luz verde, o novo cliente fazer uso do banheiro. Na Rússia, os jornalistas que cobriram a Copa tinham à disposição, banheiros ultrassofisticados. Daí os diversos elogios do pessoal da imprensa mundial ao país que sediou esta Copa do Mundo. Enquanto isso, a limpeza dos banheiros químicos brasileiro sõ são limpos, quando recolhidos do local onde foram instalados na vespera de eventos esportivos, públicos ou artísticos. Situação de estrumeira que é ignorada até pela Vigilância Sanitária.

14 julho 2018 CHARGES

SPONHOLZ

ZENAIDE M. GALVÃO – BELO HORIZONTE-MG

Caro Editor do Jornal da Besta Fubana:

Três deputados petistas quebraram a cara domingo passado.

Não adiantou nada a trapalhada que eles fizeram e Lula continua na prisão.

Me lembrei do que diz um grande amigo meu, colega de magistério:

“Petista é igual intestino: ou tá preso ou tá preparando uma cagada.”

Nunca vi coisa mais certa.

14 julho 2018 CHARGES

J. BOSCO

14 julho 2018 DEU NO JORNAL

INTELIGÊNCIA FULGURANTEMENTE VERMÊIO-ISTRELADA

O golpe do plantonista Rogério Favreto foi um fracasso tão grande que os petistas passaram a atacar os deputados Wadih Damous, Paulo Pimenta e Paulo Teixeira.

Dentro do PT eles foram comparados aos aloprados.

E um defensor de Lula disse:

“Foi muito ruim. Esse assunto estava sendo tratado de forma profissional. Se fosse um lulista desesperado que apresentasse um pedido desses, vá lá. Mas são três deputados, um deles líder do partido, que ingressaram com essa ação cheia de falhas.”

* * *

Até um petista, mesmo sendo petista, é capaz de enxergar a cagada que este trio fez.

Menos, evidentemente, o fubânico lulo-petista Ceguinho Teimoso.

Em comentário feito aqui no JBF, Ceguinho classificou o petêlho Paulo Pimenta, líder do bando na Câmara dos Deputados, de forma diferente.

Ceguinho escreveu textualmente o seguinte:

“Paulo Pimenta é um deputado que chama a atenção pela inteligência fulgurante.”

Como Ceguinho chegou a esta conclusão – que este tabacudo, mesmo sendo do PT, tem “uma inteligência fulgurante” -, é um mistério profundo.

Um mistério que Ceguinho poderia nos ajudar a desvendar.

Eu mesmo tô curioso que só a porra pra saber porque o PPP – Petêlho Paulo Pimenta, mereceu esta iluminada distinção.

Vejam alguns sinônimos de fulgurante, segundo os dicionários Aurélio e Houaiss:

Pelo que está escrito nos dicionários aí de cima, concluímos que são duas condições mutuamente excludentes: ser petista e ser fulgurante.

É impossível ser um obscurantista vermêio-istrelado e, ao mesmo tempo, soltar luz no mundo, relampejar, brilhar, fulgir.

A cagada de Pimenta não tem fulgurância: tem a cor cinza de um tolôte de bosta de dinossauro.

Paulo Pimenta cintilantemente babando ovo do prisioneiro Lula, atualmente apagado e sem qualquer luz

14 julho 2018 CHARGES

VERONEZI

O DIA SEM SOL E NOSSOS POLÍTICOS

Essa Copa de algumas surpresas serviu também para revelar-me uma região da Rússia, onde está situada a cidade de São Petersburgo, onde o sol permanece ‘aceso’ por 18 horas durante o dia, por conta do fenômeno relacionado à sua posição geográfica. Hoje, por exemplo, dia da semifinal da copa, sábado, 14 de julho de 2018, o nascer do Sol ocorreu às 4:01 h e seu pôr se dará às 22.07 h, perfazendo um dia com 18 horas, 5 minutos e 29 segundos.

Há outras regiões em que isto ocorre com maior intensidade, não havendo noites, literalmente. A lua vive de férias e o sol trabalhando 24 horas por dia. No verão no Polo Sul , durante quatro meses, a noite é inexistente, ou seja, vários dias de 24 horas com o sol brilhando no céu.

Em outros lugares a natureza se diverte de forma diferente: são vários dias de escuridão, sol escondido e muito mais frio durante o inverno. Em Norilsk, por exemplo, três meses por ano, de novembro a fevereiro, o sol não nasce e somente a aurora boreal rompe a escuridão da longa noite. Ventos e o frio são quase eternos.

Dentro da utopia que às vezes nos ajuda a sonhar, fiquei a imaginar fosse o Brasil situado vizinho à Norilsk, num lugar em que não existisse dias e que o sol não aparecesse. Seriam 24 horas de lua, de muitas luas, de noites longas, escuro total. Seria o local ideal onde deveriam morar nossos políticos: talvez as 24 horas às escuras os estimulassem a dormir e, dormindo, não pudessem nos roubar. Talvez sonhassem com o roubo, como sonho com a existência desse lugar. Sonhar ainda pode.

14 julho 2018 CHARGES

LUSCAR

MANOEL MARIA DE HOLANDA – CACHOEIRA DOURADA-GO

Prezado editor Berto,

Aqui vai uma lembrancinha para quem votou no PT.

Uma coletânea de obras-primas do poste de Lula.

Cordiais saudações

 

R. Grato pelo envio desta antológica coletânea, caro leitor.

Falo pra você com franqueza: quando eu penso que esta anta foi eleita (e reeleita!!!) presidente deste país banânico, me dá uma desilusão danada e eu perco as esperanças no nosso futuro.

Estamos lascados do primeiro ao quinto. Ou, melhor dizendo, do primeiro ao 13º.

Em terra de ceguinhos, quem tem um Lula é rainha.

Rainha de um império de tabacudos.

Com este eleitorado que tá aí, com a militância petralha sujando o mundo de merda e com os zintelequituais zisquerdistas banânicos cagando pela boca, nós tamos fudidos.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

14 julho 2018 CHARGES

DUKE

14 julho 2018 AUGUSTO NUNES

A FICHA CAIU

Lindbergh reconhece que Lula pertence à mesma tribo que inclui Suzane von Richtofen, Marcola, Nem e Marcinho VP

“Quem não lembra das entrevistas de Suzane von Richtofen, Marcola, Nem, Marcinho VP? Mas Lula, preso injustamente após um processo pífio, cheio de irregularidades, sem uma única prova que justificasse sua condenação, não pode falar. O nome disso é arbítrio, é golpe!”.

Lindbergh Farias, senador do PT fluminense, no Twitter, afirmando que Lula deve receber o mesmo tratamento dispensado a quem mata pai e mãe ou chefia organizações criminosas.

14 julho 2018 CHARGES

MÁRIO ALBERTO

SONETO DE AMOR ETERNO

Para você não buscarei, querida,
sofisticadas fórmulas modernas.
O bronze antigo, a estrofe bem polida
dizem melhor das afeições eternas.

(E eterno é o nosso amor. Maior que a vida!
sob os ásperos sóis ou sob as ternas
carícias do luar, tem por medida
o desmedido das paixões supernas.)

Para falar de amor, prefiro agora
aquela mais suave poesia
que de risos e lágrimas dizia.

E assim lhe mostro o nosso amor: eterno
e claro e triste — como um deus que chora,
mas cujo pranto abranda os sóis do Inferno.

14 julho 2018 CHARGES

MARIANO

14 julho 2018 DEU NO JORNAL

AMIGOS DO REI

Setores do Judiciário resolveram rasgar a fantasia de vez. Tiveram outras oportunidades, é bem verdade. Mas não foi por falta de vontade. Não o fizeram em outrora por pura precaução. No julgamento do mensalão, por exemplo, pensaram no custo alto para suas biografias, na nódoa que causariam em suas reputações e em como ficariam indelevelmente marcados no tribunal da história. No íntimo, porém, os magistrados sabiam bem por quem seus corações pulsavam. As pessoas podem até driblar seus desejos mais recônditos durante algum tempo, mas não o tempo todo. Uma hora remove-se o véu com o qual elas os cobriam.

É o que tem acontecido, desde Lula preso, com segmentos do Judiciário brasileiro. A inestimável gratidão de magistrados beneficiados pelo loteamento nos tribunais superiores promovido pelo PT em 16 anos de poder, antes escamoteada, quase envergonhada, restou clara, manifesta e, para não dizer, despudorada agora. Para atender aos anseios de Lula não se importaram em enlamear as próprias togas.

Nas últimas semanas, os ministros do STF Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e, mais recentemente, o desembargador Rogério Favreto passaram a agir sem qualquer cerimônia, sem nem mesmo corar a face e à luz do dia como diletos amigos do Rei. No que dependesse deles, todos estariam na Pasargada de Manuel Bandeira, sob os desígnios do poder imperial de Lula. A trama da qual ousou participar Favreto, enquanto os brasileiros ainda viviam a ressaca da eliminação do Brasil na Copa, não foi uma investida isolada. Simplesmente manteve a toada das recentes deliberações da segundona do STF, cujas decisões destituídas de fundamento jurídico têm se revelado eivadas de muito fundamento político. “Toffoli é o Favreto do PT no STF. Ele e Lewandowski”, sapecou o jurista Modesto Carvalhosa. Modesto é, sem modéstia, um dos poucos a colocar o dedo na ferida exposta do Judiciário brasileiro.

“Flagrante desrespeito”

Ao esgrimir as causas do PT, partido ao qual foi filiado por duas décadas, Rogério Favreto lançou-se numa cruzada para livrar Lula das grades a qualquer custo. Criou uma “esdrúxula situação processual”, como bem pontuou a ministra Laurita Vaz, presidente do STJ, a quem coube chamar as coisas pelos seus respectivos nomes em voto histórico contra o habeas corpus de Lula. Laurita, cujo nome significa árvore de louros, apresentou-se gloriosa ao falar em “flagrante desrespeito” à decisão colegiada da 8.ª Turma do TRF da 4.ª Região. Favreto, acrescentou Laurita, quis transformar algo surrado de velho, amarelado pelo tempo, qual seja, a pré-candidatura de Lula à Presidência, em “fato novo”. Mas conforme a ministra bem pontuou “é óbvio e ululante que o mero anúncio de intenção de réu preso de ser candidato a cargo público não tem o condão de reabrir a discussão acerca da legalidade do encarceramento”. A magistrada ainda utilizou termos como “tumulto processual, sem precedentes na história do direito brasileiro” para refutar a manobra urdida pelo PT. Concluiu chamando Favreto de “incompetente”.

O real fato novo

Na verdade, o fato novo, a qual Favreto se referiu, era o que ele queria criar: qual seja, a soltura de Lula, nos braços dos sindicalistas de São Bernardo, berço político do lulismo de onde o ex-presidente pretendia ungir ao Planalto seu candidato e pretenso herdeiro do seu espólio eleitoral, Fernando Haddad. A algazarra estava armada. Restou, no entanto, a narrativa de “perseguido” que o PT tentou novamente dourar ao longo da semana. É o famoso “acuse os outros daquilo que você faz”. Nunca se viu um Judiciário tão benevolente ao PT, a despeito das boas exceções que se dispõem a trabalhar arduamente para manter Constituição íntegra e de pé. Os petistas preferem disseminar o inverso.

Prova irrefutável disso é que o golpe jurídico que três parlamentares petistas – Paulo Pimenta, Wadih Damous e Paulo Teixeira – tentaram desferir de maneira premeditada, tendo como ponta-de-lança um desembargador de estrela vermelha no peito nomeado por Dilma Rousseff, por muito pouco não foi consumado. Frustrou-se aos 48 do segundo tempo diante da serenidade dos desembargadores Gebran Neto e Thompson Flores, e da rapidez do juiz Sergio Moro, que fizeram prevalecer o bom direito.

Damous negou a intenção deliberada de fazer com que o pedido caísse para Favreto. Admitiu, porém, em seguida: “Você não pede habeas corpus a um juiz que vai negar. Certo?”. Certo. Ou não. Só no STJ o PT impetrou 143 pedidos de habeas corpus. Todos negados pela ministra Laurita Vaz, que desabafou: “O Judiciário não pode ser um balcão de reivindicações”.

Além dos limites da sala-cela de Lula, o que fica de negativo de tudo isso para a sociedade brasileira é a profunda insegurança advinda de tribunais que julgam ao sabor das suas inclinações políticas e não da leitura imparcial das leis. Graças ao triste espetáculo encenado nos últimos dias, juízes de Direito vão ficando cada vez mais parecidos com juízes de futebol. Ambos são temas das mesas de botequim, sujeitos a serem xingados ou exaltados nas ruas conforme suas decisões agradem ou desagradem às torcidas. Os magistrados não podem reclamar se hoje recebem o mesmo tratamento dos seus colegas de chuteira. A culpa é deles mesmos, a partir do momento em que começaram a permitir que seus pendores políticos comprometessem as necessárias isenção e neutralidade.

Investida final

Assim, o projeto “Lula livre” segue em curso. E com o beneplácito de membros do Judiciário, a quem Lula e o PT diz “perseguí-los”. Na terça-feira 10, corregedor-nacional de Justiça, ministro João Otávio de Noronha, determinou a abertura de procedimento para apurar não apenas a conduta do desembargador Rogério Favreto, como também a de João Pedro Gebran Neto, do TRF-4, e do juiz Moro. O corregedor sabe quem atropelou as normas jurídicas, mas preferiu colocar todos no mesmo barco. Afinal, não está aí para explicar, e sim para confundir. Ao confundir, ele atende diretamente aos propósitos da narrativa petista. A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, não caiu na armadilha. Pelo contrário. Mandou investigar quem de fato deve ser investigado: Rogério Favreto, a quem acusou de prevaricação. Dodge descreveu o caso como “episódio atípico que produziu efeitos nocivos para a credibilidade da Justiça”.

Em outra trincheira, o PT colocou em marcha uma sórdida campanha contra as autoridades que desmontaram a farsa jurídica pela liberdade de Lula. Ao longo da semana, agiu como costumava fazer desde que fora seduzido pelos encantos poder. Adotou a mentira como dogma de ação. A nova conversa fiada foi a história de que Sergio Moro estava em Portugal, quando se manifestou contrário a soltura do ex-presidente. Mentira deslavada. Nos últimos dias, o juiz jamais arredou o pé de Curitiba. Ciente de que grassa no País um Judiciário “totalmente acovardado”, como dizia Lula, o PT não esconde que fará novas investidas tão logo Temer se ausente do País e ceda lugar à presidente do STF, Cármen Lúcia, o que permitirá que Dias Toffoli, reprovado por duas ocasiões em concurso para juiz de direito, assuma o comando do Supremo. Durante as férias do Judiciário, Temer fará três viagens internacionais. A intenção do PT é acionar o ministro camarada no plantão com novos pedidos de habeas corpus. O magistrado terá autonomia para tomar qualquer decisão. Ou seja, Dias Toffoli no posto máximo do Supremo em pleno recesso da corte é o prelúdio de novos dias sombrios para o Judiciário brasileiro.

Revista Isto É

14 julho 2018 CHARGES

AMARILDO

ORDENER CERQUEIRA

Segundo Aldemar Paiva, o genial compositor Capiba costumava dizer que o alagoano Ordener Cerqueira era o cara mais engraçado que ele conhecia. Ordener foi meu ídolo na infância e juventude. Eu me divertia ouvindo suas histórias. Amigo da família, dentista, consultório na Rua Boa Vista, ele contava que, quando eu era menino, meu pai, Coronel Mário Lima, trazia seis soldados para segurar e abrir minha boca. Só assim ele tratou meus dentes.

Durante sua juventude Ordener estudou no Liceu Alagoano. Havia um professor que dava aula sentado, tinha mania de colocar a mão esquerda na primeira gaveta do birô enquanto falava aos alunos. O preguiçoso professor tinha uma voz monocórdia que provocava sono. Certo dia, no quintal da casa de Ordener, apareceu um enorme caranguejo goiamum, azulado e brabo, uma pata maior que o casco. Ele conseguiu amarrar o caranguejo pelas patas e guardou-o. Na manhã seguinte, acondicionou em fibras de bananeira e levou-o para o Liceu. No intervalo, antes da aula chata do professor preguiçoso, Ordener soltou o arisco caranguejo na primeira gaveta, fechando-a. O professor entrou na sala, sentou-se na sua confortável cadeira. A certa altura, devagar, abriu a primeira gaveta e enfiou a mão. De repente deu um grito enquanto puxava o braço com o enorme caranguejo com a pata travada no dedo mindinho. Ele berrava apavorado, pedia socorro, enquanto a alunada vibrava, deliciava-se às gargalhadas. Acudiram, conseguiram abrir a pata presa no dedo. O professor aproveitou não deu mais aula, exigiu a expulsão do meliante que colocou o caranguejo na gaveta.

Ordener foi o inventor do pastoril dos estudantes. Nas vésperas de Natal, vários estudantes dançavam o pastoril fantasiados de pastoras. Ele era a vedete, a contra mestra, a primeira pastora do cordão azul. CSA doente.

Outra vez ele fazia teatro estudantil, Paixão de Cristo, peça encenada na semana santa. Ordener fazia o papel de Cristo, e o amigo, Luís Alves, o papel de Lázaro. Ensaiaram bastante até o dia da estreia, sábado à noite no Teatro Deodoro. Os dois boêmios não eram de perder um sábado, ele e Luís encheram a cara de cachaça durante o dia. Chegaram às sete horas da noite no Teatro com bafo de cana, cheios de birita. Luís estava mais bêbado, ainda bem que durante a peça não havia fala para o Lázaro, seu papel era ficar morto até quando Cristo (Ordener) mandasse levantar, quando Lázaro (Luís) levantava-se, ressuscitando.

A peça prosseguiu normalmente, até que veio a hora da cena: Luís (Lázaro) deitado no chão, morto, e Ordener (Jesus) falaram alto, comandando seu milagre:

“-Levanta-te Lázaro!”!

E Lázaro (Luís) continuou deitado, sem se mexer. Ordener (Jesus) para mostrar sua força divina, gritou mais alto ainda:

“–Levanta-te Lázaro!” ·.

E Lázaro continuou inabalável. Ordener não aguentou e chutando nas costas de Luís gritou contundente:

“- Levanta-te Lázaro!” “-Levanta-te Lázaro!”

Como Lázaro não respondia, Ordener perdeu a paciência e saiu naturalmente o impropério. “ -Levanta seu filho de uma puta!”

A plateia ficou atônita. Ordener dirigiu-se ao público como pedisse desculpas, com voz de pileque:

“-O Lázaro está bêbado!”

Gargalhada geral. Assim Alagoas perdeu de uma vez dois ótimos atores, foram expulsos do Grupo de Teatro Estudantil.

Meu tio Napoleão Peixoto, amigo de infância de Ordener, estava há 20 anos sem vir a Maceió. No dia que chegou me pediu para levá-lo ao consultório de Ordener. Chegamos por volta de 11 horas da manhã na Rua Boa Vista. Deixei Napoleão na sala, bati na porta. Ordener quando me viu, perguntou a razão da visita enquanto tratava os dentes de um moreno deitado na cadeira de boca aberta. “Surpresa”, falei sorrindo. No mesmo instante, Ordener deixou o cara com a cara para cima, pendurou a broca e limpando as mãos, veio me perguntando qual a surpresa. Eu apontei para Napoleão sentado em uma cadeira, a alegria foi tamanha ao reconhecer seu amigo de juventude, que se abraçaram chorando como se fossem irmãos. O encontro emocionou os clientes que aguardavam.

Ordener tirou seu avental e convidou para tomar uma cerveja para comemorar o encontro. Descemos até o Bar do Chope. Brindamos, entornamos algumas cervejas. De repente chegou a atendente, lembrando que o cliente ainda estava de boca aberta. Ele mandou recado: estava muito emocionado, sem condições psicológicas, pedia desculpas aos pacientes clientes, remarcasse.

Terminamos o encontro por volta das três da madrugada no Bar das Ostras, à beira da Lagoa Mundaú, cantando, no violão de Marcos Vinicius; “Ai, ai, que saudade ai que dó… viver longe de Maceió… As noitadas felizes nas Ostras… bons amigos que choram até… que saudades da Bica da Pedra… e dos banhos lá do Catolé…”

14 julho 2018 CHARGES

PAYXÃO

14 julho 2018 DEU NO JORNAL

TOMOU NO TOBA MAIS UMA VEZ

A Procuradoria-Geral da República enviou parecer ao Superior Tribunal de Justiça se manifestando contra o pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o juiz federal Sérgio Moro seja considerado suspeito para julgar a ação penal relacionada ao sítio da Atibaia.

Para a PGR, o juiz tem sido imparcial em todo o processo.

No parecer, a PGR afirmou que todas as teses de nulidade apresentadas pela defesa do ex-presidente já foram julgadas improcedentes pelas instâncias inferiores da Justiça e mostram mero inconformismo com as decisões de Moro.

Assim, inviável a declaração de nulidade de todos os atos praticados no curso da ação penal processada e julgada pelo Juízo Criminal Federal de Curitiba, que se manteve imparcial durante toda a marcha processual”, afirmou a procuradoria.

Na ação penal, que é presidida por Moro, na 13ª Vara Federal em Curitiba, Lula é acusado pelo Ministério Público Federal de receber como vantagens indevidas reformas realizadas no Sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), frequentado pela família do ex-presidente.

No laudo elaborado pela Polícia Federal, em 2016, sobre o sítio de Atibaia, os peritos citam as obras que foram realizadas, entre elas a de uma cozinha avaliada em R$ 252 mil.

A estimativa é de que tenha sido gasto um valor de cerca de R$ 1,7 milhão, somando a compra do sítio (R$ 1,1 milhão) e a reforma (R$ 544,8 mil).

* * *

O parecer da Procuradoria-Geral da República contraria frontalmente o parecer do fubânico luleiro Ceguinho Teimoso.

Eu tô em dúvida se fico com a PGR ou se fico com Ceguinho…

Que é que vocês acham?

14 julho 2018 CHARGES

ALECRIM

DESESPERADOS

A eleição está se aproximando e a velha e carcomida política brasileira entra em desespero. Os motivos são muitos já que a fatura do desmantelamento da estrutura social, econômica e política chegou e o preço a pagar será muito caro. Pelo lado petista o desespero então é assustador. Do Partido dos Trabalhadores ainda sobra um pouco da figura escarnecida do seu fundador, o presidiário Lulla. Libertá-lo é tudo que precisam seus seguidores para tentar salvar alguns trapos do que foi o partido mais ilusionista e enganador da história política do Brasil. Sem o chefe, o bando estará perdido em 7 de outubro, não há nenhuma figura no PT que possa substituí-lo ou ao menos representá-lo no pleito eleitoral. Lulla está pagando por sua soberba, oriunda da ignorância e ganância pelo Poder totalitário de toda a máquina partidária. Com pequenas doses de mel ofertada aos seguidores, os manteve sob cabresto e aqueles com qualquer tentativa de gula, foram afastados, senão banidos e desprezados.

A corrida dos petistas contra o tempo para permitir a participação do presidiário Lulla nas eleições, é desesperadora. É também uma ameaça ao equilíbrio moral e ético do Estado brasileiro. É uma ameaça à credibilidade do sistema judiciário do Brasil e a quebrada organização política e social da Nação. As tramas de bastidores, principalmente com o judiciário, estão sendo urdidas e empreendidas, um lamaçal de patifarias e safadezas, com suporte até na maior Corte do País, o Supremo Tribunal Federal-STF. A esperança dos petistas está colocada nas mãos de um membro paraquedista que lá caiu e alguns outros, que no uso do mesmo artifício de chegada, integram o STF. O desespero dos filiados ao Partido ilusionista dos Trabalhadores é que sem o presidiário como candidato, as possibilidades de ser pulverizado nas eleições são altíssimas. No mínimo irão procurar manter sua “pseudo” candidatura até 17 de outubro de 2018, data limite para apresentação e registro de um outro candidato. É também uma forma de manter vivas as chances nas eleições proporcionais e aos governos estaduais. Ao promoverem essa balbúrdia jurídica para a soltura do presidiário, criam fatos novos para se manterem na mídia, é um marketing travestido. Novas condenações da Lava Jato ao chefe Lulla estão a caminho.

O desespero petista tem seus fortes fundamentos nos resultados das eleições às prefeituras em 2016. O Partido dos Trabalhadores foi acachapado e derrotado fragorosamente naquelas eleições. Perdeu 60% das prefeituras e ganhou em apenas uma capital, Rio Branco – Acre, mesmo com o chefe Lulla em plena ação política de campanha pelo seu Partido. Acreditar que ele possa reverter, mesmo solto, o que hoje aí está estabelecido, é ser de muita incapacidade de avaliação e ignorância do momento em que vive o eleitor brasileiro. Penso que atrás das grades Lulla será mais útil que fora delas. Aquele sentimento de piedade e pena do brasileiro poderá ser melhor aproveitado por ele. Além desse fato, está o apoio incondicional de alguns Institutos de pesquisas que, deslavadamente, promovem um show de informações inconsistentes à população sobre a real e verdadeira situação eleitoral do presidiário Lulla. Aliás, correu um vídeo pelas redes sociais com o flagrante de um pesquisador de “conceituado” instituto de pesquisas induzindo respostas do eleitor pesquisado.

O desalento do eleitor é considerável. Cerca de 62% não estão comprometidos com as eleições e menos ainda com partidos e candidatos. São dados prévios obtidos com as eleições complementares no Estado do Tocantins. Eles refletem o cenário nacional, não há muita diferença porque em torno do mesmo percentual, foram observados resultados em outras eleições complementares, no mesmo período, para as prefeituras em vários estados. Os números previstos de votos negados, ou seja, o somatório de brancos, nulos e abstenções, para o 7 de outubro será na mesma proporção do ocorrido no Tocantins e outras cidades. Estes fatos aumentam as possibilidades aos velhos políticos de melhor chance de reeleição, não dos envolvidos em falcatruas, mas daqueles que tem um currículo de serviços prestados e de boa conduta. Os partidos tradicionais deverão escolher bem seus candidatos sob pena de, como o PT, fracassarem. O momento eleitoral exige candidatos com posturas éticas, morais e de boa capacidade e competência administrativa para os cargos do Executivo. Os candidatos ao Senado, Câmara Federal e Assembleias estaduais terão que ter os mesmos predicados e não serem debochados com seus respectivos parlamentos como ocorreu nesta semana. E nesses critérios para escolhas de candidatos, os partidos estão desesperados.


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