17 julho 2018O BRASIL TEM JEITO



O Globo 13/07/2018: “Mesmo com o fim da contribuição sindical compulsória, números obtidos no Ministério do Trabalho revelam que o interesse pela criação de sindicatos se mantém. Há um estoque de cerca de dois mil pedidos de registros sindicais, sendo 1.500 prontos para serem concedidos e algo entre 400 e 500 em fase de análise”

É uma notícia bastante curiosa, pois o sindicalismo no Brasil desde os anos 70 do século passado deixou de privilegiar o interesse de seus representados, para servir de financiador e claque para os líderes sindicais que usaram as organizações como meio de enriquecimento e ascensão na política. Inúmeros casos podem ser registrados sendo o mais notório do ex-presidente, atual presidiário, Lulla. Com o fim do infame imposto sindical determinado na Lei 13.467/2017, enriquecer ficou mais difícil. Será que ainda pensam em usar os sindicatos como plataforma eleitoral? Estima-se que a arrecadação anual do falecido Imposto Sindical atingia R$ 3,9 bilhões por ano.

Segundo o IPEA, em 2016 haviam 16.491 organizações de representação de interesses econômicos e profissionais no Brasil. Seguindo os níveis hierárquicos da estrutura oficial, de baixo para cima, há 15.892 sindicatos, 549 federações, 43 confederações e 7 centrais sindicais. Sendo que 5.251 sindicatos representam empregadores e 11.240 representam trabalhadores.

Esses últimos falam em nome de aproximadamente 107 milhões de empregados, sejam eles ou não filiados as organizações. Diferentemente de outros países, no Brasil, os sindicatos representam todos os trabalhadores que estão sob sua circunscrição territorial, não só aqueles que são filiados. Consequentemente, pelo menos em princípio, os 11 mil sindicatos de empregados têm o direito de falar e agir em nome de 107,2 milhões de trabalhadores, sendo que apenas 17% são filiados e contribuem voluntariamente.

Parte expressiva desses sindicatos apresenta uma constituição relativamente frágil, com poucos trabalhadores em sua base e uma reduzida filiação. Há um sindicato no Brasil para cada 8 mil trabalhadores, enquanto na da Argentina um sindicato atende 320 mil trabalhadores, ou do Reino Unido, com um para 230 mil. Nada menos do que um em cada cinco sindicatos no Brasil nunca participou de uma negociação coletiva.

Entre os sindicatos curiosos temos, Sindicato das Industrias de Camisas para Homens e Roupas Brancas de Confecção e Chapéus de Senhoras do Estado do Rio de Janeiro, Sindicato da Industria de Guarda Chuvas e Bengalas de São Paulo e não poderia deixar de faltar o Sindicato dos Empregados em Entidades Sindicais do Estado de S Paulo.

Milhões de pessoas em todo o mundo entenderam que muito mais do que textos, leis e decretos que dizem garantir seus direitos e o bem-estar, o que importa no seu dia a dia é ter boas oportunidades de crescer, ampliar sua renda e buscar uma melhor satisfação no seu padrão de vida. Coisas que os sindicatos não ajudam a construir. Felippe Hermes, da Gazeta do Povo, nos traz alguns exemplos que confirmam essa tendência:

(Gazeta do Povo 30/06/2017) “O que leva um espanhol a trocar um dos países europeus com maior quantidade de leis e direitos trabalhistas e um salário mínimo de 825 euros por mês, pela Suíça, um país onde sequer há salário mínimo? Ou, o que levaria um mexicano a trocar um país onde após a demissão, você pode receber até 74 semanas sem trabalhar, por um país onde não existem férias pagas regulamentadas, e muito menos aviso prévio para demissão como os Estados Unidos?

Perguntas como estas podem parecer simples, ou ainda, sem sentido, mas fazem parte do dia a dia de milhões de pessoas ao redor do planeta que deixam seu país com um objetivo comum: melhorar de vida.

Nada menos do que quatro milhões de indonésios, que moram no país onde é mais difícil demitir alguém na Ásia, migraram para outros países da região, onde ainda que não tenham os mesmos direitos descritos no papel, conseguem conquistá-los na prática, como consequência do seu trabalho”

Aqui no nosso País Tropical também temos visto que a overdose de sindicatos deixou muita gente rica em função do gordo orçamento com base no Imposto Sindical, que finalmente é falecido, além disso, transformou muitos sindicalistas inescrupulosos e despreparados em líderes políticos, ministros e governantes.

O corte de postos de trabalho com carteira assinada em sindicatos cresceu 600% após o fim do imposto sindical obrigatório. Segundo a Folha de São Paulo, desde a aprovação da reforma trabalhista, houve o encolhimento de 3.140 vagas formais nessas entidades. Onde está o Sindicato dos Empregados em Entidades Sindicais do Estado de S Paulo que não promove uma ação contra essa demissão em massa?

O fim do “estupro sindical” é uma importante mudança que parece subestimada pela sociedade brasileira. O Brasil tem jeito!

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