18 julho 2018O FALAR BRASILEIRO



Suricate deitando a falação brasileira

Lusofonia é a comunidade formada por todos os povos e as nações que compartilham a língua e cultura portuguesas como Angola, Brasil, Cabo Verde, Galiza, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Goa, Damão e Diu e por diversas pessoas e comunidades em todo o mundo. O Dia da Lusofonia é comemorado em 5 de maio, dia esse dedicado à língua cultura e expressão portuguesa. É consagrada a Nossa Senhora da Conceição. (Transcrito do Wikipédia)

Ser ou não ser – eis a questão. Falar, ou não falar – eis o problema. O mundo inteiro fala vários idiomas, mas, o que se fala mais, mesmo, são os dialetos. E esses são incontáveis.

No que toca especificamente ao brasileiro, um dos países da comunidade lusofônica, é mais preocupante ainda a questão do “falar corretamente”. Escrever, então, nem se pretende discutir.

De uma ponta a outra do nosso mapa continental, muitas palavras com a mesma escrita tem significado completamente diferenciado, independente de região. E há quem se divirta com isso.

Muito mais com a pretensão de divertir que orientar de forma pedagógica, o cearense editou e distribuiu um “dicionário cearensês”, explicando o significado de várias expressões utilizadas no dia a dia entre as pessoas nascidas na “santa terrinha”.

No Ceará, o falar não é assim tão acentuado de forma que ninguém entenda – é mais para o lado do deboche das coisas. Há expressões puramente cearenses, mas já difundidas e conhecidas em outros continentes.

O “Arre égua” – por exemplo. É uma expressão que tende mais a algum tipo de admiração, mas pode e certamente tem outros significados, sempre de acordo com a situação em que está sendo usada.

Já a expressão “cagou o pau”, no Ceará é utilizada como o hoje abrasileirado, “foi mal”, “não deu certo”, “deu tudo errado”, “pisou na bola” e daí por diante.

Fulano “cagou o pau”. Significa que fulano errou, fez bobagem.

Falar assim não é de difícil compreensão. O mais difícil é pessoas se adaptarem a essa forma disforme de falar.

No Maranhão, onde vivo há exatos 32 anos, encontrei dificuldades para me adaptar totalmente. Achava estranho e ainda acho, a forma sem nexo de falar do maranhense.

“Mamãe, fulano quer me dá-lhe”. É um filho comunicando à mãe que alguém está querendo lhe bater. Tudo errado, gramaticalmente falando.

E quando o maranhense resolve reduzir as palavras?

Como é que fica?

Fica muito mais difícil de entender.

Veja, apenas uma palavra que, para o maranhense, encerra toda uma expressão. Ele fala: “zulive”, pretendendo dizer – “Deus o livre”, disso ou daquilo.

No Pará, que fica logo ali, algum parente, com intimidade e conhecendo o (a) filho(a), o(a) adverte, falando:

“Te mete a besta, que pau te acha.”

E o que isso significa? Não se atreva a fazer isso ou aquilo, que a coisa pode não terminar bem para você.

Além do mais existe também o falar com intenção chula, ofensiva, mas que no fundo não diz muita coisa:

– Vá tomar onde as patas tomam!

– Vá para a casa do caralho!

– Vá pra puta que o pariu!

– Beeeesta, fela da puta!

Onde é que as patas “tomam”? Na lagoa? Tomam o que? Tomam banho?!

Onde é mesmo a casa do caralho? A casa do caralho tem CEP? É a xereca? E, se for a xereca, a casa do caralho é um mal lugar?

Onde fica mesmo a puta que o pariu?

8 Comentários

  1. Prezado Ze RAMOS, a palavra mais linda e incisiva da língua portuguesa/brasileira, é, “FUDEU”, quando se escuta esta palavra, não existe meio termo, não existe saída, o cabaço já era, o banco já foi assaltado, a verba já está na conta, Lula já está preso, Dirceui tá solto, Tofinho é o próximo prisidente do STF e o Neymar continua caindo e rolando. Alguma objeção?

    • Marcos: nada contra. Até por que, “Fuder” com o que a gente nasceu para esse objetivo, é muito bom. Sei que tem outros que preferem o uso de outra forma, mas isso não é da minha conta. FUDEU! Agora, embora vosmecê não tenha me perguntado, existem duas palavras que me fazem muito mal quando as escuto. No meu Ceará, chamar alguém ou alguma coisa de “Escrôto”, soa como uma ofensa sem patamar e sem par. Da mesma forma, é rotular alguma pessoa de “canalha”. Eu me policio para não usar essas duas palavras contra ninguém.

  2. Ramos, muito bom. O Brasil é isso: um emaranhado de línguas, quiçá, dialetos. Então, acho que a recomendação mais adequada é “zulive dos Sarney”

    • Maurício: você que mora em Brasília, já demonstrou que não o aceita bem. Aqui em São Luís, nós que não apreciamos o dito cujo, dizemos: Sarney, zulive!

  3. Concordo com o mestre Zé Ramos. Até porque ao pôr os pés em Brasília, ao chegar do cearazim, e ouvir o primeiro “Escroto”, com ou sem chapéu no O, dito por uma jovem, arrepiei-me. E continuei mais arrepiado pois junto ao escroto, precedendo-o, vinha o canalha. Hoje, depois de mais de 50 anos na cidade, acostumei-me porque… por quê? Ora, todos sabem que por aqui há muitos canalhas escrotos que vêm e vão, semanalmente, só para atrapalhar a vida de muita gente Brasil afora. Por fim, mais recentemente acabei aprendendo um palavrão de origem paulista, não se espantem, um tal de” Taquiuspa” que, segundo explicou-me a fessora, outra jovem mulher, mulher mesmo, trata-se da abreviação de putaquiuspariu.
    Aí, fudeu!

    • Arre-égua: fudeu mesmo e de muitão! Agora, eu acho que o que faz o “escrôto” ficar ainda mais “escrôto”, é exatamente esse chapéu. Como se fala no meu Ceará: chapéu de pica. Afffmaria!

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