19 julho 2018 CHARGES

DUKE

NOTAS

O europeu morre de amores pelo Ceará, especialmente Fortaleza, a capital do estado. As razões da paixão, são várias, o clima tropical, as atraentes praias, com águas claras e mornas, a autêntica gastronomia e os fantásticos cenários, enfeitados por dunas, coqueirais, lagoas, fontes naturais e falésias que se espalham pelos 500 quilômetros do litoral.

Na temporada de verão que se aproxima, os cearenses estão preparados para receber, por via aérea ou marítima, mais de 75 mil turistas que vivenciaram inesquecíveis momentos no verão passado e passaram as boas impressões para os portugueses, alemães, suíços, franceses e italianos. Até os argentinos, incentivados pelos papos dos turistas estrangeiros, também querem sentir na pele as sensações de paz e diversão na contemplação da natureza cearense. Quase original.

Os roteiros estão devidamente preparados. Na praia de Cumbuco, distante 20 km de Fortaleza, a beleza é natural. Em Jericoacoara, eleita a praia mais bonita do estado, o visitante se comove com a imponência. Em Morro Branco, no município de Beberibe, o encanto está nas areias coloridas e nas fontes de água doce. Em Aracati, além das falésias, a sedução se estende pelos passeios de buggy e de jangadas, completadas pelas caminhadas ecológicas. Até o Beach Park, localizado na praia de Aquiraz, reabriu, após o acidente com o radialista.


O brasileiro anda resgatando as antigas e saudáveis manias dos avós. Munidos de enxadas, sementes, adubos e, principalmente, paciência, as famílias se dedicam a valorizar as hortas urbanas, em especial, as caseiras. Plantam hortaliças, ervas medicinais, plantas ornamentais e, se possível alguns tipos de frutas. A intenção, é aproveitar o tempo livre e os espaços ociosos para driblar as crises, manter a família junta, firmar a socialização na comunidade, proteger o bolso contra a carestia da feira livre e dos supermercados, favorecer a saúde com alimentação saldável, livre de agrotóxicos, comumente usados no campo.

Quem viveu no passado, conhece as qualidades da horta caseira, mantida pelos avós, para ajudar na economia familiar, oferecer comida de alta qualidade, cozinhada na trempe. Espécie de fogão de lenha, construído de uma chapa de ferro com buracos arredondados para sustentar as panelas.

Existem situações em algumas cidades do interior, onde a população, com a devida permissão, claro, aproveita até os espaços públicos desocupados para iniciar a exploração das hortas. O intuito é impactar áreas verdes no entorno da casa para melhorar o estresse, ter hortaliças orgânicas e novinhas, colhidas na hora de preparar a comida. A agricultura, embora explorada de forma amadora no país, exerce uma tendência econômica sustentável. Gera trabalho, mais contamina o ambiente com agrotóxicos que, embora classificados como defensivos contra pragas, são responsáveis pela morte de 200 mil mortes anuais no mundo.

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Já que o cidadão não tem vez e voz no cenário nacional, por ser considerado um zé ninguém na sociedade, a ministra Cármem Lúcia, do Supremo Tribunal Federal falou pelo povo. Com autoridade, mas, sem arrogância, determinação e elegância no falar, sem elevar o tom, a presidente do STF deu o recado que a sociedade, faz tempo queria mandar para os homens de toga que às vezes gostam de ultrapassar os limites judiciais.

Na opinião da ministra Lúcia, que se mostrou irritada com as decisões conflitantes dos últimos dias no Judiciário, relacionadas ao solta, não solta Lula, o juiz tem de agir com isenção, seriedade, distante das disputas político-partidárias, não demonstrar preferência por ideologias, tendo de seguir apenas na segurança jurídica que é indispensável para manter a sociedade quieta e tranquila nas suas aspirações.

Para não causar insegurança jurídica, que é injusta, Cármem Lúcia foi direto ao ponto. Disse “ser obrigatório ao juiz agir com impessoalidade, imparcialidade e equilíbrio nas decisões para solucionar conflitos e divergências judiciais, sem, no entanto, agredir as partes”. Defensora intransigente do respeito à hierarquia do Judiciário, a ministra Cármem enfatizou: “ o cidadão jamais pode se sentir desprotegido, senão o Poder Judiciário fica deslegitimado, pondo em dúvida o valor do direito”. Dando a entender que o julgamento fica desvinculado da Lei e da Constituição. Para o bom entendedor, meias palavras, bastam. Não?

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Não tem jeito. Nem que a vaca tussa, os deputados só estão preocupados com a reeleição. Não se mostram interessados no tamanho do rombo nos cofres públicos e o descontrole das contas do governo que estouram. Nos debates para a aprovação da lei do LDO-Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2019, os parlamentares aprovaram uma série de medidas que vão arrebentar a boca do balão. Vão aumentar os gastos, diminuir receitas com a distribuição de benefícios em setores especiais que importarão em mais de R$ 100 bilhões nos próximos anos. Mas, eles não estão nem aí.

Enquanto o governo corta a possibilidade de reajustes aos servidores, elimina a criação de cargos na gestão pública o pau quebra no parlamento. Embora os parlamentares tenham aprovado a redução de renúncias fiscais, obrigam o governo a fechar a porteira dos incentivos fiscais por 10 anos para promover o PIB.

Como entrou de recesso até as eleições de outubro, o Congresso vai funcionar apenas no estado de esforço concentrado, restringindo as matérias urgentes para ficar livres a fim de aprimorar as campanhas. O povo quer renovar o quadro do Congresso, colocar cara nova no Parlamento, todavia, viciados nas regalias da vida pública, deputados e senadores vão lutar com unhas e dentes para continuar no poder. O negócio é tão bom que alguns velhos deputados indicam herdeiros para pegar um mandato e permanecer na mamata. O troço é tão absurdo que alguns investigados do Lava Jato fazem tudo para não perder a reeleição. Pelo menos, segundo as regras atuais, tudo foi montado para garantir a permanência dos tradicionais deputados no mandato para mais uma legislatura. Decepcionando o cidadão com interesses próprios.

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A Lei da Transparência parece mais uma norma criada para tapear o povo. Esconder da sociedade as reais receitas obtidas e as despesas efetuadas no ano por qualquer entidade pública. Contudo, embora obrigatória a publicação no Portal da Transparência, tem prefeitura que desobedece a regra. Segue a cultura do segredo que todo gestor público conhece de cor e salteado. A maioria prefere correr o risco de ter os repasses federais bloqueados, a revelar a situação das contas públicas geralmente maquiadas. Afinal, a astúcia, faz parte do jogo político.

Ora, se as instituições descumprem as ordens, imagine os parlamentares. Esses, então, fazem mil peripécias para omitir os gastos com o dinheiro público. Todo parlamentar tem direito a receber mensalmente a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, a CEAP, antiga verba indenizatória. Na CEAP, estão incluídas as despesas com passagens aéreas, telefonia, serviços postais, gastos com gabinete, assinaturas de jornais, alimentação, hospedagem, locomoção, fretamento de aeronaves, veículos e embarcações, táxis, pedágios, estacionamentos, combustíveis, segurança, consultorias, divulgação do mandato e auxílio-moradia. Além do salário, ultrajante ao salário mínimo.

Mas, para defender o seu, o parlamentar adora fazer farra com o dinheiro público. Esbanja, engana, usa de desonestidade. Com apenas uma nota fiscal, o parlamentar usa a cota mensal de combustíveis. Tem deputado que, preocupado com a imagem, torra o dinheiro do cidadão na divulgação do mandato, aluga jatinhos a pretexto de usar em atividade parlamentar, mentindo, se hospeda em flats de luxo, esnoba na excessiva “contratação” de assessores com supersalários. Tem senador que, impudente, pede até reembolso da segurança privada. Mas, desconhece que faltam hospitais, boas escolas e regular transporte público nos municípios. Ignora, sobretudo, dois fatos importantes. A renda é distribuída de forma desigual e mais de 13 milhões de pessoas estão desempregadas no Brasil.

19 julho 2018 CHARGES

LUSCAR

TERRORISTA URBANO

Comentário sobre a postagem TIROU O PIJAMA PARA FANTASIAR-SE DE DEMOCRATA

Alvaro:

“A esquerdopatia em estágio terminal de Genro comeu seus neurônios assim como a cachaça derreteu o cérebro de Lula.

Apoiar para a Presidência da República um terrorista urbano, cínico, mentiroso, um irresponsável que nunca trabalhou na vida e vive de fomentar invasões criminosas (sabe-se que a quadrilha que ele chefia cobra aluguel dos prédios que invade) é de uma indignidade repugnante.”

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19 julho 2018 CHARGES

RICARDO MANHÃES

CAMINHÃO DE MUDANÇA

19 julho 2018 CHARGES

SINOVALDO

DANIEL SANTUCCI – CAMPINAS-SP

Caro Editor,

Um contribuição para a nossa gazeta.

São frases de várias personalidades.

Todas elas já morreram.

Mas deixaram frases que são verdadeiras profecias.

19 julho 2018 CHARGES

NICOLIELO

19 julho 2018 CHARGES

SPONHOLZ

O FÍGADO É PÉSSIMO CONSELHEIRO

Foi uma bonita história de amor. Claro, houve momentos ruins – momentos de tensão, tédio, agressões verbais e de tudo mais que, cedo ou tarde, passam a fazer parte de qualquer relacionamento longevo. Lua de mel não dura para sempre. Quem diz o contrário mente. Ou nunca conviveu com um (a) companheiro (a) por muito tempo. O desgaste é inevitável.

Após duas décadas de relacionamento, Joana estava para lá de farta dos defeitos e vícios de Alceu, que, a bem da verdade, não eram poucos. Alceu, por sua vez, já não tolerava mais as manias de Joana (vícios ela nunca teve) nem aquela sua presunção de estar sempre com razão, independentemente do tema em discussão. As rusgas viraram bola de neve. Tudo era motivo para alterações.

Um dia, após meia dúzia de discussões pesadas, Joana recolheu suas coisas, fez as malas e se mandou para a casa de um dos filhos. Deixou Alceu a ver restos de navios – navios que ela queimara para não cair na tentação de voltar atrás. Sim, porque antes de picar a mula, movida sabe-se lá por quais sentimentos, Joana fez questão de espalhar para a família, amigos e vizinhos os vícios e defeitos de Alceu. Ora, quem conta um conto sabe-se… Os vícios e defeitos de Alceu, que já não eram parcos, tornaram-se enormes.

Alceu não deixou por menos. Queimou todas as pontes que estavam ao seu alcance. Falou mal de Joana para fulano, beltrano, sicrano e para todos os que se dispusessem a ouvi-lo. Segundo ele, era a única forma de se defender das calúnias, difamações e da ira da ex-mulher.

Ambos, no fundo, sabiam que haviam exagerado nas críticas, que tinham raciocinado com o fígado. Afinal, se os dois fossem tão ruins assim, o casamento não teria durado tanto. Lesos eles não eram. Como negar que, ao longo do tempo, desfrutaram de muitos e bons momentos? Familiares, amigos e vizinhos poderiam atestar isso –, muito embora os vizinhos, amigos e familiares prefiram, ainda que inconscientemente, reter na memória e na língua os piores momentos da vida alheia.

Com o passar do tempo, Joana e Alceu, cada qual no seu canto, passaram a se corresponder diariamente, via WhatsApp. Falavam de amenidades, dos filhos, dos netos, do cachorrinho traquinas que uma das noras tratava como se fosse criança de colo. Às vezes, Joana e Alceu ensaiavam falar do que, de fato, importava. Não iam além de insinuações. O fato é que Joana ainda gosta de Alceu. A recíproca é verdadeira. Mas como voltar, se cada um a seu modo – ela queimando navios, ele destruindo pontes – fez estrago medonho na imagem do outro? O que dirão os familiares, amigos e vizinhos? No mínimo