23 julho 2018TRISTEZA



Era triste. Tão triste quanto um jardim deserto de flor ou uma terra que não vê chuva, vários invernos ausentes. Não se sabia exatamente a razão da tristeza daquela mulher. Sabia-se, apenas, que ela era triste. E sua tristeza era plenamente perceptível aos olhos até dos mais desatentos: bastava olhar para senti-la triste, talvez desesperançada. Por certo, algum amor não correspondido ou uma saudade escondida no fundo do peito. Na verdade, toda tristeza é quase igual, seja de saudade, seja de desalento ou mágoa. Fere a alma e magoa o coração da mesma forma, quase. Nunca me atrevi a perguntar-lhe a razão de tamanha tristeza. Talvez, com receio de que também ficasse triste ao saber. Temor de que tristeza fosse algo contagiante. E é. Só de vê-la triste também entristeci.

3 Comentários

  1. Caro Xico Bizerra:

    Na verdade, “toda tristeza é quase igual, seja de saudade, seja de desalento ou mágoa”, porque ela está na alma de quem sente. Assim como a felicidade.

    Conheço muitas pessoas que têm tudo para ser infelizes e não são. Tem a natureza resistível a esses vírus e parte para cima da desventura com toda força do acreditar na ruptura do sofrimento.

    Admiro e muito pessoas assim, são mais felizes porque são mais resistentes à tristeza!

    Obrigado, Grande Poeta, por mais essa TRISTEZA!

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