25 julho 2018 CHARGES

DUKE

É CONFUSO SER SÓ EM PALAVRAS, SER SÓ

Estava chovendo muito naquela noite. Nem sei dizer se estava na época de ver os dias passarem lá fora, apenas a molhar as ruas, janelas e quem se arriscava a caminhar por ali.

O sol aparecia tímido, brilhavam alguns raios, mais reluzentes que quentes. E durante aquele dia foi assim, e à noite a chuva não nos deu trégua. Não me atentei às horas, só fiquei a observar o movimento pelos vidros da janela. Pessoas iam e vinham, faziam me sentir ainda mais solitária, presa ali naquele quarto já há alguns longos dias.

Meu reflexo no vidro me fez lembrar há quantos dias estava sem pentear os cabelos. Arrumei-os com as mãos, em vão. Enchi o copo, que agora tinham apenas cubos de gelo. Uísque barato, é desses que gosto, faz esquecer o amargor da vida. Voltei à cadeira e iniciei mais um capítulo.

Não sei dizer se era do livro ou da minha própria vida. Como era fácil eu fazer esta confusão. Me via nas linhas em diversas páginas e em outras era como se fosse uma pessoa totalmente diferente, nem como autora imaginava serem minhas aquelas palavras. Acho que isso acontece muito porque sou uma tremenda farsa, não há como limitar onde começa nem onde termina minha vida, acho que sou mais mentira do que verdade.

Falo muito de amor, constância, felicidade… em minha cama isso parece tão fugaz. Tão distante! Momento melhor para mais um gole desta versão barata de Johnnie Walker não há, ainda mais quando as conclusões não são nada favoráveis para mim. Logo vejo que terei que reabastecer o copo.

Sem pestanejar levanto e deixo a continuação do livro a aguardar mais um pouco. Não tenho mais nada a fazer, exclusivamente estas palavras me consomem o dia, deixei-me consumir-me um pouco pelo silêncio alcoólico.

Ainda vendo a chuva lá fora, imagino como seria sair um pouco. Mesmo molhada, mesmo sendo tarde, por que não o fiz ainda? O que me segura aqui? Desperto destes meus questionamentos fadados a serem retóricos quando noto a folha saindo da máquina de escrever, o ventilador insistente a tirou do lugar. Correndo, temendo desordenar as folhas, assim como faço com meus dias, e vida, e lembranças; pego tudo e tento arrumar sob a mesa, esta sim, em ordem.

O cheiro final do último cigarro já no cinzeiro me lembrou que este era o último, e prometi que o seria. Mas, como não acompanhar o copo com um cigarro? Mentolado por favor, não somos todos perfeitos. O torpor de sentidos que eles me trazem, distraem-me desta solidão permanente.

Não, não posso ser ingrata. As palavras sempre me acompanharam também. Ainda que elas permanecessem apenas em minha confusa cabeça, ali estavam. Sabe que elas é que me seguram em uma pequena sanidade? Mais literária que física mesmo.

Já com o copo cheio novamente, desejando um Lucky Strike, volto a escrever a continuação do capítulo. As ideias fluem, as letras minuciosamente datilografadas. Nestes momentos de escrita é que sinto… Sinto tudo, o que escrevo chega até mim como um turbilhão se emoções que mal sei nomear. É bom, é ótimo. Sem querer que acabe, percebo o fim da lauda. Ainda que a noite esteja fresquinha, com a chuva a cair teimosamente lá fora, transpiro nervosamente. É pelo fim, por este fim. Não do copo, não da fumaça, mas deste torpor. De tudo. E chega o ponto, final.

25 julho 2018 CHARGES

CLÁUDIO

EM GOIANA, IGREJAS DE BRANCOS, PRETOS E PARDOS

Na cidade de Goiana, município com 78 940 habitantes, situado a 62 km. do Recife, Zona da Mata Sul de Pernambuco, o visitante observador vai encontrar novidades em sua caminhada, dentre as quais igrejas destinadas ao culto de brancos, pretos e pardos, numa sucessão de oragos no mínimo curiosa para os nossos dias.

No nosso roteiro irá conhecer os templos dedicados à Nossa Senhora do Rosário dos Homens Brancos (séc. XVII), Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos (séc. XVII), Convento de Hospital de Nossa Senhora da Conceição dos Homens Pardos (séc. XIX), e o conjunto da Ordem Terceira e Convento Carmelita de Santo Alberto (séc. XVII).

Ao descrever a Vila de Goiana, em observação datada de 20 de outubro de 1810, o viajante inglês Henry Koster observa ser esta “uma das mais florescentes de Pernambuco, estando situada sobre uma margem do rio do mesmo nome, em uma grande curva nesse local, quase a rodeando”.

As casas, com uma ou duas exceções, têm apenas um andar. As ruas são largas, mas não são calçadas. Uma das principais é tão ampla que admitiu a construção de uma grande igreja, numa das extremidades, e a extensão da rua é considerável em ambos os lados do edifício. A vila possui o convento dos carmelitas e várias outras casas destinadas ao culto. Os habitantes são de quatro a cinco mil e esse número cresce diariamente. Há também lojas e o comércio com o interior é intenso.

A igreja, assinalada pelo autor, é a Matriz de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Brancos de Goiana, cuja denominação bem demonstra o sentimento de separação racial existente no Brasil colônia de então.
A paróquia de Nossa Senhora do Rosário fora fundada pelo Bispo do Brasil, dom Frei Antônio Barreiros, provavelmente quando de sua visita pastoral à capitania de Itamaracá no ano de 1584, a quem pertencia, então, a povoação de Goiana.

Com a transferência da sede da capitania de Itamaracá, da Vila de Nossa Senhora da Conceição de Itamaracá, para a Vila de Goiana, em 7 de janeiro de 1711, surgiu a necessidade de se criar a Irmandade da Misericórdia, em substituição à extinta Santa Casa de Misericórdia de Vila Velha. A instalação daquela irmandade, porém, só veio a se concretizar em 1º de julho de 1722, funcionando inicialmente na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Brancos.

Anos mais tarde, terminadas as obras da igreja, os irmãos da Misericórdia resolvem construir, no mesmo local, um hospital destinado ao atendimento das pessoas pobres e sem recursos, tendo a bênção inaugural acontecido em 1759. O Hospital da Santa Casa de Misericórdia foi o primeiro erguido naquela Vila de Goiana e contava, na sua inauguração, com vinte leitos destinados a enfermos de ambos os sexos, tendo para isso solicitado ao rei de Portugal, “a extensão dos mesmos privilégios e favores de que gozavam as casas de Olinda e da Paraíba”, no que não tiveram a acolhida.

Um século depois, quando da sua visita a Goiana, o imperador D. Pedro II encontrou os mesmos 20 leitos, divididos entre o pavimento superior e o térreo. Na ocasião, observou o monarca que a Igreja da Misericórdia se encontrava reedificada, após o incêndio que destruíra a sua capela-mor no ano de 1820. Naquela época, hospital e igreja contavam com rendas de 50$000 e 600$000 respectivamente destinadas à manutenção do templo e tratamento dos enfermos. O Hospital da Santa Casa de Misericórdia de Goiana funcionou de 1759 a 1931.

No século XVII, nos anos que se seguiram à Restauração de Pernambuco do domínio holandês (1654), os moradores de Goiana, sentindo a distância que os separava de Olinda, solicitaram ao Bispado da Bahia a criação de um convento carmelita.

A pretensão dos moradores foi atendida em 11 de janeiro de 1666, quando o Cabido metropolitano de Salvador deferiu o requerimento do frei Alberto do Espírito Santo, vigário provincial da ordem carmelita no Brasil, que retornou a Pernambuco com a boa nova.

As obras de construção tiveram início naquele mesmo ano, 1º de novembro de 1666, em terras doadas pelo capitão-mor Filipe Cavalcanti de Albuquerque. Inicialmente consistia o primitivo convento de uma capelinha, construída em taipa, unida a um conjunto com seis celas para abrigo dos frades, que veio receber a denominação de Santo Alberto da Sicília, em homenagem ao seu fundador, frei Alberto do Espírito Santo.

A construção inicial permaneceu até o ano de 1679, quando o frei Marcos de Santa Maria promoveu uma campanha para a construção de um novo convento e igreja de pedra e cal no local do primitivo convento.
A obra, iniciada em 28 de outubro daquele ano, contou com as generosas contribuições dos moradores de Goiana, dentre os quais o mestre-de-campo André Vidal de Negreiros, cujo filho Francisco Vidal de Negreiros vestia o hábito da Ordem do Carmo.

Comprometeu-se o ilustre cabo-de-guerra a destinar aos frades carmelitas 120 arrobas de açúcar branco produzidas por seus engenhos, a exemplo do que havia feito, em data anterior, quando da construção do primitivo convento. A generosidade do mestre-de-campo perpetua-se após a sua morte, quando por meio de testamento manteve a destinação das 120 arrobas de açúcar branco, retiradas da produção de seus engenhos, nos dez anos seguintes, destinadas às reformas e alterações de que viessem a necessitar.

A Igreja e o Convento do Carmo de Goiana foram objeto de visita de D. Pedro II, em 6 de dezembro de 1859, que assinala em seu Diário: “na igreja encontrei epitáfios cujas datas é que me interessaram; sepultura de 1688 de João Paes de Bulhões e sua mulher e filhos; sepultura de Francisco Afonso Veras e de sua mulher Tereza de Jesus… ores … agosto de 1719. Sepultura [que não se lê bem] de 1687. O religioso, um dos quatro que costumam residir neste convento, pertence à Província Carmelita de Pernambuco e supõe que a fundação do convento teve lugar há 200 anos. Os papéis foram todos estragados na Revolução de 1848” (Revolução Praieira).

As fachadas das duas igrejas têm características do século XVII, muito embora o monumental cruzeiro, erguido no centro da praça, esteja datado de 1719. O perfil barroco deste último, com os motivos orientais que o adornam, parece revelar a influência que sobre o artista exerceu o também monumental conjunto do Convento Franciscano da Paraíba.

Das igrejas de Goiana, algumas têm suas histórias pouco conhecidas, como é o caso do templo dedicado à Nossa Senhora da Conceição dos Homens Pardos. Sabe-se, tão-somente, que teria sua origem no início do século XIX e que, por volta de 1861, pertencia a uma Irmandade de Homens Pardos, conforme compromisso firmado naquele ano.

Tal irmandade existiu até o ano de 1933, quando foi extinta e a guarda de sua igreja passou para a Companhia de Fiação e Tecelagem de Goiana e, com a falência desta, veio a ser mantida por “uma comissão benemérita de cidadãos da sociedade local”. Os festejos da padroeira ocorrem no dia 8 de dezembro, quando acontece a grande festa e a procissão triunfal pelas ruas da cidade.

25 julho 2018 CHARGES

VERONEZI

25 julho 2018 A PALAVRA DO EDITOR

ERRARAM NO TEMPO DO VERBO

Dando meu passeio semanal pela livraria, encontrei um livro com um título da porra.

Este aqui:

Luiz Inácio Lula da Silva – A verdade vencerá

O obra (obra no sentido nordestino….) é composta por um pinico cheio de textos escritos por um bando de zintelequituais tabacudos, descerebrados, cegos e moucos. 

Não comprei o livro pra não haver qualquer alteração nos meus exames, eis que estou em pleno processo de checape.

Mas anotei o e-mail da editora só pra mandar uma mensagem.

Uma mensagem dizendo o seguinte:

O verbo “vencer”, que aparece no título do livro, não deveria estar no futuro (vencerá).

Isto porque a verdade já venceu.

O presodenciável foi condenado por corrupção (por unanimidade) a uma pena de 12 anos e 1 mês de cadeia, fora os outros processos, também por ladroagem, que ainda estão correndo.

Dos 145 meses a que foi sentenciado, ele já cumpriu 3.

Faltam apenas 142 meses.

Resumindo:

Venceram a verdade, a honra, a ética, a honradez e a justiça.

Enfim, o título correto do livro deveria ser:

Luiz Inácio Lula da Silva – A verdade venceu

25 julho 2018 CHARGES

NICOLIELO

VICES, VÍCIOS, VIXE!

Alckmin fechou com o PR de Valdemar Costa Neto e ganhou um vice: Josué Christiano Gomes da Silva, “o Alencar da Coteminas”. Valdemar ganhou a entrada no comando da campanha com mais tempo de TV e, mais do que isso, ganhou os, digamos, selos de proximidade com o PSDB. E o vice que Alckmin tinha ganho, tão bom que pagaria a própria campanha, se evaporou. Não quer mais ser vice, não. E pagar que campanha, se não sai?

A questão dos vices está estranha. Bolsonaro começou tentando Magno Malta, de olho nos evangélicos. De olho nos militares, tentou os generais Mourão e Villas Boas. De olho nas eleitoras, tentou Janaína Pascoal. Esta, aliás, foi à convenção para ser coroada. Fez um discurso discordando das posições de Bolsonaro e também ficou fora. E agora, quem é o próximo?

É curioso: candidatos com possibilidades de vitória (Bolsonaro é líder nas pesquisas, Alckmin domina o tempo de TV) sempre têm grandes filas de candidatos. O vice se elege com o voto do outro, trabalha pouco e só em certas ocasiões, pode chegar à Presidência sem conquistar um único voto. Que é que está ocorrendo? E não ocorre só na campanha presidencial: em Minas, o petista Fernando Pimentel quer como vice o mesmo Alencar que até anteontem era vice de Alckmin; em São Paulo, Paulo Skaf escolheu de vice uma oficial da PM pouco conhecida. Jô Soares dizia que vice não chega nem a nome de rua. Mas chega a presidente da República.

É samba!

Alckmin fechou com o Centrão e logo começou a briga. Paulinho da Força, que lidera o SD, Solidariedade, e a Força Sindical, foi ao candidato para reclamar de sua posição contrária ao Imposto Sindical. Alckmin, mais Picolé de Chuchu do que nunca, passou a defender uma tal “contribuição sindical societária”. E que é esta “contribuição sindical societária”? Para explicar de uma vez a questão, é a mesma coisa que Imposto Sindical: pegar um dia de salário por ano de cada profissional, seja ou não filiado ao sindicato, e dá-lo de presente a dirigentes sindicais. Paulinho é sindicalista e gosta de Imposto Sindical. Em compensação, Cristiane Brasil acusou Alckmin de recuar da posição inicial para agradar um só partido do bloco. Ela, do PTB, parece acreditar que o Centrão discute ideologias. Imagine: no Centrão, todos têm a mesma ideologia, aquela, e não se discute.

Questão de sorte

Os astros ajudam Alckmin. Era um deputado federal que jamais tinha participado do comando de seu partido, o PSDB, quando foi escolhido por Covas para vice. Estava lá quando o câncer levou Covas e o entronizou no Governo paulista. Serra, que o sucedeu, era do mesmo partido e cultivava sua ideologia: um grupo de amigos formado 100% por inimigos. Afastou os alckmistas e deixou Alckmin fora do jogo, até que precisou dele e o levou para o Secretariado. Ele ressuscitou. E se vingou: hoje, a ala Serra do PSDB está isolada dentro do partido. Alckmin ia mal nas pesquisas, mas fechou o acordo com o Centrão que lhe dá o domínio da TV. Teve sorte de novo ao obter dois grandes reforços: a desistência de Josué Alencar e a diluição do poder de seu coordenador de campanha, Marconi Perillo.

Que se repete

Perillo, que conduziu a campanha enquanto Alckmin desabava nas pesquisas, ainda tem algum poder. Mas a sorte de Alckmin funciona: o apresentador Jorge Kajuru, que disputa o Senado por Goiás, ameaça a posição de Perillo, seu concorrente. E o candidato de Perillo ao Governo, o atual governador José Elinton, tem menos da metade das intenções de voto de seu adversário Ronaldo Caiado. Perillo talvez tenha de ficar em Goiás para lutar pela sobrevivência política.

Fraqueja!

Lembra-se do dia em que Bolsonaro disse que tem cinco filhos? Os quatro primeiro, homens; e da quinta vez, “deu uma fraquejada” e teve uma menina. Pelo jeito, Janaína Pascoal poderia ser vice, já que tem condições para isso, mas dependeria de uma fraquejada do candidato.

Tem festa. Pague!

A OAB/Goiás e o Instituto de Estudos Avançados em Direito lideram a campanha contra o projeto de lei que concede licença-prêmio aos juízes do Estado. O Tribunal de Justiça é a favor. A votação está marcada para hoje.

Comentário da advogada Maria Thereza Alencastro Veiga: “A cada 5 anos trabalhados os juízes e desembargadores terão três meses de descanso. Lembrando que têm dois meses de férias por ano mais 17 dias de recesso no fim de cada ano, terão em média 95 dias de férias por ano (…) Vai custar R$ 200 milhões por ano (…) a ideia é reduzir o horário de atendimento do Poder Judiciário para fazer caber esta história no Orçamento”.

É vendaval

A licença-prêmio é retroativa e pode ser paga em dinheiro.

25 julho 2018 CHARGES

PELICANO

25 julho 2018 DEU NO JORNAL

NOVA CAGADA VERMÊIO-ISTRELADA

Fernando Haddad apresentou na última sexta-feira os cinco pontos básicos do programa do PT.

O partido defende “a reforma do sistema de Justiça” e a “democratização dos meios de comunicação em massa”.

* * *

Pra quem conhece a cabeça bostífera dos petêlhos, o programa do bando apresentado por Fernando Idiota Haddad está bem claro.

Reforma do sistema de Justiça” significa dar um fim à Lava Jato, aquela operação que escancarou a putaria do bando vermêio.

E de mais outros bandos e muitas gentes.

E “democratização dos meios de comunicação em massa” é pura e simplesmente a censura da imprensa.

Só isto, apenas isto, nada mais que isto.

Se não fosse a revolta e a repugnância, era pra gente se mijar-se de tanto se rir-se quando escuta estes porras falarem em “democratização” quando, na verdade, estão querendo um ditadurização pra extinguir a liberdade de expressão nos meios de comunicação.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!

25 julho 2018 CHARGES

ADNAEL

QUEM PODE MUDAR TUDO – NÓS, OS LEITORES!

Governantes incompetentes tiveram que recorrer à intervenção federal na Segurança Pública

Está chegando a hora. A hora que estamos esperando faz tempo. Estamos esperando essa chance há quase quatro anos – e, está chegando, também, a hora de você corrigir a bobagem que fez, quando acreditou nesses políticos que estão aí. Está chegando a hora de mudar, votar certo e tirá-los, definitivamente, da política. Só você pode fazer isso.

Está chegando a hora de você lembrar das madrugadas que foi obrigado a acordar e levantar, para enfrentar uma fila enorme para marcar uma consulta médica num hospital público, e, quando chegou sua vez, as fichas já tinham esgotado.

É você quem pode mudar isso. Só você.

Está chegando a hora de você lembrar dos riscos que correu de apanhar da Polícia, que é paga por você, por que você se postou em espaço público, apenas para reivindicar um direito seu, de ter o que os políticos cretinos prometeram e nunca cumpriram.

É você quem pode mudar isso. Só você.

Está chegando a hora de você lembrar das promessas do custeio da Educação pelo pré-sal, e, do que se transformou a Petrobras nos últimos anos, e que, para tapar os rombos da roubalheira ali institucionalizada, você é quem está pagando tudo através dos aumentos diários do diesel, da gasolina e afins.

É você quem pode mudar isso. Só você.

São centenas de milhares de esgotos jogados “in natura” por conta da má gestão pública

Está chegando a hora de você lembrar que não tem mais direito de, cada fim de tarde sentar numa cadeira colocada na frente da sua casa, por que não existe segurança; está na hora de você lembrar que não pode mais viajar tranquilamente num ônibus urbano, por que não existe segurança; está na hora de você lembrar que não pode fazer uma caminhada num local adequado, por que não existe segurança – e está na hora de você lembrar que tem direito a tudo isso, por que paga impostos.

É você quem pode mudar isso. Só você.

Está chegando a hora de você lembrar que, só o que se lê nas redes sociais são críticas ao Sistema Judiciário das instâncias superiores, mas já passa da hora de você lembrar que, quem coloca essa gente onde está, é você, quando elege fulano e beltrano, e delega poderes à quem cabe indica-los. Nos últimos dezesseis anos, foi você quem votou e assinou em baixo para a nomeação de todos que estão indicados nas instâncias superiores que decidem tudo – com exceção, claro, de quem chegou onde está através de concursos.

E quem os colocou onde estão, não o fez pela beleza da cor dos olhos de ninguém. Fez isso com algum interesse – “usar, quando necessário”. E, você tem sua parcela de responsabilidade nisso.

É você quem pode mudar isso. Só você.

Malha rodoviária brasileira – é para isso que pagamos IPVA

Lembre dos aumentos diários da gasolina, do gás de cozinha, do medicamento, da inexistência de leitos nos hospitais públicos, da ausência de atendimento para idosos, e até da não anuência do planos de saúde para a terceira idade.

Lembre dos aumentos das mensalidades escolares, das tarifas de ônibus, da imensidão de impostos que você paga, para não ter nada a seu favor.

Lembre do IPTU, do IPVA, da contribuição sindical, das blitzen que punem uns e “liberam” outros. Lembre de tudo.

Lembre das estradas brasileiras por onde os governantes te obrigam a trafegar; lembre da interminável Ferrovia Norte-Sul; lembre da transposição do Rio são Francisco; lembre dos muitos hospitais prometidos; lembre do sacrifício que pessoas enfrentam para fazer um tratamento de hemodiálise; lembre dos leitos dos hospitais públicos e que, na maioria das vezes, doentes são brigados e dormir no chão, em cadeiras e em macas improvisadas.

É você quem pode mudar isso. Só você.

Lembre disso e vote – mas não esqueça da “Lei da Ficha Limpa”!

Aproveite e lembre de quem vive mentindo dizendo que o povo saiu da miséria

25 julho 2018 CHARGES

J. BOSCO

GIL – JUIZ DE FORA-MG

A MORTE DA REPÚBLICA

No Brasil, a República já morreu. Estamos em uma ditadura branca.

Os deputados, representantes do povo não mais representam o povo. Com raríssimas exceções, representam apenas a si mesmos. Alguns apresentam apenas projetos que lhes garantam votos na eleição seguinte, em geral projetos negados pelos demais deputados (a menos que negociem vantagens e apoios em projetos em benefício do bolso de cada deputado). O bem do Brasil? Que se ferre…

Querem carro novo com chofer, auxílios moradia, gravata, terno e sapatos e até engraxate às nossas custas, e verbas para empregar amigos como assessores, empregados domésticos ou parceiros de gamão. São multidões que passaram a viver como nababos, às nossas custas. E SEM QUALQUER GARANTIA DE BOM DESEMPENHO.

O mesmo com os senadores, que deveriam representar o povo dos estados que os elegeu mas nem sequer se interessam em se informar sobre quais são os desejos de seus eleitores. Só dialogam (e muito mal) entre si ou com os governadores de seus estados. Vivem em um outro mundo, um Brasil engravatado que ainda está na época da escravidão: nós outros somos os escravos – trabalhamos de graça quatro meses em cada ano – apenas para manter suas mordomias. E tome assessores, garçons e engraxates e carros e motoristas para levar seus filhos ao colégio e suas (seus) esposas (esposos) às compras.

E os banquetes, oh! Os cardápios já nem são mais objeto de reportagens escandalizadas. Tanto no Legislativo quanto no Executivo ou no Judiciário dos supremos.

E todos eles tem seguranças e seguros e planos de saúde vitalícios pelos quais não pagam: você e eu é quem pagamos tudo. E, sob pena de sermos presos por desacato, ainda temos de tratar patifes no meio deles como EXCELÊNCIAS. Até quando denunciam uns aos outros, mantém o tratamento: “Vossa Excelência é um corrupto” já foi pronunciado muitas vezes nas casas do Legislativo. E sugerido, dentro do STF.

Que diferença existe para os governos totalitários, com reis ou ditadores? Só vejo uma: em cada reinado ou ditadura, o ódio do povo está voltado para APENAS UM filhodaputa.

Tem mais: você não escolhe em quem votar, quem escolhe são os caciques de cada partido. O que você escolhe é a opção entre o ruim e o pior. Mas será eleito o escolhido pelo chefe da equipe que fez a “contagem” dos votos ocultos pela maquininha eletrônica de fraudes.

Pense. Vou parando por aqui, para não me exceder…

25 julho 2018 CHARGES

SPONHOLZ

PERGUNTA À TUA MÃE!…

Capiba marcou passagens inolvidáveis em suas muitas participações nos vários movimentos sócio-culturais, principalmente a partir da década de 1980. Sua presença era motivo de prestígio para qualquer evento.

Para maior difusão da reunião para a escolha do “Miss Pernambuco”, os organizadores, em boa hora, resolveram realizar uma prévia, reunindo as belas moças representantes do interior, no auditório da Tv Jornal do Commercio, durante o Programa Fernando Castelão.

O local não apenas representava prestígio para qualquer iniciativa, mas contaria com o televisionamento para muitas cidades do interland.

Inteligentemente, os promotores resolveram formar um júri de pessoas que estavam em grande evidência na época, formando u’a Mesa repleta de personalidades queridas do Recife.

Dentre outros, lembro-me do saudoso radialista Aldemar Paiva, o cantor Claudionor Germano, o compositor Capiba, o maestro José Menezes, a Miss Pernambuco, Zaíra Pimentel, o Presidente do Clube Internacional, Dr. José Sales Filho e os cronistas sociais: Alex e João Alberto. Mesa farta de nomes ilustres.

Tudo, na época, era televisionado ao vivo.

Abrem-se as cortinas, Castelão solta a voz. As lindas jovens começam a desfilar, todas vestindo maiôs “Catalina”.

Em passos cadenciados e discretos rebolados, perante os ávidos olhares masculinos, passavam uma a uma. Verdadeiro alumbramento para os presentes.

Para fins de identificação, cada uma trazia colado na parte da frente do corpo e na área dos glúteos, um número. Num certo momento, ao ver Capiba se espichando para confirmar o indicativo da Miss Caruaru, Aldemar Paiva não se conteve e soltou uma confidência, diálogo que foi captado pelos potentes microfones “Marconi” da TV Jornal:

Capiba, tais te lembrando do tempo em que eras bom nisso?!…

Logo veio a resposta fuzilante:

Pergunta à tua mãe!

Respostas bem engatilhadas e mordazes sempre foram a arma inteligente do grande compositor.

25 julho 2018 CHARGES

RONALDO

CHICAGO

Em 1976 a canção “If You Leave Me Now“, de Peter Cetera, foi sucesso mundial nas vozes do conjunto “Chicago”.


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