26 julho 2018NOTAS



Às vezes, o sonho de dias melhores nas metrópoles, não compensa. As acentuadas desigualdades e a insegurança reinantes na urbanização, trazem transtornos. Foi o que aconteceu com os chineses. Na ânsia de crescer na vida, muitos agricultores da China, trocaram a vida pacata do campo pelas cidades em fase de desenvolvimento. Todavia, o êxodo migratório, atraído por altos salários, não surtiu o efeito desejado para centenas de milhares de camponeses. Alguns cresceram na vida nas metrópoles, é verdade, porém uma leva gigantesca de ruralistas se arrependeu da decisão de sair do campo para morar nos centros urbanos por falta de adaptação. Arrependidos da decisão, muitos retornaram pra zona rural, pro cantinho que tinham abandonado.

O fator mais prejudicial para os imigrantes do campo para a cidade grande está na discriminação econômica e social. A dificuldade em encontrar emprego, casa, educação e saúde desestimula e atormenta o pessoal do campo. Sem qualificação profissional, os ruralistas dependiam da construção civil para arranjar vaga no mercado de trabalho que paga baixo salário e não garante uma seguridade social decente. Por outro lado, a convivência com pessoas ricas estressa, em função do desnível social. Segundo pesquisa, embora a renda pessoal tenha crescido bastante, a felicidade sumiu, principalmente depois que a China adotou as reformas estruturais que atingiram em cheio a estabilidade profissional e a rede de seguridade social.

Não é todo mundo que se adapta facilmente com a troca da área rural pelos espaços urbanos. Fato normal quando a economia de um país se desenvolve e começa a despertar a atenção de quem está distante das fases de industrialização. A opção da troca da zona rural pelas cidades é motivada por diversos fatores. A modernização do trabalho na atividade agrícola, com a introdução de maquinário na lavoura, corta vagas no campo. A expansão do latifúndio, desvaloriza as terras de entorno, forçando a redução na colheita. O envelhecimento dos pais no sitio, força a saída dos jovens da área rural, atraídos muitas vezes pela possibilidade de estudar nas cidades, nos centros evoluídos. Na atualidade, as dificuldades, principalmente financeira, reduzem a diversidade agrícola. Então, em vez de plantar grãos, verduras, legumes e frutas, é mais fácil dedicar-se somente à monocultura. Existem muitas extensões de terra dedicada apenas à plantação de soja ou café ou cana de açúcar ou eucalipto. Para o produtor, a monocultura é legal, garante renda certa. No entanto, é prejudicial para o solo que demora a se renovar, para os animais que perdem o pasto e para o pessoal que mora na vizinhança que geralmente, fica a ver navios, somente.

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Por volta de 1950, época de intenso atraso econômico, para atrair investimentos, São Paulo se abriu para a industrialização. Desdobrou-se na construção de infraestrutura. Trouxe muitas plantas industriais. A atração despertou inveja. Outros estados protestaram. O jeito era aproveitar a deixa dada pela Constituição Federal que permitia aos estados e municípios gerir o próprio sistema de cobrança de impostos. As montadoras, espertas e atraídas com as bondosas ofertas dos governos, se instalaram no Paraná, Goiás e Minas Gerais, proporcionando rápido desenvolvimento naquelas paragens.

Pobre, atrasado e desestruturado, como não oferecia vantagens, o Nordeste sobrou. Era rejeitado pelos investidores. Porém, a partir da década de 1960, copiando a regra da guerra fiscal do Sul, o Nordeste também entrou na jogada. Passou a adotar a guerra fiscal, uma prática econômica em voga na época. O propósito era impulsionar o progresso da Região com a instalação de indústria e gerar emprego. Como benefícios, as indústrias que se instalavam no Nordeste, ganhavam isenção tributária, por determinado período, terrenos em locais estratégicos, facilidades na aquisição de matérias primas e ainda dispunham de mão de obra barata. Teve governo que chegou inclusive a construir instalações de empresas com projetos aprovados, usando dinheiro público.

As disputas entre estados e cidades foram acirradas. Mas, o sonho de atrair riquezas e criar renda não durou muito por uma simples razão. Enquanto muitos industriais, espertos, aproveitaram o máximo, conseguiram até empréstimos subsidiados de longo prazo, os cofres públicos se ferraram, perdendo arrecadação. Forçaram, inclusive, alguns gestores a cometer erros constitucionais, visando apenas atrair passageiras empresas e capitais, cujo único proveito era faturar. Dobrar lucros, reduzindo custos.

Ora, com a queda de arrecadação, muitos estados, em virtude do descontrole das contas públicas, descumpriram as promessas de infraestrutura. Porém, quem mais sofreu foi o povo que também ficou sem os necessários investimentos em estruturas sociais. Piorando, em consequência, a assistência na saúde, o atendimento na educação e na segurança. Como beneficia uns e prejudica outros, geralmente a maioria, a guerra fiscal é popularmente chamada de “corrida ao fundo do tacho”. Favorece o político que, como salvador da pátria, é convocado para arranjar emendas para resgatar a moral dos governadores que pisaram na bola. Cometeram erros na mal arquitetada política da guerra fiscal. O curioso é que agora, São Paulo briga para cancelar a guerra fiscal.

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O presidente do Peru, Martin Vizcarra, 55 anos, usando de firmeza, depõe o ministro de Justiça, Salvador Heresi e suspende dos cargos cinco juízes por estarem envolvidos em escândalos constatados em análise de vídeo, onde foram observadas possíveis venda de sentenças. Dois dos juízes suspensos ocupam cargos de presidente da Corte Superior e da Corte Suprema. Eles são suspeitos de cometerem corrupção que acarretou crise política e institucional. Vizcarra substituiu Pedro Pablo Kuczynski, destituído por renúncia, após ser denunciado por recebimento de propinas com a Odebrecht.

Na opinião do presidente Vizcarra, é hora do Peru dar um basta na corrupção. Resgatar a estabilidade, readquirir a confiança nos homens públicos e na governabilidade, punir as desonestidades, encerrar as disputas entre os poderes do Estado com determinação. Sem abrir pra ninguém. Cobrar, afinal, da Justiça que haja com “independência, responsabilidade e rapidez” de modo a neutralizar a política do ódio e confrontos que produzem efeitos negativos. Tendo a transparência como pano de fundo de seu governo. Antes de assumir a presidência, Vizcarra exercia o cargo de primeiro vice-presidente e embaixador de seu país no Canadá.

Semelhante a outros países, a praga da corrupção também age no Peru, faz tempo. Atualmente, 30 empresas estão encrencadas, sob a suspeita de distribuir propinas a políticos, como pagamento de favores. A lista de ex-presidentes enrascados é longa, mas, a diferença é que a Justiça peruana não brinca em serviço. Não fantasia, não enrola. Ao contrário, age de forma rápida, rigorosa e apartidária, independente dos enrolados nos casos serem apadrinhado sou não. Quando o envolvido é preso por suborno, precisa contratar caríssimos advogados ou ter partido forte para conseguir ficar temporariamente fora das grades. Desde a derrubada da presidência do Peru, no ano de 2000, Fujimori foi condenado a 25 anos de prisão por violação de direitos humanos e mais 7 por corrupção. A sorte de Fujimori foi o indulto concedido pelo presidente Pedro Kuczynski, que renunciou, forçado pelas circunstâncias. Porém, o sucessor, Vizcarra, luta para implantar sólido sistema de transparência, na esperança de organizar a econômica e as instituições do Peru.

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Entre abril e maio passado, a produção industrial registrou queda de 10,9%. Os setores mais atingidos foram o automotivo, de eletrônicos, calçados, roupas, telefones, bebidas, remédios, siderurgias, metalúrgicas, petroquímicas e as produtores de peças para automóveis, computadores e eletrodomésticos. A greve dos caminhoneiros contribuiu para essa decaída. Outro fato desagradável decorrente da manifestação nas estradas foi constatar que as vendas no varejo também despencaram no mesmo período e para complicar a indesejável situação, obter crédito na praça ficou bem difícil. Os motivos são diversos. Juro alto, desemprego, endividamento, inadimplência, nome sujo e, sobretudo, os efeitos da crise, que tornam o cenário bastante brasileiro pessimista. Desanimador.

Quando o país mergulha neste contexto, muitas vezes nem o resultado positivo da balança comercial ajuda. Encontra forças para recolocar a economia enfraquecida nos eixos. Assim, tão de repente. Mas, claro que existem saídas, boas alternativas para escapar do desastre. Um dos caminhos mais curtos para vencer os obstáculos é aumentar impostos. Todavia, como a carga tributária anda pesadona, acima do desejado, o jeito é partir para o debate sobre o ajuste fiscal. Como o Estado inchou e a economia ficou malhando em ferro frio, somente via reformas, o país pode topar com a solução. Não há outra saída, como o déficit nominal descontrolou-se, o Norte está nas reformas, que mais cedo ou mais tarde o país terá de fazer. A da Previdência é indispensável, da mesma forma que a limitação nos gastos públicos.

A ingovernabilidade é outro ponto negativo. A desmoralização da Lava Jato com a soltura de levas de corruptos, só porque são caixa alta, prejudica, traz incertezas porque aumenta o grau de impunidade. A descapitalização da Petrobrás é outro dilema. Outra dor de cabeça que o brasileiro tem de reconhecer que esfacelou a estatal. Aliás, caso o problema da estatal demore a ser resolvido, dobram as consequências internas. Enquanto estiver descapitalizada, o custo da dívida, tanto da empresa, quanto do país, não cai. Por outro lado, outro fator danoso, diz respeito à obrigação de manter o preço do combustível elevado no país, apesar do preço do barril de petróleo baixar no exterior. Dois outros itens que poderão alimentar o sonho por melhores dias na economia são o Banco Central permanecer firme na luta pela queda da inflação e dos juros, particularmente neste semestre que se aproxima.

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O dono de carro elétrico tem uma preocupação. Manter o carro carregado para não parar na estrada, desnecessariamente. Então, antenada com as novidades tecnológicas, a Suécia, inaugura a estrada eletrificada. A cada 300 quilômetros, instalou equipamentos para carregar a bateria de automóveis e caminhões. É a primeira estrada dessa espécie inaugurada no universo. A inovação no país escandinavo, permite ao motorista de carros elétricos recarregar a bateria do veículo, durante o percurso. Sem o inconveniente de ficar parado na rodovia com a bateria descarregada, antes de encontrar os postos de carregamento.

Em certos trechos da estrada, na vizinhança de Estocolmo, foram colocados trilhos eletrificados ou tomadas de parede. Então, por meio de braços móveis existentes na parte inferior do automóvel ou caminhão, quando se contatam, a energia é transferida para a bateria, atualmente, fabricada em tamanho gigante e pesada e que no futuro tende a ficar menor com os aperfeiçoamentos.

Diferente dos postos de gasolina, este tipo de carregamento tem a vantagem de ser feito de forma dinâmica. O tempo de recarga não leva mais do que meia hora. No meio do pavimento, neutro, são colocados dois trilhos carregados de eletricidade, posicionados seis centímetros abaixo do nível da estrada. Do veículo, desce um braço móvel. Enquanto o veículo se desloca, o braço se conecta com os trilhos energizados, que conduz a eletricidade para o carro. A tendência é o veículo elétrico substituir o carro movido a combustível, por não poluir o ambiente de fumaça e ser silencioso.

2 Comentários

  1. e e exatamente devido a isto, que hoje dos vinte e cinco estados temos apenas cinco que sao realmenteauto sustentaveis , mas a enorme maioria como o cera , depende de transferencias do governo federal qua nada mais sao ,que , a espoliaçao dos estados avitarios para cobrir os desmandos e gastos acima da arrecadaçao , que promovem rombos nos estados deficitarios e no governo federal , fossmos como o e nos estados unidos hoje estados como ceara , alagoas , e outros tantos ja estariam falidos ,

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