29 julho 2018NOTAS



A Nicarágua dá o exemplo. Insatisfeita com a maior crise política, comprovadamente sangrenta, e com a brutal onda de violência jamais vista no país, a população quer destronar o jugo de Somoza, que comandou os nicaraguenses por 40 anos com mão de ferro. Centralizador de poder, apesar de ter sido afastado do cargo ainda na década de 70, os seguidores políticos querem permanecer massacrando o povo.

Então, com coragem, determinação, idealismo e insatisfação com o caos econômico, as instabilidades e a insegurança, a juventude ganha as ruas, em protesto, repetindo os mesmos atos que aconteceram durante a guerra civil que rolou no país entre 1979 e 1990. Agora, sob o comando de Daniel Ortega, na presidência desde 2007, que teima em reprisar a mesma a fraquesa de governo, e ser adepto da corrupção, abuso de poder, nepotismo e autoritarismo, o povo quer derrubá-lo.

O lamentável são as centenas de mortes registradas nos conflitos entre os manifestantes e a juventude sandinista, fiel defensora do governo. Nas desavenças, uma jovem médica brasileira que fazia residência num hospital de Manágua, tombou crivada de balas. O início das batalhas começou com a regulamentação da reforma da previdência, em abril passado, aumentando as contribuições previdenciárias. Rejeitado o projeto, o pau canta e parece só vai acabar com a saída de Ortega. Quando, a data está indefinida.

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Tradicionalmente, o final do ano chega prometendo alegrias para o povo. Mas, segundo as previsões, a despedida de 2018 talvez traga decepções para a sociedade. Os atuais sinais prometem contrariedades com o desemprego, a lenta recuperação econômica e com a inflação de 2018, que deve subir 4,21%, embora se apresente abaixo da meta de 4,5%, traçada anteriormente. Por outro lado, é bem provável que a taxa de juros ultrapasse a meta, fixada em 6,25%.

Como o governo não se conteve, permitindo que os gastos obrigatórios, efetuados com pessoal e outros programas aumentasem, as contas públicas fecharão com um déficit primário de 2%. Caso isso aconteça, a dívida bruta do setor público deve pular para 76,3% do PIB, fato desagradável para o novo governo que entra que tem de se empenhar nas reformas, além da previdenciária, altamente necessária para equilibrar as contas totalmente desarrumadas.

Nem o dólar, previamente estimado em R$ 3,40 para dezembro, continuará comportadinho como profetizam. A causa do desacerto depende da cotação da moeda que provavelmente deve bater em R$ 3,80. Dos indicadores, somente a balança comercial pode assegurar uma boa resposta ao país. Contudo, apesar dos registros do saldo ficar na projeção de US$ 58 bilhões, o montante não surpreenderá, caso o saldo pule para US$ 62 bilhões. A salvação tem sido o aumento das exportações, a queda da safra de soja na Argentina, a elevação do preços dos combustíveis e a venda de plataformas de petróleo.

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O Brasil é misterioso. Trata o cidadão de forma diferente. A alguns concede regalias, enquanto tira o direito da maioria. Os encarcerados grandões, condenados por crime de corrupção e lavagem de dinheiro são felizardos. Vivem no luxo, em comparação com a rafameia, a pobreza. Ocupam celas maiores, limpas, com chuveiro quente e no máximo um companheiro. Dorme em colchões, tem televisão, recebem a visita de bons advogados, com tempo reservado para receber visitas. Como se estivessem apenas de folga, gozando um bom descanso.

No entanto, para a maioria, a vida no cárcere é dureza. Não tem mordomia, Conive com colegas que praticaram homicídio, roubo, latrocínio, sequestro, estupro. Superlotação para os condenados pela Lava Jato é fantasia. Ficção. Segundo presunção, aos presos políticos, executivos e lobistas são facilitados o uso de celular, internet, comida boa, assistência de cozinheiros e zelador. Embora saibam das irregularidades, fazem vista grossa.

Já o preso pobre só sofre constrangimento.nos presídios. Começa pela algema, a condução no camburão, a divisão de cubículos superlotados, divididos com até cinquenta presos, ambiente insalubre, banheiros imundos e fedorentos, além da convivência obrigatória com traficantes, assassinos, estupradores e psicopatas, geralmente cheios de direito. Nem assistência médica decente o preso pobre pode ter. O pior de tudo é a prisão provisória que no Brasil é excessiva. Ao contrário dos presos ricos que passam a responder os crimes em liberdade.

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Ser técnico de futebol no Brasil, apesar do alto salário para a minoria, é dureza por ser profissão instável, de risco. Assinado contrato com o clube, o “cara” fica na corda bamba. Caso faltem vitórias, acumule derrotas, adeus, rotineiramente. Somente os treinadores de elite duram mais. Tem treinadores famosos esperando oportunidade, vítimas de elenco malformado. Sem peças à altura da camisa, que pesa

O ponto forte que incentiva as demissões de técnicos no futebol é a cultura. A intolerância à derrota, a caçada pela vitória, a cobrança da torcida, diretoria desqualificada, o excesso de jogos por campeonato e a postura da imprensa. Alem de não plenejar, o futebol brasileiro é impaciente com o trabalho a longo prazo. A preocupação é com o imediatismo. Sem dar tempo para o treinador trabalhar, com metodologia previamente traçada.

O país que mais demite treinador é o Brasil, seguido de Portulal e Itália. Somente em 2017, nas séries A, B e C, foram demitidos 53 técnicos dos 60 maiores clubes do país. Os times que mais demitiram foram Corinthians, Grêmio, Cruzeiro, Botafogo, Fluminense e Avaí. Na B, o Goiás, sobressaiu. Enquanto isso, a Argentina vangloria-se por mandar quatro profissionais treinar seleções na Copa do Mundo da Rússia. Jorge Sampaoli, dirigiu a própria albiceleste, José Pérkeman, a Colômbia, Hérctor Cúper, o selecionado egípcio e Edgardo Bauza, no escrete da Arábia Saudita.

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Numa coisa os parlamentares são mestres. Catedráticos. Na elaboração de planos e projetos direcionados ao proveito próprio são imbatíveis. O multimilionário Fundo Partidário ou Fundo Especial de Financiamento de Campanha, estimado em R$ 1,7 bilhões, aprovado pelo Congresso e sancionado pela presidência da República, é divina criação. Com dotação orçamenbtária da União, os 35 partidos estão abastecidos de grana para colocar a campanha eleitoral na rua.

Depois de vetado pelo STF, em 2015, o Congresso Nacional fez esforço concentrado para encontrar brechas na legislação e aprovar a medida em 2017. Agora, é botar o pé na estrada e cair em campo para detonar as companhas eleitorais que começam na segunda quinzena de agosto. O TSE já autorizou a utilização dos recursos da verba pública para custear a campanha.

Enquanto isso, de 2003 em diante, os três últimos governos, vêm alegando falta de recursos para aplicação nas áreas sociais básicas: saúde, educação e segurança. Na realidade, não é a escassez de recursos que estraga a prestação de bons serviços ao povo. O problema é a péssima gestão, a omissão e o desinteresse em valorizar o cidadão que só é reconhecido durante as eleições. No cumprimento do dever de cidadania. Fora isso, a sociedade é fichinha para eleitos que ficam cegos, surdos e moucos, quanto às deficiências na gestão pública.

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