Prezado e admirado Prof. Adônis, permita-me mais uma vez pegar carona num comentário seu, discordar em alguns aspectos e dar meu ponto de vista sobre outros.

É uma honra poder dividir, novamente, com o Mestre, esse espaço cedido por Berto nesta respeitável gazeta.

Resposta do Prof. Adônis no texto “Cavaleiro Solitário” publicado no JBF em 29/Jul/2018

“Certamente que os militares cometeram erros. Quem não os comete? O principal foi não ter exterminado a turma hoje no PT (Zé Dirceu et caterva)” Professor, tenho certeza que estamos falando do extermínio político, não físico, desses marginais que nunca pensaram no Brasil. Sempre quiseram o poder a qualquer preço, colocando o povão como escudo e ponte para seus objetivos nada patrióticos. Não podemos defender qualquer ditadura e suas práticas desumanas. Não podemos defender a “nossa” ditadura contra a deles, como fizeram esses comunistas fantasiados de democratas. Os vampiros não morrem com facilidade, mas precisamos cravar a estaca no coração desses chupa-sangue da nação. Veja o caso do líder corrupto: condenado, preso e continua tentando sobreviver como parasita.
“As grandes diferenças são:

1- Eram eminentemente honestos” Os militares que estiveram no governo eram seres humanos e tinham suas falhas também. Acredito que os generais eram moralmente mais firmes, porém cederam espaço para os políticos que souberam mamar nas tetas da viúva. Temos inúmeros casos de acusações não suficientemente investigadas, obviamente por não termos naquela época uma imprensa livre, nem órgãos fiscalizadores a serviço da Nação, mas atuando em favor da Ditadura. Ficaram impunes, ou melhor, sem serem suficientemente investigados casos como Andreza, Shigeaki Ueki, Coroa Brastel, por exemplo. Vivíamos sob uma ditadura, investigar e tornar público esses e outros casos, não era coisa simples. Obras públicas gigantescas, sob comando dos generais, ou de qualquer outro governo sempre serão oportunidades para os corruPTos. Não existe vacina para essa deformação humana. As mesmas empreiteiras que foram pegas nos recentes escândalos Petrolão, Eletrolão e Quadrilhão, prestam serviço desde os velhos tempos dos militares. Será que só agora mudaram seus métodos?

2- “Tinham um profundo patriotismo e amor ao Brasil e ao seu povo” Patriotismo e nacionalismo são duas definições que confundem o cidadão. Ser patriota é querer o melhor para nosso país, é defender a soberania, respeitar seus símbolos, cultura e principalmente cumprir as leis. Já o conceito de nacionalismo é diferente, é desagregador, muitas vezes é desconexo do desenvolvimento. O caso da privatização do sistema de telecomunicações no Brasil é o exemplo mais visível do paradoxo entre patriotismo e nacionalismo. Os patriotas reconhecem que a privatização viabilizou nosso desenvolvimento, os nacionalistas continuam criticando a decisão apenas por ódio. O petróleo é nosso, a dívida da Petrobrás também. Atribuem a Charles de Gaulle a seguinte definição: “Patriotismo é quando o amor por seu próprio povo vem primeiro; nacionalismo, quando o ódio pelos demais povos vem primeiro”

3- “Tinham um projeto de desenvolvimento para o país, com objetivos bem claros e vontade de realizá-los. (Siderurgia, petroquímica, aviação, telecomunicações, agricultura, etc)” Na minha visão simples de um cidadão que admira o pensamento liberal, eu acho que nesse aspecto cometeram (conceitualmente) o mesmo erro dos petistas. Para ser justo, os petistas repetiram de forma mais imprudente e irresponsável o mesmo erro de 50 anos atrás. O engano dos Generais e seus pensadores, foi agredir o mercado. Os tecnocratas decidiam em seus gabinetes qual seria a vocação desse país, ao invés de apenas criar condições para a sociedade trabalhar e competir. Lembro muito bem e ainda tenho registros do inigualável Roberto Campos alertar para o erro dos generais em investir, por exemplo, na Petrossauro e outras estatais, enquanto os Tigres Asiáticos investiam pesado no capital humano (educação). Hoje conhecemos o resultado.

4- “Aplicavam adequadamente o dinheiro público em obras que estão aí até hoje: Itaipu, ponte Rio-Niterói, etc” Umas obras estão aí funcionando, outras nunca funcionaram e deixaram um passivo monstruoso. Ferrovia do Aço, Transamazônica, inúmeras siderúrgicas quebradas, complexos petroquímicos antieconômicos e usinas nucleares contratadas sem funcionar. Não podemos esquecer dos subsídios para industriais privados que assim como ocorreu recentemente com Joesley e Eike Batista, havia ocorrido, na época dos generais, com Villares, Bardella e outros.

Meu Professor, o caminho, na minha opinião, não é uma ditadura do bem. É aprofundar a democracia, privatizar, diminuir o orçamento público, reduzir a burocracia, EDUCAR, dar segurança para empreender, ser patriota sem nacionalismos.

O voto consciente é do Amoedo, o voto alternativo poderá ser em Bolsonaro.

Meu abraço fraterno.

2 Comentários

  1. Prezado Carlos Eduardo,
    Conforme já disse antes, suas contestações são tão gentis e bem fundamentadas que atuam muito mais como complemento e esclarecimento, que como antagonismos.
    Realmente, apesar dos generais serem eminentemente honestos e exemplos de austeridade, corrupção houve e, devido ao clima da época, foi jogada pra debaixo do tapete a fim de não dar munição às oposições. Só que num volume infinitamente inferior ao praticado pelas gangues atuais, nem tampouco foi institucionalizada como parte de uma revolução bolivariana, com fez o PT.
    Quanto ao termo “Nacionalismo”, a acepção que eu dei foi um pouco diferente da sua definição. O fato de ser nacionalista e, consequentemente, desejar ver o desenvolvimento do Brasil em prioridade ao dos demais países, na minha maneira de ver, não implica necessariamente que eu deseje o mau aos demais, ou mesmo que seja indiferente à sorte deles.
    O fato dos militares terem dado toda uma proteção às indústrias nascentes, que TODOS os países desenvolvidos fizeram, em uma fase inicial de seu crescimento, não implicou a exclusão de um investimento pesado em educação. A prova disso foram os inúmeros centros de excelência que legaram à nação (EMBRAPA, TELEBRAS, EMBRAER, etc.). Poderiam ter feito mais? Certamente! Mas a vida é assim.
    Quanto aos projetos inacabados, creio que os houve também. Só que em uma quantidade infinitamente menor que os do PT. A regra era serem terminados no prazo e no orçamento. No caso do PT, TODOS estão se arrastando, se forem terminados serão inúteis ou inviáveis, e estouraram os orçamentos em quantias absolutamente estratosféricas devido à roubalheira desbragada. Assim não, dá, né?
    Quanto à escolha de Amoedo ou Bolsonaro, creio que nos encontraremos no 2o turno.

  2. Assim como Carlos Eduardo, acho que governo grande não será nunca um bom caminho para o Brasil. O caminho para o progresso é a liberdade, que inclui liberdade de escolha e liberdade para empreender.

    PInçando um trecho da resposta do Adônis, discordo dos exemplos e do conceito dos “centros de excelência” criados pelo estado. Talvez a Embrapa seja uma exceção, mas não afirmo por não ter vivência na área. A Embraer enquanto foi estatal foi uma empresa perdida em burocracia e ineficiência, cambaleando entre interesses diversos sem conseguir se fixar em rumo nenhum.

    Quanto ao sistema Telebrás, esse é mais próximo da minha área, e por isso afirmo: nunca teve excelência nenhuma, suas 27 subsidiárias estaduais eram antros de apadrinhamentos, desvios e muita ineficiência. A área tecnológica da Telebrás/Embratel era voltada apenas à politica econômica do governo, que queria colocar todas as empresas, nacionais e estrangeiras, sob o controle estrito do governo via ministérios e secretarias. Na prática, a Telebrás “permitia”, muito a contragosto, que as inovações tecnológicas do resto do mundo chegassem aqui, sempre com anos de atraso e a um custo inflado, principalmente pelos privilégios concedidos a determinados grupos econômicos. As empresas estrangeiras, essas sim centros de excelência que desenvolviam sua própria tecnologia, só podiam atuar no país se associando a esses grupos, em nome do tal “nacionalismo”.

    Aliás, a “indignação” que os governos brasileiros sempre mostraram com empresas e países estrangeiros, quando estes não cedem à sua vontade, mostra bem o paradoxo do tal nacionalismo: Achamos lindo e glorioso quando dizemos que os interesses do país devem estar acima de tudo, e ao mesmo tempo achamos um absurdo quando os outros países fazem o mesmo.

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