TODO POLÍTICO É BOM

Meu colega, Edimar Bandeira, disse-me que os políticos são bons antes e depois de eleitos. Antes, para os eleitores; depois, para eles e seus privados. Depois de eleitos olvidam-se de quem os sufragou, mas alguns, ardendo em gratidão, carregam o desejo, que os seus lábios não dizem, de oferecer aos eleitores algum tipo de pecúlio, conquanto em forma de um lauto prato de capim.

Mas o pior não é comer o capim que eles imaginam que os eleitores merecem. Pior é suar dobrado para bancar certas usanças (que remontam a Ali Babá): pilhar em searas alheias, sobremodo no erário; empanturrado. Pior é constatar que os nomes dos gatunos se prestam a rebatizar o nome das ruas dos eleitores. Pior é a certeza de que as leis serão aprovadas com os votos dos delinquentes. Pior é a possibilidade do meio transmutar os retos. Explico: se um virtuoso, virgem de função pública, sagrar-se eleito, tenderá a delinquir por força dos efeitos do vírus infeccioso da corrupção. Afinal, qualquer fresta enseja inundação.

Felizmente a sábia sentença de Jean-Jacques Rousseau, (1712/1778), segundo a qual “o homem é produto do meio” já não é tão terminante; tem sofrido reparos pelas abas do mundo, inaplicável aos que conhecem o significado do bem e do mal.

Mas já que não temos candidatos de excelência pretoriana, e a consciência cívica nos manda votar, (não se deve anular o voto), fiquemos com o menos enguiçado. Afinal, “se não tem tu vai tu mesmo”. Quem visitar o cemitério São João Batista, em Fortaleza, terá a oportunidade de conhecer o epitáfio do lendário poeta, escritor e jurista José Quintino da Cunha, (1875/1943) do seguinte teor: “O pai eterno, segundo a história sagrada, tirou o mundo do nada e eu nada tirei do mundo”. Já que não somos DEUS para do nada engendrar bons candidatos, então que fiquemos com o que temos.

Se não temos os retos vamos com os tortuosos. Porém, fiquemos atentos, pois há um símile completo entre o trigo e o joio; as bolotas enrugadas deste querem fazer-se parecer aos belos cachos daquele. De resto, que DEUS se apiede dos brasileiros e não permita que lhes venha à cacunda a profecia do mestre do humor cearense, Quintino Cunha, autor do axioma que traduzia futuro sombrio aos cearenses: “No Ceará, o sujeito nasce na Fé, cresce na Esperança e morre na Caridade”.

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