8 agosto 2018NOTAS



O Brasil gosta de censurar. Não importa a causa. Achando brecha, cala a boca dos formadores de opinião pública, jornalistas, artistas, acadêmicos e políticos. Bastou instaurar o regime militar, que durou de 1964 a 1985, para restringir o direito de expressão. Silenciar a liberdade de comunicação.

Na década de 70, autoritária, a Ditadura Militar manteve a soberania do país sob rígido controle. Atacou jornais, televisão, cinema, venda de livros, proibiu músicas e peças teatrais. Prendeu e exilou muita gente. Foram 21 anos de implacável proibição, adotando severa repressão nas informações.

Quem divulgasse temas sobre problemas sociais e econômicos, sem autorização dos governos ditatoriais, era linchado por Atos Institucionais. Foi a assembleia nacional constituinte, instalada no Congresso em 1987, que formalizou o decreto e outorgou, no dia 3 de agosto de 1988, a Constituição Federal para eliminar a censura. Restabelecer a liberdade de expressão.

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Os erros que trouxeram a recessão ao país foram se acumulando através de vários governos. Até explodir com gosto de gás, em 2016. Os crescentes gastos públicos, a partir de 94, elevaram as despesas primárias, sem a devida correspondência no PIB. A ambição política aumentou as despesas de governo, obrigando o PIB a recuar, paulatinamente. O governo Collor deu os primeiros passos na derrocada, o programa do Plano Real deu um empurrãozinho para terminar neste tumulto sofrido pela sociedade. Sem expectativa de melhoria, breve.

Na verdade, a recessão estourou de fato em 2014 e foi até 2017. Os erros crônicos produziram sérios efeitos na política macroeconômica. Desprotegida, a indústria entrou em parafuso. Entortou. O PIB encolheu, a produtividade adormeceu, o setor imobiliário enfraqueceu, o crédito sumiu, alimentado pelas incertezas, a indústria automobilística esfriou, o parque industrial em geral e o comércio estocaram, sem vendas, o setor de serviços, perdeu clientela. Temendo a inadimplência, os bancos mantem os juros nas alturas. Apesar dos lucros extraordinários.

Enquanto o pessimismo persistir estremecendo o mercado, nada de positivo acontece. Até a maré alta baixar. Embora o Brasil tenha copiado as regras alemã, que recuperou a economia, após a destruição da Segunda Guerra, e a do Japão, que tirou a nação do feudalismo agrícola para ser uma das potências mundiais, as autoridades brasileiras pisaram na bola, murcharam economia. Para sair das crises, reduzir as desigualdades sociais e melhorar a qualidade de vida dos mais pobres, as urnas são a salvação. Senão, nada muda. Inflação,juros, carga tributária, insolvência e desemprego, assustador.

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A burocracia é uma desgraça. Além de interferir nos negócios, atrapalha o atendimento nos órgãos públicos. O Estado é responsável pela tranqueira. A parafernália de normas e regulamentos, exigindo do cidadão uma parafernália de documentos, burocratiza, aborrece, Pior, quando se trata de empresa. Aí, o caldo engrossa. É tanta exigência, que os órgãos públicos se tornam ineficientes para prestar um bom atendimento aos interessados. Ora, quanto mais papéis, maior é o custo do serviço porque as despesas duplicam.

Na Constituição Federal do Brasil, aprovada em 1988, existem quase 6 milhões de leis, decretos e normas complementares em vigor. Muitos, totalmente desnecessários. Nos EUA, a Constituição é de 1787, porém, mesmo antiga, tem somente sete artigos e vinte e sete emendas. Com é difícil emendar, foram feitas apenas 17 alterações que tornam a Constituição americana, a menor do mundo. Um dos artigos, aprovado em 1951, limita os presidentes a cumprir apenas dois mandatos. E não adiante chorar.

A vantagem é o poder emanar do povo, manter a proteção à liberdade de expressão e a proibição à busca e apreensão do cidadão, sem motivos. Na brasileira, apesar de garantir educação, saúde, trabalho, transporte, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à infância, além da assistência aos desamparados, percebe-se que o cidadão não tem direito algum. Nada é cumprido, embora seja uma obrigação constitucional do Estado. Daí o excesso de processos judiciais contra diversos órgãos federativos, burocratizando o serviço público, verdadeiro causador de desigualdades sociais.

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Basta viajar de avião para o passageiro constatar deficiências nos aeroportos do país. Sentir raiva por ver tanto dinheiro gastos com a Copa do Mundo e as Olimpíadas, realizadas no país em 2014. Os R$ 60 bilhões gastos na construção de estádios e praças olímpicas, não agradou à sociedade porque só trouxe benefícios momentâneos para alguns setores da economia, como comércio, turismo, rede hoteleira, bares, serviços de táxis e de alimentação.

Além disso, de um total de 167 obras prometidas para as competições, apenas 88 foram concluídas no prazo, 45 ficaram incompletas, 23 pararam na metade e 11 foram abandonadas. Até Pernambuco entrou com o pé esquerdo nas competições e nos jogos olímpicos. A prometida Cidade da Copa, em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife, que previa a construção de 9 mil moradias, hospital, escola técnica e campus universitário, cujos investimentos foram calculados em R$ 1,6 bilhão, foi conversa mole, falsas promessas.

A situação do estádio pernambucano, a Arena de Pernambuco, é complicada. O custo milionário permitiru ao estádio ter padrão internacional, mas para não ficar desativado, recebe poucos jogos de futebol, serve para outras competições esportivas, feiras, convenções, shows e alguns espetáculos. Até os 7 X 1 da Alemanha sobre o selecionado canarinho, ficou engasgado no brasileiro. Lembrança da Copa no Brasil são poucas. Os empregos foram temporários e os dias parados provocaram foi queda na produção e nas vendas no varejo.

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Quando descobre a gravidez, a mulher se derrete com a maternidade, o homem enlouquece de alegria, a família se desmancha de prazer com tão agradável notícia. Durante as 40 semanas de gestação, rolam muitos sentimentos no grupo. Na mulher, a ansiedade invade a cabeça da futura mamãe com as transformações físicas, hormonais e emocionais. No homem, surgem angústia, medo e preocupação com o desenvolvimento do bebê na barriga da gestante.

Mesmo planejada, a gestação mexe com o casal. No início, a gestante, embora eufórica, sente insegurança com as deformações no corpo, os enjoos, cansaço e insônia, o medo de aborto, dor e morte no parto. Com os quilinhos a mais, a mulher perde até o apetite. Mas a barriguinha, também traz compensações. A experiência é divina, o pulsar do filho no ventre materno emociona, os mimos da família e amigas, aumentam, as emoções dobram, a intimidade com o bebê é incrível.

Mas, tem fatores preocupantes na gravidez precoce na adolescência, na gestação entre os 15 e 19 anos. No Brasil, supera as expectativas. Bate o índice da América Latina e dos Estados Unidos. Geralmente fruto da baixa escolaridade, fraca renda e do desconhecimento de anticoncepcional, a gravidez precoce tem outros inconvenientes. Altera o lado psicossocial da menina, prejudica a saúde, pode trazer risco de morte à mãe, talvez leve os dois, mãe e filho, à pobreza. Dependendo da situação.

2 Comentários

  1. Essa abordagem da censura entre 1964 e 1987 induz o leitor a acreditar que antes de 1964 a liberdade de expressão era a regra. Na verdade, o aparato da censura já existia antes dos militares assumirem e, mesmo durante o regime dos generais, a maioria dos casos de censura estavam relacionados com a questão dos costumes. Claro que o autor está correto sobre o uso desse método para silenciar opositores, naqueles tempos bicudos.

  2. Caro Policarpo, concordo com suas expressões. Afinal, sofre pra burro desde tempos idos. Mas, de 64 em diante ficou na memória do brasileiro.

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