Benzer é uma palavra que significa consagrar algo ou alguém em nome do divino.

Inobstante a predileção do editor em propagar,  pela reza, os vaticínios proferidos por Dona Gina, “a maior catimbozeira de Palmares”, tanto pela simpatia quanto pela insuspeita eficácia, é de bom alvitre registrar que ela e outras benzedeiras, desde maio de 2016, gozam do reconhecimento e proteção oficial com a criação do CNPCT – Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais, instituído pelo decreto nº 8.750, assinado pela presidente Dilma.

Sempre imbuídas e intuídas pela fé, é como se as benzedeiras firmassem, pela imposição das mãos e pela voz, as máximas bíblicas contida em Mateus 17:20, e Marcos 16: 17 e 18. Através delas é que muitos encontram alívio para suas aflições físicas e emocionais.

No primeiro temos: “E Jesus lhes disse: Por causa de vossa pouca fé; porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será impossível“.

No seguinte encontramos: “Estes sinais acompanharão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal nenhum; imporão as mãos sobre os doentes, e estes ficarão curados”.

O que nos leva a crer que, assim como outros, o benzimento cristão – “imporão as mãos sobres os doentes” – acompanha uma arte arquetípica, amplamente difundida desde então.

Como se pode ver, é impossível mensurar a origem do benzimento, pois que, anterior a religião e sem registros de data de seu surgimento, já que existem relatos de comunidades celtas e druidas que utilizavam a mesma técnica de cura. Além disso, a pratica é muito comum entre povos indígenas. Se assemelha aos benzimentos com água benta feita por padres católicos. A reza, sempre em nome de Deus, traz consigo, toda uma carga da tradição milenar de tratamento por meio desta cultura popular.

O propósito que pode levar uma pessoa a procurar uma rezadeira para cura de algum mal ou, simplesmente, para “abrir caminhos”, parte do pressuposto de carência financeira, somado a falta de assistência médica pelo sistema de saúde do governo a população.

A sabedoria popular tem mostrado que não há doença que não se dobre a uma boa e edificante reza. Com um ramo de plantas em mãos (galho de peão-roxo ou de vassourinha) e uma prece nos lábios, as benzedeiras costumam ter “remédio” para expurgar inúmeras enfermidades e mazelas: espinhela caída (dor na boca do estômago, nas costas e pernas), carne quebrada (dor muscular), cobreiro (herpes), quebranto (mau-olhado), encosto e vários tipos de males, do corpo ou da alma.

ESTUDOS

Existem uma enxurrada de estudos sobre o tema orbitando o mundo acadêmico. Visto que, os insofismáveis resultados registrados, são motivos de debates e ensaios. Aos poucos é que Embora as curas pela reza, não dispõe de amparo nem reconhecimento científico.

Com um ramo de planta na mão, cada rezadeira dispõe de cânticos e orações próprias, que atuam como uma assepsia em males e incômodos físicos/emocionais, independentemente de religião, idade, gênero ou classe social. A arte de benzer não se aprende, aflora.

A tradição popular mostra que não há doença que não se dobre ou atenue a uma boa benza. As enfermidades combatidas, vão desde erisipela e espinhela caída (dor na boca do estômago, nas costas e pernas), carne quebrada (dor muscular), cobreiro (herpes), vento virado (constipação), quebranto (mau-olhado), encosto e vários tipos de males, do corpo ou da alma.

A simbiose se processa entre curador e adepto quando benzedor ou a benzedeira se coloca como instrumento intermediário pois, para ele(a), é Deus quem cura.

MODERNIDADE – ATENDIMENTO POR VÍDEO OU PEDIDOS POR E-MAIL

Benzedores modernos mostra que não existem fronteiras para a cura, sejam elas pessoais ou físicas. Isso se prova pelo fato de que o benzimento é oferecido até mesmo online. Conforme a Escola de Benzedeiras de Brasília/DF, é possível benzer a distância, por Skype.

Pela internet, basta passar o nome de registro e a data de nascimento, assim a técnica de benzimento à distância é colocada em ação. A taxa de eficácia, segundo consta, é a mesma. Afirmam que “O que nos conecta são campos de energia, são ondas de energia. Então, é possível que a gente envie em onda uma energia de cura, bendita, amorosa, para aqueles que precisam, mas não estão frente a frente conosco”.

Seguindo essa trilha de modernidade, existem benzedores que misturam a cura com outras técnicas de terapias alternativas, como florais ou Reiki.

“DE GRAÇA RECEBESTES, DE GRAÇA DAI”

Para os curandeiros, cobrar por um benzimento é considerado uma verdadeira blasfêmia, pois “O benzimento é um ato de caridade e fé, sem nada em troca, a não ser a boa sintonia do receptor”.

Apregoam as rezadeiras que “Se benzer é acolher e abençoar seu semelhante, não faz sentido cobrar”. Quando há insistência para retribuição financeira, recebem como resposta que o pagamento seja em forma de auxilio a alguém em situação de extrema precisão e dificuldade. “A melhor forma de retribuir uma bênção é abençoar ao próximo”, asseguram.

ATUALIDADES

Hoje em dia, no intuito de se procurar difundir e preservar a tradição, criaram-se várias “escolas” e centros de estudos de benzimentos. O que a princípio se restringia a algumas regiões do interior do país, hoje é encontrado em várias capitais.

O fato é que, em muitos centros de estudos, catalogou-se as localizações das benzedeiras. Com destaque para o estado do Paraná, pois com o advento desse levantamento e do acervo mapeado, elas conseguiriam aprovar uma lei municipal (por exemplo: em Rebouças e São João do Triunfo), que até reconhecem as benzedeiras como AGENTES DE SAÚDE DAS COMUNIDADES LOCAIS, com direito a carteirinha e certificado, além de participação em conselhos estaduais.

2 Comentários

  1. Como cediço , mais uma vez o ínclito e erudito autor, consegue abordar temas interessantes. Tua pesquisa, amigo, é a corroboração de um dos dogmas mais evidentes que a Bíblia relata. Nosso Mestre e Senhor, Jesus Cristo, disse em João cap. 14 vers. 12 : Em verdade , em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai. Quem conhece um pouco de hermenêutica , sabe que existem modos de interpretação de textos, onde se analisam de uma forma extensiva, e, também literal. Portanto, posso concluir que as palavras do Mestre, estão sendo confirmadas pelo trabalho das rezadeiras, que com muita fé, curam a quem se achar enfermo. De fato, ao dizer que iria para o Pai, não poderia mais exercer suas curas, ficando por conta daqueles que futuramente, e com fé, as exerceriam em seu lugar.

  2. Obrigado, Sr. Saulo. Sinto-me lisonjeado por suas palavras.
    Se bem analisado, nossas mães são , em potencial, benzedeiras natas. Sempre pedindo proteção e abençoando suas crias.

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