16 agosto 2018 CHARGES

ATORRES

16 agosto 2018 JOSIAS DE SOUZA

TSE QUER BARRAR LULA ANTES DO HORÁRIO ELEITORAL

O Tribunal Superior Eleitoral deseja aplicar a Lei da Ficha Limpa contra Lula até 31 de agosto. Nesse dia, começa a propaganda política no horário eleitoral de TV e rádio. E a maioria dos ministros do TSE avalia que não faria sentido permitir que Lula fosse ao ar como candidato ao Planalto, pois sua inelegibilidade é incontroversa. A defesa de Lula já se movimenta para atrasar o processo.

Tomado pelo pedido de registro de sua candidatura, protocolado nesta quarta-feira no TSE, Lula é um político ficha limpa. A Polícia Federal, a Procuradoria da República e o Judiciário discordam. Graças à discordância, Lula está preso há 133 dias, com uma sentença de 12 anos e um mês de cadeia grudada em sua biografia. Um inocente convencional exigiria uma manifestação rápida da Justiça Eleitoral, para que pudesse pedir votos ao eleitor de fronte erguida. Dá-se, porém, o oposto. Lula não tem pressa.

Com a velocidade de um raio, a procuradora-geral da República Raquel Dodge ingressou no TSE com uma impugnação do pedido de registro do hipotético candidato petista. Em petição enxuta, cuja íntegra pode ser lida aqui, a chefe do Ministério Público solicitou a “rejeição liminar do requerimento” de Lula, “sem qualquer outro efeito jurídico que o habilite a ser considerado candidato sub judice ou a pretender o financiamento de sua candidatura com recursos públicos, que são destinados apenas a financiar campanhas dos elegíveis.”

Por sorteio, o vice-presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, foi escolhido como relator do registro da postulação de Lula. O petismo alarmou-se, pois Barroso vem se notabilizando no Supremo como um magistrado que os malfeitores consideram duro de roer. Sua tendência, informam os colegas, é a de levar a encrenca para o plenário do TSE com toda a brevidade que a legislação permita.

Como que decidida a conspirar contra o excesso de eficiência do TSE, a defesa do presidiário do PT questionou, ainda na noite de quarta, a escolha de Barroso como relator da encrenca. Os advogados insinuam que a relatoria deveria ficar a cargo de outro ministro: Admar Gonzaga.

Por quê? Antes da impugnação formulada por Raquel Dodge, aportaram no TSE outras duas contestações à candidatura de Lula —uma de Kim Kataguiri, do Movimento Brasil Livre; outra do ator Alexandre Frota. Ambas foram à mesa de Admar Gonzaga. Com isso, o ministro teria se tornado o que no jargão jurídico é chamado de “juiz prevento”. Significa dizer que todas as causas relacionadas ao pedido de registro da candidatura de Lula deveriam ser direcionadas a ele.

Em nota, os advogados de Lula alegam que não se opõem à entrega do processo para Barroso. Preocuparam-se em alertar sobre a “prevenção do ministro Admar” apenas para “evitar eventuais nulidades.” Parlamentares petistas não escondem o que está por trás da “manifestação técnica” dos advogados.

Congressistas do PT recordam que, em junho, Admar fez declarações públicas contra a candidatura de Lula. Deu-se em Curitiba, num debate sobre inelegibilidade, promovido pelo Congresso Brasileiro de Direito Eleitoral. “Quando se almeja cargo de presidente da República, não podemos brincar com o país”, disse Admar Gonzaga no evento.

O ministro prosseguiu: “Não podemos fazer com que milhões de brasileiros se dirijam à urna para votar nulo. Não contem comigo para isso. Na hora que ele (Lula) traz uma certidão e uma prova da sua inelegibilidade e eu sou um juiz, e isso já tem jurisprudência de 50 anos, eu posso rejeitar o registro de ofício (sem a necessidade de provocação de terceiros).”

Em tese, essas declarações fornecem boa matéria-prima para que os advogados de Lula apresentem uma arguição de suspeição contra Admar. Com isso, atrasariam o relógio do TSE. Com Barroso na relatoria, a manobra protelatória ficaria inviabilizada.

Há um ano, Barroso defendeu em público a Lei da Ficha Limpa. Disse que ela “atende algumas demandas importantes da sociedade brasileira por valores como decência política e moralidade administrativa.” Mas jamais comentou publicamente o que pensa sobre a situação jurídica da candidatura de Lula.

Ou seja: o petismo prefere Admar por avaliar que, com ele na relatoria, fica mais fácil atravessar no TSE um debate sobre a suspeição do magistrado, protelando a decretação da inelegibilidade de Lula. É como se o candidato-fantasma e seu Estado-Maior considerassem que Justiça boa é um TSE bastante lento.

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LULA USA DINHEIRO PÚBLICO PARA ENGANAR O ELEITORADO

16 agosto 2018 CHARGES

SPONHOLZ

16 agosto 2018 AUGUSTO NUNES

PINÓQUIO NO PALANQUE

Lula volta a pregar o “nós contra eles” para provar que é o único candidato capaz de unir o Brasil

“Moro tem sido celebrado pela mídia de direita do Brasil. Ele se tornou intocável. Mas a verdadeira questão não é o Sr. Moro; são aqueles que o elevaram a esse status de intocável: elites de direita, neoliberais, que sempre se opuseram à nossa luta por maior justiça social e igualdade no Brasil.

Lula, em artigo no The New York Times escrito por algum assessor alfabetizado e assinado por ele, revelando que a grande maioria dos brasileiros é composta por uma “elite de direita, neoliberal”.

16 agosto 2018 CHARGES

HERINGER

PAIXÃO DE ATLÂNTICO NA BEIRA DO MAR

16 agosto 2018 CHARGES

MIGUEL

16 agosto 2018 DEU NO JORNAL

É A LEI. SÓ ISTO

A Procuradoria Geral da República pediu ao Tribunal Superior Eleitoral a impugnação ao registro da candidatura de Lula.

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Trata-se apenas do cumprimento da lei.

E cumprir a lei é um comportamento que não costuma ser seguido por Lula e por seu bando de tabacudos descerebrados.

Se está condenado em segunda instância, já está inelegível.

Só isto. Apenas isto. Nada mais que isto.

Resta ao curral de antas da militância amontoar um bando de desocupados, juntar com os terrorista de Stédile, e ir à rua pra relinchar, atrapalhar o trânsito e infernizar a vida dos cidadãos que trabalham e dão duro.

Clique aqui para ler na íntegra o pedido assinado por Raquel Dodge.

“Isso é sacanage. Num tem nada qui cumprí a lei”

16 agosto 2018 CHARGES

PATER

INGÊNUO ELE NÃO É

Luiz Inácio da Silva pode ter muitos defeitos, mas uma coisa é certa: ele não é tolo. Ele sabe que sua candidatura é inviável, salvo se neste país onde tudo é possível o texto legal for transformado em papel higiênico. Luiz Inácio da Silva sabe que na cadeia spa em que se encontra conquistará muito mais votos para o candidato Fernando Hadad.

Pretenderá ele, preso, ser um Nelson Mandela? O autêntico, após quase 30 anos de confinamento pelo segregacionismo do apartheid, operou a transição daquele regime para uma democracia plena, pelo que se ornou o Pai da Pátria, vindo a promover, de 1994 a 1999, profundas mudanças, como a criação de novos símbolos nacionais e uma nova constituição em que brancos, negros, indianos e mestiços passaram a ter igualdade de direitos.

Não conseguiu, no entanto, corrigir a má distribuição de renda, a corrupção crescente ou a intervenção militar no Lesoto, o que não evitou a conquista da hegemonia política de seu partido – o Congresso Nacional Africano – e eleger seu sucessor.

Acontece que Luiz Inácio da Silva não é Nelson Mandela.

Este, a par de tudo o que fez, combateu denodadamente a corrupção, enquanto aquele fez parte dela, como dizem a sua prisão e os processos que tramitam nas varas criminais.

Aos que contam com os primeiros e animadores números das pesquisas de intenção de voto, talvez seja conveniente lembrar que assim como Luiz Inácio da Silva não é Nelson Mandela, Fernando Hadad não é Luiz Inácio da Silva.

Mesmo assim ele elegerá seu seguidor?

16 agosto 2018 CHARGES

SPONHOLZ

A ÉTICA DO CRUZ-CREDO: O VENDEDOR DE ATESTADOS

Em pouco tempo, Paulinho, perdão, doutor Paulo Gonzalez, enricou. Aprovado num concurso público promovido pela Prefeitura, ele se mudou para uma cidade de porte médio. Meses depois, montou o próprio consultório. Logo em seguida, também passou num concurso público do governo do Estado, para trabalhar no mesmo município. Só os profissionais que atuam na área da Saúde e Educação, como se sabe, podem ter simultaneamente dois empregos públicos. No começo, Paulinho, como o chamam familiares e amigos de adolescência, ralou uma barbaridade. Não tinha tempo para nada. Sua vida era só trabalhar, trabalhar, trabalhar.

Com o passar dos meses, Paulinho resolveu dar ouvidos aos colegas mais experientes. Cansado de dar murros em ponta de faca, passou a marcar o ponto de entrada e o de saída nos dois empregos públicos. Nesse meio tempo, ia cuidar da vida. Pedia às secretárias para que concentrassem as consultas em um ou dois dias da semana, no máximo. Passava boa parte do tempo em seu consultório particular. Em caso de emergência, lhe avisavam pelo WhatsApp – e ele ia de moto, zunindo, para seu posto de trabalho. Que o paciente esperasse um pouco. Ora, ninguém morre de véspera.

Mas o consultório, por mais que Paulinho ali permanecesse, por mais que distribuísse cartões e fizesse propaganda nos jornais locais, cambaleava. Clientela miúda. As consultas, raras, mal davam para pagar as despesas. Novamente, o doutor deu ouvidos aos colegas mais experientes. Deixou de lado a veleidade de ser um grande médico, sonho da família e dele próprio, e passou a vender atestados. Hoje, dá gosto de ver aquela movimentação. Um entra e sai de gente que não cessa, de segunda a sexta. A demanda é tanta que Paulinho resolveu dar um passo além. Deixa uma série de atestados já carimbados e assinados. Um funcionário de sua confiança, vestido de branco, encarrega-se de receber o dinheiro em troca do papelucho carimbado e assinado por Paulinho, perdão, por doutor Paulo Gonzalez.

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JORGE BRAGA

JACOB FORTES – BRASÍLIA-DF

DESIDRATAR PARA HIDRATAR

Desgraçadamente a imagem tida como indissociável da figura dos que postulam cargos eletivos, em qualquer nível de governo, não é aquela ligada ao ato de servir, mas associada ao intuito de hidratar bolsos. Por mais que os lábios de um postulante declarem, sob juramento, o propósito de servir, seu coração, silencioso, aponta para o grande chafariz, o erário. Não há santo mais milagreiro que o erário; capaz de realizações miraculosas principalmente a multiplicação dos patrimônios.

É a velha impostura, costumada, impudente, que grassa rua acima rua abaixo em território tupiniquim. As terras desidratadas do Nordeste, exemplificativamente, são verdadeiros oásis verdejantes para que políticos possam hidratar seus patrimônios. É por intermédio do grande chafariz que os patrimônios, muitos deles ainda infantes, adquirem a hidratação necessária à multiplicação. Esse chafariz pródigo faz duplicar e até decuplicar patrimônios.

Durante as campanhas políticas não há postulante mais solicito. Se chega um pobre à sua porta corre solicito a socorrê-lo. O gesto encanta, apaixona o eleitor, mas o postulante: “neco de se apaixonar”.

A teoria evolutiva da seleção natural do inglês Charles Darwin (1809-1882) avaliza dizer que a horda de malfeitores dos erários tem futuro promissor. Por essa teoria os seres mais bem adaptados ao meio têm maiores chances de sobrevivência do que os menos adaptados. Destarte, de bom alvitre seria a criação, no Brasil, da galeria dos espécimes de beneméritas virtudes para que os nascentes de hoje possam, amanhã, conhecer as figuras que não se adaptaram à arte de desidratar para hidratar.

16 agosto 2018 CHARGES

IOTTI

ENIGMAS

O papel da Justiça é manter o Estado em ordem e oferecer condições para a sociedade viver em paz. Condenando os responsáveis pelas desordens sem atropelos ou sensação de injustiça. Então, compete ao Poder Judiciário, através de várias instâncias, apoiado na lei e na jurisprudência, agir com rapidez e imparcialidade para solucionar a questão, favorável ao autor ou não. O que, infelizmente, não acontece.

A Coreia do Sul deu um magnífico exemplo ao mundo. Com a rapidez que o caso requeria, condenou a 24 anos de prisão, no espaço de dois anos entre a suspeita e a convicção da pena, por corrupção, a ex-presidente Park Geun-hye por abuso de poder, tráfico de influência, suborno e coerção. Julgada culpada em 16 das 18 acusações, a réu ainda foi multada em 17 milhões de dólares. A multa não pode ser perdoada. De jeito algum. Sem direito a reclamações de qualquer natureza.

De uns tempos pra cá, o Brasil foi contaminado por uma série de irregularidades. O país prostrou-se pelas garras do crime organizado, cujo lema é praticar corrupção e tramas, graças à lentidão processual e a impunidade. Situações que incomodam bastante a democracia e os direitos humanos. Daí a sociedade viver submissa, desde o século passado, sob intensa onda de instabilidades e desordem constitucional.

Faz tempo, o STF recomendou ao Congresso a cassação do mandato do deputado Paulo Maluf. Por razões desconhecidas e, especialmente falta de coro, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, com peninha, se esquiva da recomendação. Adia o tempo para tomar a decisão certa. Com pena de prejudicar o futuro do colega, cujo mandato se encerra no próximo ano.

Durante a Ditadura, 1964-1985, por ter sido autoritário, o regime militar foi acusado de cometer atrocidades contra os estudantes, intelectuais e classe política, contrários aos ideais dos militares. Mas, certo ou errado, pelo menos, os fardados agiram. Tomaram atitudes pensando na ordem constitucional.

O problema foi a truculência. Mediante ações violentas, os militares cometeram torturas. A força bruta empregada na época, para assegurar a segurança nacional, impunha o medo e a repressão. Por temor, o povo foi jogado para escanteio. Sem coragem de lutar, inclusive pela manutenção dos seus direitos civis no comando da Nação, a sociedade recuou. Preferiu assistir as dantescas cenas de barbaridade.

Porém, ao se despedir do comando da Nação, os militares observaram um pequeno número de famílias, de partidos políticos e de grupos econômicos, vendo as brechas acesas, e com ousada ganância, começar a dividir o bolo nacional de acordo com os seus interesses.

As propinas bilionárias, manipuladas por políticos desonestos, empresários, executivos e diretores de estatais corruptos, governadores, prefeitos e até presidentes, olhudos, estourar a boca do balão. As picaretagens, as compras de votos redundaram no mensalão. Queimaram a credibilidade de um país decente perante a opinião internacional. Derrubaram poderosas estatais. Arrombaram os cofres públicos. Torraram os recursos nacionais. Jogaram a economia no abismo que até hoje não consegue se levantar. Curada das lesões financeiras e morais.

A desordem viralizaram as crises. Por isso, o Brasil afundou em desequilíbrios, instabilidades e incertezas de toda espécie. Vive transtornado e angustiado com os tormentos políticos, econômicos, institucionais, morais e sociais. Sem saber como sair dessa desgraçada onda.

16 agosto 2018 CHARGES

VERONEZI

CARL DOUGLAS

No início da era “Discoteca“, em 1974, Carl Douglas fez um grande sucesso com a sua música “Kung Fu Fighting“.


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