17 agosto 2018 CHARGES

JORGE BRAGA

17 agosto 2018 DEU NO JORNAL

CUNHÃO E LULÃO: UMA PARELHA DA PORRA

Condenado e preso há um ano e nove meses pela Operação Lava-Jato, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (MDB) divulgou carta na manhã desta sexta-feira (17) pelas redes sociais para pedir voto para a filha Danielle Cunha, que concorre a uma vaga de deputada federal.

Para isto, se comparou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que defendeu ter o direito a concorrer ao Palácio do Planalto.

Cunha disse ser vítima de uma perseguição por ter sido responsável pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

O emedebista afirma que, como Lula, é “um troféu político da república de Curitiba” e que foi “condenado sem provas”.

* * *

Cunhão e Lulão formam uma perfeita parelha de cínicos banânicos.

São dois prisioneiros condenados sem provas.

Chega faz pena…

Lulão e Cunhão são duas figuras que representam com perfeição o esgoto bostífero da política praticada na República Federativa de Banânia.

Cunhão está certíssimo ao se comparar com Lulão.

Um é igualzinho ao outro.

Como se diz aqui na Nação Nordestina, dou um pelo outro e não quero torna.

E vamos encerrar o expediente desta linda sexta-feira com música.

Uma música dedicada a esta magnífica parelha que esta na foto aí de cima.

Um excelente final de tarde pra toda a comunidade fubânica!!!

17 agosto 2018 CHARGES

TACHO

CANTORIAS DE PÉ DE PAREDE (IV)

Ivanildo Vila Nova, “O Príncipe dos Cantadores” e Oliveira de Panelas, “O Pavarotti das Cantorias”

Uma das maiores duplas de poetas cantadores da atualidade, Ivanildo Vila Nova e Oliveira de Panelas, interpretam duas composições do disco Cantorias de Pé de Parede

Os versos são da autoria do colunista fubânico José Paulo Cavalcanti Filho.

17 agosto 2018 CHARGES

CLAYTON

17 agosto 2018 PERCIVAL PUGGINA

DIGITAIS DE UM PARTIDO TOTALITÁRIO

“(…) quando então começaram a se precipitar para esses tempos em que nem nossos vícios, nem os remédios para eles, podemos suportar.” Tito Lívio, em Ab urbe condita.

Em artigo publicado no meu blog em 30 de setembro de 2014, e que pode ser lido clicando aqui, o prof. Giusti Tavares discorreu sobre o paradoxo representado pelos partidos totalitários que atuam em democracias constitucionais. Advertiu o eminente professor que o surgimento e a atuação de tais legendas se fazem tanto mais vigorosos quanto mais erodidas e fragilizadas forem essas democracias pela decadência de suas elites, pela corrupção e pela desinformação política.

Quando analisamos a conduta do Partido dos Trabalhadores na política brasileira, constata-se facilmente que, desde suas origens, a legenda surge com esse perfil, valendo-se e interagindo com essa erosão e com essa fragilidade. Muitos de seus dirigentes vieram das organizações guerrilheiras e terroristas que atuaram no Brasil nos anos 60 e 70 do século passado e, pela porta da anistia, a partir de 1980, foram absorvidos no jogo político. As organizações que criaram e nas quais militaram mantinham com a democracia constitucional uma atitude que pode ser descrita como de repugnância. Seu objetivo político era a ditadura do proletariado, um governo das classes trabalhadoras, uma nova ordem social, política e econômica. Nada diferente das então ainda remanescentes “democracias populares” padecentes sob o imperialismo soviético, por onde muitos andaram em tempos que lhes suscitam persistente e visível nostalgia.

Essa natureza está perfeitamente expressa no manifesto de fundação do partido: “O PT afirma seu compromisso com a democracia plena e exercida diretamente pelas massas. Neste sentido proclama que sua participação em eleições e suas atividades parlamentares se subordinarão ao objetivo de organizar as massas exploradas e suas lutas”. Vem daí todo o esforço para deitar mão nos mecanismos formadores de opinião – entre outros: meios de comunicação, instituições de ensino, associações, igrejas e sindicatos – e a debilitação da democracia representativa pela ação de conselhos criados, infiltrados e controlados pelo partido.

A estima por regimes totalitários como os de Cuba, Venezuela, Nicarágua, El Salvador, bem como a promoção da convergência ao Foro de São Paulo, dos movimentos e partidos revolucionários na América Ibérica, é expressão da mesma genética. De igual forma, simetricamente, não há registro de proximidade calorosa e simpática dessa organização política com qualquer democracia constitucional estável e respeitável. Os chamados movimentos sociais constituem os braços mais liberados para as tarefas de ruptura da ordem em favor da causa.

Os últimos acontecimentos promovidos em Brasília são um pouco mais do mesmo. São atos que se repetem sistematicamente, sem exceção, contra qualquer governo, em qualquer nível administrativo. A palavra de ordem é “Fora, seja lá quem for!” que esteja sentado na cadeira ambicionada pela legenda. É um perfil golpista. Geneticamente golpista e com longa história de sintomáticas manifestações.

Por isso, seu maior líder, apenas por ser seu maior líder, é tido e havido como alguém que está acima da lei. Por isso, embora legalmente impedido por condenação criminal, Lula foi aclamado candidato a presidente na convenção do PT. Por isso, a estratégia é afrontar o ordenamento jurídico do país. Por isso, no dia seguinte à proclamação do resultado do pleito, o PT estará nas ruas e na imprensa mundial proclamando a ilegitimidade do novo governo.

Tal acusação e o ambiente que proporcionará serão muito ruins para a estabilidade institucional, para o Brasil, para a confiança na economia, para o mercado e para a superação do desemprego. Mas ao PT isso não importa. Ao PT a única coisa que importa é o PT.

17 agosto 2018 CHARGES

SINOVALDO

ARETHA FRANKLIN – A RAINHA DA SOUL MUSIC

Aretha Franklin encantou-se ontem, dia 16 de agosto, aos 76 anos. Seleção em sua homenagem

17 agosto 2018 CHARGES

SPONHOLZ

17 agosto 2018 AUGUSTO NUNES

COLAPSO MENTAL

Haddad confirma que já aprendeu com a professora a mentir mais do que respira

“O registro da candidatura de Lula é um ato de obediência à vontade do povo e à Constituição Federal”.

Fernando Haddad, candidato a vice-presidente pelo PT, depois de formalizado o pedido de registro da candidatura de Lula, jurando ter descoberto um artigo secreto da Constituição que autoriza um corrupto condenado em segunda instância a governar o Brasil hospedado numa cadeia.

* * *

FANTASIA SUICIDA DO PT

17 agosto 2018 CHARGES

CLÁUDIO

JOSÉ WILSON – CONDADO-PE

Caro Luiz Berto,

Meu nome é José Wilson…

E adivinha, sou de Condado! Pernambuco.

Você com certeza deve conhecer Ismael Gaião, que em 2011 lançou o livro UMA COLCHA – CEM RETALHOS.

Se você acha que eu comprei está enganado…

No Dia do Livro ele doou um exemplar que hoje faz parte de uma pequena biblioteca na minha escola: Escola Municipal António Pereira de Andrade.

Através daquela obra conheci essa “Gazeta da bexiga lixa”.

É um belo trabalho.

Espero aprender a montar nessa Besta Fubana.

R. Pois pode montar e avuar nas asas desta Besta, meu jovem leitor. 

Conterrâneo do meu querido amigo Ismael Gaião, fubânico pioneiro e excelente poeta, é tudo gente boa.

Pode entrar e se abuletar que a casa é sua.

Brigadão pela força.

E vamos ouvir Gaião declamando uma de suas poesias, intitulada No Tempo da Minha Infância.

17 agosto 2018 CHARGES

SINFRÔNIO

17 agosto 2018 DEU NO JORNAL

CANDIDATURA FAKE

William Waack

A apresentação da candidatura de Lula é uma farsa. Ou, para ficar no termo da moda, é fake. As fake news realmente perigosas são as que tem uma verossimilhança com fatos reais, parecem explicar “mistérios” e reforçam preconceitos.

O script do fake lulista está perfeitamente descrito no artigo de opinião que publicou no (desavisado?) The New York Times. É a mesma narrativa de muitos anos atrás, a do pobre (com patrimônio de 7,9 milhões declarado à justiça eleitoral) representante de anseios populares perseguido por elites raivosas aliadas à imprensa e o Judiciário.

Essa narrativa foi amplamente desmentida pelos fatos, mas fakes não se interessam nem buscam fatos. É o que o historiador Timothy Snyder recentemente abordou num livro (The Road to Unfreedom) que está fazendo grande sucesso ao descrever e explicar fenômenos de líderes populistas do século 21 ao redor do mundo.

“O líder”, escreve o historiador, “se apresenta sozinho e caminha sozinho, pois ele vê qual é o futuro da política e sabe o que tem de ser feito”.

No caso do PT, o que tem de ser feito é o que Lula sempre mandou fazer: ele está em primeiro e em último lugar. Ninguém cresce à sombra dele ─ o que se tornou, neste momento, muito mais um problema do que uma qualidade do partido, mas dane-se o partido.

Nenhum dos componentes do fake eleitoral lulista escapa ao clássico da charlatanice, mentira e enganação, além de se constituir numa grotesca narrativa de fatos históricos brasileiros recentes. Mas a questão não é essa. A pergunta correta é indagar quais as razões pelas quais esse fake (o da vitimização, perseguição e conspiração de elites contra o homem do povo) recebe uma forte adesão por parte de considerável número de eleitores, a julgar pelas pesquisas de intenção de voto.

Não há nada em Lula remotamente parecido a Mandela, o homem que sai da cadeia com uma visão de História e de seu papel nela, e de sua missão de levar um país inteiro para além do monstruoso regime do apartheid. Mesmo assim o PT consegue iludir até plateias no exterior a respeito de um “mártir” que nunca mostrou grandeza moral começando pela conduta frente a amigos e pessoas próximas.

Para tentar responder a questão acima, é obrigatório constatar que Lula representa, sim, uma parte considerável da mentalidade e do caráter de todos nós, sociedade brasileira, que inclui desprezo pela lei, apego ao estatismo, à distribuição do dinheiro público aos mais variados segmentos, incluindo do empresariado e sistema financeiro.

Resta então mais uma e decisiva indagação para este momento particular do processo político eleitoral: quantos votos Lula transfere para seu poste?

Mais votos do que seria agradável reconhecer levando em consideração o papel central do PT no alargamento da corrupção endêmica do País e o papel peculiar que o próprio Lula representou ao ridicularizar e banalizar instituições, começando pela da Presidência. Mas menos votos do que seria necessário para “garantir”, desde já, seu poste no segundo turno.

Pois o fake Lula tem sido nos últimos três anos o exemplo sobretudo do chefão político que perdeu o senso de realidade e cometeu um erro atrás do outro. Dilma foi o maior erro de sua vida, mas, desde o começo de 2016, Lula deixou claro a seus adversários ─ e de graça ─ que não era o dono das ruas e que não conseguiria mobilizar gente suficiente para impedir a derrubada do governo petista.

Ironicamente, vai chegando ao ponto no qual conseguir colocar um poste no segundo turno (a probabilidade existe, mas não a vejo tão forte) seria um feito extraordinário, depois do que hoje se sabe sobre o período lulopetista. E, ao mesmo tempo, o seu fim.

17 agosto 2018 CHARGES

LUSCAR

ANIVERSÁRIO SEM FESTA

Republicado em celebração aos meus 52 anos nesta existência

Aos dezessete de agosto,
Registro no calendário
O dia em que comecei,
Na vida, o itinerário.
Mas, não trago na lembrança
De em meus tempos de criança
Festejar aniversário.

Fiz quarenta e nove anos
Sem nunca ter perguntado
Ao meu pai ou minha mãe
Por que não tenho guardado
No arquivo da minha mente
Um aniversário, somente,
Na infância celebrado.

Eu vejo que, hoje em dia,
A família é reunida
Sempre que um de nós completa
Mais um ano nessa vida.
Seja de adulto ou criança
Tem sempre alguma festança
E animação garantida.

Por isso que eu me pergunto:
“E naqueles tempos idos?
Quando menino eu sonhava
Com brinquedos coloridos?
Festejar meu nascimento
Não seria fundamento
Para estarmos reunidos?”

Mas, antes dos meus cinquenta,
Aos meus pais eu perguntei:
“Por que é que, até hoje,
Eu jamais me recordei
De alguma celebração,
Festa ou comemoração
Do dia em que aqui cheguei?”

O que eu perguntei a eles
Não causou muita surpresa.
O meu pai me respondeu,
Com a habitual franqueza,
E puxou pela memória
Para explicar a história
Com detalhes e clareza.

Disse: Meu filho, está certa
A sua observação.
Pois, festa de aniversário,
Nós nunca fizemos, não.
Nem em casa, nem na rua,
Nunca teve festa sua
Nem também de seu irmão.

Clique aqui e leia este artigo completo »

17 agosto 2018 CHARGES

AMARILDO

DALMAR NASCIMENTO – MARINGÁ-PR

Caro editor,

Veja só estas duas notícias.

Uma é do dia 15 de maio passado.

E a outra é fresquinha, publicada ontem, a propósito do registro da candidatura de Lula.

Todo candidato tem que apresentar uma declaração de bens.

Como é possível explicar esta diferença????

Você tem alguma explicação para este fenômeno???

R. Fique tranqujilo, caro leitor.

O fubânico petista Ceguinho Teimoso, especialista na matéria Patrimônio Lulaico – na qual tem um PhD pela Universidade Instituto Lula de Economia Vermêio-Istrelada -, esclarecerá tudo pra você.

Aguarde.

Nosso estimado confrade vai explicar tudinho.

Enquanto isto, leia a matéria que fala sobre o pedido da defesa do nosso probo presidiário – publicada no longínquo mês de maio deste ano de 2018 -, solicitando o desbloqueio imediato desta minxaria de 16 milhões de propriedade do paupérrimo operário ex-prisidente banânico, que tem um patrimônio declarado de apenas 7,9 milhões.

Para ler, basta clicar aqui 

17 agosto 2018 CHARGES

S. SALVADOR

17 agosto 2018 DEU NO JORNAL

CALANDO A HISTÓRIA

J.R. Guzzo

O jornalista e historiador Hugo Studart, de Brasília, escritor premiado em seus livros sobre o regime militar e merecedor do apreço de organizações que agem em defesa dos direitos humanos, é um exemplo admirável do tipo de perseguido político que haveria num Brasil governado pelas forças de esquerda que estão hoje por aí. Em seu último livro, “Borboletas e Lobisomens”, Studart faz uma reconstituição altamente minuciosa da chamada “Guerrilha do Araguaia” ─ na qual um pequeno grupo armado de extrema esquerda, centrado no PCdoB, tentou derrotar em combate as Forças Armadas do Brasil, nas décadas de 60 e 70, em confins perdidos na região central do país.

Hoje, mais de 50 anos depois, organizações que se definem como “progressistas” ou de “ultra-esquerda”, entraram em guerra contra o livro de Studart. Se estivessem no poder, proibiriam a publicação de “Borboletas e Lobisomens” e aplicariam uma punição exemplar ao autor ─ alguma pena prevista, possivelmente, nos mecanismos de “controle social dos meios de comunicação” que prometem adotar em seu futuro governo. Como não podem fazer isso, colocaram em ação o sistema de difamação, sabotagem e notícias falsas que mantém na mídia e nas redes sociais para tumultuar o lançamento. Ao mesmo tempo, sua tropa foi posta na frente da livraria escolhida para a noite de autógrafos, no Rio de Janeiro, com a missão de intimidar os presentes e perturbar seu acesso ao local.

O delito de Studart foi mencionar em seu livro algumas realidades incontestáveis e incômodas para os interessados em manter de pé lendas e mitos sobre o que entendem ser o heroísmo dos “combatentes” da aventura do Araguaia. Basicamente, o jornalista escreve que diversos membros da guerrilha trocaram rapidamente de lado, assim que foram acossados pela tropa do governo ─ e fizeram acordos com os militares para delatar os companheiros e ajudar os militares na sua captura e destruição. Refere-se, também, a uma lista de “guerrilheiros” que, em troca da delação, receberam identidades falsas e se beneficiaram de programas de proteção a testemunhas operados pelos serviços de repressão; encontram-se, até hoje, entre os “desaparecidos” do Araguaia. Studart cita ainda uma das líderes do movimento que, na verdade, era amante de um agente das Forças Armadas e agia a seu serviço na guerra contra os companheiros. Registra assassinatos cometidos entre eles ─ as chamadas “execuções” ou “justiçamentos”.

Enfim, no que talvez seja o ponto no qual mais irrita os inimigos do seu livro, o autor demonstra que o longo culto ao Araguaia pela esquerda é, em boa parte, uma questão de dinheiro. Tem a ver com a operação do sistema de indenizações e benefícios que o contribuinte brasileiro paga até hoje, e continuará pagando pelo resto da vida, para pessoas que conseguiram se certificar como “vítimas do regime militar”.

Borboletas e Lobisomens” é um livro de 658 páginas, com uma lista de 101 obras consultadas pelo autor, tanto sobre o episódio do Araguaia em si como sobre História em geral; entra na relação até a “Metafísica” de Aristóteles. Studart ouviu depoimentos de 72 participantes e familiares, consultou 29 documentos de militantes da operação e teve acesso a cinco documentos militares, inclusive de classificação confidencial e secreta. Ao logo de todo o livro, trata os envolvidos, respeitosamente, como “guerrilheiros” ou “camponeses”.

O relato de delações, homicídios e colaboração com os militares ocupa apenas uma porção modesta do vasto conjunto da obra. Mas a Polícia do Pensamento que opera na esquerda brasileira não admite a publicação de nenhum fato que possa contrariar sua visão oficial de que houve no Araguaia um conflito entre heróis do PCdoB e carrascos das Forças Armadas ─ principalmente se esse fato é verdadeiro. Este é o único tipo de liberdade de expressão que entendem.

17 agosto 2018 CHARGES

SPONHOLZ

17 agosto 2018 CHARGES

J. BOSCO

O EMBAIXADOR

Luiz entrou para o serviço diplomático brasileiro em 1947, tendo servido em Belgrado, (capital da antiga Iugoslávia), México, Guatemala, Egito, Dinamarca, Japão, Venezuela, Suriname e República Dominicana.

Até então, fora um jovem imaturo, que, por competência pessoal, furara as barreiras tradicionais, que fechavam o acesso à carreira diplomática, a quem não pertencesse às elites dos estados mais influentes na República brasileira, como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Bahia. Uma vez admitido, logo visualizou que poderia realizar seu sonho de conhecer o mundo, para melhor compreender os problemas do seu país.

Fez os primeiros estudos em Natal, seguindo, depois, para Recife (PE), onde se formou em Direito.

Durante todo o tempo em que andou pelo mundo, como Embaixador, Luiz acalentou o sonho de voltar para Natal, na companhia tranquila da esposa Verônica e da filha Graziela, quando chegasse a época da sua aposentadoria. Elas sempre concordaram com as suas escolhas de posto, dentro dos estreitos limites que lhe permitia a fria administração que o comandava de longe. Pensava em Natal todos os dias. Natal representava a paz com que ele sonhava.

Depois de 40 anos fora do Brasil, Luiz foi aposentado pelo Itamaraty, retornando em 1985.

Pouco tempo depois, estava morando em Natal, na Praia do Meio, numa enorme casa que mandara construir.

Imaginava que Natal continuava a mesma cidade branca, cheia de tranquilidade. Sonhava caminhar descalço novamente pela areia da praia e mergulhar na imensidão do mar azul.

Da varanda da sua casa, o Embaixador podia observar, com a família, a interminável e diária partida de futebol de areia, na qual os inúmeros contendores se esforçavam para fazer “gols”, nas balizas dos dois grupos.

Sua mulher, cuja formação acadêmica a tornou uma incansável observadora, disse-lhe subitamente: “É curioso. Os jovens que se batem nessas infindáveis peladas, neste sol causticante, não são negros, embora o pareçam. Na verdade, ou são índios ou mestiços de índios”.

Luiz parou para pensar e retorquiu: “São os mesmos brasileiros que receberam aqui nestas praias, em 1500, os primeiros portugueses e os comeram. Quanto progresso fizemos de 1500 pra cá… Não é?” E todos riram com a sua pertinente observação.

O Embaixador temia sofrer, em breve, um impacto visual, com a construção desenfreada de arranha-céus na Praia do Meio e com a cogitada construção de uma ponte colossal, que cruzaria a barra, ligando a Praia do Meio à Praia da Redinha. Considerava essa ideia um absurdo, fruto da cabeça dos improvisados urbanistas das novas gerações.

De repente, a tranquilidade na casa de Luiz, na Praia do Meio, começou a sofrer as consequências de um tresloucado projeto da autoridade que dirigia a prefeitura de Natal, que visava transformar a praia de Iemanjá em Zona turística, com barracas imitando as da Bahia.

Como todo governante nordestino, a maior autoridade municipal de Natal esqueceu de que o povo nordestino também tem suas necessidades fisiológicas. Resultado: As concentrações de bêbados e farristas, que passaram a utilizar as barracas construídas pela prefeitura, passaram a fazer suas necessidades mal cheirosas, na própria praia ou em torno do aconchegante muro de dois metros, da casa da esquina, em frente à casa do Embaixador. A poluição orgânica dos bêbados e dos farristas, e a poluição sonora dos poderosos aparelhos eletrônicos das tais barracas e mais os dos bêbados automobilistas, passaram a infernizar a vida do Embaixador e de sua família. A zona de concentração dos frequentadores era em frente à sua casa. O barulho não tinha hora para terminar.

O Embaixador tomou as providências necessárias, para solucionar o sério problema junto às autoridades competentes, mas não obteve êxito.

Para completar,a perturbação, os cultos e os alfabetizados de Natal resolveram se divertir, quebrando garrafas a tiros, na beira das praias urbanas, tornando impraticáveis as caminhadas na areia, com os pés descalços.

Num momento de inspiração, Luiz lembrou-se da técnica jesuítica, que ensina com o exemplo. E foi à luta.
A partir de então, todos os dias via-se um homem com uma camisa vermelha e uma lata a tiracolo, onde estava escrito “GARI VOLUNTÁRIO”, percorrendo as praias do Morcego, dos Artistas, de Iemanjá, e Praia do Forte. Colhia cacos de vidro, sem se importar com o que os outros pensassem dele.

Luiz passou o primeiro mês, fazendo as suas colheitas de cacos de vidro, nos três quilômetros da Praia do Meio, dialogando sempre com os curiosos que o seguiam, as mulheres que o interrogavam e os céticos que o provocavam.

Os velhos pescadores lhe perguntavam por que o doutor estava pescando caco de vidro: “Pra botar em cima do muro?”, “Pra vender?”

Ele sentia que a curiosidade aumentava com o espetáculo diário e com o seu silêncio, que era outra palavra de ordem de um grande líder francês, o General De Gaulle. Nada como o silêncio para acentuar a autoridade. Até um simples pescador compreende a linguagem do silêncio.

Luiz sabia que o que estava fazendo incomodava. Nos altos círculos intelectuais da cidade, pelo telefone da Academia de Letras, um confrade o inquiriu sobre o disparate de um Embaixador, mesmo aposentado, estar colhendo cacos de vidro nas praias da cidade. E não faltava quem lhe dissesse que “uma andorinha só não faz verão.”

Nas suas costas, os “amigos” o ridicularizavam, dizendo que ele voltara do exterior, sueco, e que queria limpar as praias.

O exemplo que Luiz quis dar, apanhando lixo nas praias, logo teve repercussão. Certa manhã, na Praia do Meio, uma moça de ótima aparência aproximou-se dele e perguntou: – O Senhor é Embaixador mesmo? -Não, fui. – respondeu. E a moça continuou: – E está apanhando cacos de vidro, para que? – A ela, Luiz respondeu:

“Para ver se dou uma lição ao Governo, de como se começa a resolver um problema. E a moça continuou: “Eu vou tirar algumas fotografias do Senhor, se não for inconveniente.” E Luiz respondeu:– Não há nenhum inconveniente. Posso lhe assegurar.

Passadas duas semanas, pararam em sua casa enormes caminhões da Globo, com equipamento mirabolante. Vinham se certificar se era tudo verdade.

Duas semanas depois, o programa “Fantástico” abriu às 20:00, com a manchete: “Um embaixador aposentado limpa as praias de Natal, colhendo cacos de vidro”.

Seguiram-se as imagens que haviam feito.

Luiz solucionou sua insatisfação, perante a inércia do poder público municipal de Natal, mudando-se para Brasília, em 1991.

Em 1993, Luiz voltou a Natal. Muita coisa tinha mudado. As barracas imundas, que poluíam as areias e o mar, tinham desaparecido, devido à intervenção da Marinha, solicitada por ele próprio ao Almirante Didier. Permaneceram as barracas horríveis da Prefeitura, sem latrinas para os bêbados e os farristas.

Andando pela praia, um velho pescador aproximou-se de Luiz e perguntou: “Cadê os cacos de vidro, Embaixador? Acabaram, como o senhor queria?”

– Exatamente. – respondeu Luiz.

Em 1999, Luiz foi dar um mergulho, na baía que cerca todo o paredão do rochedo negro do Morcego, onde se situam grandes restaurantes, que antes jogavam esgoto na baiazinha. Notou a água azul, impecável. Indagou, então, aos moleques que o acompanhavam:

“Água limpa, hein? O esgoto não cai mais para este lado?”

O garoto foi franco: -Doutor, agora não há mais “merda” por aqui.

Luiz foi confirmar com o pessoal da Peixada da Comadre, a quem muitas vezes entregara memorando sobre a implantação dos coletores da CAESB. Estavam lá, sim. Os coletores tinham sido implantados e agora os excrementos colhidos são expulsos para longe, pela unidade de compressão dos esgotos da Praia do Meio. Ouviu encantado essa boa notícia, que serve para provar, que nem tudo está perdido, neste Brasil de tantos problemas.

17 agosto 2018 CHARGES

NANI


© 2007 - 2018 Jornal da Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa