Bela paisagem do município de Gravatá

Assim que se aproximou dela pela vez primeira, apresentada por um amigo, ele pressentiu que aquela mulher teria uma enorme importância na sua vida. Sentiu que ia a amar mesmo que não houvesse correspondência entre ambos, principalmente da parte dela. Não se recordava de ter sentido algo tão penetrante, pungente, num ser feminino que lhe chamasse tanto a atenção como naquela mulher. Mesmo sabendo que ela tinha a soberana liberdade de escolha e que ele tinha de respeitar porque não lhe cabia decidir pela vontade dela. Mas a estranha vontade de amá-la permanece nele latente como uma locomotiva nos trilhos até o fim da linha. Onde existe amor e sonhos não existe tempo para começar e prazo para acabar.

Aos olhos dele ela será sempre a mulher dos seus sonhos. Nunca tinha visto nada que se comparasse com aquela pele morena, aquela boca carnuda, aquela tez brilhosa, aquela voz feminina, sensual, aqueles olhos negros, atraentes e penetrantes, aquelas mãos pequenas de dedos grossos, aqueles seios fartos e luxuosos, aquele corpo escultural, aquela bunda enorme e rígida, aquela polidez no falar, no chorar de emoção, e principalmente aquela honestidade no agir, princípio basilar da decência humana. Ele sempre ver nela essas virtudes e muito mais que o atraem perdidamente.

Por diversas vezes ele tentou dizer a ela o quanto a amava de forma clara, aberta e subliminar. O quanto ela marcou a vida dele, e que não saberia explicar-lhe a razão desse amor possesso por meio de palavras, gestos, afetos. Sabe exatamente o que sente quando a ver: O corpo estremece, os poros se lubrificam, a libido aumenta, a voz embarga, a tesão prescinde a razão e ele mata os impulsos sexuais se delirando na masturbação, imaginando ela sempre nua como veio ao mundo, dançando a dança do ventre na penumbra da lamparina na alcova, de camisola de chita transparente.

Em confissão ao amigo leal que a apresentou chegou a dizer-lhe que a amava muito, sentia um desejo estranho e inexplicável por ela mais que não podia fazer nada, pois ela é soberana nas suas vontades e decisões, uma vez que ninguém pode fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da liberdade de escolha pessoal, individual. Ao que o amigo leal respondeu que tivesse paciência, pois a qualquer momento podia chegar sua vez. Pediu para ele ficar sonhando com ela porque sonhar é bom para manter o equilíbrio e a vitalidade do cérebro.

Ao que ele respondeu:

– E quando chegar minha vez e eu já tiver viajado para a cidade “de pés juntos”, quem me substituirá nos braços dela com meus desejos e vontades?

O amigo respondeu:

– Se houver céu e os dois não forem para o “purgatório”, haverá chance. Mas o meu conselho é que você não perca tempo! Corra atrás e não desista desse amor!

Ao que ele respondeu e perguntou:

– Só pelo fato de amá-la sem tocá-la ela já faz parte da minha vida, me domina, prende! Como explicar esse sentimento que nasce de repente e a gente não controla?

Nesse momento o amigo ficou mudo, ergueu os olhos aos céus contemplando as estrelas conversando sobre os mistérios dos sentimentos, sem dar resposta à indagação.

Enquanto isso ele fitou a sereia no reservatório da praça refletindo ela nua no espelho d’ água se dirigindo para ele com os braços abertos, e ficou a pensar: Onde está ela agora, será que pensando em mim? “Oh! Juca Mulato, a dor me aquebranta quando lembro o olhar que adoro, e que nunca esquecerei!” – lamentou!

6 Comentários

  1. É isso mesmo, grande colunista Maurício Assuero:

    Desde que o personagem me passou os detalhes dos desejos dele pela balzaquiana, eu pensei na grande personagem da Escolinha do Professor Raimundo do genial Chico Anísio: Dona Bela: Ele só pensa naquilo!

    Todo amor tem uma dose cavalar de sexo, senão não existia amor – pensei!

    • Caríssimo professor Adônis Oliveira:

      Brigadão mesmo pela visita e comentário. O nobre mestre, infelizmente massacrado pelo INSS desse país chinfrim, honra qualquer espaço literário com a sua sapiência e comentário, principalmente quando é elogioso!

      Fico muito honrado!

  2. Prezadíssimo colunista Carlos Ivan:

    Escrevi-a, meu caro amigo e colunista fubânico honrado, conforme o apaixonado e cheio de “caeba” me confessou: a mulher dos sonhos dele estava distante porque ele não tinha coragem de se declarar, preferia ficar nos sonhos despudorados, como o afirmou o professor Maurício Assuero!

    Brigadão, amigo do coração, mais uma vez!

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