INCENDIANDO

4 setembro 2018 CHARGES

SPONHOLZ

PALOMA BRETAS – VITÓRIA-ES

Berto,

Dê uma olhada nesta matéria.

Acho que seria interessante publicar no JBF.

Museu Nacional teve proposta de R$ 80 milhões do Banco Mundial

Reforma foi rejeitada pela UFRJ há cerca de 20 anos, pois implicava em transformar a instituição em fundação de direito privado

Muito obrigada.

Cordiais saudações.

R. A manchete já resume muito bem a notícia.

Quem quiser ler na íntegra a interessante matéria enviada por nossa leitora, basta clicar aqui.

Disponha sempre.

4 setembro 2018 CHARGES

PASSOFUNDO

O SEXO DAS PLANTAS

Meu filho Paulinho um dia me disse que alguns olham para o universo e conseguem enxergar a beleza e magia da vida. Mas que muitas pessoas só conseguem ver e focar o mundo dos homens, quase como se apenas fosse ele que existisse ou tivesse algum valor; e que abençoado é aquele que tem visão, que consegue tirar grandes alegrias de pequenas coisas desta existência: pode olhar uma tarde e a ver luminosa, apreciar uma borboleta amarela como o sol, um beija-flor de azul brilhante passando como um raio.

Ele notou que é comum em um dia nublado a pessoa reclamar que está frio, em um dia de sol reclamar de calor, com chuva dizer que poderia fazer um solzinho e no sol reclamar que não chove, que para esse tudo está ruim, sem cor e sem vida, não importa a situação.

E continuou dizendo que muitas vezes você sente ao olhar para alguém que ele não enxerga a luz, enquanto outros têm outra visão das coisas, fora do comum, não importa a situação, sempre conseguindo tirar um brilho desta vida, carregando, ao caminhar, um brilho no olhar, o brilho daquele que bebe luz: – Bem capaz de viver o Céu na Terra.

Volto a pensar nas coisas que ele disse, e me sinto abençoado, enquanto observo calmamente, nesta tarde luminosa, uma borboleta amarela como o Sol cintilando entre as plantas do jardim. Ela passa de uma flor a outra, titubeante, vai e volta, pára sobre uma folha e tremula.

Coincidentemente, um beija-flor de azul brilhante passa como um raio. Estanca. Enfia seu longo bico por entre pétalas, parado no ar.

Um zumbido me distrai quando um besouro encarapuçado chispa zangado.

Todos vêm atraídos pelas cores para sugar um quinhão de mel.

Se tivesse lentes potentes nos olhos eu veria os baldes de cada um desses pequeninos seres repletos de tesouros coloridos, sendo levados de flor em flor. Veria seus corpos borrifados dessas coisas minúsculas que vão se espalhar pela natureza e reproduzir a vida.

Essas lindas jóias que os bichos, as águas e os ventos transportam: são os grãos de pólen.

Não posso ver com os olhos esse fenômeno, mas sinto-o com a alma.

O besouro zangado volta carregado, saiu de dentro de um túnel vermelho de uma flor e agora entra em outro amarelo e azulado, remexendo-se nervosamente, como se quisesse penetrar mais e mais pelo espaço apertado.

Como seus companheiros colibri e mariposa, e como abelhas, moscas e morcegos, ele transporta o gameta masculino que irá fecundar o gameta feminino para a gestação vegetal.

O beija-flor, no seu movimento incessante, convida-me a olhar para dentro dele e a perscrutar os seus instintos.

O que o leva a realizar esse trabalho?

Ele próprio não sabe, como não o sabe o vento, nem a mariposa, nem as águas que correm, nem o besouro, a abelha, o mosquito e eu.

Apenas deseja sugar o néctar que lhe fornece energia para bater as asas mais de quatro mil vezes por minuto – e para isso é atraído pelas lindas cores, pelas formas sinuosas e pelo cheiro das flores, que lhe oferecem o delicioso mel.

Radiografo-o com minha mente, atravesso suas plumas e vejo-o, despido, inda mais minúsculo. E por dentro quase só uma pequena estrutura de finos ossos, com os órgãos – o cérebro, o coração e os demais – cabendo em um dedal.

Uma coisica de nada, esse passarinho veloz.

Como são coisicas de nada essa mariposa e aquela joaninha que só agora vejo zanzando pelo verdejal.

E aquele besouro que zumbiu e zuniu e sumiu.

Como é suave esse vento que agora balança a folhagem e carrega as minúsculas partículas.

A fresca chuva que virá também se encarregará dessa tarefa, dentre outras.

Caminharam pelo infinito e vieram das estrelas para fazer o trabalho da vida.

4 setembro 2018 CHARGES

JORGE BRAGA

4 setembro 2018 DEU NO JORNAL

VOTO JUMENTÍCIO

Fernando Haddad encontrou-se com o candidato à reeleição ao governo de Alagoas Renan Filho, e foi tratado como “presidente”.

“Eu presumo que todos estão aqui aguardando para ouvir o nosso presidente Haddad. E dizer que é um grande prazer, presidente, recebê-lo aqui em Alagoas”, disse Renan Filho, que estava ao lado do pai Renan Calheiros.

* * *

O que gostei mais na foto que ilustra esta notícia aí de cima foi do cartaz que está ao fundo.

A imagem do presidiário Lula – cumprindo pena por corrupção e lavagem de dinheiro -, deu uma excelente moldura para a parelha que está na frente.

O poste Haddad, sendo petista, tem tudo a ver com o mega-corrupto Renan, do PMDB.

Renanzão, Haddad e Renanzinho em campanha nas Alagoas: um trio luloso do caralho!!!

Neste último final de semana, durante a visita do poste Haddad a nossa terrinha, uma eleitora do interior de Pernambuco declarou que “Se Lula mandar, eu voto até num jumento”

Quem quiser ler a matéria, é só clicar aqui.

Os jegues são muito solidários entre eles: um jumento sempre vota em outro.

Menos, evidentemente, o jumento fubânico Polodoro, o mais politizado e esclarecido dentre todos os asnos.

Ele sempre diz assim: “Eu não sou burro pra votar em Lula”

4 setembro 2018 CHARGES

BRUM

4 setembro 2018 HORA DA POESIA

FANATISMO – Florbela Espanca

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!…”

* * *

4 setembro 2018 CHARGES

GABRIEL RENNER

4 setembro 2018 DEU NO JORNAL

O MUSEU NACIONAL E O MUSEU LULA

O Museu Nacional precisava de 600 mil reais por ano para sobreviver (evidentemente, esse era o orçamento mínimo).

Mas o Brasil — e não venham terceirizar culpas, porque se trata de uma instituição de interesse municipal, estadual, federal e mundial — tem outras prioridades na área cultural.

Basta ver para onde foi o dinheiro captado via Lei Rouanet nos últimos tempos:

— Documentário sobre José Dirceu: 1,5 milhão de reais;

— DVD de MC Guimê: 500 mil reais;

O Mundo Precisa de Poesia: Maria Bethânia: 1,3 milhão de reais;

— Turnê Luan Santana: Nosso Tempo é Hoje Parte II: 4,1 milhões de reais;

— Turnê Detonautas: 1 milhão de reais;

— Shows de Cláudia Leitte: 5,8 milhões de reais;

— Filme Brizola, Tempos de Luta e exposição Um brasileiro chamado Brizola: 1,9 milhão de reais;

— Peppa Pig: 1,7 milhão de reais;

Shrek, O Musical e Turnê: 17,8 milhões de reais;

— Cirque de Soleil: 9,4 milhões de reais;

— Queermuseu: 800 mil reais;

— Livro com fotos de Chico Buarque: 414 mil reais;

— Museu Lula: 7,9 milhões de reais.

* * *

Esta nota saiu na página O Antagonista.

Que é acostumada a botar nos ares mentiras cabeludas.

Mentiras como a escabrosa mesada de Toffoli,  por exemplo, uma matéria que foi publicada aqui no JBF no mês de julho passado.

Eu acho que estes números aí de cima são mentirosos.

Não pode ser verdade de maneira alguma um coisa horrorosa feito esta.

Quase 8 milhões de reais para o Museu Lula???!!!

Só tem um jeito de tirarmos a dúvida: convocarmos o fubânico Catador de Dados-e-Links para desmentir isto tudo.

Aguardemos o pronunciamento dele.

Caso contrário, vamos apelar para o fubânico Explicador do Inexplicável.

4 setembro 2018 CHARGES

MIGUEL

OS CLÁSSICOS E ERUDITOS DE NOSSA REGIÃO – FERNANDO MULLER

Fernando Muller, o pianista paranaense, radicado em Pernambuco

Nascido no Paraná, Fernando Müller é professor de piano no Conservatório de Música de Pernambuco.

Ele também lecionou como professor adjunto na Universidade Federal de Pernambuco, onde atualmente trabalha como pianista de seu corpo.

De 2003 a 2013, foi pianista da Orquestra Sinfônica do Recife.

Como solista e músico de câmara, Fernando Müller atuou em várias cidades do Brasil, Alemanha e Canadá, compartilhando com o público a música do Brasil.

Preludio – de Fernando Muller, com o mesmo

Participou de muitos festivais e máster-classes, com pianistas renomados.

Em 2005, Müller gravou o “Concerto para piano”, de José Alberto Kaplan com a Orquestra da Paraíba.

Deneil Laranjeira e Fernando Muller – Miudinho II

Gravou composições de Inaldo Moreira em três CDs, entre 2009 e 2015.

O CD “Arruar” foi lançado em 2012 com peças para piano de compositores de Pernambuco.

Em 2014, lançou o CD “Território XXI” com o Grupo de Percussão do Nordeste.

“Sarau Roliudiano – Choro para Clarinete e Piano”, de Inaldo Moreira, com Fernando Muller ao Piano e Jaílson Raulino, no Clarinete

Fernando Müller concluiu seus estudos de graduação na Universidade Federal da Paraíba (UFPA) e obteve seu mestrado pela Universidade de Montreal (Canadá).

4 setembro 2018 CHARGES

SINOVALDO

4 setembro 2018 A PALAVRA DO EDITOR

PROGRAMA HUMORÍSTICO

Conforme apurou o Departamento de Tapeações e Canalhices do JBF, a campanha do PT vai adotar um novo rumo a partir de hoje.

Os marqueteiros lulaicos montarão as peças publicitárias tendo como base o sítio de Atibaia e o triplex do Guarujá.

O lema será este:

A candidatura é de Lula sim, mas está em nome de um amigo.

Neste caso, o amigo não é nenhum empreiteiro doador de pixulecos.

Trata-se de um cordeirinho submisso, um crente da Igreja Petralhal do Reino de Lula, um idiota obediente que atende pelo nome de Haddad.

E vamos levantar o astral desta terça-feira com uma piada tipicamente banânica.

O primeiro reclame de campanha da organização criminosa PT.

No vídeo humorístico abaixo, onde Haddad diz “Eu sou vice de Lula“, entenda-se “Eu sou poste pau-mandado de Lula“.

O discurso surrealista do prisioneiro Lapa de Demagogo, condenado a quase 13 anos (por enquanto) de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, está de uma hilaridade de fazer a gente se mijar-se de tanto se rir-se.

Só mesmo em Banânia!!!

4 setembro 2018 CHARGES

PAIXÃO

LIVROS EM REVISTA

Semana passada, fui entrevistado pelo agente literário Ralph Peter, no programa Livros em Revista, sobre minha obra BREVES ANOTAÇÕES DE UM ANDARILHO.

Convido os leitores desta Coluna a assistirem à entrevista.

E, para os fubânicos que moram em Brasília, ou estiverem de passagem pela Capital Federal, nesta quarta-feira, 5 de setembro, estarei autografando o livro no Espaço Cultural STJ, a partir das 18:30.

Será um prazer recebê-los!

4 setembro 2018 CHARGES

DUKE

4 setembro 2018 DEU NO JORNAL

APARALHEMENTO ZISQUERDAL CU-MUNISTA

Pertence à Universidade Federal do Rio de Janeiro o Museu Nacional, destruído no domingo pelas chamas.

A tragédia cultural voltou a chamar a atenção para o aparelhamento político-ideológico da universidade federal, cuja reitoria é composta pelo seguinte quadro de socialistas e comunistas:

Reitor: Roberto Leher – filiado ao PSOL;

Vice-reitora: Denise Fernandes Lopez – filiada ao PSOL;

Pró-reitor de graduação: Eduardo Gonçalves – filiado ao PCB;

Pró-Reitor de Planejamento, Desenvolvimento e Finanças: Roberto Antonio Gambine Moreira – filiado ao PCdoB;

Pró-Reitora de Extensão: Maria Mello de Malta – filiada ao PSOL;

Pró-Reitor de Pessoal: Agnaldo Fernandes – filiado ao PSOL.

Isso é que é reitoria com partido.

Não causa surpresa que o reitor socialista tenha culpado até os bombeiros.

É óbvio que a forma de combate não guardou proporção com o tamanho do incêndio. Percebemos claramente que faltou logística e capacidade de infraestrutura do Corpo de Bombeiros que desse conta de um acontecimento tão devastador com foi esse”, disse Roberto Leher.

* * *

O reitor Leher, filiado ao PSOL, está certíssimo: a culpa do desastre é dos bombeiros, uma corporação incompetente e com uma longa ficha de erros, malandragem, corpo mole e falta de dedicação no combate a incêndio e outros desastres.

Bem que a militância do PSOL vive alertando que polícia, bombeiro e forças armadas deveriam ser extintas…

Agora, falando sério e deixando de fazer ironia com um assunto tão sério, eu gostaria de mandar um recado para o “reitor” Roberto Leher:

– Vá tomar no olho do furico, seu babaca descerebrado!

Este incêndio foi uma tragédia anunciada há 14 anos, em pleno governo petista, conforme publicado ontem nesta gazeta escrota.

Fecho a postagem com um foto que resume tudo:

Um flagrante da posse desse idiota na reitoria da UFRJ, erguendo um boné do MST, conforme matéria publicada no mês de julho de 2015, na página do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFRJ.

Um reitor de uma universidade federal erguendo o boné de um movimento ilegal, terrorista e destruidor de bens e propriedades privadas, no momento de sua posse.

Isto é um retrato cagado e cuspido da educação que o tenebroso período de guverno petralha impôs a esta infelicitada república.

Imaginem a cabeça dos alunos de uma entidade dirigida por este panaca…

Putz…

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

4 setembro 2018 CHARGES

QUINHO

O ESTADO A SERVIÇO DO CRIME

E Lulinha “guerra e ódio” perdeu mais uma votação num tribunal superior por goleada. Desta vez foi 6 a 1 no julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 16 pedidos de impugnação do registro de sua candidatura pelo Partido dos Trabalhadores (PT) à Presidência.

Bem que poderia ter sido por 7 a 0. Seria a lógica dos fatos, sem fantasias ideológicas, e também de decisões anteriores de todo o Judiciário. Condenado em primeira instância a nove anos e meio pelo juiz Sergio Moro, o ex-presidente levou surras de 3 a 0 na turma do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) e de 5 a 0 no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ). E ainda sem complacência nas decisões monocráticas dos relatores dos recursos, Gebran Neto, em Porto Alegre, e Félix Fischer, em Brasília. Caindo no plantão de Laurita Vaz, à época presidente do STJ, foi mantida, da mesma forma, a decisão do TRF-4 de deixá-lo preso “na sala de estado-maior” na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

O preso mais famoso do Brasil perdeu de novo, por maioria simples, quando o habeas corpus pedido pela defesa subiu para julgamento no STF: 6 a 5. O ministro Luiz Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato, puxou os votos para ele ficar privado de liberdade. Com ele votaram, em abril, Alexandre de Moraes, Luís Barroso, Luiz Fux, Rosa Weber e a presidente Cármen Lúcia. Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello, Gilmar Mendes e o decano Celso de Mello deram os votos perdedores. E, em votações na Segunda Turma do STF, Fachin perde suas tentativas de punir, às vezes com voto de Celso de Mello e sempre contra a maioria formada pelo trio Parada Mole: Lewandoswki, Toffoli e Gilmar.

A sessão histórica do TSE em que o registro da candidatura do PT foi negado começou com a leitura do relatório didático e na mosca do relator Luís Roberto Barroso. Parecia nem haver muito a discutir. Pois a Constituição de 1988 consagrou a figura da lei de iniciativa popular. Lula e o PT foram convencidos por Ulysses Guimarães a assinar e apoiar esse tipo de legislação fora dos cânones. A Lei da Ficha Limpa é a mais popular das iniciativas partidas do povo sem intermediação e atendeu a um apelo da população, acompanhada pelos petistas, a favor da moralização da atividade política e da gestão pública. Na Presidência, Lula em pessoa promulgou a lei. Mas a sempre irônica deusa Clio, que, segundo os gregos, manda na História, logo fez-se presente: o militante que assinou a lei proibindo candidaturas de políticos com a ficha suja caiu nas malhas do Código Penal, personificando um dos pré-requisitos que a norma acrescentou à letra constitucional: condenados em segunda instância não podem disputar eleição nenhuma. Assim mesmo, sem mais.

Não há nem pode haver exceções à regra. Mas os devotos de padim Lula tentaram criar uma inovação: o signatário da Lei da Ficha Limpa teria de ser a exceção à regra e, mesmo condenado e cumprindo pena, ter sua pretensão presidencial autorizada pela Justiça Eleitoral por exigência da mesma instituição do Estado de Direito que havia tomado a iniciativa da legislação contra a corrupção: o povo. A Lei da Ficha Limpa fora avalizada por mais de 1,5 milhão de assinaturas de cidadãos aptos a votar. A exceção exigida pelos lulistas teria como base apenas pesquisas de intenção de votos, que não são meio válido de aferição para eleger ninguém.

À falta de um dispositivo constitucional que garanta impunidade plena ao chefe de Estado que promulgou a punição, a defesa do preso e seu partido inventaram um slogan de muito apelo e lógica nenhuma: “Eleição sem Lula é fraude”. E recorreram a uma recomendação assinada por dois dos 18 peritos do Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) exigindo que, em nome do povo – que nem consultado o fora em plebiscito, referendo ou disputa eleitoral –, o “Brasil” (seja lá o que diabo for isso) permita a um condenado em segunda instância disputar pleito, seja qual for ele, inclusive o presidencial.

Antes da condenação e prisão de Lula, seus asseclas providenciaram uma campanha em duas fases para uma eleição em dois turnos. Ela começaria com propaganda maciça da chapa Lula e Haddad para depois poderem acrescentar um acento agudo, passando para Lula é Haddad, ou “Andrade”, como se propaga num de seus mais fiéis redutos, o interior de Pernambuco, dominado pelos “socialistas” saudosos de Arraes e Campos.

A farsa foi submetida ao TSE e o julgamento da sexta 31 de agosto para o sábado 1.º de setembro finalmente adotou a decisão definitiva para por a falsa candidatura de quem não pode ser eleito no lixo da História. Assim se deu o julgamento, mas com uma exceção à regra geral. Fachin, o implacável relator da Lava Jato, votou a favor do óbvio relatório de seu colega Barroso, considerando Lula “inelegível”. Só que rasgou os dicionários, inelegível significa quem não pode ser eleito, ao autorizar o ex a participar da disputa eleitoral até passar pelo fabuloso “transitado em julgado”, como sugeriam dois “peritos” da ONU. Com isso despedaçou a Constituição, que não consagra comitês das Nações Unidas como revisores da Justiça brasileira, e a própria biografia de justo e honrado. Sua decisão, diga-se em seu favor, não altera a derrota acachapante sofrida pelo não candidato, mas levanta uma dúvida: como votará agora o relator da Lava Jato, que foi sempre implacável legalista tido como coerente?

O voto de Fachin só se apoia em sua biografia de esquerdista que apoiou publicamente Dilma na eleição presidencial. E reforça a mentalidade colonizada da esquerda brasileira, que Nélson Rodrigues batizou de “complexo de vira-lata”, ao dar valor a uma instituição internacional que não dispõe, como argumentaram os seis outros votantes, de poder vinculante sobre decisões do Judiciário brasileiro. Ponto final. E somente o futuro poderá desvendar o mistério do voto fora da curva dele.

Por enquanto, basta a clareza didática de Barroso, Jorge Mussi, Og Fernandes, Admar Gonzaga, Tarcísio Vieira e Rosa Weber, apesar da enxúndia do voto final dela. E nos resta testemunhar o PT desmoralizando a Justiça ao se negar a cumprir a decisão final da maioria de ter de substituir Lula por Haddad/“Andrade” e ainda justificando que o faz para “testar” até que ponto iria sua resolução sobre a qual não restam dúvidas.

Esta, aliás, é uma boa hora para contar que de gratuito o tal de horário eleitoral não tem nada. A propaganda partidária é financiada pelo erário. E o horário dito “gratuito” em emissoras de rádio e TV é bancado por isenção de impostos. A isenção fiscal equivale a cerca de 80% do que seria obtido com a venda publicitária. Segundo cálculo da ONG Contas Abertas, tal custo representa R$ 6,9 por eleitor. Além disso, as campanhas em geral são bancadas com dinheiro público. Os partidos têm à sua disposição R$ 1,7 bilhão do Fundo Eleitoral e R$ 888 milhões do Fundo Partidário para as eleições de 2018, despesas definidas pelo Congresso.

A distribuição dos recursos do Fundo Eleitoral ficou assim: 48% conforme o número de deputados de cada partido na Câmara, 35% entre os partidos com ao menos um representante na proporção dos votos obtidos pelos deputados na última eleição e 15% de acordo com o total de senadores de cada sigla. O MDB foi o maior beneficiado, com direito a R$ 234,2 milhões, seguido pelo PT, com R$ 212,2 milhões e pelo PSDB, com R$ 185,8 milhões. Já o critério de distribuição do Fundo Partidário é o seguinte: 95% são distribuídos na proporção de votos obtidos por cada legenda na última eleição para a Câmara de Deputados e 5% divididos igualmente entre todas as siglas. O PT é o partido que tem direito à maior fatia do Fundo Partidário, seguido pelo PSDB. Esses números constam de reportagem do Igor Machado no Estado de 22 de junho de 2018.

As eleições são bancadas com dinheiro público e a forma da distribuição dos recursos privilegia os políticos que já estão no poder. O eleitor que quer renovar paga a conta dos políticos que exigem ficar.

É beneficiado quem comprou seus lugares com dinheiro de propina e aprovou uma lei para o Estado gastar para mantê-los no poder. Ganharam a corrida recorrendo a dopping financeiro. O lema da turma é não renovar e descriminalizar. E receberá os recursos dos fundos tendo ainda vantagem indevida sobre quem não aderiu ao esquema – o Estado a serviço do crime.

4 setembro 2018 CHARGES

SPONHOLZ

BOAVENTURA BONFIM – FORTALEZA-CE

Amigos fubânicos,

Para entender o solitário e esquisito voto do ministro Fachin, no Pedido de Registro de Candidatura/TSE/31-08-2018, do senhor Luiz Inácio Lula da Silva, assistam ao vídeo abaixo:

4 setembro 2018 CHARGES

CLAYTON


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