Impressionante o que está acontecendo, do Oiapoque ao Chuí, nesse Brasil de fuxico em termos de eleições e de coligações partidárias para eleições desse ano. Lula preso tenta ganhar na justiça o direito a disputar as eleições baseado num documento ridículo assinado por dois membros da Comissão de Direitos Humanos da ONU. Se eleito deverá transferir a sede do governo para a sala da Polícia Federal onde se encontra, mas como se sabe Dias Toffoli será presidente do SFT a partir do próximo dia 13. Então, vamos aguardar de volta pressão contra a prisão em segunda instância.

Fernando Haddad, o vice que tem vice, discursa e perambula pelo país com jeito de candidato, postura de candidato, mas não pode dizer que é candidato. Como se diz é a candidatura sítio de Atibaia: está em nome de um, mas pertence a outro. Ele esperava ser anunciado como candidato após o julgamento do TSE, no entanto, o voto de Edson Fachin deu alento a uma nova investida junto a ONU. Este despacho da ONU alegrou a defesa de Lula. Eugênio Aragão, que foi ministro de Dilma e que foi o primeiro a dizer a Lula que ele estava inelegível, ganhou R$ 900 mil pela ação junto a TSE. Então, a coisa é simples: o pessoal dá esperança a Lula e ao PT, mas todo mundo cobra pelos serviços prestados, ou seja, não tem ninguém trabalhando de graça, trabalhando por convicção da inocência dele. É todo mundo apresentando a conta!

Geraldo Alckmin recebeu o apoio do centrão, incluindo o PR de Valdemar Costa Neto, que já apoia outras candidaturas contrárias a Alckmin nos estados. Parece aquele pedido de apoio que um país fez aos Estados Unidos para entrar numa guerra. A resposta foi sucinta: SACO. Depois de muito debate decodificaram a mensagem: SACO. A gente apoia, mas não entra.

Nos estados a situação é mais do que confusa. Vejamos o caso de Pernambuco. O senador Armando Monteiro, que foi ministro de Dilma e votou contra o impeachment, está sendo apoiado por dois ministros que tiveram participação direta no processo. Mendonça Filho, que nunca fez nada além de conspiração, participava do G8 que era um grupo de políticos que se reunia semanalmente para tirar Dilma (não que ela não merecesse). Bruno Araújo é dos caciques do PSDB e como estas duas figuras apoiam Alckmin, uma das condições do apoio ao senador ao candidato do PSDB. Sua campanha apresenta uma estrela (qualquer semelhança terá sido mera coincidência?) e ele não se define se apoia PSDB ou PT. O pior: promete apoio a ambos.

O senador Jarbas Vasconcelos rasgou seu discurso e sua coerência ao participar de uma chapa tendo Humberto Costa. Isso tudo para não entregar o comando do partido a Fernando Bezerra Coelho. Paulo Câmara cometeu um ato de infantilidade ao se aliar ao PT. Primeiro porque isso pode fazê-lo perder votos e segundo porque apesar de o PT está na chapa, não há apoio do partido à sua reeleição. O partido queria Marília Arraes e como não teve, não estará no palanque do governador. Em outros estados, como o Ceará, a loucura se repete. Eunício Oliveira, o índio nas planilhas da Odebrecht, apoia Lula, mas o MDB apoia Ciro Gomes. Em alagoas Renan Calheiros ao lado de Fernando Haddad e em Minas Gerais Dilma com maioria nas pesquisas para senado. Como dizia Silvio Brito: “pare o mundo que eu descer”.

Fica mais do que claro que a ideologia no Brasil é do “primeiro eu”. A nojeira é tamanha e estes canalhas só pensam em se dar bem. Não aparece um sequer interessado em discutir questões em benefício da população. Transferência de responsabilidades é o mecanismo mais comum. É muito engraçado ver Guilherme Boulos, Lindbergh Farias, etc. acusarem Temer pelas chamas que consumiram o Museu. Os caras afundaram esse país e agora querem convencer a população de que a culpa é do sucessor. Li uma nota digna de divulgação sobre esse assunto.

Dilma querendo se aproveitar da situação e acusar as pessoas por um golpe que não existiu disse: “O incêndio do Museu Nacional é um retrato do descaso e do desinvestimento promovido por Temer, Meirelles e o PSDB. O golpe tenta transformar nossa história em terra arrasada. Não conseguirão.” Meirelles respondeu: “O Brasil se entristece com a tragédia que tirou parte irrecuperável de nossa história. Tão lamentável quanto o incêndio é ver gente oportunista tentando tirar proveito da situação para esconder nas cinzas do que sobrou a sua incapacidade de governar.” Ponto para ele. Transferir responsabilidade é a tônica de quem é incompetente.

Diante de tudo isso, cabe perguntar. Vote ou Vôte?

2 Comentários

  1. Caro professor e colunista fubânico Maurício Assuero:

    Muito bons os argumentos expostos no seu artigo: Vote ou Vôte.

    Em todo o Brasil não resta dúvidas de que o que existem são oportunismos velados dos candidatos a senadores e deputados federais. Os estaduais não se comentam porque eles valem tanto quando os vereadores, por isso desde que a CRFB/88 foi promulgada nunca votei em nenhum oportunista desses.
    Mas o que mais me decepcionou no meu Estado foi a transmutação de deputado federal Jarbas Vasconcelos a quem sempre fiei e confiei meus votos desde a época que era prefeito da cidade do Recife, se debandar para o lado do PT e apoiar um canalha do porte de Humberto Costa, o Bode Rouco, um capacho da pior espécie que apoia qualquer ação terrorista e fisiologista que seu chefe-mor manda executar de dentro da cadeia onde está preso contra o povo e, principalmente contra as instituições permanentes.

    Lamentável!

  2. Meu nobre, a dinâmica do JBF é tão intensa que no dia dessa publicação o texto já estava na segunda folha. Não agradeci sua visita devido ao acúmulo de atividades, mas você, inclusive, já tinha falado sobre a relação entre Humberto e Jarbas.. abs

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