10 setembro 2018 CHARGES

CLAYTON

LOBO EM PELE DE CORDEIRO

Tem coisa que eu não me engano
Pois consegui comprovar
Eu vi o tempo passar
Dia e noite ano a ano
E assisti o ser humano
Representando um roteiro
Ao se despir por inteiro
Não era santo e nem bobo
No fundo era um feroz lobo
Que se vestiu de cordeiro.

10 setembro 2018 CHARGES

SPONHOLZ

10 setembro 2018 DEU NO JORNAL

É TUDO BOSTA DO MESMO PINICO

O candidato do PT, Fernando Haddad esteve em Maceió ao lado do senador Renan Calheiros e do filho governador.

Mas ao publicar fotos da visita nas redes sociais, cortou os dois.

Vergonha de quê?

* * *

Na verdade, isto é excesso de falta de vergonha.

Agora, tem um detalhe:

O poste Haddad apagou tudo que é foto dele com os corruptos alagoanos na internet, fazendo aquele coraçãozinho afrescalhado ao lado do pai e do filho.

Ele só não conseguiu apagar a foto e a legenda que foram publicadas aqui no JBF:

Renanzão, Haddad e Renanzinho em campanha nas Alagoas: um trio luloso do caralho!!!

10 setembro 2018 CHARGES

J. BOSCO

HOMENAGEM

Graça Araújo nos estúdios da Rádio Jornal pronta para mais uma missão

Deixo de publicar uma crônica com pretensão de reportagem sobre o PLAYING FOR CHANGE – PROJETO MÚSICA PARA O MUDO, que já estava pronto para a coluna de hoje, transferindo-a para a próxima semana, apesar de ser um projeto musical americano de alta relevância para o mundo, para prestar uma simbólica homenagem a essa que foi, sem sombra de dúvida, uma das mais importantes profissionais jornalistas de todos os tempos do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC), pela sua competência, capacidade laborativa, brilhantismo, seriedade, carisma, simpatia, imparcialidade e honestidade no trato com todos os temas noticiaristas abordados por ela no TV Jornal Meio Dia – Maria Gracilane Araújo da Silva, ou Graça Araújo, como era conhecida no meio jornalístico, que se encantou inesperadamente no vigor da juventude aos 62 anos vítima de um inesperado Acidente Vascular Cerebral (AVC), deixando o telejornalismo pernambucano de luto e sem substituto.

Nascida em 02 de abril de 1956 no município de Itambé, na Zona da Mata de Pernambuco, Maria Gracilane Araújo da Silva seguiu para São Paulo ainda criança. Começou a trabalhar aos 14 anos e, antes de chegar ao jornalismo, sonhava em ser médica e, para ajudar a pagar as despesas de casa, foi auxiliar de embalagem de enxovais de bebê, funcionária de uma indústria e balconista.

Ao trabalhar numa editora de uma revista de construção, desenvolveu interesse pelo ofício de comunicação. Formou-se em jornalismo em 1983, pela Universidade Alcântara Machado de São Paulo. Graça Araújo seguiu para Recife no mesmo ano.

Segundo a Diretora de Jornalismo da TV e Rádio Jornal, Beatriz Ivo – “Não é por acaso que nos dão nomes. É para nos traduzir para o mundo. E o nome de Graça Araújo cumpriu a missão sob medida. Dizia muito sobre ela. Pequena de sorriso largo. Tinha uma luz que vinha da alma e transbordava para o brilho pessoal. Menina pobre e negra. Guerreou muito para quebrar a barreira secular que a história brasileira cravou em tantas outras meninas iguais. Fez do jornalismo seu milagre. Incansável na luta para mudar destinos, cobrar justiça, denunciar os que não se importam com o bem comum. Rigorosa no ofício e com ela mesma. Referência para tantos. Honrou a vida. E vai continuar nos inspirando”.

Para Geraldo Freire, o comunicador da Super Manhã, Você Sabendo de Tudo, um dos maiores admiradores e incentivadores de Graça Araújo, “Ninguém se preparou tanto para viver como Graça se preparou. Parece até que foi um erro de Deus. Uma bala doida divina pegou na nossa negona querida.”

Para se ter uma ideia da sua seriedade profissional, capacidade, destemor e imparcialidade no trabalho jornalístico que comandava na TV Jornal Meio Dia e as críticas contundentes que fazia aos governantes que prometem o céu a todos os eleitores antes das eleições e depois os abandonam nas profundezas do inferno, desassistidos, desamparados e abandonados, assistam ao vídeo abaixo feito pela equipe dessa grande profissional em 2017 sobre as enchentes que destruíram muitos municípios da Zona da Mata pernambucana por irresponsabilidades criminosas de todos os homens públicos.

Maria Gracilane Araújo da Silva, ou Graça Araújo, vai fazer muita falta ao jornalismo sério, imparcial, comprometido com os anseios da população.

“Quem tem de brilhar nessa tela é quem está do outro lado da tela.” – Graça Araújo.

Diante das enchentes de 2017 que castigaram cidades inteiras da Zona da Mata a jornalista faz um desabafo contra o governador da época Eduardo Campos que não priorizou a construção das cinco barragens prometidas em campanha.

10 setembro 2018 CHARGES

LUTE

10 setembro 2018 A PALAVRA DO EDITOR

GRANDES CONQUISTAS LULEIRAS

Graças ao Lula, pobre viaja de avião. 

E também graças ao Lula, hoje em dia pobre pode pagar até 4 advogados.

Uma das maiores conquistas do gunverno Lula: pobre viajando de avião

10 setembro 2018 CHARGES

SID

LITERATURA DE CORDEL

Literatura de cordel é um gênero literário popular, escrito de forma rimada, originada em relatos orais e depois impressa em folhetos. Remonta ao século XVI, quando o Renascimento difundiu a impressão dessas narrativas, mantidas até a atualidade, como forma de expressão poética no Brasil. O nome tem origem na forma como tradicionalmente os folhetos eram expostos para venda em Portugal, pendurados em cordas, cordéis ou barbantes.

No Nordeste do Brasil o nome foi herdado, entretanto a tradição portuguesa não se perpetuou: o folheto brasileiro pode ou não estar exposto em barbantes. Alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, também usadas nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores ou os vendedores de cordéis recitam esses versos de maneira melodiosa e cadenciada, algumas vezes acompanhadas de pandeiro, além de fazerem leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores.

Os temas abordados na literatura de cordel são diversos, geralmente estão ligados a acontecimentos do cotidiano, lendas, religião e episódios históricos. Qualquer assunto pode virar material inspirador para o escritor de cordel. Para compreender essa criatividade poética, transcrevemos os versos do talentoso cordelista Francisco Diniz:

O QUE É LITERATURA DE CORDEL

Literatura de Cordel
É poesia popular,
É história contada em versos
Em estrofes a rimar,
Escrita em papel comum
Feitas pra ler ou cantar.

A capa é em xilogravura,
Trabalho de artesão,
Que esculpe em madeira
Um desenho com ponção
Preparando a matriz
Pra fazer reprodução.

Mas pode ser um desenho
Uma foto, uma pintura,
Cujo o título, bem à mostra,
Resume a escritura.
É uma bela tradição,
Que exprime nossa cultura.

7 sílabas poéticas,
Cada verso deve ter
Pra ficar certo, bonito
E a métrica obedecer,
Pra evitar o pé quebrado
E a tradição manter.

Os folhetos de cordel,
Nas feiras eram vendidos,
Pendurados num cordão
Falando do acontecido,
De amor, luta e mistério,
De fé e do desassistido.

A minha literatura
De cordel é reflexão
Sobre a questão social
E orienta o cidadão
A valorizar a cultura
E também a educação.

Mas trata de outros temas:
Da luta do bem contra o mal,
Da crença do nosso povo,
Do hilário, coisa e tal
E você acha nas bancas
Por apenas um real.

10 setembro 2018 CHARGES

JORGE BRAGA

10 setembro 2018 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOÃO RENATO MATEUS – CAMPO GRANDE-MS

Nobre editor do JBF:

Já se passaram quatro 4 dias desde o covarde atentado contra Jair Bolsonaro.

Até agora aconteceu o seguinte:

Vidranças destruídas – 0

Confrontos com a PM – 0

Rodovias fechadas – 0

Agressões a adversários – 0

Patrimônio público depredado – 0

Ônibus incendiados – 0

É esta a diferença entre esquerda e direita.

Cabe a pergunta:

– Quem é mesmo que propaga o ódio?

Mandem as respostas aqui para esta gazeta escrota.

No vídeo anexo, homenagem ao Mito em Fortaleza.

Uma festa em verde-amarelo!!!

Sem cachê e sem mortadela. Todos são voluntários

R. Já disse isto em carta de outro leitor:

Esta gazeta escrota está aberta para propaganda e badalação de todos os candidatos.

Qualquer leitor pode mandar o reclame do seu ídolo que será publicado sem restrições, cortes ou censura.

Desde deputado estadual até presidente da república.

Aproveitem porque são milhões de leitores fubânicos!!!

10 setembro 2018 CHARGES

LUSCAR

10 setembro 2018 CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ISMAEL GAIÃO – RECIFE-PE

Prezado amigo Berto,

se possível gostaria de ter essas glosas de minha autoria, em mote do amigo Zelito Nunes, publicadas no querido Jornal da Besta Fubana.

Abraços,

Vão fazer sarapatel
Das tripas de Bolsonaro.

Mote: Zelito Nunes
Glosas: Ismael Gaião

Na campanha eleitoral
Tivemos triste episódio,
Porque quem pregava o ódio
Num ataque se deu mal.
E a cama de um hospital
Hoje serve de anteparo,
Onde quem não tem preparo
Faz o maior reteteu…
“Vão fazer sarapatel
Das tripas de Bolsonaro”.

A nossa democracia
Já se encontra por um fio
E o povo perdendo o brio
Já não sabe em quem confia.
Um ao outro tripudia
E quem presta eu não reparo.
Ver político sério é raro.
Bandidos tem a granel…
“Vão fazer sarapatel
Das tripas de Bolsonaro”.

* * *

Poeta Ismael Gaião – Poesia sobre política

10 setembro 2018 CHARGES

J. BOSCO

NÃO DIGO

vem e tá chegando …
embrulhado num pingo de chuva,
amarrado numa bula de remédio,
‘apregado’ no suor do matuto …

vem, chega já, já
no fumacê do cigarro,
no pincinês do ‘ ceguim’,
no vidro de merthiolate no fundo da bolsa …

vem, eu já tô vendo
escondido na pestana de uma puta,
‘amontado’ na boléia de uma mula,
no algodão de um cotonete …
vem, e já chegou
chegou das bandas de lá,
e não me pergunte o que é …
eu sei mas não digo!

10 setembro 2018 CHARGES

SID

10 setembro 2018 DEU NO JORNAL

UMA GRANDE CONQUISTA DO MOVIMENTO FEMINISTA

Três meses após as mulheres começarem a exercer o direito de dirigir na Arábia Saudita, o país registrou o primeiro furto de automóveis cometido por uma mulher, informou neste sábado uma emissora de televisão local.

O furto ocorreu em Dammam, no leste da Arábia Saudita.

A mulher foi filmada por câmeras de segurança furtando o carro em uma vaga de estacionamento.

 

* * *

O Coletivo Mulheres Zisquerdistas de Banânia, em reunião realizada ontem na sede do Instituto Lula – que contou com a participação de 13 fêmeas -, emitiu uma nota sobre esta notícia.

Da reunião participaram, entrou outras, Jandira, Dilma, Gleisi, Benedita da Silva, Maria da Novena, Vanessa Grazziotin e Manuela d’Ávila.

A nota diz que o destaque dado pela grande mídia reacionária ao roubo é besteira.

É mais um passo para inferiorizar o bicho-de-saia.

Segundo o Coletivo, mulher tem tanto direito de roubar carro quanto o homem.

Poder afanar um automóvel é mais uma grande conquista feminina, afirma a nota.

Bravas zisquerdistas militantes pelo direito das mulheres roubarem tanto quanto os homens

10 setembro 2018 CHARGES

NANI

PAUL NEWMAN – O HOMEM DOS OLHOS AZUIS

“Às vezes Deus cria seres perfeitos, e Paul Newman era um deles”, afirmou, certa vez, a atriz Sally Fields. “Há um ponto em que os sentimentos vão além das palavras. Perdi um verdadeiro amigo. Minha vida e este país são melhores porque ele esteve em ambos”, resumiu Robert Redford, amigo e companheiro do ator. Poucas vezes, se viu tanta unanimidade, admiração e respeito por um astro de Hollywood. O ator e diretor Paul Leonard Newman, que completaria 93 anos de idade, fumante e alcoólatra inveterado, morreu de câncer no pulmão, aos 83 anos, no dia 26 de setembro de 2008.

Atuou no filme “Gata em Teto de Zinco Quente” (1958), quando ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes, “Exodus”(1960), ”Doce Pássaro da Juventude” (1962), Criminosos Não Merecem Prêmio (1963), O Indomado ( 1963) , Rebeldia Indomável (1967), Hombre (1967), e um dos maiores sucessos de sua carreira: “Butch Cassidy”/Dois Homens E Um Destino (1969), contracenando com o amigo Robert Redford. A dupla repetiria a fórmula, quatro anos depois, com “O Golpe de Mestre”, que ganharia o Oscar de melhor filme de 1973. Além de ator, Paul Newman dirigiu e produziu vários filmes, entre eles “Rachel, Rachel”(1968), estrelado por sua esposa, Joanne Woodward, pelo qual ganhou o Globo de Ouro de melhor diretor. Indicado uma dezena de vezes ao Oscar, finalmente acabou ganhando a estatueta pela atuação em “A Cor do Dinheiro”(1986).

Um dos homens mais bonitos do mundo, adepto da filantropia, casado por 50 anos com a mesma mulher, ainda com ares de apaixonado. A vida do ator Paul Newman parecia saída de um grande clássico das telas. Ao olhar de perto, no entanto, a história do astro tem detalhes nada glamorosos, como seu alcoolismo e um caso que teve com uma jornalista. Outro momento complicado é o drama com o filho Scott, que morreu de overdose de álcool e drogas aos 28 anos. – Ao morrer, o ator deixou seis filhas -, “Paul Newman bebia muito álcool e não sabia lidar com o vício do filho. E ele próprio já era filho de um homem com quem não tinha boa relação”, confirma seu biógrafo, o jornalista Shawn Levy.

Lenda indiscutível do cinema americano cujos olhos azuis, possivelmente os mais famosos de Hollywood e os que mais suspiros provocaram, serão tão lembrados quanto sua brilhante carreira. Eterno aspirante ao Oscar, ganhou um honorário pelo conjunto de sua carreira em 1986 e no ano seguinte finalmente o conquistou por seu papel em “A Cor do Dinheiro“, de Martin Scorsese, quando já tinha 61 anos e uma longa carreira nas costas. Conhecido como a “Lenda dos olhos azuis de Hollywood” era um fumante e alcoólatra inveterado. Em que pese ter tido um suposto caso fora do casamento, no campo da fidelidade ele costumava dizer que, “Porque circular por aí com um hambúrguer, quando você tem carne de primeira em casa?”.

Paul Newman atuou em 58 filmes, apenas seis deles westerns. Um de nós morrerá(1958); – Quatro confissões(1964); – Hombre(1967); – O Homem da Lei(1967); – Oeste Selvagem(1976); – Butch Cassidy(1969), sendo que o filme “Butch Cassidy” contracenando com o seu amigo Robert Redford é um dos westerns que maior bilheteria atingiu no cinema por ser um filme romântico, divertido e nostálgico. Paul Newman foi um dos mais consagrados atores do cinema norte-americano em todos os tempos. Nove vezes indicado ao prêmio Oscar de Melhor Ator e uma indicação como Melhor Ator Coadjuvante, Newman recebeu ainda um Oscar por seu trabalho humanitário e outro Oscar honorário por sua contribuição artística para a indústria cinematográfica.

No Filme Butch Cassidy, Um dos filmes de faroeste de maior sucesso da história do cinema. Um clássico premiado com o Oscar que mistura aventura, romance e comédia ao contar a história verídica dos fora-da-lei mais simpáticos do velho oeste. Ninguém é mais rápido que Butch Cassidy (Paul Newman) para bolar esquemas para ficar rico, e seu parceiro Sundance (Robert Redford) é imbatível com seu revólver. Quando estes dois atrapalhados ladrões de bancos e de trens se cansam de fugir da justiça partem para a Bolívia com a namorada de Sundance (Katharine Ross). Nenhum dos dois sabe espanhol o suficiente para dizer “isto é um assalto!!!”, mas isso é só detalhe sem importância para os dois “vilões” mais simpáticos que já cavalgaram pelo Oeste.

Paul Newman passou sua vida tentando fugir do estigma de um belo rosto, por isso, geralmente interpretava personagens rebeldes que combatiam o sistema. Entretanto todos nós sabemos que seu belo rosto e seus penetrantes olhos azuis, sempre ajudaram muito a sua prodigiosa carreira. Por ironia do destino, o dono dos mais famosos olhos azuis de Hollywood era daltônico(pessoa que não consegue distinguir certas cores). Mas, apesar disto, enxergou como poucos as injustiças sociais de seu país e do mundo. Lutou e fez o que pode para repará-las. A vida digna, engajada e corajosa do cidadão Paul Newman foi o seu melhor papel. E o seu maior legado.

10 setembro 2018 CHARGES

JAGUAR

10 setembro 2018 DEU NO JORNAL

PURA FILANTROPIA

O advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, que defende Adelio Bispo de Oliveira, o autor da facada contra Jair Bolsonaro, afirmou que a defesa está sendo paga por alguém que conhece Bispo por meio da religião e quis ajudar.

O contratante, que segundo o advogado pediu para ter sua identidade preservada, é da região de Montes Claros (MG), cidade de origem do agressor.

“É filantropia”, disse Oliveira Júnior, afastando boatos de que partidos políticos estivessem por trás de sua contratação.

* * * 

E eu acredito piamente no que disse este brilhante adevogado, um causídico que viajou num jatinho de Belo Horizonte para Juiz Fora, na patriótica missão de fazer a defesa do injustiçado esfaqueador.

Mesmo tendo a igreja de Adélio desmentido que está pagando a defesa, eu continuo acreditando no adevogado.

Os quatro brilhantes adevogados que defendem o esfaqueador idealista patriota só recebem honorários filantrópicos.

Dr. Zanone e o creme que usa para aparar barba e bigode

10 setembro 2018 CHARGES

AMARILDO

COLAPSO DA DEMOCRACIA

Encareço aos amigos leitores que leiam e releiam, sempre meditando, o primeiro parágrafo de um lançamento recente de uma editora brasileira famosa, que logo abaixo identificarei. Ei-lo: “Sobram ventos malignos no planeta azul. Nossas vidas titubeiam no turbilhão de múltiplas crises. Uma crise econômica que se prolonga em precariedade de trabalhar e em salários de pobreza. Um terrorismo fanático que fratura a convivência humana, alimenta o medo cotidiano e dá amparo à restrição de liberdade em nome da segurança. Uma marcha aparentemente inelutável rumo à inabitabilidade de nosso único lar, a Terra. Uma permanente ameaça de guerras atrozes como forma de lidar com os conflitos. Uma violência crescente contra as mulheres que ousaram ser elas mesmas. Uma galáxia de comunicação dominada pela mentira e agora chamada de verdade. Uma sociedade sem privacidade, na qual nos transformamos em dados. E uma cultura, denominada entretenimento, construída sobre o estímulo de nossos baixos instintos e a comercialização de nossos demônios.”

O texto acima se encontra no recentemente lançado Ruptura: a crise da democracia liberal, Manuel Castells, Rio de Janeiro, Zahar, junho de 2018, 250 páginas. E que apresenta um segundo parágrafo ainda mais terrificante: “Existe, porém, uma crise ainda mais profunda, que tem consequências devastadoras sobre a (in)capacidade de lidar com as múltiplas crises que envenenam nossas vidas: a ruptura da relação entre governantes e governados. A desconfiança nas instituições, em quase todo mundo, deslegitima a representação política e, portanto, nos deixa órfãos de um abrigo que nos proteja em nome do interesse comum. Não é uma questão de opções políticas, de direita ou esquerda. A ruptura é mais profunda, tanto em nível emocional quanto cognitivo. Trata-se do colapso gradual de um modelo político de representação e governança: a democracia liberal que se havia consolidado nos dois últimos séculos, à custa de lágrimas, suor e sangue contra os Estados autoritários e o arbítrio institucional. Já faz algum tempo, seja na Espanha, nos Estados Unidos, na Europa, no Brasil, na Correia do Sul e em múltiplos países, assistimos a amplas mobilizações populares contra o atual sistema de partidos políticos e democracia parlamentar sob o lema “Não nos representam!’. Não é uma rejeição à democracia, mas à democracia liberal tal como existe em cada país, em nome da ‘democracia real’, como proclamou na Espanha o movimento 15-M. Um termo evocado que convida a sonhar, deliberar e agir, mas que ultrapassa os limites institucionais estabelecidos.”

O Manuel Castells é um sociólogo espanhol dos mais influentes no mundo contemporâneo, considerado o principal analista da atual era da informação e os efeitos dela sobre a economia, a cultura e a sociedade em geral. No livro acima citado, ele interpreta o surgimento de Trump, Le Pen, Macron, expressões significativas do atual quadro político, ressaltando ainda a “total decomposição do sistema político do Brasil”, segundo ele um “país fundamental da América Latina”. Seu livro analisa com riquezas de detalhes as causas e consequências da ruptura entre cidadãos e governo, entre a classe política e o conjunto dos cidadãos, da falência da democracia liberal, a mãe de todas as crises, mãe parideira dos furacões direitistas que emergem nos quatro canto do planeta.

O sumário do livro aponta assuntos que muito bem poderiam ser debatidos em nosso país, às vésperas de uma eleição onde muitos milhares votarão “nulo” e “branco” enojados pela inoperância efetiva das decisões que resultariam em benefícios para o todo nacional. Incrustados no “nulos” e “brancos” estão contemplados: a crise de legitimidade, as raízes do crescente ódio comunitário, a política do medo implantada pelo terrorismo, o cansaço democrático, a influência da Era da Informação, o além de uma apenas dicotomia direita-esquerda e os processos indispensáveis para a reconstrução da legitimidade democrática através de uma política educacional de Educação Básica não populista, essencialmente libertadora, com um magistério culturalmente bem capacitado e condignamente remunerado.

A crise ética brasileira, umbilicalmente associada a uma gigantesca reestruturação econômica mundial, é profunda. Com um agravante: a grande maioria, por ausência de uma efetiva educação cidadã, se encontra despreparada para um assumir social mais consequente. E a ausência de um comprometimento ético com a transformação do hoje é sequela de uma não-escolaridade sedimentada, eivada de um conformismo que carrega uma desesperança comunitária que consolida individualismos multiplicadores, que faz resvalar para a irresponsabilidade, que deságua numa guerra civil sem comandante nem ideário, a gerar mais famintos, formatando uma onda comportamental predatória de consequências funestas.

Tenho uma profunda admiração pelos que possuem aquilo que Blaise Pascal, notável matemático, definia como esprit de finesse. E que é diretamente proporcional ao asco sentido pelos que se imaginam muito acima das divindades, sócios de Deus, igualzinho aquele ajumentado cheio de reais que entrava nas igrejas de óculos escuros para Deus não pedir autógrafo nem ficar com lero-leros bajulatórios.

Creio que a hora da sociedade civil voltar a travar o bom combate é chegada. A erosão da credibilidade política não beneficiará ninguém, nem mesmo os conservadores não-reacionários. Vale a pena apressar o historicamente viável, para privilegiar sempre a não-violência. O momento nacional está a exigir grandezas. E renúncias. E gestos concretos, não-eleitoreiros e não-messiânicos. Democracia, discernimento e disciplina, eis o trio de qualquer soerguimento pátrio.

Não desejamos uma sociedade de consenso, mas carecemos fazer um omelete quebrando o mínimo de ovos possível, com agilidade política e credibilidade moral, aliadas a uma competência técnica indispensável, sem a qual estaremos nos remetendo para um não-futuro talvez irreversível. Num país de sessenta milhões de carentes, os que não podem acompanhar a maratona do possuir estão transformando frustrações em agressividade eivada de odiosidade sectária. Embora deva ser relembrado vez por outra o famoso pensar de Churchill, em 1947: “a democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as outras formas que foram experimentadas de tempos em tempos.”

PS. Em todo 7 de setembro, sinto-me cada vez mais arretadamente brasileiro, apesar de todos os pesares.


© 2007 - 2018 Jornal da Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa