SUEVAN BRAGA – CAUCAIA-CE

O EXÉRCITO DE UM HOMEM SÓ

(De repente eram milhões)

Cansado de ver injustiça e corrupção correndo solta no país, um certo deputado fala que vai concorrer a presidência.

O atual detento, quando soube, fez demagogia como sempre e esnobou essa informação. Disse que se tratava de um deputado sem expressão e que não passava de um fogo de palha.

Os jornalista, quase sempre mamantes das tetas públicas, descartavam qualquer possibilidade dessa candidatura.

Atento que estava com as coisas estranhas que estavam acontecendo, ele denunciou o chamado “kit gay”, que estava sendo apresentado no “Congresso Infantil LGBT”. Levou a cartilha até o plenário e fez a denuncia para todo o Brasil.

Sabendo disso a Presidente mandou barrar o “Kit” e se referindo ao deputado disse que se tratava de um deputado de baixo clero e que não tinha nenhuma importância.

Em busca de seus objetivo, esse homem se manda Brasil a fora mostrando seus pensamentos em relação ao Brasil. Inicialmente era ignorado e não tinha nenhum espaço na mídia.

Mas a internet lhe deu a chance de mostrar seu trabalho para população. Seu enfrentamento era constante em busca de verdade e acertos para o país.

Pouco tempo à frente, quando descia do avião em alguma cidade, já tinha alguns seguidores lhe esperando. Depois foi se multiplicando e em pouco tempo já eram multidões que aguardavam a presença do que começavam a chamar de “Mito”. Quem tinha iniciado a caminhada sozinho, agora tinha companhia de muitas pessoas que acreditavam num pais melhor.

A malícia dos adversários o feria fortemente, quase deixando morto. Muitas orações, muita fé em Deus o salvava e dava continuidade a esperança de um povo.

Os inimigos lamentavam que o “serviço” não tivesse sido completo, mas acreditavam que sua impossibilidade de locomoção o deixava fora da disputa.

Como a vontade de Deus supera todas as maldades dos infelizes, as pessoas receberam a mensagem do coração, reconheceram naquele homem um defensor dos bons costumes e da família brasileira e resolveram assumir os trabalhos do capitão que se encontrava ferido.

Como os Anjos da Guarda de Deus, as multidões iam surgindo de todos os lugares do país.

Uns traziam as bandeiras, outros compravam as blusas, outros traziam água, uns vinha de bicicletas, as crianças se vestiam de verde, as mulheres se vestiam de amarelo e começava a surgir um grande exército de voluntários.

Partiram para cima dos adversários, não com ataques, mas com a defesa muralha do homem que encontrava forças para iniciaar seus passos erguidos pela mão de Deus.

O exército de um homem só agora contava com milhões de pessoas que se postaram com uma montanha intransponível em defe da decência de um paí.

A luta foi feroz até a conquista do bem sobre o mal.

Os inimigos sob os Pêndulos de suas arrogâncias jamais reconhecerão a derrota e nunca vão se acalmar para que o país melhore. Seus objetivos não são benéficos, apenas de um poder que possa acomodar em suas asas os falsos defensores dos pobres que cospem sobre seus semelhante e se agacham defecantes em cima da bandeira que lhes acolhe.

Esse exército de um homem só, hoje é gigante e nosso povo sabendo de suas forças como guerreiros jamais deixarão ser levado novamente pelo mal travestido de branco , mas capaz de ser mortal num simples descuido do bem.

Ficou a certeza que todos nós somos capazes, basta “ser sincero e desejar profundo”.

Que Deus seja louvado e nosso país tenha suas bençãos para que nossas crianças tenham fé e orgulho dessa terra maravilhosa chamada Brasil !

31 outubro 2018 CHARGES

SPONHOLZ

31 outubro 2018 A PALAVRA DO EDITOR

NOTÍCIAS EM PRIMEIRA MÃO

Duas notícias fresquinhas que o JBF conseguiu em fontes fidedignas:

1) PCC convoca reunião de emergência e lança a TAG: #EleNaoEMeuPresidente

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2) Confirmada a grave denúncia do PT:

O direitista Bolsonaro vai formar um ministério “nasista”:

31 outubro 2018 AUGUSTO NUNES

A BANCADA DOS CAFAJESTES FICOU MUITO MENOR

Os brasileiros decentes têm, mais que o direito, o dever de comemorar as medidas saneadoras decretadas pelo eleitorado neste outubro. A mais vistosa, claro, foi a ampla derrota sofrida pelo PT. A mais relevante talvez tenha sido a dedetização do Congresso, sobretudo a limpeza promovida pelas urnas no Senado Federal.

Ou porque não se reelegeram, ou porque foram impedido de chegar lá pelo voto, ficaram longe do Senado Dilma Rousseff, Lindbergh Farias, Eduardo Suplicy, Sarney Filho, Vanessa Grazziotin, Roberto Requião, Valdir Raupp, Romero Jucá, Edison Lobão, Beto Richa, Eunício Oliveira e Garibaldi Alves.

Não é pouca coisa. E não foi tudo. Em busca de refúgio na Câmara, caíram fora do Senado Gleisi Hoffmann e Aécio Neves. Agripino Maia falhou ao recorrer ao mesmo truque. É impossível adivinhar o desempenho dos novos senadores. Mas o mais radical dos pessimistas tem de admitir que a bancada dos cafajestes ficou muito menor.

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TERCEIRO TURNO

Manuela d’Ávilla se junta a Boulos e Gleisi para disputar um terceiro turno imaginário

“Vamos vencer amanhã. E vamos continuar juntos, nos encontrando, pelas redes e pelas ruas. Vamos conduzir nosso país pela mão, amorosamente, pelo caminho da paz, do desenvolvimento, da tolerância e da democracia”.

Manuela d’Ávila, ex-candidata a vice-presidente na chapa de Fernando Haddad, no Twitter, um dia antes do segundo turno das eleições.

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“Perdemos, é justo que fiquemos tristes e preocupados, com a gente, com os nossos, com o Brasil. Mas a tristeza tem que se transformar rapidamente em resistência”.

Manuela d’Ávila, no Twitter, depois da derrota no segundo turno, já iniciando a campanha para a disputa do terceiro turno.

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ELE DEVE FICAR ONDE ESTÁ

31 outubro 2018 CHARGES

ADNAEL

NOTAS

Nenhuma sociedade é perfeita. Goza de igualdade de direitos, embora legalmente todo cidadão é igual ao próximo. Mas, existem barreiras, posições sociais para delimitar fronteiras. Determinar o grau de prestígio. Balizar as diferenças econômicas entre as pessoas do bairro, do círculo de amizades ou da comunidade.

Um dos maiores problemas sociais no mundo está ligado às desigualdades econômicas. A má distribuição de renda entre as pessoas. Umas ganham bem, outras nem tanto. É a diferença de status social que dificulta o relacionamento social. Os humildes, por não terem a mesma oportunidade na educação e na saúde são rejeitados nos contatos e na aparência.

No Brasil, o contraste entre as classes sociais é desmantelo. A divisão entre ricos e pobres é patente. No mesmo bairro podem existir casarões e prédios de classe alta misturados com casas sem a ostentação dos figurões. Quem não recebeu os mesmos direitos básicos, é marginalizado, sobra no relacionamento social. Todavia, além da desigualdade social, a sociedade ainda sofre preconceitos nas desigualdades racial e de gênero. Enfim, a bolha social é osso duro de roer.
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No tempo do Brasil colônia, o país era grande exportador de açúcar para o mercado europeu. A região que mais produzia o produto era o Nordeste. Como era dominado pelos portugueses, os gringos, aproveitando a abundância de mão de obra escrava, originária da África, exploravam extensos canaviais.

Como era cortada na base da foice, a cana-de-açúcar era transportada em carros de boi até a moenda, instalada no engenho, para ser esmagada. O caldo obtido era fervido em caldeiras e purificado para limpar as impurezas. Depois de seco, o caldo pastoso virava blocos de açúcar para facilitar a exportação.

Com o passar do tempo, surgiu a oportunidade de dividir o caldo da cana em açúcar e etanol. Na safra 2017/2018, a produção de açúcar bateu em 37,87 milhões de toneladas. A produção de açúcar cai para ceder espaço ao etanol que, na safra encerrada em março, chegou a 27,76 bilhões de litros. O centro-sul tem se notabilizado como a região que mais produz açúcar e etanol no país.
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Faz 70 anos, o comunismo comanda a China, impondo transformações. Implantou sinais de prosperidade, colocou o trem de alta velocidade em ação, expandiu a legião de bilionários, construiu numerosa quantidade de edifícios, fez a economia chinesa enriquecer. A ponto de ser classificada como a mais nova potência mundial.

Mas, numa coisa o audacioso plano de desenvolvimento chinês falhou. O milagre do gigante asiático não deve acontecer. O objetivo de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas de riscar as desigualdades sociais do mapa até o ano de 2020, tá difícil. Tudo bem que em 40 anos de intenso trabalho, a China já erradicou do flagelo da pobreza um contingente de 700 milhões de pessoas.

Nas regiões de difícil acesso, onde faltam estradas, eletricidade e água limpa, reside uma população vivendo à base de sacrifícios. Para contornar as mazelas, a China lançou um plano, moldado em três estágios. Atrair indústrias, gerar emprego, reassentar famílias onde possam encontrar meios de subsistência. Favorecer a inclusão desse pessoal na previdência social. Incentivar os moradores dessas áreas a entrar no ramo do turismo comunitário, além do plantio de uvas e kiwi para germinar outras fontes de renda.
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A eleição traz uma vantagem. Renova as esperanças de um novo tempo. Quando acena para a escolha de novo Chefe do Executivo, alimenta o sonho de inovações, modernização econômica e a solução de velhos problemas que intranquilizam a sociedade. A criminalidade, o desemprego, as desigualdades, as injustiças, a paralização da economia, a desconfiança no agente público, a desonestidade, a miséria em expansão, a esculhambação e a ladroagem pedem solução. Todo governo tem altos e baixos. Porém, os pontos básicos são os fracassos que incomodam. Suplantam os acertos.

O problema é a lembrança do passado. O regime militar, 1964/1985, enfrentou atentados terroristas, inflação acima de 200%, duplicação da dívida externa, estragos de estatais e de fundos de pensão. Os 12 anos do neoliberalismo, 1995/2002, defensor da tese de mais mercado e menos governo, não resolveu a fome, a miséria e a violência no país. Privatizou estatais, aprovou a emenda da reeleição, fez péssima distribuição de renda, dependência do FMI, dilapidação do patrimônio, recessão, desemprego, aumentos dos juros, crises, desigualdades regionais. O bom legado foi o Plano Real.

Nos 13 anos de governo, 2003/2016, o PT deixou a seguinte herança. Excesso de burocracia, medo de fazer reformas estruturais, estagnação, corrupção contagiosa, ladroagem, Petrolão, Lava Jato, prisão em carrada de autoridades e empresários, fracasso da política econômica, excessivo intervencionismo estatal, crises, principalmente a política, brutal recessão, alto desemprego, queda do PIB, retrocessos até no bem-estar da população.

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O que o político mais gosta de fazer é repetir ideias, espalhar boatos, falsificar informações, espalhar agressividade. Afinal, a repetição de propagandas políticas tem finalidade específica. Endereço certo. Ser aceita pelo povo, especialmente se a pessoa estiver distraída e absorvida por outros assuntos. Por isso, a tendência do político é detonar mentiras. Pra ver se cola e impacta.

É normal nas campanhas eleitorais surgir muitas promessas extravagantes, difíceis de serem cumpridas. Uma das mentiras mais absurdas e fantasiosas, refere-se à promessa do candidato Bolsonaro à presidência da República que, caso eleito, a primeira atitude seria extinguir o décimo terceiro salário.

Ora, o 13º faz parte da Constituição. Aliás, a gratificação natalina foi criada em 1962 e regulamentada em 1965. Então, para eliminar esse benefício é necessário mudar a Carta Magna do país. Não bastam apenas palavras. Tarefa que não é tão simples assim. No início do ano de 2000, no governo de FHC, houve a tentativa de alterar a norma do 13º, mas o projeto de lei foi arquivado, posteriormente. O subsídio de Natal é cópia de lei aprovada e em vigor em Portugal, Espanha, Argentina e México.

31 outubro 2018 CHARGES

CAZO

31 outubro 2018 A PALAVRA DO EDITOR

COM A CARA NA BUNDA DE UM ÔNIBUS

Conforme está sendo divulgado na seção de Eventos, o colunista fubânico Jessier Quirino estará se apresentando sexta e sábado próximo, dias 2 e 3, aqui no Recife.

Será no Teatro Riomar com o espetáculo intitulado Sarapaté Coroado.

Pois na semana passada, em conversa fiada pelo zap-zap, Jessier me mandou uma mensagem com esta imagem abaixo:

Meu Papa: Mídia de ônibus no Recife

Fiquei olhando a foto e pensando comigo mesmo.

Respondi pra ele que o ápice da glória não é aparecer e ser aplaudido no horário nobre das televisões, no Jô Soares, no Rolando Boldrin e em vários outros programas de âmbito nacional, como Jessier já apareceu várias vezes.

O máximo mesmo, em termos de virar celebridade, é aparecer com a cara colada na bunda um ônibus urbano lotado de povinho e povão!

Não pode haver honraria maior para um artista.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

31 outubro 2018 CHARGES

NANI

COLONIALISMO CULTURAL E XENOFOBIA

Colonialismo cultural, segundo se sabe, é uma forma de se alterar sutilmente a cultura de um grupo de indivíduos (território, região, nação, país) por meio da manipulação massiva dos meios de comunicação (em sentido lato: da oralidade até à internet, passando pelo cinema e a televisão), fazendo com que haja uma mobilidade dos seus bens culturais através de mudança de significados, normas, símbolos, valores e vínculos.

Xenofobia, segundo o dicionário Houaiss, é a “desconfiança, temor ou antipatia por pessoas estranhas ao meio daquele que as ajuíza, ou pelo que é incomum ou vem de fora do país; xenofobismo”, ou seja: o preconceito.

No Brasil, precisamos combater um colonialismo cultural desenfreado e assumirmos “a autonomia e a responsabilidade de uma elaboração própria”, segundo Hélio Jaguaribe, em Filosofia do Brasil. Contudo, este deve ser procedido com o devido cuidado para que não caiamos na vala comum da xenofobia.

Neste, 31 de outubro, comemora-se nos países anglo-saxônicos (Estados Unidos, Canadá, Irlanda e Reino Unido, com base e origem nas celebrações pagãs dos antigos povos celtas), o Dia das Bruxas (“Halloween” ou “All Hallow’s Eve”, do inglês arcaico: “véspera de todos os santos”). Hoje, largamente difundido pelas escolas de idiomas e que, como erva daninha, se alastra a cada ano nas escolas regulares.

A “abóbora iluminada” ou seria, o “jerimum iluminado” (‘Jack O’Lanterns’, por causa de um homem chamado Jack, que não podia entrar nem no céu nem no inferno. Em consequência, estaria condenado a vagar pelas trevas com sua lanterna até o ‘Dia do Juízo’), permeiam o imaginário das nossas crianças. Também, como personagens ativos dessas comemorações temos: duendes (leprechaun irlandês), fantasmas, bruxas, zumbis, caveiras, monstros, gatos pretos, além de personagens como o Drácula, o Frankenstein e, até, o Freddy Krueger e o Jason.

Ora, aqui no Brasil temos uma plêiade de “criaturas” (isentas culturalmente dos festivos militantes politicamente corretos) que não deixam a dever às estrangeiras, como: o Saci-Pererê (menino negro e endiabrado, tem uma perna só, fuma cachimbo, usa um gorro vermelho e tem poderes mágicos), o Curupira (anãozinho de cabelos compridos e vermelhos, habita as matas, tem os pés virados para trás e faz as pessoas perdidas seguir-lhe as pegadas que, não leva a lugar nenhum), e o Caipora (indiozinho de pele de “urucu”, ágil, nu, que fuma cachimbo e gosta de cachaça. Vive nas florestas do nosso imaginário, comanda todos os animais e destrói os caçadores inconsequentes), dentre tantos.

Portanto, ante uma nova e próspera ordem que se avizinha: Que tal na próxima “véspera de todos-os-santos”, ensinarmos aos nossos filhos e netos a diferençar sobre os preceitos acima descritos e cultuar, conhecer; e, sobretudo, aprender mais sobre as nossas coisas, as coisas do Brasil?!… (In rerum Brasilis)!…

31 outubro 2018 A PALAVRA DO EDITOR

SANTA DOAÇÃO

O Presidente eleito Jair Messias Bolsonaro postou esta mensagem no seu Twitter:

Vou pedir ao fubânico Checador de Dados pra que fique atento e verifique se esta doação foi realmente feita.

É fácil de comprovar, basta entrar em contato com a Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora e perguntar se o capitão cumpriu ou não sua palavra.

Aliás, em falando da Santa Casa de Juiz de Fora, onde o presidente eleito Jair Bolsonaro diz ter nascido novamente, veja só o que postaram os médicos daquele estabelecimento, também no Twitter:

31 outubro 2018 CHARGES

SINOVALDO

RASTROS DE ÓDIO

Ao assinar o Ato Institucional nº 5, a mais sinistra norma da ditadura que hoje dizem que não houve, o vice-presidente Pedro Aleixo alertou para o risco da concentração de poder. Perguntaram-lhe se não confiava no presidente Costa e Silva. Aleixo: “Tenho medo é do guarda da esquina”.

Bolsonaro venceu as eleições num clima tenso, em que sofreu até um atentado que por pouco não o mata. Ainda está com retórica eleitoral, diz que vai cortar as verbas oficiais de órgãos de imprensa que mentirem – em vez de processá-los na forma da lei. Mas tem seus guardas de esquina, que adoram radicalismo: agora, querem boicotar 700 pessoas, entre as quais numerosos artistas, pelo crime de terem se manifestado pelo PT.

Cada cidadão é livre para assistir ou não aos espetáculos artísticos. Se resolver desistir de algumas obras-primas de Chico Buarque por seu apoio a Cuba, que desista – nada contra. Mas mover uma campanha para boicotar quem optou por outro candidato não é liberdade: é crime, dá processo, mesmo que a veiculação seja apenas pelo WhatsApp. E é coisa velha que já provou seu desvalor: nos Estados Unidos, ocorreu no início da década de 1950, e se chamou macarthismo – lembrando o nome do senador Joseph McCarthy, que comandou a campanha. Hoje, sabe-se: foi coisa de idiota.

O macarthismo não partiu de Bolsonaro. Mas ele é que precisa dizer a seus adeptos sinceros, porém radicais, que assim não dá para liderar o país.

Velhas histórias

Na década de 1930, Alemanha e Itália fizeram campanha de boicote aos judeus na Europa (que depois virou massacre). Cientistas como Enrico Fermi, Albert Einstein, Leo Szilard, Hans Bethe, Edward Teller migraram para os Estados Unidos. E foram parte essencial do Projeto Manhattan, que construiu as primeiras bombas atômicas. Os artistas perseguidos na Europa ajudaram a transformar Hollywood na capital mundial do cinema.

Assim é difícil

A crise é brava, o desemprego é alto, e é hora de pensar, como Juscelino Kubitschek pensou, em pacificar o país. Haddad se veste bem, mas não teve gentileza suficiente para reconhecer a derrota e desejar boa sorte ao vitorioso (só se manifestou no dia seguinte, e não de viva voz: só twitter). O Movimento dos Sem-Teto já invadiu a casa onde morava o empresário Georges Gazale, em São Paulo. Guilherme Boulos, do MTST, promete resistir – e a resistência começa nesta semana, embora Bolsonaro só tome posse em janeiro. É uma política de confronto. A população fica no meio.

E uma deputada do PSL de Santa Catarina, Ana Caroline Campagnolo, sugere a universitários que espionem os professores, até gravando a aula, para denunciá-los. Mas desta o Ministério Público já está cuidando.

Quanto pior, melhor

Depois de assistir à vitória de seu adversário Donald Trump, Obama foi enfático: “acima de tudo, estamos todos no mesmo time”. No mesmo time, no mesmo avião. Se o país continuar indo mal, vamos todos ficar mal.

Guerra à imprensa

Bolsonaro acusa a Folha de S.Paulo de mentir e ameaça cortar as verbas públicas de publicidade para os veículos de comunicação que mentirem. E quem verifica a mentira? Dias antes de sua morte, ainda havia prognósticos favoráveis a respeito da saúde de Tancredo Neves, desmentindo as noticias dos jornais – e eram os jornais que estavam certos, falando a verdade.

É bobagem declarar guerra à imprensa: quem aniquila um veículo não é o Governo, são seus leitores, ouvintes, espectadores. Estar em guerra com ela não faz com que deixe de publicar as notícias que apurar. É importante lembrar que toda imprensa é de oposição. Se a imprensa só divulga notícias a favor do Governo, não se chama imprensa: seu nome é propaganda.

Definição

Notícia é o que alguém não quer ver publicado. Imprensa é chata. Mas só é chata, e portanto útil, se for livre. Se não for livre, para que existe?

Cortando fundo

Este colunista, a propósito, é totalmente favorável ao corte de verbas oficiais para a imprensa. Atingir veículos que nossos aliados consideram mentirosos é para os fracos. O correto é suspender de vez a publicidade oficial, excetuando-se os anúncios legalmente obrigatórios, e as mensagens de utilidade pública – vacinações, interrupção de serviços essenciais, não mais do que isso. Cada publicação que viva de seus próprios recursos. Mas quem tem coragem de cortar essa verba tão parecida com gentileza oficial?

Novo líder

Preste atenção em Ciro Gomes, PDT. Perdeu as eleições, mas tanto ele quanto sua vice, Kátia Abreu, cresceram na campanha. Ciro está disposto a liderar a oposição a Bolsonaro, sem ligação com Lula. Parece disposto a fazer oposição de verdade, não oposição para impedir o país de funcionar.

31 outubro 2018 CHARGES

SPONHOLZ

Sem rumo

31 outubro 2018 A PALAVRA DO EDITOR

UM SENTIDA HOMENAGEM

Com os olhos rasos d’água e o coração cheio de tristeza, este Editor dedica uma canção para o proprietário do PT, o bandido presidiário Lula, para a gerente do cabaré que Lula fundou, dona Gleisi Amante Hoffmann, e para todos os felas-da-puta que compõe a cúpula deste estabelecimento prostitucional.

Isto, faço questão de ressaltar, sem qualquer ofensa às putas e aos puteiros, sacros ambientes de trabalho onde se ganha a vida dando duro e levando duro.

Esta dedicatória é extensiva a todo babaca que vota em candidatos ddo PT, que acredita que Lula é inocente e que faz militância nesta quadrilha que lascou o Brasil.

Adeus, seus idiotas.

Vão se fuder vocês tudinho!!!

A RAPOSA DO SERTÃO

A raposa que Vovó criava solta

Por diversas vezes já narrei aqui, fatos ocorridos na minha infância vivida em grande parte no povoado Queimadas, então pertencente ao Município de Pacajus, hoje Região Metropolitana de Fortaleza. E, da maioria desses casos, minha falecida Avó sempre fez parte – foi inserida no enredo e até tinha fala em várias cenas. A novela da vida.

Também já disse aqui, que minha Avó era meeira (criava animais domésticos para o dono das terras onde morávamos – e a quantidade era dividida ao meio e de forma equânime), parte do contrato de cessão das terras para plantar, colher e viver.

Era comum “jantar nada” acompanhado de “coisa nenhuma”. Invariavelmente, o almoço era aquele prato de feijão de corda com toucinho, para fazer “capitão”, que a gente comia com uma ou duas batatas doces assadas na brasa, e um naco de rapadura. Vacina garantida para a longevidade.

Havia uma proibição: comer galinha caipira, principalmente se fosse da parte que nos tocava. Tia Maria foi a mulher mais parideira que conheci. E, sempre que paria, Vovó a levava para casa. Era a garantia que tínhamos de que, por alguns dias comeríamos algumas galinhas – a tal da “galinha de parida”.

Fora disso, quem sempre comia algumas galinhas era o galo do quintal ou a Doninha, uma raposa que Vovó dizia que era dela, embora vivesse sempre solta nas brenhas do mato alto.

Mas, Vovó não era “gente”. Quando queria comer uma galinha fora dos momentos especiais, tinha a preocupação de separar as tripas e todas as penas, além de parte do pescoço com a cabeça. Jogava tudo bem longe de casa, onde alguém que vivesse na “casa grande” pudesse encontrar.

E vivia desconjurando a raposa Doninha, que comia, principalmente, as galinhas gordas do patrão.

E quando me lembro disso, fico me perguntando: “por que o PT (Partido dos Trabalhadores) nunca é culpado de nada, nunca responde nada, e nunca assume nada”?

Será que minha falecida e santa Avó algum dia foi petista? Comer a galinha e culpar a raposa, tem algo muito próximo com o cometimento de delitos e culpar outros.

* * *

São Luís – a cidade e as pessoas

Corina – a vida em pirulitos

No passado dia 8 de setembro deste ano de 2018, São Luís, capital do Maranhão, chegou aos 406 anos – foi fundada em 1612 – e continuou mostrando muitos dos seus problemas, sem conseguir esconder várias de suas belezas e maravilhas.

Peculiaridades à parte, vida e valores culturais diferenciados que embevecem os visitantes, a cidade maranhense como um todo – é algo fantástico. Não incluiremos entre os seus males e defeitos, o contumaz abandono dos gestores municipais, por décadas de anos envolvidos apenas com eleições e com vantagens partidárias e pessoais.

Quase ninguém se preocupa em reparar o pôr do sol a partir da rampa e da mureta do Palácio dos Leões; tampouco com a precária arborização, o que acaba sufocando pessoas que continuarão procurando sombras – onde possam sentir a brisa diferente e salitrada tangida desde o mar.

Defeito gritante da cidade e de grande parte do seu povo, é o desconhecer, o não querer saber e o olvidar a gente que, em quanto seres vivos já fizeram por merecer a transformação em estátuas – estátuas de reconhecimento.

E, uma dessas pessoas que quero mostrar hoje, é Corina. Dona Corina – a mulher do pirulito. A morena bonita e envelhecida que ganhou e continua ganhando a vida e o sustento, carregando para cima e para baixo, subindo e descendo ladeiras com uma tábua cheia de furos. Em cada furo, um pirulito e vários sabores.

Dia desses, andando pelo Centro de São Luís, por volta das 16 horas, encontrei Dona Corina sob a marquise do antigo Hotel Central. Carregava na tábua furada, seis pirulitos.

– Ainda na luta, Dona Corina? Perguntei.

– Falta vender esses seis! – respondeu Ela.

Olhei fixamente para aqueles olhos cansados pintados com alguns sinais do glaucoma, braços e rosto enegrecidos pelo sol, e me senti culpado por alguma coisa, enquanto ser humano que imagino ser. Nem pensei em responsabilizar ninguém. Comprei o seis pirulitos, paguei com uma nota de R$10,00 e “pedi” para ela ficar com o troco.

Em casa distribuí os pirulitos, ao mesmo tempo que pensava que Dona Corina, pela retidão, pela força do viver independente, sem enveredar pelo caminho da escória e das drogas, merecia bem mais que o troco daqueles R$10,00. Merecia uma estátua, por fazer a sua parte na construção da cidade, de uma forma tão digna. É, apesar da incompreensão, uma grande vitória. Melhor: é ganhar a vida distribuindo doçura.

31 outubro 2018 DEU NO JORNAL

É MELHOR ELE FORA DO MINISTÉRIO

AO CAPITÃO, AS BATATAS

Bruto, ignorante, insensível, fascista, mau pai, mau marido são só alguns dos desairosos atributos conferidos ao próximo presidente do Brasil. Compreende-se. Foi uma disputa em que até a faca peixeira se pronunciou, com tal veemência que, por pouco, não deu a última palavra sobre o renhido pleito.

Tudo indicava que um armistício era chegado, mas acontece que ontem mesmo, em seu discurso, o senhor Fernando Haddad, o candidato derrotado, sinalizou o terceiro turno, simbolizado pela falta de um mínimo de cavalheirismo.

Sabe-se, ora, que mesmo revestido de falsidade, é praxe o perdedor desejar sorte ao seu concorrente, o ungido pela vontade da maioria. Ademais, saber perder é tão importante quanto saber ganhar, e um simples cumprimento, por mais falso que seja, é de bom-tom. Some-se a isso, a consciência de que os vencedores não se entronizaram por um ato de vontade própria. Foram os senhores que, com desídia e cupidez, levaram o povo a trocar seus dirigentes e representantes.

Quanto ao vencedor, Jair Bolsonaro, recordemos Machado de Assis. Contou o grande escritor que havia um campo de batatas cobiçadas por duas tribos famintas. As tais batatas eram suficientes para alimentar só uma das tribos, que passaria a ter forças para transpor uma montanha e ir a um lugar onde havia batatas em abundância, mas acontece que se as duas tribos dividissem as batatas, não iriam adquirir energia suficiente, e morreriam de inanição. Uma das tribos exterminou a outra e recolheu as batatas, e foi festejada com hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais feitos das ações bélicas. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.

Ao presidente Jair Bolsonaro, pois, as batatas.

31 outubro 2018 CHARGES

SINOVALDO

O PRIMEIRO TOMA-LÁ-DÁ-CÁ (OU, COMEÇOU A OPOSIÇÃO!)

Papa Berto Primeiro e Único, Rei de Pernambuco, Editor em Chefe do Jornal da Besta Fubana, acumulando com a Presidência das Organizações JBF, costuma afirmar, em sua página ainda crota, que segue à risca o preceito de Millôr Fernandes de que Imprensa é Oposição, o Resto é Armazém de Secos e Molhados.

A sociedade atual, salvo os de sessenta anos de idade ou mais, desconhece absolutamente que porra é essa de Armazém de Secos e Molhados.

Por isso, tentaremos oferecer uma nova imagem, dizendo que imprensa é oposição, o resto é “shoping center”.

Ou supermercado.

Espero que esteja dando para entender o que os caras complicaram para dizer simplesmente uma coisa: Imprensa é oposição. Ponto final.

Entendido?

Então, Jair Bolsonaro, O Messias, está eleito – metamos mãos à obra!

Te segura, malandro!

Bozo, Bolsaunaro, o Mito, #Ele Não, Bolsomito, Parmito, Mitonaro, Capitão, Bolsonaro e, agora, Senhor Quase Presidente, estabeleceu-se a si e ao eleitorado alguns compromissos de campanha.

Um deles: diminuir radicalmente o número de ministérios. Ou seja, racharia ao meio, cortaria para a metade. Como são 29, passaríamos a ter quatorze ministérios e meio, mas, como não é possível, vamos deixar por 15. Isso poderia compreender em alguns casos a transformação de dois ministérios em um.

Antes de continuar, vamos agregar ao assunto outro juramento, importantíssimo, do então candidato: a transformação radical do contaminado processo político em uma coisa séria e não fisiológica, acabando, dentre outras coisas, com o sistema do toma-lá-dá-cá.

De hoje em diante, seja, a partir de 1º de janeiro de 2019, a política será feita de tal modo que, por exemplo, os cargos não serão mais distribuídos como elemento de troca, abjurando a forma que os governos anteriores agiam!

Doravante – eu prometo! tudo vai mudar! – as indicações serão técnicas, o governo vai parar com esse meio pernicioso de fazer as coisas pressionado por interesses políticos e tudo agora é técnico, prático, pragmático, os partidos podem espernear que não vai ter doce! Para o Ministério da Saúde teremos um médico, porra! Ficou tristinho? Vai chorar na cama que é lugar quentinho!

Pois bom, voltemos aos ministérios, à redução deles pelo quase-o-meio, voltemos ao ” toma-lá-dá-cá nunca mais”.

O Presidente, ou quase, decidira: – Para reduzir a quantidade de ministérios, vamos começar pela junção do Ministério da Agricultura com o Ministério do Meio Ambiente, de modo que já passamos de 29 para 28 numa lapada só!

Nem vamos nos deter no fato de que se tratando de meio ambiente e não do ambiente inteiro esse ministério já devia ser apenas meio ministério, mas essa especulação poderia tumultuar o raciocínio e por isso passaremos batido nessa questão.

Pois bom, vamos ao fato:

Os ruralistas não aprovaram a idéia e disseram nem fudendo! E mandaram mudar isso.

Então, o presidente da tal UDR – União Democrática Ruralista, junto com 40 cabras do setor, foram ao então presidenciável e o encostaram na parede. Bolsa, ou seja lá o apelido que preferirem, reuniu-se com deputados da Frente Parlamentar Agropecuária, e o poder dos “lobbies” se impôs: ou dá ou desce!

E assim, a incômoda presença da filosofia e ideologia da proteção ao meio ambiente junto ao mesmo órgão que quer aumentar a produção agropecuária foi para as cucuias, face aos interesses dos agropecuaristas; imagina só, de repente a gente quer usar um defensivo do tipo PQPLT e não pode, porque o Puta Que Pariu Lascou-se Tudo triplica a produção dos grãos e dos frutos mas mata as viadas das abelhas que não servem para bosta nenhuma, só para fazer mel, liquida com os putos dos passarinhos que ficam enchendo o saco de manhã cantando nas janelas e acordando a gente e lasca com outros bichos que só prestam para comer a lavoura.

O que aconteceu? Os donos das terras, que antes acharam boa a idéia de juntar tudo para acabar com uma tal indústria das multas perceberam, de repente, que poderia ser um tiro no pé submeter em uma mesma instância interesses divergentes, a seu favor e contra.

Bolsonaro, como deputado de várias legislaturas, mais de quinze anos lá dentro, deveria saber, pelas práticas parlamentares de trocas indispensáveis à aprovação de projetos e demais interesses dentro do legislativo, que o presidente da república não consegue governar sem obter o apoio de maiorias e que esse papo de fim do toma-lá-dá-cá é conversa para boi dormir.

Pois, babou.

31 outubro 2018 CHARGES

PAIXÃO

HÉBER CRUZ – MANAUS-AM

Prezado Berto,

em relação a matéria genial, como sempre, de Augusto Nunes sobre A DERROTA DESMASCAROU OS DEMOCRATAS DE GALINHEIRO temos que destacar o fato do poste Hadad estar com a mão no focinho e louco pra perguntar:

QUEM FOI O FDP QUE SOLTOU O PUM??????

Pela cara das antas em seu torno eu acho que foi aquela que está com a criancinha no colo.

E você???

Seria uma enquete interessante para se descobrir o autor (a) desse pum.

Saudações Manauara

R. Meu caro, acho que você acertou.

Esta anta foice-martelada que está ao lado do poste tanto solta peidos pelo furico como, mais ainda, solta peidos pela boca.

Em ambos os casos, é um fedor da porra ao redor!!!

Ela sempre consegue poluir o meio ambiente de forma irreparável.

31 outubro 2018 CHARGES

SPONHOLZ

BOLSONARO, O “MITO”, DERROTOU A “IDEIA” LULA

Desde 2013 que o demos (povo, em grego) bate à porta da kratia (governo), tentando fazer valer o preceito constitucional segundo o qual “todo poder emana do povo” (artigo 1.º, parágrafo único), mas só dá com madeira na cara. Então, em manifestações gigantescas na rua, a classe média exigiu ser ouvida e o poste de Lula, de plantão no palácio, fez de conta que a atendia com falsos “pactos” com que ganhou tempo. No ano seguinte, na eleição, ao custo de R$ 800 milhões (apud Palocci), parte dessa dinheirama em propinas, ela recorreu a um marketing rasteiro para manter a força.

Na dicotomia da época, o PSDB, que tivera dois mandatos, viu o PT chegar ao quarto, mas numa eleição que foi apertada, em que o derrotado obtivera 50 milhões de votos. Seu líder, então incontestado, Aécio Neves, não repetiu o vexame dos correligionários derrotados antes – Serra, Alckmin e novamente Serra – e voltou ao Senado como alternativa confiável aos desgovernos petistas. Mas jogou-a literalmente no lixo, dedicando-se à vadiagem no cumprimento do que lhe restava do mandato. O neto do fundador da Nova República, Tancredo Neves, deixou de ser a esperança de opção viável aos desmandos do PT de Lula e passou a figurar na galeria do opróbrio ao ser pilhado numa delação premiada de corruptores, acusado de se vender para fazer o papel de oposição de fancaria. O impeachment interrompeu a desatinada gestão de Dilma, substituída pelo vice escolhido pelo demiurgo de Garanhuns, Temer, do MDB, que assumiu e impediu o salto no abismo, ficando, porém, atolado na própria lama.

Foi aí que o demos resolveu exercer a kratia e, donas do poder, as organizações partidárias apelaram para a força que tinham. Garantidas pelo veto à candidatura avulsa, substituídas as propinas privadas pelo suado dinheiro público contado em bilhões do fundo eleitoral, no controle do horário político obrigatório e impunes por mercê do Judiciário de compadritos, elas obstruíram o acesso do povo ao palácio.

Em janeiro, de volta pra casa outra vez, o cidadão sem mandato sonhou com o “não reeleja ninguém” para entrar nos aposentos de rei pelas urnas. Chefões partidários embolsaram bilhões, apostaram no velho voto de cabresto do neocoronelismo e pactuaram pela impunidade geral para se blindarem. Mas, ocupados em só enxergar seus umbigos, deixaram que o PSL, partido de um deputado só, registrasse a candidatura do capitão Jair Bolsonaro para conduzir a massa contra a autossuficiência de Lula, ladrão conforme processo julgado em segunda instância com pena de 12 anos e 1 mês a cumprir. O oficial, esfaqueado e expulso da campanha, teve 10 milhões de votos a mais do que o preboste do preso.

Na cela “de estado-maior” da Polícia Federal em Curitiba, limitado à visão da própria cara hirsuta, este exerceu o culto à personalidade com requintes sadomasoquistas e desprezo pela sorte e dignidade de seus devotos fiéis. Desafiou a Lei da Ficha Limpa, iniciativa popular que ele sancionara, transformou um ex-prefeito da maior cidade do País em capacho, porta-voz, pau-mandado, preposto, poste e, por fim, portador da própria identidade, codinome, como Estela foi de Dilma na guerra suja contra a ditadura. Essa empáfia escravizou a esquerda Rouanet ao absurdo de insultar 57 milhões, 796 mil e 986 brasileiros que haviam decidido livrar-se dele de nazistas, súditos do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, que não se perca pelo nome, da Alemanha de Weimar: a ignorância apregoada pela arrogância.

Com R$ 1,2 milhão, 800 vezes menos do que Palocci disse que Dilma gastara há quatro anos, oito segundos da exposição obrigatória contra 6 minutos e 3 segundos de Alckmin na TV, carregando as fezes na bolsa de colostomia e se ausentando dos debates, Bolsonaro fez da megalomania de Lula sua força, em redes sociais em que falou o que o povo exigia ouvir.

A apoteose triunfal do “mito” que derrotou a “ideia” produziu efeitos colaterais. Inspirou a renovação de 52% da Câmara; elegeu governadores nos três maiores colégios eleitorais; anulou a rasura na Constituição com que Lewandowski, Calheiros e Kátia permitiram a Dilma disputar e perder a eleição; e forçou o intervalo na carreira longeva de coveiros da república podre.

O nostálgico da ditadura, que votou na Vila Militar, tem missões espinhosas a cumprir: debelar a violência, coibir o furto em repartições públicas e estatais, estancar a sangria do erário em privilégios da casta de políticos e marajás e seguir os exemplos impressos nos livros postos à mesa para figurar no primeiro pronunciamento público após a vitória, por live. Ali repousavam a Constituição e um livro de Churchill, o maior estadista do século 20.

Não lhe será fácil cumprir as promessas de reformas, liberdade e democracia, citadas na manchete do Estado anteontem. Vai enfrentar a oposição irresponsável, impatriótica e egocêntrica do presidiário mais famoso do Brasil, que perdurará até cem anos depois de sua morte. E não poderá fazê-lo com truculência nem terá boa inspiração nos ditadores que ornam a parede do gabinete que ocupou. Sobre Jânio e Collor, dois antecessores que prometeram à cidadania varrer a corrupção e acabar com os marajás, tem a vantagem de aprender com os erros que levaram o primeiro à renúncia e o outro ao impeachment.

Talvez o ajude recorrer a boas cabeças da economia que trabalharam para candidatos rivais, como os autores do Plano Real e a equipe do governo Temer, para travarem o bom combate ocupando o “posto Ipiranga” sob a batuta de Paulo Guedes. Poderá ainda atender à cidadania se nomear bons ministros para o Supremo Tribunal Federal e levar o Congresso a promover uma reforma política que ponha fim a Fundo Partidário, horário obrigatório e outros entulhos da ditadura dos partidos, de que o povo também quer se livrar em favor da sonhada igualdade.


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