3 dezembro 2018EM DESMANCHE



J.R. Guzzo

Circulou no noticiário um pensamento muito interessante que o novo presidente, Jair Bolsonaro, expressou durante uma conversa com a também nova deputada Janaína Paschoal. “O importante não é o que vamos fazer”, disse ele, “mas o que vamos desfazer”. O Brasil será um país a caminho da felicidade se Bolsonaro estiver mesmo pensando assim – e, principalmente, se conseguir até o fim do seu mandato desmanchar metade do que imagina que precisa ser desmanchado. O país, caso essa visão se transforme em realidade, fará mais progresso em seu governo do que fez nos últimos cinquenta anos. Já aconteceu com o Mais Médicos, que sumiu antes mesmo de o novo governo começar. Continuará a acontecer? É claro que muita gente pode perguntar: como assim, se há tanta coisa que precisa ser feita, e com tanta urgência? Simples: isso tudo deverá vir naturalmente, no espaço deixado pela monstruosa montanha de entulho que foi jogada em cima da sociedade brasileira nos últimos quinze anos. Pense um minuto, por exemplo, no “trem-bala” dos presidentes Lula e Dilma. Não existe trem-bala nenhum. Nunca existiu. Nunca vai existir. A única coisa que existiu, aí, foi a transferência de dinheiro do seu bolso para o bolso dos empresários do “campo progressista”. Mas até hoje continua existindo a empresa estatal legalmente constituída para cuidar do “projeto”. Chama-se EPL, tem diretoria, 140 funcionários, orçamento de 70 milhões de reais e por aí afora. Nenhum país no sistema solar pode dar certo desse jeito.

A escolha é clara: ou o Brasil progride, cria riquezas, cria empregos, gera e distribui renda com o desenvolvimento da atividade econômica produtiva, ou tem o trem-bala de Lula e Dilma. É uma coisa ou a outra: não dá para ter as duas ao mesmo tempo. Também não dá para melhorar a vida de um único pobre, um só que seja, doando 1,3 milhão de reais de dinheiro público à cantora Maria Bethânia, para que ela declame poemas num blog pessoal, em clipes produzidos pelo diretor Andrucha Waddington. Não será possível ir a nenhum lugar enquanto continuar existindo a TV Brasil, invenção de Lula que custa 1 bilhão de reais por ano, emprega mais de 2 000 amigos do PT e tem zero de audiência. Que mais? Mais de mil coisas, ou seja lá quantas forem, que a segunda parte do governo Dilma – este que está aí, com o nome de “governo golpista” de Michel Temer – deixou intactas para você pagar. Tirem esse lixo todo daí e o Brasil dará um salto.

A verdade, para simplificar a história, é que o país se prejudica muito mais com as coisas que o governo faz do que com as coisas que não faz. Eis aí: o ideal, mesmo, seria um governo que não fizesse nada do que não precisa ser feito. O Brasil não precisa de Plano Quinquenal. Não precisa de “obras estruturantes” nem de “políticas públicas”. Não precisa da Refinaria Abreu e Lima, pela qual você está pagando 20 bilhões de dólares desde o início do governo Lula – dez vezes mais do que estava orçado – e que até agora não ficou pronta. (Essa era a tal em que fizeram a Petrobras ficar sócia da Venezuela de Hugo Chávez, que nunca colocou um único tostão na obra.) Não precisa de PAC – um monumento mundial à roubalheira, à incompetência e à mentira. Não precisa de pirâmides como a Copa do Mundo, ou a Olimpíada, com estádios e uma Vila Olímpica inteira hoje afundando no chão, porque roubaram no material, no projeto e em tudo o que foi humanamente possível roubar – sem que nenhuma alma em todo o majestoso Estado brasileiro ficasse sabendo de nada. O teste mesmo é o seguinte: o Brasil estaria melhor ou pior se não tivesse feito nada disso?

Num país em que uma empresa pode gastar 2 000 horas por ano só lidando com as exigências que o governo inventa para arrecadar impostos – e quando se vê que essas 2 000 horas significam 83 dias de 24 horas, inteiramente perdidos, sem que se produza um único alfinete -, dá para se ter uma ideia da ruína em que colocaram o Brasil. Se o governo desfizer isso, simplesmente desfizer, será melhor ou pior? Fala-se aqui, singelamente, das aberrações mais estúpidas. Espere até chegarem os problemas realmente classe AAA, gold-platinum-­plus – como a constatação de que 50% de todos os gastos federais vão unicamente para a Previdência Social, e que o grosso disso é engolido com o pagamento das aposentadorias dos funcionários públicos – sobretudo da elite de gatos gordos. (Esses são os “direitos” que não podem ser tocados.) Será inútil, simplesmente, querer montar alguma coisa de útil no Brasil enquanto não se desmontar esse ambiente de demência.

7 Comentários

  1. Tentei descobrir quanto custa um vereador e não consegui.
    Mas chuto que entre salários, assessores, verbas disso e daquilo, não fica em menos de cem mil por mês.

    O Brasil tem quase 60.000 vereadores. 60.000 x 100.000 dá SEIS BILHÕES POR MÊS. Em troca eles dão nomes às ruas, garantem os monopólios das empresas de ônibus e liberam ou proíbem construções conforme os interesses das grandes construtoras.

    • 100 mil custa um vereador de SP, talvez mais.

      Porém na grande maioria das cidades brasileiras, que tem 50 mil habitantes ou menos, não chaga a 10 mil reais.

      É preciso dar o real valor as coisas. Nestas cidades pequenas, o vereadores deveriam ganhar salário mínimo, pois são no máximo 4 seções por mês e à noite.

      Se não quiser, não concorra.

      • Dez mil é o salário do vereador. Eu queria saber é a despesa total, com os funcionários do gabinete, verba de gasolina, verba de correio, verba disso, verba daquilo…

        Estas informações deveriam estar em destaque nos sites da prefeitura e da câmara de vereadores de todas os municípios, atualizados mês a mês.

  2. Concordo, maquinas publicas são extremamente caras. A solução seria desfazer os municípios cuja renda são insuficientes para seu custeio: a penúria da população mais pobres seria amenizada,o dinheiro da máquina seria distribuída em saúde escolas,segurança,etc.

  3. Não sei o salário de vereadores, mas garanto que é muito mais do que o que eles ganhariam na iniciativa privada e muito mais ainda do que o que eles gastam nas campanhas para se elegerem! Metade do tempo deles é gasto em propor e aprovar nomes de ruas e praças, a outra metade é gasta em cobrar do prefeito obras que o prefeito decidiu fazer.

Deixe o seu comentário!


© 2007 - 2018 Jornal da Besta Fubana | Uma gazeta da bixiga lixa