4 dezembro 2018O MILITAR E O JORNALISMO



Hildeberto Aleluia

Impressiona e é um espanto. A velocidade e a forma como o jornalismo (aí leia-se como jornais impresso, revistas e televisão) está se descaracterizando. Agredindo fatos e navegando contra a realidade ele vai morrendo sem explicações aparentes. Muitas vezes vale se perguntar onde querem chegar. Omissões, ideologia, ignorância, má formação, má administração e má fé. Esses, alguns dos ingredientes que estão na panela onde ferve e se desmancha o jornalismo atual. Não é só a internet que o ameaça. Depois da internet seu maior algoz é o próprio jornalista. Salvo destacadas e honrosas exceções.

Nesse burburinho a velha mídia se perde e naufraga. Não é só no Brasil. É no mundo inteiro. Com peculiaridades, diferenças e volumes. Mas no Brasil é especial. Nas últimas eleições um candidato, solitário, sem partido, sem representatividade no Congresso Nacional, sem acesso à velha mídia, sem dinheiro, sem linha direta com os chamados formadores de opinião navegou pela internet captando o sentimento de uma larga parcela do eleitorado. Esse sentimento não foi, se quer, captado pelos institutos de pesquisas. Bolsonaro virou gênio. Engoliu a todos.

Toda a teia do jornalismo de TV, de rádio e jornais, ignora, solenemente, o que a maioria da população pensa. Acusado de racista, nazista, homofóbico, direitista, ditador, violento e despreparado ele foi navegando. A velha mídia dava guarida a essas argumentações e ainda buscava matérias extras para substanciar esses adjetivos. Mesmo assim venceu. Venceu a mídia, venceu a esquerda, venceu o judiciário, venceu os bancos, venceu o Congresso Nacional e o governo, venceu todo o segmento de poder instalado no país nos últimos trinta anos.

E o que é pior: após a vitória a velha mídia continua tratando o candidato eleito com um solene descrédito.

Bolsonaro forma um gabinete de incontestável probidade e formação profissional. Nem assim é reconhecido por eles. Bolsonaro arma um governo perfeitamente de acordo com o pensamento daqueles que lhe votaram. Os jornalistas da velha mídia, em sua maioria esmagadora só enxergam militares. Claro que há exceções. Muito poucas. Mas essas exceções trabalham com mais independência em seus próprios blogs do que nas páginas e vídeos da velha mídia. Logo após a eleição a velha mídia tratava o Bolsonaro com deboche. Agora o trata com ironia e desdém.

Chega a ser cansativo. Como se militar fosse um bicho que deveria viver enjaulado e fora do nosso contexto politico e social. A velha mídia não sabe que o militar é um profissional admirado pelo brasileiro. Respeitado e querido. E de formação exemplar. Eles insistem em apontar o numero de militares no governo como se fosse uma ameaça. Tentam acuar, aqui e ali, os interlocutores, com perguntas estapafúrdias e análises estúpidas.

Os leitores não sabem: quem não gosta de militar é a imensa corrente de jornalistas engajados na ideologia de esquerda. E não gosta porque o militar, ao longo dos últimos cem anos, foi sempre a barreira, a última barreira que se interpõe toda vez que a esquerda totalitária quer dominar o país. Normalmente o Congresso Nacional se rende, o judiciário se rende, as elites se aconchegam e se locupletam. Aí o povo, e alguns outros, poucos, vão bater na porta dos quartéis. E o militar é sempre quem salva a pátria e a liberdade. Os jornalistas não sabem. Não conhecem a história, em sua maioria. Mas a nação sabe. O Jornalista não sabe nem que a continência é também um ato de respeito e de admiração. Pensam que é apenas um ato de submissão.

Assisti na Globonews, na semana de 19 a 24 de novembro de 2018, inúmeras vezes, repórteres e comentaristas se referirem a “um assessor de segurança nacional” do governo dos Estados Unidos que visitaria o presidente eleito no dia 25 de novembro. Por omissão, inexperiência, por ignorância ou má fé, desconhecem que o Conselheiro de Segurança Nacional do Presidente dos Estados Unidos é quem visitava o Presidente eleito do Brasil. E que ele é um dos quatro mais importantes executivos do governo americano, antecedido pelo próprio Presidente, pelo Secretário de Estado e pelo Secretário De Defesa. Não creio que seja ignorância. Nem preguiça de realizar pesquisa. Acho que é descrédito mesmo.

Essa mesma mídia, a velha mídia, é aquela que permanece com olhos e ouvidos fechados a muita coisa que aconteceu no Brasil desde a era FHC. Por interesses diversos, e cumplicidade, o leitor ficará por muito tempo sem saber. Vem tomando conhecimento, aos poucos, pela internet. A velha mídia morrerá antes que possa contar a verdadeira história do Brasil dos últimos trinta anos.

6 Comentários

  1. Sr Hildeberto, li seu artigo com muita satisfação. Espero que escreva outros assim. Com essa mesma clareza e conhecimento da realidade. Parabéns!

  2. A velha mídia está mais preocupada em saber como pagará os empréstimos bilionários que os governos do PT concederam a elas, quando o novo presidente abrir a aquela caixa preta do BNDES.

  3. Concordo plenamente com o ótimo texto Hildeberto Aleluia. O que também tem existido é muita choradeira cada ato do Novo Presidente Bolsonaro, que nem ainda tomou posse. Que chorem à vontade. Ele foi eleito com grande maioria dos votos e está pronto para grandes reformas no governo brasileiro. E o povo voto nele para isso. Que venha as reformas!

  4. Pura realidade.
    Já tenho mais de 60 anos de registro como jornalista profissional, formei-me nas redações e nas oficinas dos jornais e fiz-me um dos primeiros jornalistas graduados, no Nordeste.
    Isto me dá condições de concordar com o autor em gênero e número de seu pronunciamento, lamentando que esses ‘intelectuais’ da comunicação não se deem conta de uma máxima, expendida, se não me engano, pelos professores Paul Lazarsfeld, Scott C. Cutlip e David K. Berlo – integrantes do grande grupo que formatou a filosofia da Comunicação de Massas, nos anos ’60, que dizia que o grande censor da mídia é o público.
    Essa censura se manifesta, não através de atos restritivos, mas através da perda de audiência, ou seja o afastamento de público, fato que estamos vendo ocorrer.
    Infelizmente ou felizmente, levados por visão política extremista nossos ‘formadores de opinião’ a trave que penetra em seus olhos e que, decerto, os levará ao descrédito e consequente falência, pois público é fatura.

  5. Muito bom seu comentário. Manda um pouco de luz sobre as sombras que impedem as pessoas de entender o panorama atual. O que me faz lembrar de um coleguinha sobrevivente do ataque terrorista ao Charlie Hebdo em entrevista ao Roda Viva (da boa fase) dizendo que na França o problema era parecido com o do Brasil, no sentido de que todo mundo estava (mal) acostumado à divulgação da informação gratuita.

  6. Muito bom seu comentário. Manda um pouco de luz sobre as sombras que impedem as pessoas de entender o panorama atual. O que me faz lembrar de um coleguinha sobrevivente do ataque terrorista ao Charlie Hebdo em entrevista ao Roda Viva (da boa fase) dizendo que na França o problema era parecido com o do Brasil, no sentido de que todo mundo estava (mal) acostumado à divulgação da informação gratuita. E que seria difícil mudar isso. Mas está mudando, aos poucos. Só sobreviverá quem não fizer como alguns jornalões, que publicam fake news e depois forçam a barra com “matérias” que sirvam de suposto colateral às fake news. Isso quase todo mundo já percebeu como funciona.

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