5 dezembro 2018 CHARGES

BRUM

MAL DE AMOR –  Ana Amélia

Toda pena de amor, por mais que doa,
no próprio amor encontra recompensa.
As lágrimas que causa a indiferença,
seca-as depressa uma palavra boa.

A mão que fere, o ferro que agrilhoa,
obstáculos não são que Amor não vença.
Amor transforma em luz a treva densa;
por um sorriso Amor tudo perdoa.

Ai de quem muito amar, não sendo amado,
e, depois de sofrer tanta amargura,
pela mão que o feriu não for curado…

Noutra parte há de, em vão, buscar ventura:
– fica-lhe o coração despedaçado,
que o mal de Amor só nesse Amor tem cura.

5 dezembro 2018 CHARGES

SPONHOLZ

A CARTEIRADA DE LEWANDOWSKI

5 dezembro 2018 CHARGES

NEWTON SILVA

5 dezembro 2018 PERCIVAL PUGGINA

MORO: “CANSEI DE TOMAR BOLA NAS COSTAS”

Aconteceu durante um seminário em Madrid, promovido pela Fundação Internacional pela Liberdade, presidida pelo Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa. Falando na condição de convidado, o futuro ministro Sérgio Moro se referiu ao alcance limitado de suas decisões como juiz. Esclareceu, ainda, que seu trabalho na Lava Jato estava chegando ao fim, mas “aquilo poderia se perder se não impulsionasse reformas maiores, que eu não poderia fazer como juiz”.

Não é difícil entender a situação descrita por Moro, nem o uso de uma analogia com o futebol. Em outro momento da sua manifestação mencionou a famosa “bola nas costas”, que deixa o zagueiro perdido e concede toda vantagem ao atacante. Ele conviveu longamente com essas dificuldades. Agouravam sobre seu trabalho as tragédias da italiana operação Mãos Limpas, que levaram à sepultura o juiz do caso e respectivas realizações no processo. Transitavam diante da mesa de Moro figuras poderosas da política e dos negócios, cujo acesso ao STF se fazia com um estalar de dedos.

Quantas noites mal dormidas aguardando deliberações do Supremo, onde a Justiça ora faz o bem, ora faz o mal, sabendo muito bem a quem! Moro trabalhava sentindo o hálito azedo de vaidade, ciúme e ódio que sua crescente popularidade fazia exalar das penthouses do poder. A nação, dia após dia, a tudo assistia e se compadecia. Moro se tornou símbolo da luta contra a corrupção. Por vezes, em sua 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, a fila das confissões lembrava período litúrgico de preparação para a Páscoa. Era a “sangria” que precisava ser estancada, no dizer metafórico de Romero Jucá. E aquilo, para o diligente juiz, significava novos e reais enfrentamentos que viriam e vieram.

Fica bem entendida, então, a decisão que tomou. Os que ansiavam por um governo para debilitar a Lava Jato terão que conviver com a operação personificada em um dos dois homens mais fortes do governo… Melhor ainda se, ao cabo desse período, ele se for sentar entre aqueles ministros a quem tanto mal estar causou seu combate à corrupção.

São marcas dos novos tempos pelos quais ansiávamos. Alegrou-me por isso ler sobre essa disposição expressa por Moro em Madrid no mesmo dia em que tomei conhecimento dos compromissos recentemente formalizados no 1º Congresso do Ministério Público Pró-Sociedade. Beleza! Beleza ver tantos profissionais dessa nobre carreira de Estado comprometendo-se com o aperfeiçoamento de sua missão e com a consolidação de uma agenda de combate à criminalidade e à impunidade. Há muito tempo a sociedade tem sido vista, desde os círculos do poder, como mera provedora dos meios, pagadora de todas as contas. Estamos tendo nosso país de volta, em boas mãos, posso crer.

5 dezembro 2018 AUGUSTO NUNES

RICARDO LEWANDOWSKI

5 dezembro 2018 DEU NO JORNAL

O CAPITÃO FALOU BESTEIRA

Jair Bolsonaro confirmou declaração que foi dada mais cedo pelo seu vice, Hamilton Mourão, de que a comprovação de qualquer ilicitude contra Onyx Lorenzoni ameaça sua permanência no governo.

Em havendo qualquer comprovação, obviamente, ou uma denúncia robusta contra quem quer que seja do meu governo, que esteja ao alcance da minha caneta Bic, ela será usada, tá ok?”, disse, em entrevista em Brasília, ao ser questionado sobre o futuro chefe da Casa Civil.

* * *

Bolsonaro falou besteira.

O certo seria ele dizer que as denúncias contra seu futuro ministro Onyx são um campanha da grande mídia reacionária e golpista contra um cidadão impoluto e inocente.

Parece que o Capitão não aprendeu a rebater acusações da maneira que eram rebatidas pelos últimos administradores deste país.

Quem gostou da declaração dele foi o fabricante da caneta Bic, por conta do comercial gratuito e de grande penetração (êpa!)

“Se tu tiver feito merda, tás fora, sujeito; agora tá tudo diferente”

O RECIFE, NO TEMPO DO ZEPPELIN E OUTROS DIRIGÍVEIS

No Cais do Imperador, voltado para a nascente, ergue-se o grande monumento em mármore em honra aos aviadores portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, que, saídos de Lisboa a bordo do aeroplano Lusitânia, em 3 de março de 1922, amerissaram na bacia do Capibaribe em 5 de junho daquele ano, realizando assim a primeira travessia do Atlântico Sul em hidroavião.

O monumento, esculpido por Santos & Simões – estatuários, foi ofertado pelos portugueses, residentes em Pernambuco, e ali colocado em 1927.

Aeroplanos e Dirigíveis.

A propósito do feito dos aviadores portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, vale lembrar que as primeiras experiências com sucesso no campo da aeronáutica no Recife aconteceram em 1862 com Julius Burlay, artista da companhia francesa de Acrobata. Noticia a imprensa da época que, subindo num balão, ele fazia acrobacias no Pátio do Teatro Santo Antônio, na Rua das Florentinas (trecho hoje ocupado pela Avenida Dantas Barreto, entre a Praça da República e a Rua Siqueira Campos); assim descrevendo o Jornal do Recife de 26 de outubro daquele ano:

“A nossa população presenciou ontem um espetáculo inteiramente novo para ela. Foi a ascensão do artista acrobático Júlio Burlay, que conforme havia feito comunicado, subiu as regiões etéreas arrebatado pelo seu Montgolfier. Uma multidão imensa apinhada no Campo das Princesas saudou o intrépido aeronauta com gritos de prolongados vivas e aplausos. Eram cerca de 6 horas e um quarto quando o balão se ergueu suavemente, buscando o lado sul, impelido pelo vento norte; não estando completamente cheio começou logo a baixar, indo depois o corajoso viajante cair nas proximidades dos Coelhos. Durante o trajeto o excelente artista fez diversas evoluções sobre o seu trapézio, oferecendo aos olhos da população admirada a realização de um espetáculo para o qual, há cerca de um ano, teria sido convidado …”.

A temporada de balonismo do francês Julius Buislay vem a ser novamente noticiada na edição do Jornal do Recife de 3 de novembro – “o artista fez anteontem a sua segunda ascensão aerostática, indo aterrissar sobre uma casa térrea na Rua Velha, de onde o trouxe para o Teatro da Rua das Florentinas uma multidão imensa de pessoas”.

Na semana seguinte, na edição de 11 de novembro, o mesmo jornal informa que na sua terceira tentativa, “o balão pouco cheio não subiu alto, indo cair no quintal de uma casa da Rua dos Martírios”.

Outra proeza aconteceu em sete de outubro de 1906, tendo por balonista José Pereira da Luz (Zé da Luz), que subindo num aeróstato, na antiga Rua do Sebo, hoje Barão de São Borja, foi cair em Tejipió.

A primeira travessia aérea do Atlântico Sul, porém, só veio a ser realizada pelos aviadores portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral, que saídos de Lisboa a bordo do hidroavião “Lusitânia”, em 3 de março de 1922, amerissaram na bacia do Capibaribe em 5 de junho daquele ano. Para comemorar o feito, fez-se erguer um grande monumento em mármore aos dois aviadores, esculpido por “Santos e Simões – estatuários”, e foi ofertado pelos portugueses residentes em Pernambuco. A sua inauguração aconteceu, em 1927, sendo instalado no Cais Martins de Barros.

Os primeiros brasileiros a cruzar o Atlântico Sul, porém foram João Ribeiro de Barros (comandante), Newton Braga, João Negrão e Vasco Cinqüini, que, a bordo do hidroavião Jahú, fizeram o vôo histórico Gênova-São Paulo, escalando no Recife em cinco de junho de 1927, amerissando na bacia do porto, sendo recebidos com grandes festas. No mesmo ano, o comércio da Encruzilhada, a fim de assinalar o feito, mandou erguer uma coluna de oito metros de altura, encimada por uma águia pousada sobre o globo terrestre, com a inscrição: “Raid Gênova-Santos. À heroica tripulação do Jahú, homenagem do povo da Encruzilhada. Recife, 25 de setembro de 1927”.

A correspondência aérea entre o Recife, o Rio de Janeiro e Buenos Aires, veio a ter início a 7 de março de 1927, através da Companhia Latecoére, depois denominada de Aeropostale, que veio a ser o embrião da Air France. Na bacia do Pina-Santa Rita passaram também a amerrissar os hidroaviões da Condor-Lufhansa e da Panair-Panamerican.

Dentre as novidades aeronáuticas da década de 1930, famosa pelo aparecimento de novos hábitos e costumes, antecedendo a segunda Grande Guerra, foi a chegada no Recife do Graf Zeppelin, inaugurando linha direta, bimestral, a Europa, numa quinta-feira, 22 de maio de 1930, fazendo a rota Friedrischafen-Sevilha-Rio de Janeiro.

Sua torre de atracação, ainda hoje existente, encontrava-se em terras do Engenho Jiquiá, nos Afogados. Pelo noticiário conservado nas páginas dos nossos jornais, particularmente do Diario de Pernambuco, no dia 23 de maio de 1930, e depoimentos dos que assistiram e documentaram, a exemplo do compositor Raul Valença que chegou a fazer um documentário cinematográfico, foi uma verdadeira revolução na cidade, quando da chegada daquele dirigível após 59 horas de viagem:

Um vivo interesse se desenhava em todos os semblantes em torno desse acontecimento destinado a marcar uma data inesquecível na vida da cidade. […] às 18 horas e 35 minutos o dirigível foi avistado no Recife e logo entrou a tocar, para divulgar a boa nova, o carrilhão do Diario de Pernambuco, cujos terraços estavam ocupados por famílias do nosso escol social. […] O Diario de Pernambuco, em sua edição do dia seguinte, às 16 horas, era já compacta a multidão de curiosos que se empilhavam nas torres das igrejas e até nos tetos das casas. – Inclusive nos terraços dos edifícios mais altos: Moinho Recife, Palácio da Justiça, Diario de Pernambuco, Hotel Central, etc. No mais alto da cúpula do Palácio da Justiça, em verdadeiro esporte de equilíbrio, agrupavam-se algumas dezenas de pessoas. O terraço desta folha, já às 17 horas, estava repleto de numerosa e compacta assistência. […] – Chegarei pouco depois do pôr do sol, foi a mensagem do comandante Eckener. […] É ele! É ele! É uma estrela! …, gritava o povo. Mas a dúvida em breve dissipou-se. Alguns instantes mais e a sombra branca do imenso pássaro aéreo começou a surgir e a crescer. Já eram então visíveis os dois focos de proa e popa marcando o vulto imenso que desfilava dentre as nuvens. Precisamente às 18h30m passava o Graf Zeppelin, mais baixo acerca de trezentos metros de altura, sobre a torre da Catedral de Olinda…. E logo se começou a ouvir o surdo rugido das suas hélices possantes…. Mas pode mencionar-se o emocionante espetáculo da nave imensa a deslizar dentro da noite, sobre a cidade, rumando do Norte ao poente, numa grande curva, direto ao Campo do Jiquiá, como se conhecesse o caminho; como uma ave retardatária que se torna ao pouso, mil vezes demandado.

O dirigível encontrava-se sob o comando do Comandante Hugo Eckener, que, juntamente com o infante Dom Affonso de Espanha, foi saudado pelo então secretário particular do governador Estácio Coimbra, Gilberto de Mello Freyre, após a sua amarração no Campo do Jiquiá.

O Graf Zeppelin realizou 63 viagens unindo o Recife à Europa. Em 1936, veio a ser substituído por outro dirigível maior e mais moderno, o Hindenburg, que possuía 804 pés [245,06 metros] de comprimento [76 pés menos do que o transatlântico Titanic e 228 pés maior do que um Boeing 747], trazendo no seu leme a cruz suástica símbolo do nazismo. O Hindenburg realizou sete viagens ao Brasil, antes do acidente que o destruiu, em 1937, ao pousar em Lakehurst, no estado norte-americano de New Jersey.

* ARRUANDO PELO RECIFE, em editoração na Companhia Editora de Pernambuco (CEPE).

RUBENS DE AZEVEDO – MANAUS-AM

Grande editor Berto!!!

Minha saudações.

Quando a esculhambação chega ao povão que frequenta programa de auditório, é porque  a merda tá grande mesmo.

Num tem mais jeito.

Veja só o que aconteceu no programa do Silvio Santos.

Um grande abraço!

5 dezembro 2018 CHARGES

SPONHOLZ

Ô LASQUERA DE CALOR – PUTA MERDA!

Caldo de cana gelado aplaca o calor

Dez horas, sol causticante. Cidade sem árvores, assim, também sem sombras. Temperatura subindo e o corpo parece se tornar uma fonte d´água. O suor escorre pela testa.

– Éguas, não corre nem um ventinho!

Estou no Largo do Carmo, olho para o relógio. Mudo de vista, vejo o Ferro de Engomar. Olho de novo para o relógio, ainda são 10 horas.

Na calçada da frente, as bancas do João Marreco, Jorginho e Mondego. Todos procuram um lugar na sombra, que não vai adiantar muita coisa.

Olho de novo para o relógio. Já se passaram mais de 10 minutos e ainda são 10 horas, no relógio.

Porra, essa droga de relógio não funciona! Faz parte do sermão do padre: “no Maranhão, até as nuvens mentem”!

Veio uma ideia: a sombra do Abrigo.

– Siô, um caldo de cana e um pão doce!

– Cadê a ficha? Comprou a ficha?

Quantas vezes fizemos isso, repetimos esse gesto ali no abrigo, para tentar refrescar o calor, bebendo um caldo de cana do Guará!

Caldo bebido, pão doce comido. O calor vai embora, mas volta logo depois. O que não volta mais é o tempo!

* * *

A DACTILOGRAFIA


Antiga máquina de Datilografia

Lá pelos anos 50, 60 e até meados de 70, a grade curricular do ensino brasileiro, hoje rotulado de ensino médio, era recheada de “matérias” que iniciavam o caminho de alguns profissionais. Muitos foram bons profissionais, aproveitando apenas o que aprenderam naqueles tempos, sem a tal especialização.

Dona “Mundica” era a professora. Ensinava Português, Aritmética, História do Brasil, Geografia do Brasil, Caligrafia e Religião. O professor Orlando Leite, um dos mais completos Maestros do Brasil, por três anos nos ensinou Canto Orfeônico – ali aprendemos a ler e escrever música, solfejar, cantar e discernir o que era a primeira e a segunda voz. Clave de sol, e as notas musicais (dó, ré, mi, fá, lá, si). Todas as manhãs, o Hino Nacional Brasileiro.

Uma vez por mês, uma visita a uma instituição pública: museu, quartel, hospital, convento, igreja, tribunal.

A tarde era livre. Não. Não era. Cesta depois do almoço, tarefa escolar para fazer em casa, e, dia sim, dia não, aula prática de Dactilografia.

Lembro bem: mão esquerda – q, w, e, r, t; mão direita – y, u, i, o, p. Abaixo: a, s, d, f, g – h, j, k, l, ç.

Na última aula do curso, a prova prática, com 5 minutos para datilografar uma lauda. Sem erros. E a vida começava ali, para muitas profissões.

5 dezembro 2018 DEU NO JORNAL

O QUE LEWANDOWSKI FEZ EM VOO APÓS SER CRITICADO É ALGO CRIMINOSO

* * *

GILMAR MENDES ESTÁ NO STF PARA FAZER POLÍTICA

5 dezembro 2018 AUGUSTO NUNES

SANATÓRIO GERAL

DEMOCRACIA PETISTA

Haddad afirma que aceita todas as opiniões, desde que não sejam contrárias ao que pensa

“Eu gosto de ampliar, de conversar, de conhecer. Eu sou zero sectário porque eu acredito que a esquerda sectária nunca vai mudar o mundo. O meu papel, durante o encontro em Vermont, é estimular indivíduos e organizações, inclusive partidos brasileiros, a aderir a iniciativa internacional progressista, que ainda não tem um estatuto e ainda não tem uma cara”.

Fernando Haddad, candidato derrotado do PT à Presidência, ao contar como foi o encontro em Vermont com líderes da auto-proclamada esquerda para o lançamento de uma certa Internacional Progressista, afirmando que, embora seja o porta-voz do partido que separou o Brasil em “nós e eles”, não é nada sectário quando fala para alguma plateia que pensa exatamente igual a ele.

* * *

NEGÓCIO DE CUBA

Vanessa Grazziotin sonha com a continuação da obscenidade que levou o país a importar, e manter em cativeiro, milhares de cubanos reduzidos a mercadoria

“A expulsão dos Médicos cubanos por Bolsonaro é um crime contra o povo do Amazonas”.

Vanessa Grazziotin, senadora do PT do Amazonas, no Twitter, em campanha pela continuação da obscenidade que levou o Brasil a importar, e manter em cativeiro, milhares de cubanos reduzidos a mercadoria pela ditadura que controla a ilha-presídio desde janeiro de 1959.

* * *

AMANTE ESPERTA

Gleisi finge que o PT rejeita autocríticas não por medo de cadeia, mas só para incomodar a direita e a imprensa

“Não tem autocrítica no texto. O PT faz autocrítica na prática. Nós não faremos autocrítica para a mídia e não faremos autocrítica para a direita do país”.

Gleisi Hoffmann, presidente do PT, conhecida no Departamento de Propinas da Odebrecht pelo codinome Amante, recusando-se a admitir que os figurões do partido se negam a fazer autocrítica porque se confessarem tudo o que andaram fazendo irão todos para a cadeia.

5 dezembro 2018 JOSIAS DE SOUZA

NÃO CRITIQUE O STF EM VOZ ALTA, ELES CHAMAM A PF

CONSIDERAÇÕES EM TORNO DE UMA CONTINÊNCIA

Semana passada, os meios de comunicação se ocuparam de uma continência prestada pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, ao senhor John Bolton, representante do governo norte-americano.

O que era um simples ato, logo fez a oposição assestar suas baterias contra uma pretensa subserviência brasileira aos interesses daquele país.

O deputado Ivan Valente, do PSOL, por exemplo, chegou a enxergar uma atitude de capachismo (sic) e genuflexão vergonhosa (sic).

Há algo a considerar, contudo.

Não foi John Bolton o primeiro americano a merecer tal deferência e, além do mais, próprio presidente Donald Trump, com toda a sua autoridade, logo que chega aos lugares para onde viaja, saúda com uma continência os que o esperam junto à aeronave.

Por seu turno, os jornais e televisões do domingo, mostraram H.W. Bush, falecido ex-presidente, prestando continência a multidões, o que induz uma pergunta: será que, cada um a seu tempo, Donald Trump e H. W. Bush e Obama, presidindo a maior potência do mundo adotavam uma postura servil?

Continência, tenha-se em conta, é comportamento ponderado e moderação de gestos, palavras e atos, ensina o Houaiss.

É também uma saudação militar e uma maneira de manifestar respeito e apreço aos seus superiores, pares, subordinados e símbolos, a exemplo da bandeira nacional.

O resto é incontinência verbal.

5 dezembro 2018 DEU NO JORNAL

EU NÃO SE ALEMBRO-ME MAIS…

Nesta quarta-feira, 5, a Polícia Federal está nas ruas para cumprir mandados da 57ª fase da Operação Lava Jato.

Esta etapa, de acordo com a PF, investiga a ação de uma organização criminosa que agia na área de trading da Petrobras.

Foram expedidos 11 mandados de prisão preventiva, e 26 de busca e apreensão.

Até o momento, cinco pessoas foram presas no estado do Rio de Janeiro.

Esta etapa, de acordo com a PF, investiga o pagamento de pelo menos US$ 31 milhões em propinas para funcionários da Petrobras, entre 2009 e 2014.

O pagamento, ainda conforme a polícia, foi feito por grandes empresas do mercado de petróleo e derivados.

O valor atualizado equivale a R$ 119.427.500.

* * *

A manchete aí de cima diz que a ladroagem aconteceu entre 2009 e 2014.

Quem é que estava com a bunda na principal cadeira do Palácio do Planalto neste período?

Que partido era o responsável pela administração da Petrobras neste tempo?

Tô com a memória fraca. Coisas da idade.

Me ajudem-me, por favor.

CAMINHANDO CONTRA O VENTO

O presidente eleito Jair Bolsonaro está quase pronto para o trabalho do ano que vem. Já preencheu vinte dos quinze Ministérios que tinha prometido, e os dois últimos, que acertam a conta, estão no forno (pode ser até que, quando esta coluna for lida, já saibamos todos os 22 que eram 15).

A oposição está quase pronta para seu trabalho do ano que vem. Qual delas? Há duas: uma, PT mais PCdoB mais penduricalhos, liderada por Lula, ou Haddad, ou Gleisi, que se opõe à outra, PSB mais PDT mais não se sabe quem. Essa outra talvez até prefira Bolsonaro a Lula – afinal, Bolsonaro derrotou Ciro Gomes, mas não tentou manobras por baixo do pano para atrapalhar suas alianças nem sua candidatura. Mas, seja qual for, há oposicionistas se mexendo: já condenaram Bolsonaro por ser submisso aos EUA, ao prestar continência a John Bolton, assessor de Segurança Nacional de Trump; e por ter desrespeitado os EUA, ao servir ao mesmo John Bolton o café da manhã na cozinha de sua casa, com o bolo já cortado em fatias, numa mesa – horrorizem-se! – sem toalha.

O Congresso se apronta para, apesar de renovado, provar que continua o mesmo: Renan na Presidência do Senado é uma probabilidade real. Renan, apesar de tudo, não é o símbolo maior do Congresso. Símbolo mesmo é um ex-deputado, Valdemar Costa Neto, que cumpriu pena pelo Mensalão e é o cacique do PR. E é justo com Valdemar que Bolsonaro troca ideias hoje.

A chave do cofre

Mesmo com grande número de parlamentares não reeleitos, o Congresso foi o primeiro a colocar as cartas na mesa pensando no próximo Governo. Já aprovou um belo aumento para o Supremo, que aumenta o gasto público, a partir de 2019, em algo como R$ 4 bilhões por ano. Por que aumentar os gastos com o Judiciário e deixar a Educação, por exemplo, com a mesma verba? Nossos congressistas são previdentes: sabem perfeitamente que, ao deixar a cadeira, pouquíssimos irão à escola. E são profissionais, gente do ramo: sabem que Bolsonaro tende a ignorar os partidos e a privilegiar áreas de influência, sejam governos estaduais, sejam segmentos econômicos ou religiosos. E se preparam para mostrar que, sem eles, o Governo não anda.

O extremo centro

Quem ainda vai brigar muito para decidir onde fica é o PSDB. Fernando Henrique disse que cabe ao partido a posição de “centro radical”, afastado tanto de Lula quanto de Bolsonaro e mantendo posição critica diante do governo, embora podendo apoiar medidas específicas com que concorde. O governador paulista João Dória, estrela ascendente no tucanato, não apenas deu apoio a Bolsonaro no segundo turno (e assistiu tranquilo à campanha do “Bolsodoria” no primeiro) como, logo após as eleições, viajou para um encontro com o presidente eleito – a propósito, não foi atendido. Alckmin, que lançou João Dória na política mas hoje não o vê com bons olhos, deve ficar com Fernando Henrique – mas é um candidato derrotado, sem o peso político que já teve. Aécio, hoje, não conta. Mas Tasso Jereissati conta: se conquistar a Presidência do Senado, dirá para onde vai o partido. Mas sua chance de manter a união tucana é mínima: o PSDB deve se dividir.

Dúvida 1

O articulador político do futuro Governo, deputado Ônyx Lorenzoni, disse que a Funai passará do Ministério da Justiça para o da Agricultura. A dúvida: e que é que a Agricultura tem a ver com a população indígena?

Dúvida 2

Bolsonaro assistiu ao jogo Palmeiras x Vitória, no estádio palmeirense, entregou as medalhas aos campeões, abraçou os jogadores de seu time. Que terão dito seus médicos? Ele ainda está com os intestinos ligados a uma bolsa externa e a cirurgia que deveria realizar no dia 12 foi adiada por falta de condições. O presidente eleito não terá abusado de sua saúde? E comer cachorro-quente, por melhor que seja a salsicha, é adequado para ele?

Dúvida 3

Bolsonaro aproveitou bem a conquista do Brasileirão pelo Palmeiras. Apareceu bem, sorridente, foi homenageado por torcedores aos gritos de Mito, vestiu a camisa do seu time. Mas fica bem um presidente eleito usar camiseta com propaganda comercial? Poderia ter usado camiseta apenas com os símbolos do clube. Para sua imagem, seria bom do mesmo jeito.

O poder do ministro

No avião, antes da decolagem, um cidadão que reconheceu o ministro Ricardo Lewandowski disse que o Supremo era uma vergonha e que ele tinha vergonha de ser brasileiro. O ministro o ameaçou de prisão, o cidadão insistiu. Lewandowski chamou a Polícia Federal para prendê-lo. Os federais entraram no avião mas não prenderam ninguém: o cidadão prometeu não dizer mais nada ao ministro nem tumultuar o voo de forma alguma, e foi liberado para viajar. A ordem de prisão – bem, deixa pra lá.

5 dezembro 2018 DEU NO JORNAL

UMA DÚVIDA PERTINENTE

Quando é mesmo que os advogados petistas vão questionar, nos autos e não apenas na mídia, as provas contra Lula que alegam não existir?

* * *

Esta dúvida é pertinente.

Quando é mesmo que os bem pagos (e bote bem pago nisto…) defensores da Lapa de Corrupto vão se mancar?

Com a palavra o causídico lulista Ceguinho Teimoso, estimado fubânico e ardoroso defensor do Enjaulado de Curitiba.

Aguardemos seu pronunciamento.

“Vocês me aguardem que eu vou provar que não tem provas contra Lula”

VAI UMA MACAXEIRA AÍ?

Foto da colunista

No meu sítio tem fartura
Eu não posso me queixar
Contudo tem certas coisas
Que chego a me admirar
Olhando essa macaxeira
Até peguei na peixeira
Mas tive dó de cortar.

5 dezembro 2018 CHARGES

IOTTI

NOTAS

Como não pensaram em sustentabilidade econômica para manter o emprego e a renda do passado, a esperança de dias melhores sumiu. Foi substituída pelo pessimismo. O desaparecimento de empregos com carteira assinada desestabilizou o consumo e o setor produtivo. Colocou a economia do país numa fria.

A quantidade de pessoas sem emprego e o medo de levar um fora com o “não tem vaga”, desestimula a procura. A desistência enfraquece a força de trabalho ativa, estica a informalidade. São claros os sintomas de que o dinamismo produtivo falha. Quando rola, é lento.

Em julho, o IBGE encontrou 65,6 milhões de indivíduos sem trabalho. Perambulando sem destino. Situação observada desde 2013. Repete o cenário vivido na década de 90. Os dados alertam que 40 milhões de pessoas se viram em “bicos” ou se entregam de corpo e alma na informalidade para garantir algum tipo de renda. É a salvação.

*
Em matéria de recursos hídricos, o Brasil é rico. Possui vasto campo para as hidroelétricas, irrigação, navegação, pesca, turismo e geração de empregos em todos os níveis de aproveitamento. Até para quebrar o galho nos tempos de seca braba, o país, se soubesse desfrutar da riqueza hídrica, não chorava. Nem se lamentava.

A Bacia Amazônica, formada pelo próprio rio Amazonas, Juruá, Purus, Trombetas, Negro e Solimões, caudalosos, é esplendorosa. O Japurá, Tocantins, Tucuruí, São Francisco, Araguaia, Madeira-Mamoré e o Paraná, unido ao Paraguai, impressionam em extensão.

O problema é o mau aproveitamento das fontes hídricas. No rio São Francisco retiram enorme volume de água, sem pensar no futuro, ao contrário de Furnas, em Minas Gerais, cujo reservatório garante irrigação para a lavoura. Nas barragens, caso construíssem eclusas, o transporte fluvial barateava.

*
O sistema educacional japonês é diferente do modelo brasileiro. Para as crianças de seis a quinze anos, o ensino é gratuito e compulsório. Começa pelo jardim-de-infância, com duração de até três anos, segue para o primário, seis anos, ginásio de 1º e 2º grau, seis anos e finaliza na universidade, quatro anos.

Por adotar um método rígido de aprendizagem, impõe disciplina radical para mostrar ao aluno que a entrada para a universidade é competitiva. Passa quem merece. Então, para não reclamar depois, as crianças recebem primorosa educação pré-escolar, visando garantir ótimo desempenho estudantil no futuro.

Como não existem refeitórios na escola, os alunos comem na própria sala de aula, juntamente com o professor. Também são os alunos que se revezam na hora de servir a refeição. O intuito é fortalecer o vínculo e ensinar boas maneiras. Como geralmente vão a pé e em grupos para a escola, a criança começa cedo a ter noção de independência. O ensino médio não é obrigatório. Compete aos alunos fazer a limpeza da escola. Como as escolas são de qualidade, o estímulo à cultura, arte e esportes é ativo e permanente.

*
O brasileiro é cheio de manias. Além do fanatismo por futebol e carnaval, paixão nacional, o povo também gosta de curtir outras fortes emoções: praia, cerveja, cachaça, café, mulher e barzinho. A esquisitice é o velho costume de deixar tudo a última hora.

Porém, pior do que a esquisitice do indivíduo, o país também curte extravagancias. É arriado por estatais. Tem exagerada quantidade de estatais nas esferas federal, estadual e municipal. Nem as privatizações realizadas a partir dos anos 80 conseguiram reduzir o excesso de empresas públicas.

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico-OCDE, existem no Brasil 418 empresas nas mãos do Estado. Empregam mais de 800 mil servidores, dos quais 500 mil são absorvidos pela União. As maiores estatais são Petrobrás, Eletrobrás, Banco do Brasil e Caixa Econômica. O mal das estatais é sofrer abuso do poder controlador, ser alvo de influência político-partidária para facilitar o desvio de finalidades, a corrupção e os escândalos.

*
Para atender a terceira maior população carcerária do mundo, com 726 mil presos, o Brasil pena para reduzir a violência urbana. O curioso é manter 40% dos presos com prisão provisória, sem condenação, e a metade dos aprisionados ser de jovens entre 18 a 29 anos, geralmente de cor negra.

Nem os Estados Unidos e a China, países com população superior, prendem tanta gente assim. Como a massa carcerária aumenta, avolumam-se os problemas. Situação que nem as penas alternativas e as tornozeleiras eletrônicas resolvem. Daí as audiências de custódia para desafogar os presídios.

Os crimes que mais levam suspeitos para o presídio são roubos e furtos, tráfico de drogas, homicídios, violência doméstica e estupros. Em 2016, o Fundo Penitenciário Nacional-Funpen liberou mais de um bilhão de reais para a construção de penitenciárias e a modernização do sistema prisional. Agora, se as verbas chegaram aos destinos é outra história.

5 dezembro 2018 CHARGES

NANI

5 dezembro 2018 DEU NO JORNAL

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