HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

O QUADRO DA ESTIAGEM

Uma ave de rapina
Beliscando uma caveira
Um torreão de poeira
Subindo pela campina
Um pé de palma se inclina
Parecendo uma miragem
O gado sem ter pastagem
Berrando numa gamela
Assim vou pintando a tela
Do quadro da estiagem

Sem ração, o criador
Descasca uma macambira
Voa pra longe a cupira
Se escondendo do calor
Sem mato o agricultor
Não pode fazer silagem
A caatinga sem folhagem
Não tem um pé de favela
Assim vou pintando a tela
Do quadro da estiagem

Um anum já desolado
Canta triste o seu lamento
Com sede cai um jumento
Na sequidão do cercado
Um casebre abandonado
Na beira de uma rodagem
O vaqueiro sem coragem
Abandona a sua sela
Assim vou pintando a tela
Do quadro da estiagem

Um cão com fome latindo
Lambe triste uma bacia
Arde o sol do meio dia
Morre o pé de tamarindo.
Um retirante partindo
Sem ter nada na bagagem
Ao comprar sua passagem
Prende o choro na goela
Assim vou pintando a tela
Do quadro da estiagem

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

AO SEU TALENTO

Alceu grande nordestino
Recebeste o dom divino
Num espelho cristalino
A tua alma se reflete.
Pelas ruas de São Bento
Desfilou o seu talento
Obra, arte e sentimento
Tão novo virou manchete.

Valença veia poética
Sua poesia eclética
Ultrapassa a dialética
Que chega a fazer alarde.
O seu talento nos brinda
Uma voz que nunca finda
Nos carnavais de Olinda
Cantou a bela da tarde

A gente pernambucana
Do seu filho de ufana
Seu sucesso tropicana
Conquistou o mundo inteiro.
Sua verve genuína
Embriaga e nos fascina
Numa flor de tangerina
A gente sente o seu cheiro.

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE