Especialista em generalidades, extremista de centro, peruador sem compromisso, dono de um currículo sem qualquer
saliência digna de nota, autor de uma obra perfeitamente dispensável, azeitador do eixo do sol, ensacador de
fumaça, fiscal de feiras, carnavalesco e cachacista, Papa da Igreja Católica Apostólica Sertaneja
Sabe aquelas roscas-sem-fim de quá-quá-quá que de vez em quando dá na gente? Pois um dia desses, num restaurante, almoçava um casal, a um sopro de vela de mim. Desses casais de conversa puxada na manteiga. Falava baixinho sobre alguma coisa ou sobre alguém e de olho no olho feito galo de briga – sem briga. De repente, no arremate dum detalhe, o rapaz, em sinal de reserva reservadíssima, requisitou o ouvido esquerdo da moça, se reclinou por sobre a mesa e cochichou alguma coisinha… um fiapozinho de cochicho refogado em risadagem. Pronto: foi o puxão do quá-quá-quá do almoço. Aí a mulher começou:
– Quá-quá-quá-quá-quá!
E o rapaz:
– Quáhhhh-quáhhhhhh-quáhhhhhh-quáhhhhh-quáhhhhhh!
E a moça:
– Quá-quá-quá-quá-quá!
E o rapaz:
– Quáhhhh-quáhhhhhh-quáhhhhhh-quáhhhhh-quáhhhhhh!
E a moça:
– Quáhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh-quá-quá-quá-quá!
Eu tou dizendo só três porções de quá-quá-quás, mas é pra não gastar papel.
Aí, num respirar profundo, o cabra botou ri-ri na boca e deu um sério militar no assunto. A moça, sem freio e sem embreagem, fez do sério um tobogã e desceu de quá-quá-quá:
– Quá-quá-quá-quá-quá!
Numa fala puxativa de freio-de-mão, o rapaz disse:
– Isso é qué ser besta!
E a moça:
– Quá-quá-quá – e outras expressões quá-quá-quativas”.
No moído do ataque e querendo se desculpar. Ele virou-se pra mim e disse:
– Isso é qué ser besta, nenão???
E eu de voz de peixe… Calado.
Daqui a pouco, a mulher começou a dizer “AI!!!”. Mas não era “AI” de dor, não. Era AI de cansaço; cansaço mesmo: estômago-gargalhativo com espasmos de quá-quá-quá. Deu de garra dum guardanapo, e fez dele pano-de-face, secando o córrego lacrimogêneo.
Não tendo mais quá-quá-quá para quá-quá-quar, pediram a conta e saíram quá-quá-quando aos solavancos… Felizes feito um cego brindado à visão perpétua.
Não-sei-o-que-é-que-eu-tenho
Pra gostar tanto de leite
Minto!
Eu sei:
É a cor; é o cheiro; é o sabor.
Minha mãe já me dizia:
“– Sente aí um bocadinho,
Que eu vou esfriar o leite…”
Tudo com leite é deleite.
Desde quando vinha vindo
Da madrugada pro dia
Com seu anúncio leitoso
Na voz do entregador:
Óh o leite!!!!
E o branco-branco em cascata
Derramava-se em natura
Do pescoção da botija
Pro caneco medidor.
Do caneco pra panela
E por fim pra caçarola
Decantando a fazendola
No fino pano do leite.
Bem que a gente deveria
Postar em boa moldura
O algodãozinho asseado
Desse pano coador
E preservar nessa tela
Os ciscos da vacaria
Digitais do dia-a-dia
Marquinhas de interior.
A casa era tão pequena
Que nem sequer tinha lá dentro
Tudo vinha do lá fora.
As portas eram caducas
Paus cansados e rachados.
Na janela, um galo esperto
Um emoldurado cantante
Avisando ao viajante:
“– Nessa casa aqui tem gente!”
Vinha gente dos lá fora
Cantarolando, bradando
Sem nenhum palavrear
Uns versos longos sentidos
Sonorizando vogais:
Ôhhh! Ôhhh! Ôhhh!
Êhhh! Êhhh! Êhh! Êaaah!
Depois um solene “boi!”
Êh, boi! Êhhhhh, boi!
No fim assinando:
Ahhhhhhhhh!!!
Meu cumpade, o que eu escuto
Derna de pequininim
É que o Brasil brasileiro
Pra sair dos atoleiro
Tá faltando tanto assim.
Tá faltando tanto assim
E nós tudo se afogando
Os doutor de vez em quando
Corruto, dos bigodão
Corre pra televisão
Beija os pobre, dá risada
E anuncia a chegada
Da Taba da Sarvação.
E grita os povo na rua:
– Foi o fim dos militar!
Já podemo festejar
O fim da submissão!!!
É bandeira dos partido
Correndo de mão em mão:
– Bem que aquele home disse
Que a gente se assubisse
Na Taba da Sarvação!
Com pouco mais tá de novo
O povo desmiolado
Satisfeito isprivitado
Folgado nas alegria:
– Foi um tá de Anistia
Que sortou-se da prisão!
Vi dizer que o home é quente
E agora chegou pra gente
A Taba da Sarvação!!!
Mas nem demora de novo
Os povo torna a gritar
Um tá de “Direta Já”
E “Agora o Brasil Mudou”
“Já temo os Doutor
Nos destino da nação!
Vamo acabar com as greve
Que agora é Tancredo Neve
A Taba da Sarvação!”
O amor, quando é maduro e bem- gostado, é feito bambu de lagoa: pode envergar, mas não tomba.
Ouvi dizer que paixão
É um salto duplo e mortal
De um amor aventurado
Pulando em riba um do outro
Às cegas e embriagado.
Paixão blu-blu-amoreco
Paixão pom-pom vermelhado
Paixão bolinho-com-Fanta
Paixão xaxim-aguado
Paixão arranca-porteira
Paixão do quengo-virado
Paixão ninho-de-vexame
Paixão demônia, vulcânica
De brasa, de gamação
Contramãozinha-em-paixão
Paixão de baú guardado.
A nossa era pura e alva
Feito delírio de lírio
De fuloreio nevado:
Um letreirão luminoso
De branco sebo-lavado
Com graça, luz e perfume
Sem voragem de ciúme
Sem desfavor, sem pecado.
Mas num regaço de um dia
O marimbondo da cisma
Trouxe um ferrão venenado:
Brigamos de teimosia
E ouvi daquela Maria
Este toró macriado:
“Paixão é feito fumaça
Embaça o zói e sufoca
Quando da fé, ela passa!”
Ao ver suas nádegas gêmeas
Por capricho se afastar
Meu picadeiro da insônia
Tornou-se sala-de-estar.
Eu era casca de alpiste
Fora do cocho, assoprada
Imprestável pra semente
Pra bico da passarada
E ela, uma margarida
Dessas de plástico sem vida
De folha dura aramada.
De corpo manco, incompleto
Inflei meu orgulho reto
Pra disfarçar meu saci
Me aboletei na boleia
Duma marinete véia
Que transporta o Cariri.
Mas, no agá do vambora,
Sem nem saber pr`onde ir
Chegou em riba da hora
Com mil nasceres de aurora
Uma carta de peraí.
Do jeito que a vida vem eu me agrado. E me agrado mais ainda com as lembranças confeitadas do passado. Uma delas é aquele cheirinho da lancheira do meu tempo de criança.
Ah, se minh`aula retornasse
Pro giz da minha infância
Pro meu caderno encapado
E o meu nome escancarado:
EU, Primeiro Ano A.
Ah, Primeiro ano A!
A professora: “Bom-dia!!!”
A bolsa, a banca, a folia
A turma do dia-a-dia
A lei da Diretoria
A sineta, a correria
A hora de merendar…
Ah, se minh`aula retornasse
Pro meu recreio de infância:
Pro ritual da lancheira
Da merenda corriqueira:
O copo – irmão da garrafa
O bolo, o ponche, a toalha,
Goiaba, biscoito, pão…
Não há no mundo dos cheiros
Na mais antiga distância
Cheiro melhor que a fragrância
Dessa lancheira de infância.
Não há no reino das cores
Nos arco-íris, bandeiras
Nos frutos das romãzeiras
Amora, amor que avermelha,
Um rubro mais colorido
Que o tom da minha lancheira.
Enganam-se os poetas
Trovadores, seresteiros
Que celebram Chão de Estrelas
Versejando sem razão
Ao dizer, de vão em vão
“Que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão”.
É não!!!
A mais doce ventura desta vida
É a lancheira, os recreios e a lição.
“…no sería hora, de que
iniciáramos una amplia
campaña internacional por
los izquierdos humanos?”
Mario Benedetti
Poeta e escritor uruguaio
O cabôco pode ter todo defeito do mundo:
Ser assoprador de velas antes do parabéns
Aborteiro do amor
Cacundeiro de político
Pode ser desmancha-samba
Dizedor de palavrão.
Pode ter vício, desvio:
Ser tomador de cachaça
Putanheiro, maconheiro
Vivaldino, fanfarrão.
Ter tido uma desventura: Ser corno dum mulherão.
E também ser diferente: um domador de serpente
Mais pra lá do que pra cá, peneirinha, chibateiro.
Apoucado de tamanho:
Metade de Nelson Ned
Ou mesmo um caga-baixinho.
Mulher pode ser:
Megera, concordante, oferecida
Moita-crespa ao deus-dará
Ser tabaco-militar, das que só pega soldado.
O cabôco ser machista, moralista, de direita…
Não interessa:
Têm todo o esquerdo do mundo
De ser tratado dentro do vão dos direitos.
Pois o lado direito de quem olha
É o lado perfeito e benfazejo
Do esquerdo e sensível coração.
No interior, o carro de mudança de móveis é chamado de andorinha. Lá vai a andorinha!
O poema Caminhão de Mudança é o retrato puro e versejado de uma mudança partindo de seu torrão.
Vai pela estrada um caminhão repleto de mudança
Levando a herança de herdeiros de poucos herdados:
Os engradados de uma cama finalmente em pé
Arca e Noé prisioneiros desse estaqueado
Encaixotados os tecidos, mimos e quebráveis
E os incontáveis cacarecos soltos remexidos
Dois falecidos num retrato olham pra paisagem
Guardando imagens e lembranças dos seus tempos idos.
Um velho espelho já trincado mostra o azul do céu
E o mundaréu ensolarado se faz de carona
Uma meia-lona sobreposta com o melhor arrojo
Se faz de estojo pra relíquia da velha sanfona
Uma poltrona escancarada de pernas pra cima
Fazendo esgrima com cadeiras, bancas e tramelas
De sentinela dois pilões de bojo carcomido
E um retorcido pé de bucha de flor amarela.
Em dois colchões almofadados dorme a bicicleta
E duas setas de uma caixa mostram dois achados:
Um emoldurado de retrato com um Jesus sereno
E o último aceno de saudade de um cortinado.
Desbandeirado segue o carro rumo a seu destino
Um peregrino pitombado de grande esperança
Vai, na boleia, um passageiro carregando sonhos
Vai, na traseira, dez carradas de velhas lembranças.
Poema desenvolvido a partir duma visão poética repassada pelo cumpade David Sento-Sé.
De morreres de amores tu fingiste
Meu juízo pacífico alopraste
Meu castelo de sonhos tu ruíste
Meu chuvisco sereno trovoaste
Meus colchetes do peito tu abriste
E os passeios venosos, pressionaste
Se os meus doze por oito tu subiste
Minhas fibras cardíacas enfartaste.
O sofrer de minh`alma tu poliste
Contra teu próprio sangue guerreaste
Baionetas e adagas preferiste
Meu cachimbo da paz tu apagaste.
Nossos trilhos dormentes dividiste
Nossas camas sedosas encrespaste
Nossos vinhos e jantas consumiste
Teus caninos rangentes palitaste
Quietude e sossego sacudiste
No motim que tu mesma deflagraste
Uma estátua de ódio esculpiste
Na avenida, que, sem pudor, barraste.
A bandeira nordestina
É uma planta iluminada
É qualquer raiz plantada
Mostrando o caule maduro
E quando o sol varre o escuro
Com luz e sombra no chão
É quando germina o grão
É quando esbarra o machado
É quando o tronco hasteado
É sombra pra o polegar
É sombra pro fura-bolo
É sombra pro seu-vizinho
É sombra para o mindinho
É sombra prum passarinho
É sombra prum meninote
É sombra prum rapazote
É sombra prum cidadão
É sombra para um terreiro
É sombra pro povo inteiro
Do litoral ao sertão.
Essa bandeira que eu falo
Tem cores de poesia
Tem verde-folha-voada
Amarelo jaca-aberta…
Em tudo que é vegetal
Tem bandeira desfraldada
No duro da baraúna
No forte da aroeira
No panejar buliçoso
Das frondosas das bananeiras
Nas bandeirolas dos coentros
E na marca sertaneja:
O rijo e forte umbuzeiro.
Trupizupe oia tu num me assusta
Com a fama da tua valentia
Porque esta macheza é freguesia
E até nem me parece tão robusta
Uma boa palmada não me custa
Pois no fundo eu te acho delicado
Se tu és um valente escolado
Eu quebrei no cacete a tua escola
O teu mestre saiu de padiola
E teu supervisor invertebrado.
No jardim da infância eu fui valente
E o nome da escola era bufete
No primário estudei no canivete
No ginásio no bote de serpente
Como eu era um aluno inteligente
Logo cedo já tinha me formado
Lampião tinha sido reprovado
Por froxura e por falta de frieza
Hoje, pós-graduado em malvadeza,
Vendo pena de morte no mercado.
Eu sou topada de unha encravada
Sou gilete no mei do tobogã
Sou o flagra da foda no divã
Sou feiúra dum talho de inchada
Sou um choque no furo da tomada
Sou ferrugem na agulha de injeção
Sou judeu se vingando de alemão
Cata-vento voando num comício
Sou a falta de droga num hospício
Queimadura de larva de vulcão.
Sou rolo compressor desgovernado
Libanês dirigindo um carro-bomba
Sou uns 300 quilos de maromba
Despencando do braço levantado
Sou carrasco esperando um condenado
Sou a queda fatal da guilhotina
Metralhada cruel de uma chacina
Marretada no dedo polegar
Eu sou o fósforo acesso pra fumar
Que explodiu o tambor de gasolina.
A bandeira nordestina
É uma planta iluminada
É qualquer raiz plantada
Mostrando o caule maduro
E quando o sol varre o escuro
Com luz e sombra no chão
É quando germina o grão
É quando esbarra o machado
É quando o tronco hasteado
É sombra pro polegar
É sombra pro fura-bolo
É sobra pro seu vizinho
É sombra para o mindinho
É sombra prum passarinho
É sombra prum meninote
É sombra prum rapazote
É sombra prum cidadão
É sombra para um terreiro
É sombra pro povo inteiro
Do litoral ao sertão
Essa bandeira que eu falo
Tem cores de poesia
Tem verde-folha-avoada
Amarelo-jaca-aberta
Em tudo que é vegetal
Tem bandeira desfraldada
No duro da baraúna
No forte da aroeira
No bandejar buliçoso
Das folhas das bananeiras
Das bandeirolas dos coentros
E na marca sertaneja:
Oh morena, oh moreninha
Deixa de morenação
Larga dessas invenção
De nós dois sozim ficar
Mode evitar confusão
Larga dessas invenção
Pense da zabumbação
E se teu pai desconfiar?
E vai que tu pega enxaqueca
E vai que eu sou bom de curar
E vai que tu arrisca um verbo
E vai que eu saiba verbiar
Vai que eu vire flecha doida
E vai que tu quer se flechar
Vai que tu seja espoleta
E vai que eu seja um malagueta
Feito goela de dragão
E vai que tu vem toda bela
De laço e fita amarela
Vai que tu se passarela
Vai que eu seja o rés do chão
Vai que tu arriba a saia
Vai que eu veja o essenciá
Vai que tu pede embreagem
Vai que eu saiba debrear
Vai que tu venta pro norte
Vai que sou todim jangada
Vai que eu seja um taboleiro
E vai que eu seja cocada
Vai que tu se enrouxinó-las
Vai que eu seja passarinho
Vai que eu saia da gaiola
Vai que amostre o ninho
E vai que tu sois moça anja
Vai que eu seja um pecador
Vai que tu sois gozo eterno
Vai que eu sou rojão do amor
Vai que teu ?ui ui, meu bem?
Acorde o véi roncador
Vai que esse véi grite brabo
Com o revolver no meu rabo:
Uma faixa do disco anexo ao volume de Berro Novo, livro que será lançado hoje, dia 1° de outubro, no Bar Seu Cafofa, Recife, às 19 horas, numa promoção da Academia Passa Disco de Música Nordestina.
…E eu que fui enjeitada
Só porque era furada.
Me botaram um pau na boca,
Sabão grudaram no furo,
Me obrigaram a levar água
Muitas vezes pendurada,
Muitas vezes num jumento.
Era aquele sofrimento,
As juntas enferrujadas.
Fiquei com o fundo comido.
Quando pensei que tivesse
Minha batalha cumprido,
Um remendo me fizeram:
Tome madeira no fundo
E tome água e leva água,
E tome água e leva água.
Daí nasceu minha mágoa:
O pau da boca caía,
Os beiços não resistiam.
Me fizeram um troca-troca:
Lá vem o fundo pra boca,
Lá vai o pau para o fundo.
Que trocado mais sem graça
Na frente de todo mundo.
E tome água e leva água
E tome água e leva água.
Já quase toda enfadada,
Provei lavagem de porco,
Ai mexeram de novo:
Botaram o pau na beirada.
E assim desconchavada,
Medi areia e cimento,
Carreguei muito concreto
Molhado duro e friento,
Sofri de peitos abertos,
Levei baque dei peitada.
Me amassaram as beiradas,
Cortaram minhas entranhas.
Lá fui eu assar castanha,
Fui por fim escancarada.
Servi de cocho de porco
Servi também de latada.
Se a coisa não complica,
Talvez eu seja uma bica
Pela próxima invernada.
E inverno é chuva, é água,
E eu encherei outras latas
Cumprindo minha jornada.
No tronco do ser humano,
Nos “finar” mais derradeiro
Tem uma rosquinha enfezada
Que quando tá inflamada
Incomoda o corpo inteiro
Se tossir, se faz presente
E se chorar se faz também
O “cabra” não pode nada
Com nada se entretém
Eu lhe digo, meu “cumpade”
Não desejo essa “mardade”
pra rosca de seu ninguém
Não sei o nome da cuja
Desta cuja eu tiro o ja
O que resta é quase nada
Bote o nada na parada
Quero ver tu agüentar
Eu lhe digo meu “cumpade”
Que é grande humilhação
Um cabra do meu quilate,
Adoecido das parte,
Fazer uma operação
Não suportando mais dor,
O meu ato derradeiro
Foi procurar um doutor
Do bocado arengueiro
Do bocado arengueiro,
Feijoeiro, fiofó, bufante,
Frescó, lorto, apito,
Brote e bozó.
De furico, fedegoso,
Piscante, pelado, boga,
Fosquete, frinfra, sedém
Zueiro, ficha, vintém,
De ás de copa e de foba.
De oiti, “oi” de porco,
“ané” de couro e cagueiro,
De girassol, goiaba,
Roseta, rosa,
Rabada, boto, zero,
“miaieiro”, de nó dos fundo,
Buzeco, de sonoro e pregueado,
Rabichol, furo, argola,
“ané” de ouro e de sola,
Boca de “veia” e zangado
A triste seca já voltou
E a asa-branca agourou e já bateu a asa
Plantação defunta no oitão de casa
O chão em brasa
A triste seca já voltou
Ô arco-íris, sopre um vento colorido
Que o verde do teu vestido se espalhe na plantação,
Que o amarelo seja puro e adocicado,
E que a brancura seja a cor da floração,
E que o vermelho sejam flores parecidas
Com os beicinhos das luzidas, “caboquinhas” do sertão
Que não se veja um sertanejo se ajoelhando
Pedindo chuva perante Cristo sonolentos
Que não se veja um solo rachado e sedento
Que sem sustento, às vezes se ajoelhando
Que não se veja baraúna jejuando,
Chorando folha numa paisagem cinzenta
Que não se veja fila de latas sedentas,
Salário d’água matando a sede matando
Ô arco-íris, sopre um vento colorido
Que a fita do teu vestido faça uma festa de cor
Eu quero ver resina de catingueira
Ser o chiclete na boca do meu amor
E que a sanfona toque um xote na colheita
Pra dança das borboletas enfeitadeiras de flor
(Quem vive pelo sertão já vive sertanejado
Pois a chuva não choveja, nem troveja no cerrado
E o sertanejo valente guarda sempre uma semente
Pro inverno abençoado)
Oh! cumeeira de aroeira dessa casa-grande
Veja e nos mande uma visão dessa velha morada
Sendo a parada retilínea do telhado em quedas
Não te arredas dessa empena tão estruturada
Sois a chegada de telheiro, ripa e caibaria
Hospedaria de pavões, corujas e pardais
Nos teus anais e cabedais de vida em cumeeira
Diz aroeira - dessa casa - o que enxergas mais?
- Pelas janela e portais lá da sala da frente
Vejo contentes e voantes espreguiçadeiras
Relaxadeiras de alpendre junto à rede armada
Lonas listradas, cores-vivas, vidas de cadeira
As choradeiras de avencas pendem dos frechais
E os fuás das trepadeiras jasmineiras voam
Blusas magoam com bateres as saias das portas
E vejo as hortas de verduras que nos afeiçoam.
Esta é a visão daqui de cima que meu olho expande
Eu, cumeeira de aroeira desta casa-grande.
Vejo o cimento avermelhado do piso da sala
E nesta sala quatro portas e quatro janelas
Cor amarela combinado com retrato antigo
E pouco artigo de mobília se avista nela
Uma janela abre as asas por cima dum cofre
Atrás do cofre inclinado: rifle e mosquetão
Um birozão de escritório, uma banca de rádio
E junto ao rádio uma cadeira balança no chão.
Esta é a visão daqui de cima que meu olho expande
Eu, cumeeira de aroeira desta casa grande.
POLITICAGEM - TIRE SEU POLÍTICO DO CAMINHO - DE DOMINGO AGORA A OITO
A tal da politicagem?
É o acento circunflexo da palavrinha cocô
É feito brigar com um gambá
Pois mesmo o cabra ganhando
Sai arranhado e fedendo
É dirigir dando ré
O cabra tem três espelhos
E ainda olha pra trás
E pode prestar atenção:
Na boca do candidato é o mesmo Mané Luis
Trabalho, honestidade
Trabalho, honestidade
Por quê?
Porque o povo gosta de mentira!
Seu Manezinho Boleiro
Suplente de merda viva
Foi dar uma de sincero
Dizendo o que pretendia
Trabalhar de terça à quinta
E roubar só o normal
Teve uma queda de votação tão pra baixo
Que até hoje ainda é suplente
Taí, fila da puta!
Eu quero trocar meu nome
Prum nome mais verdadeiro
Pois, Nuca de Zé Bedêu
Não tem sustança nem cheiro
Quero um nome de Doutor
Graúdo, respeitador:
Astragildo de Medêro.
Astragildo de Medêro
Ô nomezim arretado!
Com ele bem adubado
Eu era um filosofeiro
E dia em toda altura:
-O raso não tem fundura
No planeta brasileiro!
O raso não tem fundura
Ia pro Repórter Esso
Ia ser grande sucesso
A minha filosofura
Os doutor na altura
Espalhava o boateiro
E dizia: - Meu cumpade
O dono dessa verdade
É Astragildo de Medêro.
Já um nome apeiticado
Já um nomezim reimoso
Já não é considerado
Já não pode ser famoso.
O raso não tem fundura!
Com bravura digo eu
Os doutor logo adverte:
- Pelo que se asucedeu
A má palavra se herda
Pois quem falou essa merda
Foi Nuca de Zé Bedêu.
O cabra era carrapato por uma cervejinha. Chega de bode amarrado no doutor e ouve a sentença:
- O senhor vai ter que parar de beber cerveja. Veja bem: durante um ano, o senhor só vai beber leite.
- Puta-merda doutor, outra vez??????
- O quê?!… O senhor já fez esse tratamento?
- Já doutor. Durante os dois primeiros anos da minha vida…
* * *
Bandeira Nordestina
A bandeira nordestina
É uma planta iluminada
É qualquer raiz plantada
Mostrando o caule maduro
E quando o sol varre o escuro
Com luz e sombra no chão
É quando germina o grão
É quando esbarra o machado
É quando o tronco hasteado
É sombra pro polegar
É sombra pro fura-bolo
É sobra pro seu vizinho
É sombra para o mindinho
É sombra prum passarinho
É sombra prum meninote
É sombra prum rapazote
É sombra prum cidadão
É sombra para um terreiro
É sombra pro povo inteiro
Do litoral ao sertão
Essa bandeira que eu falo
Tem cores de poesia
Tem verde-folha-avoada
Amarelo-jaca-aberta
Em tudo que é vegetal
Tem bandeira desfraldada
No duro da baraúna
No forte da aroeira
No bandejar buliçoso
Das folhas das bananeiras
Das bandeirolas dos coentros
E na marca sertaneja:
Uma mulher, do alto de seus bem conservados quarenta e tantos anos, foi um dia ao seu ginecologista com uma reclamação:
Doutor, meu marido, depois de quase vinte anos de casamento, perdeu o interesse por mim e não me procura mais. O que eu faço?
- Está vendo este frasco? É um remédio experimental, muito mais concentrado que o Viagra, e que, por vir na forma líquida, é mais prático para ser administrado sem o conhecimento da pessoa. Agora faça o seguinte: pingue apenas uma gota no jantar de seu marido, e você já verá resultados em breve. Mas é importante, apenas uma gota!!! Volte daqui a duas semanas para me informar os resultados.
A mulher foi toda esperançosa para sua casa, e naquela noite mesmo colocou uma gotinha no prato de seu marido.
Milagre!!
Aquela noite ele a procurou e fizeram amor como não faziam desde o começo do casamento!!!
Na segunda noite, excitada demais para se conter, resolveu experimentar duas gotinhas… E foi recompensada com a melhor noite de sua vida toda!!!!
Na terceira noite, ainda de pernas bambas, virou o conteúdo todo do frasco na comida …
Quinze dias depois, como não tinha ainda notícias de sua paciente, o médico resolveu ligar para sua casa. Quem atendeu foi o filhinho dela de 4 aninhos:
- Bom dia garoto, sou o médico de sua mamãe, estou ligando para saber se tudo esta bem aí na sua casa.
- A mamãe morreu com um sorriso estranho, minha irmã fugiu, a empregada está grávida, eu estou morando escondido no armário, e o Papai está lá no quintal gritando: ‘Vem Totó, vem!’
O cabôco voltava de São Paulo e haja o povo a perguntar:
- E então cumpade, como deixou o sul? A política lá tá quente?
- Ahh rapaz, o negócio lá tá quente e fervendo! Deu uma greve de santo lá e a coisa tá feia! São Paulo se revoltou contra Santa Catarina que pra terminar a confusão, foi preciso a intervenção do Espírito Santo…
* * *
UMA PAIXÃO PRA SANTINHA Jessier Quirino
Xanduca de Mané Gago
Tinha querença mais eu
Me vestia de abraço
Bucanhava os beiço meu
Era aquele tirinete
Parecia dois colchete
Eu in nela e ela in nêu.
No apolegar das tetas
Nos chamego penerado
Nas misturação das perna
Nos cafuné do molengado
Nos beijo mastigadinho
Nos açoite de carinho
Nós era bem escolado.
Era aquele tudo um pouco
Era aquela amoridade
Mas faltava na verdade
Sensação de friviôco
Um querer, uma pujança
Daquela que dá sustança
Na homencia do cabôco.
No dia qu’eu vi Santinha
Sobrinha do sacristão
O bangalô do meu peito
Se enfeitou feito um pavão
Foi quando esqueci Xanduca
Sem mágoa sem discussão
Pois vimos que nós só tinha
Uma paixãozinha mixa
Uma jogada de ficha
Uma piola de paixão.
Santinha é a indivídua
Que misturou meu pensar
Que me deixou friviando
Sem nem sequer me olhar
Matutinha aprincesada
Mulher de voz aflautada
Olhosa de se olhar
Fulô de beleza fina
É a tipa da menina
Que se deseja encontrar.
Mas Santinha é quase santa
Nem percebe o meu amor
Não tem na boca um pecado
Tem o beicinho encarnado
Pintado a lápis de cor
Só tem olhos pra bondade
Mas não faz a caridade
De enxergar um pecador.
Ah! se eu fosse um monsenhor
Um padre, um frei, um vigário
Eu achucalhava os sino
De riba do campanário
Eu abria o novenário
Eu enfeitava um andor
Botava ela impezinha
Feito uma santa rainha
Padroeira dos amor.
Arranjava um pedestal
Um altar um relicário
Chamava todas carola
Chamava todo igrejário
E dizia em toda altura
Com voz de missionário: Oh! minha santa Santinha!
Tire este manto celeste
Saia deste relicário
Olhe pra mim e garanta
Que vai deixar de ser santa
Qu’eu deixo de ser vigário!
Uma caboca faceira
Esqueletou meu juizo
Pousou sem nenhum aviso
No corpo nu da paixão.
Uma fofinha malvada
Uma fofura morena
Uma almofada de pena
De sobre-cu de pavão.
Meu tangedor de viver
Ganhou um trote seguro
Escutando com apuro
A fala dessa mulher
Nem escura nem acesa
Água quebrada a frieza
Na fonte do bem-me-quer.
Contorniei as fronteiras
Do corpo da caboquinha
Que nem a fada madrinha
Com varinha de condão
Que mesmo dizendo NÃO
Só parecia que sim
Pois NÃO de amor é assim
Se engana com o coração.
Porque o NÃO do amor
Tem sentido diferente
Um NÃO bem forte diz: NÃO!
Depois um NÃO displicente
Traz dez NÃOZINHOS manhosos
Pra bem juntinho da gente.
Eu quero trocar meu nome
Prum nome mais verdadeiro
Pois, Nuca de Zé Bedêu
Não tem sustança nem cheiro
Quero um nome de Doutor
Graúdo, respeitador:
Astragildo de Medêro.
Astragildo de Medêro
Ô nomezim arretado!
Com ele bem adubado
Eu era um filosofeiro
E dia em toda altura:
-O raso não tem fundura
No planeta brasileiro!
O raso não tem fundura
Ia pro Repórter Esso
Ia ser grande sucesso
A minha filosofura
Os doutor na altura
Espalhava o boateiro
E dizia: - Meu cumpade
O dono dessa verdade
É Astragildo de Medêro.
Já um nome apeiticado
Já um nomezim reimoso
Já não é considerado
Já não pode ser famoso.
O raso não tem fundura!
Com bravura digo eu
Os doutor logo adverte:
- Pelo que se asucedeu
A má palavra se herda
Pois quem falou essa merda
Foi Nuca de Zé Bedêu.
Em Mossoró, depois da passagem frustrada de Lampião, que enfrentou tropas do exército nacional, um soldado saiu como herói, porque escapou ferido de garra com seu fuzil.
Aparece uma onça e começa a comer os bezerros da região. O prefeito foi ao soldado, já recuperado e diz:
- Bom dia Soldado, precisamos de sua ajuda urgente. A onça, que todos já sabem, está fazendo muito estrago nas criações e só um fuzil para matar e liquidar a questão.
- Pois não, Seu Prefeito. Essa onça morre já-já, agorinhazinha!
- Ótimo, porque ela já matou dois caçadores.
- Comequié????? A bicha já comeu dois home????
- Sim senhor. Matou dois que tentaram derrubá-la de espingarda. Agora só um fuzil, certeiro e potente e…
O soldado ficou pensando… assuntou, assuntou e disse:
- Bom Seu Prefeito, só tem um problema: Como o senhor sabe, eu sou do exército brasileiro, portanto sou Federá. Preciso saber se essa onça é Federá ou Estaduá, pra não haver conflito entre os dois governos, né não?
O cabra era carrapato por uma cervejinha. Chega de bode amarrado no doutor e ouve a sentença:
- O senhor vai ter que parar de beber cerveja. Veja bem: durante um ano, o senhor só vai beber leite.
- Puta-merda doutor, outra vez??????
- O quê?!… O senhor já fez esse tratamento?
- Já doutor. Durante os dois primeiros anos da minha vida…
* * *
Bandeira Nordestina
A bandeira nordestina
É uma planta iluminada
É qualquer raiz plantada
Mostrando o caule maduro
E quando o sol varre o escuro
Com luz e sombra no chão
É quando germina o grão
É quando esbarra o machado
É quando o tronco hasteado
É sombra pro polegar
É sombra pro fura-bolo
É sobra pro seu vizinho
É sombra para o mindinho
É sombra prum passarinho
É sombra prum meninote
É sombra prum rapazote
É sombra prum cidadão
É sombra para um terreiro
É sombra pro povo inteiro
Do litoral ao sertão
Essa bandeira que eu falo
Tem cores de poesia
Tem verde-folha-avoada
Amarelo-jaca-aberta
Em tudo que é vegetal
Tem bandeira desfraldada
No duro da baraúna
No forte da aroeira
No bandejar buliçoso
Das folhas das bananeiras
Das bandeirolas dos coentros
E na marca sertaneja:
Agora, agorinhazinha, de guidom bem segurado e ciclista magricela, passou aqui em frente de casa, em Itabaiana, uma bicicleta-de-som, dessas de vender disco-pirata, propagandando a promoção de Fim de Ano da Funerária Rosa Master.
Acredita???
Promoção: Uma moto zero quilômetro que será sorteada em Dezembro.
Levando-se em conta que, os motos-taxista são quem mais comem mulher casada na região – sujeito a um tei-bei no zuvido e que, defuntamento de indivíduo por se lascança de moto no asfalto é o termômetro de morte mais agirafado da cidade, a promoção é justa, legítima e camumbembada.
Pra asseverar a conversa, pedi ao meu assistente, que desse um pulinho lá e ele conferiu: a moto está ao lado do birô de atendimento, cheia de bolas brancas de aniversário e caixão em posição de sentido por todo lado. Se for mentira eu estopre!!
PS. Melhor do que isto, só o nome de uma funerária lá de Itamaracá: TOU DE OLHO EM VOCÊ!
Joãozinho vê sua mãe nuinha, sem roupa e sem toalha, pela primeira vez, e fica intrigado com os pêlos do entre-pernas e vai logo perguntando:
- Oh Mãe, que é isso que você tem aí no meio?
- Isso aqui meu filho é… Ahh, meu filho… isso é uma coisa que seu pai gosta muito! Respondeu a mãe, morrendo de vergonha.
Uns dias depois, na hora do jantar, o pai de Joãozinho pergunta para a esposa:
- Querida, o que é que vai ter pra jantar hoje?
- Ah meu amor, uma coisa que você gosta muuuuuito!
E o Joãozinho:
- Eita mãe! Vai ser com cabelo e tudo?
* * *
ZÉ QUALQUER E CHICA BOA Jessier Quirino
Empurra a cancela Zé
Abre o curral da verdade
Pra mostrar pra mocidade
Como é que vive um Zé
Sem um conforto sequer
Com sua latas furadas
E a cacimba tão distante
Um Zé arame farpante
Feito de gente e de fé.
O Zé que se aprisiona
Aos cacos velhos da enxada
Que nasce herdeiro do nada
E qualquer lado é seu caminho
Medalhas, são seus espinhos
Quedas de bois são batalhas
Seus braços, duas cangalhas
De taipa e barro é seu ninho.
O matuto, véio-madurão da casca grossa, casou-se com uma matutinha bem mais nova que ele. No primeiro parto da mulher, nasceram três bruguelinhos, desses de dar gosto de olhar.
O Doutor trouxe as crianças, uma a uma, e colocou dentro dum cesto grande, forrado de branco e sapecou a pergunta:
- O senhor é o marido dessa senhora que teve três crianças?
-Sô sinhô!
- Mas que velhinho danado é o senhor! Fazendo três filhos de uma só vez?!
- Ah Doutor, e é porque a cama lá na hora, pufo!!! se quebrou… Se não tivesse se quebrado a gente tinha enchido esse balaio!
* * *
NÃO HÁ HOMEM QUE RESISTA
AS PATAVINAS DO AMOR Jessier Quirino
…Morreu de vida sem vinda
De choro sem destravor
De amargura inquilina
Da dor sofrida e ardor
Sua vida ficou manca
Perdeu toda carta branca
Em cartas de toda cor.
Galado, baixou a crista…
…Não há homem que resista
As patavinas do amor.
Durante a exibição de um filme pornô, a garota não se conteve: deu de garra dos possuídos do namorado e tome sexo oral. O namorado, de chapéu na cabeça, assistiu ao filme todinho de goso-segurado.
Terminada a sessão, as luzes foram acesas, e ele rapidamente colocou o chapéu no colo, enquanto ela, meio sem graça, abaixou a cabeça fingindo procurar alguma coisa, dizendo:
- …cadê, cadê?
Uma velhinha, que tinha presenciado toda a cena, respondeu:
- Ahh minha fia, se você não engoliu, deve tá durinha do mesmo jeito, debaixo do chapéu!
Com a redemocratização do país, em 1945, um democrata graúdo do Rio de Janeiro veio ao Nordeste fundar o Partido Socialista Brasileiro. Em João Pessoa, procurou Luiz de Oliveira, tribuno do povo e carrapato de lutas políticas na épca.
–Luiz, o socialismo é como aqueles gramados dos castelos da Inglaterra. Cada geração dá um pouco de si. O jardineiro planta, o filho cuida, o neto poda. E vai assim, de geração em geração e um século depois, torna-se o que é.
– Seu Doutor, o senhor me desculpe mas eu não vou entrar não. Eu Inté tenho muito gosto pelo socialismo, mas isso vai demorar muito home de Deus! Eu quero mesmo é o poder. O poder é feito água. A gente tem que beber na hora.
Uma mulher, do alto de seus bem conservados quarenta e tantos anos, foi um dia ao seu ginecologista com uma reclamação:
Doutor, meu marido, depois de quase vinte anos de casamento, perdeu o interesse por mim e não me procura mais. O que eu faço?
- Está vendo este frasco? É um remédio experimental, muito mais concentrado que o Viagra, e que, por vir na forma líquida, é mais prático para ser administrado sem o conhecimento da pessoa. Agora faça o seguinte: pingue apenas uma gota no jantar de seu marido, e você já verá resultados em breve. Mas é importante, apenas uma gota!!! Volte daqui a duas semanas para me informar os resultados.
A mulher foi toda esperançosa para sua casa, e naquela noite mesmo colocou uma gotinha no prato de seu marido.
Milagre!!
Aquela noite ele a procurou e fizeram amor como não faziam desde o começo do casamento!!!
Na segunda noite, excitada demais para se conter, resolveu experimentar duas gotinhas… E foi recompensada com a melhor noite de sua vida toda!!!!
Na terceira noite, ainda de pernas bambas, virou o conteúdo todo do frasco na comida …
Quinze dias depois, como não tinha ainda notícias de sua paciente, o médico resolveu ligar para sua casa. Quem atendeu foi o filhinho dela de 4 aninhos:
- Bom dia garoto, sou o médico de sua mamãe, estou ligando para saber se tudo esta bem aí na sua casa.
- A mamãe morreu com um sorriso estranho, minha irmã fugiu, a empregada está grávida, eu estou morando escondido no armário, e o Papai está lá no quintal gritando: ‘Vem Totó, vem!’
Matuto no mêi da pista
menino chorando nu
rolo de fumo e beiju
colchão de palha listrado
um par de bêbo agarrado
preto véio rezador
jumento jipe e trator
lençol voando estendido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.
Três moleque fedorento
morcegando um caminhão
chapéu de couro e gibão
bodega com surtimento
poeira no pé de vento
tabulêro de cocada
banguela dando risada
das prosa do cantador
buchuda sentindo dor
com o filho quase parido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.
Bêbo lascando a canela
escorregando na fruta
num batente, uma matuta
areando uma panela
cachorro numa cadela
se livrando das pedrada
ciscador corda e enxada
na mão do agricultor
no jardim, um beija-flor
num pé de planta florido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.
Mastruz e erva-cidreira
debaixo dum jatobá
menino querendo olhar
as calça da lavadeira
um chiado de porteira
um fole de oito baixo
pitomba boa no cacho
um canário cantador
caminhão de eleitor
com os voto tudo vendido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.
Um motorista cangueiro
um jipe chêi de batata
um balai de alpercata
porca gorda no chiqueiro
um camelô trambiqueiro
avelós e lagartixa
bode véio de barbicha
bisaco de caçador
um vaqueiro aboiador
bodegueiro adormecido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.
Meninas na cirandinha
um pula corda e um toca
varredeira na fofoca
uma saca de farinha
cacarejo de galinha
novena no mês de maio
vira-lata e papagaio
carroça de amolador
fachada de toda cor
um bruguelim desnutrido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.
Uma jumenta viçando
jumento correndo atrás
um candeeiro de gás
véi na cadeira bufando
radio de pilha tocando
um choriço, um manguzá
um galho de trapiá
carregado de fulô
fogareiro abanador
um matador destemido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.
Um soldador de panela
debaixo da gameleira
sovaqueira, balinheira
uma maleta amarela
rapariga na janela
casa de taipa e latada
nuvilha dando mijada
na calçada do doutor
toalha no aquarador
um terreiro bem varrido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.
Um forró de pé de serra
fogueira milho e balão
um tum-tum-tum de pilão
um cabritinho que berra
uma manteiga da terra
zoada no mêi da feira
facada na gafieira
matuto respeitador
padre, prefeito e doutor
os home mais entendido
isso é cagado e cuspido
paisagem de interior.
Mas como é que pode, dois caba tá vivo
Forgoso, gaboso, da vida se rir
Os coro da testa sem nunca franzir
Disposto na luta, lutando contente
Sem mesmo tá canso de ser um vivente,
Um corre pro sul mode podregir
O outro pogrede mesmo por aqui
A morte carrega os dois indivíduo
Dá uma descurpa: morreu por ter ido
O outro, coitado, morreu de não ir.
Cumpade Coitim bateu a biela
Sem frei nas estrada, em riba dum fó
Pedim defuntou-se no mei dum forró
Honório pifou com a mão na bainha
Quem enviuvou Gorete e Ritinha
Foi João Cascavé e Bento Cotó
Bié de Zé Tôta fechou o paletó
Mudou-se pro céu cumpade Biliu
Cumpade Zé Danta ninguém nunca viu
Mas dizem que foi-se daqui pra mió.
Quem bateu as bota foi Zé Bacamarte,
Findou-se de vez cumpade Zulu,
Quem empacotou-se com tanta pitu
Foi Pinga, Meloso, Meota e Topada
Ginura já tava na última morada
Quando pediu baixa o vaqueiro Zebu
Foi pro beleléu nas bandas do sul
Veúca, Moreno, Ponez e Zezim
Mimosa se foi que nem passarim
Baixou sete palmos, Luiz do Exu.
Deu uma roleta lá no mei da feira
Juntou-se um bocado com seu criador
Deu adeus ao mundo Mané Vendedor
Foi chegada a hora de Biu das Jumenta
Foi pro rol dos bom, cumpade Pimenta
Biu Pêdo Firmino por fim descansou
Disseram que Nino também botoou
Sargento já foi promovido a defunto
Tiraram Cirila de lá de pé junto.
Xanduca de Mané Gago
Tinha querença mais eu
Me vestia de abraço
Bucanhava os beiço meu
Era aquele tirinete
Parecia dois colchete
Eu in nela e ela in nêu.
No apolegar das tetas
Nos chamego penerado
Nas misturação das perna
Nos cafuné do molengado
Nos beijo mastigadinho
Nos açoite de carinho
Nós era bem escolado.
Era aquele tudo um pouco
Era aquela amoridade
Mas faltava na verdade
Sensação de friviôco
Um querer, uma pujança
Daquela que dá sustança
Na homencia do cabôco.
No dia que`u vi Santinha
Sobrinha do sacristão
O bangalô do meu peito
Se enfeitou feito um pavão
Foi quando esqueci Xanduca
Sem mágoa sem discussão
Pois vimos que nós só tinha
Uma paixãozinha mixa
Uma jogada de ficha
Uma piola de paixão.
A riqueza do pastor
Não tem John Lennon que imagine
Não tem Janete que clere
Nem Roberto que Marine
Nem Santo que se aprochegue
Não tem dinheiro que chegue
Pros ternos de gabardine.
Tá pastorando o vigário
A vigarice do pastor
Nos tempos de sofridão
Os templos cobram um horror
É igreja nova adoidado
Vendendo a vista e fiado
Milagre paz e amor.
Vejo gente soluçando
De tanta abandonação
Trabalho para o soluço
Seria uma solução
Na roubalheira maleva
O baque que a queda leva
Leva a alma do cristão.
Eu peço para os senhores
Um pouco de atenção
Não queiram ver suas vidas
Pregadas na pregação
A pastozada bacana
Que vive de pomba gira
Não passa de uma mentira
Altamente americana.