O Brasil precisa mesmo do TSE?
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Bom dia prezados leitores do nosso jornal !!!
Prestem atenção:
Se você fez cinco dessas coisas, você está ficando velho:
1) Empurrar um fusca
2) Usar talão de cheques
3) Alugar filmes na locadora
4) Ir na Lan House
5) Usar orelhão
6) Usar bombril na antena de TV
7) Gravar música na fita K7
8) Usar pochete
9) Tomar Biotônico Fontoura
10) Comprar jornal na banca
O gigante precisa acordar.
Deitado eternamente em berço esplêndido… 🇧🇷 pic.twitter.com/MBGWsNsFIg
— Fotos de Fatos (@FotosDeFatos) September 26, 2026
AS CLARIDADES DE FORA E DE DENTRO
Já que a claridade conversa bem com a minha história, escolhi estas “palavrinhas” para lhe fazer um afago. Qualquer adulto, do campo ou do asfalto, saberá dizer o que é claridade.
Durante os meus primeiros doze anos, meus olhos foram iluminados por diversas claridades: o sol, a lua, o candeeiro, o fogão a lenha, as queimadas… Apesar de tanta luz, faltava-me aquela claridade capaz de ensinar meus olhos a decifrar o mundo. É que a luz que ilumina os olhos não é a mesma que os ensina a compreender aquilo que ela mostra.
Para suprir essa deficiência, parti em busca de uma escola, não para que derramasse mais luz sobre mim, mas para que preparasse meus olhos para a leitura de tudo o que o mundo revelava. Entrei então no ambiente escolar sob a luz alheia, isto é, emprestada; saí carregando esse mesmo clarão dentro de mim. A bem dizer, deixei de ser iluminado apenas por fora para me tornar luz própria. A claridade que antes existia apenas do lado de fora passou a existir também do lado de dentro.
Afinal, há saberes que a natureza oferece sem professores, enquanto outros precisam ser aprendidos. A criança começa a mamar; as abelhas, a fazer mel. Nenhuma delas precisou frequentar uma escola para aprender aquilo que a natureza lhes ensinou. Mas há conhecimentos que não nascem conosco e precisam de alguém que nos ajude a enxergá-los e decifrá-los. Por isso, não basta derramar luz sobre as pessoas; é preciso prepará-las para enxergar e decifrar o que a luz põe diante delas.
Na tristeza da saudade a gente se lembra dos tempos vividos que não refletiam a verdade do poderia ser hoje, após o infortúnio da ida sem volta.
É que nesta vida não sabemos de nada e quando passamos a saber, o saber também não vale mais nada, pois a vida era tudo e agora já não é nada.
Uma vida que não é nada já não é uma vida, mas uma vida morta, que só respira por que ainda há vida num corpo que já não vale nada.
O que fazer numa situação assim, onde quase nada tem sentido?
Não dá para saber, não se sabe o que dizer e não se sabe o que fazer.
Voltar no tempo é impossível, chorar não vai curar nada, pensar não vai levar a lugar nenhum.
Viver assim não é viver, em tudo que se faz vem o sofrer, às vezes em choro, às vezes em saudade e sempre com a impossível vontade de voltar no tempo.
Tempo que agora também não vale nada, onde se passa a maior parte do tempo sem querer nada fazer.
Quem sabe se pudesse acelerar no tempo talvez para viver outros tempos em outros momentos onde talvez alguém também se lembrasse de você, como agora a gente se lembra de alguém que esteve aqui e que aqui não mais está.
O tempo passa rápido quando queremos que passe devagar e devagar quando queremos que ele passe rápido, mas quando passa não tem mais volta.
E se voltasse, como seria.
Sei lá, talvez fosse uma babaquice, uma vida maluca, meio desnorteada, meio desconectada da realidade da vida louca que todos nós vivemos.
Isto só explica que não sabemos nada da vida e nem mesmo sabemos o que é a vida .
Casa-cadáver
É uma casa que respira. Desde a minha infância, ela está diante do garoto que parece indeciso para entrar em seu quintal. Há árvores frutíferas intactas. Os pássaros e os morcegos a desprezam. Nenhum garoto sobe em seus galhos para recolhê-las, apesar de toda a disponibilidade. Sempre estou diante dela, arfante, sincronizando a nossa respiração, recusando os frutos, atraído pelo odor leve e familiar. Às vezes, tenho a impressão de ver em uma das janelas alguém com quem convivi. Se estou acompanhado, peço ao companheiro que verifique, sem resultado. Ele não vê o imóvel, nem a janela, nem a paisagem em que tudo está reunido, achando que a minha imaginação é responsável pelas visões.
Tenho cinquenta anos, mudei de bairro muitas vezes e, sempre que ponho os pés na rua, a casa está lá. Aumentada, com mais cômodos, novas portas e janelas. Como se estivesse recebendo novos moradores ao longo do tempo, projetando em sua arquitetura eclética os gostos que, em vez de a tornarem bizarra, lhe conferem uma beleza pitoresca. O cheiro mudou. Os materiais também. É perceptível a diferença de texturas sem contradição. No quintal, há um pequeno cão, agora. Dependendo de nossa proximidade do muro, ele parece maior ou menor, feroz ou inofensivo. As árvores estão cuidadas. Alguém colheu seus frutos. Porém, tinha um aspecto mais assustador que na primeira vez em que as vi. E há uma bolha na nova pintura, parecendo um olho que se move por ela quase sem parar.
No nosso último encontro, não resisti e entrei. A ordem do local não importa. Logo estava diante da porta. A bolha parou acima do batente. Era um olho. E havia roupas nas paredes. Colaram, sem método, vários trajes nas paredes, como numa instalação. Descobri um vestido entre as peças e o olho correu até lá, adquiriu aspecto feminino e uma pequena voz cortou o ar como um silvo agudo, começando uma conversa agradável. Procurei uma fresta ou alguém escondido em uma travessura, mas não encontrei ninguém. Deslizei as mãos novamente e parei em um macacão de jardineiro. Em velocidade surpreendente, o olho se deslocou e assumiu a característica equivalente à vestimenta, não sem antes a outra voz se enfraquecer até sumir. Tomou outra forma e o silvo encorpou-se rústico e a conversa cresceu.
Não lembro de nada que ouvi. A minha retirada foi lenta, porque meus sentidos custavam a compreender tudo e podia ser um delírio perigoso. Casa-cadáver? Mas por que suas peculiaridades estão fundidas? Por que todo o resto das particularidades desapareceu? Quando terá começado o monstro? Como fez suas vítimas? Dificilmente surgiria uma resposta. Olhei para o terreno ao lado: havia uma moça também estudando uma residência semelhante, perplexa, entretida em uma conversa mais longa e respeitosa com uma indumentária nobre. Não parecia assustada. Ela saiu do transe, percebendo que estava sendo notada, acenou e sorriu. Simpática. Retribuí o gesto. Quando caminhei para a rua, deixando o lugar, resolvi esperá-la. Pode ser que a convide para um café.