JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

IT GOES ON!

Na madrugada de insônia e pensamentos avulsos, eu me peguei pensando que relógios e rios perenes têm muito em comum. A diferença é que os rios param quando encontram o mar. E os relógios, quando pararão?

Com pressa de chegar a lugar nenhum, o relógio do mundo anda ligeiro, enquanto as minhas pernas, já meio cansadas de correr no curso do tempo, começam a pedir repouso. Há em mim um contraste aperreado de chegar à meia-idade: eu sinto o motor de dentro baixando a rotação, ano a ano, enquanto o mundo lá fora inventa uma marcha nova a cada amanhecer, nascendo ante as minhas madrugadas de insônias. O tempo parece acelerar e o rio da minha vida desce ainda mais apressado ao encontro daquele mar, destino de todos nós.

Na mesma madrugada de pensamentos soltos, no meio desse turbilhão moderno onde tudo é para ontem e ninguém tem tempo de olhar nos olhos, eu lembrei do poeta americano Robert Frost. Ele, que decerto compreendia o ritmo dos rios e a quietude das horas melhor que a maioria de nós, deixou escrito que tudo o que aprendeu sobre a existência cabia em três palavras: “it goes on”, dentro de um contexto com o sentido de dizer que “a vida continua”.

E continua mesmo. Mas como custa acompanhar seu curso!

Um dia acordamos e o espelho já não nos devolve o reflexo da pele com o mesmo viço. O cabelo raleado mudou de cor e, mais tarde, em algum momento as juntas reclamarão na hora do sereno. Um dia descobrimos também que aquela agilidade de rapaz virou prosa de passado, ou um verso não escrito no vácuo das entrelinhas entre dois mal acabados. E é isso! A juventude do mundo corre na velocidade da luz. É um tal de tela que brilha, de botão que se aperta, de máquina que pensa por nós humanos. A humanidade grita por urgência. E eu, cá de dentro do meu peito calejado, só queria um café coado sem pressa e o direito de mastigar o tempo e ruminar a vida.

Dá um certo desespero ver que o nosso ritmo descompassou do compasso da Terra.

Sou um sertanejo de nome santo, mas de carne fraca e alma pecadora, cheio de falhas tatuadas em minha pele, pela insistência das agulhas do tempo. Sinto o peso dos meus fevereiros se acumulando e, às vezes, a sensação de que sou somente um jumento de carga, teimoso, marchando devagar no barro seco da estrada, longe dos rios e sem saber das horas.

Mas é aí que a lição de Frost se encaixa perfeitamente no meu cansaço. A vida continua não porque ela corre, mas porque ela teima em não parar. O rio não precisa de motor de polpa para chegar ao mar; ele só segue o seu curso, contornando a pedra, cavando a terra, no ritmo que Deus lhe deu. Surgiu na calmaria de sua nascente, em algum lugar ganhou volume, força e velocidade, mas para entrar no mar se fez calmo outra vez. Se as minhas pernas já não correm tanto em busca do futuro, o meu olhar aprendeu a ver o que a pressa dos jovens atropela. Aprendi olhar diretamente nos olhos da vida por outros ângulos, sei sentir o peso de um abraço sincero e sei a hora exata em que a saudade dói mais forte.

O mundo que se dane com a sua correria de doer o juízo. Eu seguirei aqui, diminuindo a marcha, trocando o passo apressado pela prosa calma, a velocidade das horas pelo prumo métrico de um verso com lirismo. Afinal, entre as marcas do tempo e o cansaço do espírito, a grande beleza do caminho é saber que, mesmo devagar, o coração ainda bate. E enquanto houver um sopro de poesia nesse velho peito, a vida continuará. Não com a incerteza das horas. Mas, como um rio perene que sabe aonde irá, sem saber de madrugadas e nem de insônias.

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

O COMANDANTE DOS MARES INCOMUNS

Há quem meça a vida pela claridade dos dias, mas João Maria de Luizinho Moita, um meu querido amigo de infância e dos bancos escolares até a 8ª Série, escolheu medi-la pela força da esperança.

Escala o mastro mais alto segurando firme os nós da corda da fé, carregando no vão do peito o cuidado terno à esposa; sendo esse cuidado sua força de equilíbrio. João desafia a gravidade do possível tombo guardando a saudade da filha no coração, sorrindo assim mesmo, não obstante a distância física.

Olhando de fora, o mundo apressado veria um homem sitiado pelas circunstâncias e obrigações.

Olhando de perto, eu vejo um milagre diário de pura resiliência. A personificação da alegria.

Meu amigo João é o homem mais genuinamente feliz que conheço.

Todas as manhãs, antes que a rotina me atropele e o estresse possa me assaltar, ele me envia um punhado de palavras escritas, ou vídeos que produz sem a preocupação de ser técnico. São mensagens despretensiosas? Talvez. Mas são carregadas de uma fé inabalável, de uma gratidão que desafia a escassez e de uma resiliência que flerta com a poesia que ele, naturalmente, declama com sua verve quase inocente de homem. Homem sábio.

Um eterno marinheiro apaixonado pela Marinha do Brasil, que serviu orgulhoso na juventude, e que lhe ajuda a ser o comandante invencível que ele é hoje.

Enquanto muitos de nós naufragamos em pingos d’água, João parece extrair diariamente um mar de esperança da rocha da vida, e coloca o seu navio para singrar sem se abalar com qualquer tormenta.

Suas saudações diárias são faróis que rasgam o meu próprio nevoeiro, lembrando-me de que a paz não é a ausência de tempestade, mas a presença de uma âncora firme, jogada ante um porto seguro. João sabe ser marinheiro no mar da vida. Sabe vencer as procelas do mar do destino.

Esse meu amigo me ensina, sem saber, que a felicidade não é um porto onde se chega quando tudo deu certo; antes disso, é a lente da luneta pela qual se escolhe enxergar a rota, mesmo quando o tempo está deveras nublado e o mar revolto. Ele limpa os meus olhos viciados em querer reclamar, e me devolve a capacidade de agradecer.

Obrigado, meu querido João, por ter sido porto e, ao mesmo tempo, céu limpo nas entrelinhas desses dias.

Por me ensinar que ser feliz é mais fácil quando a simplicidade está segurando o leme da vida.

E que há a luz de Deus até nos dias escuros.

Muito obrigado!

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

CORAÇÃO BOLSO

Eu sou um homem vivendo do que levo no alforge do meu coração, e não no bolso. E quando olho para trás, até me parece, que sempre foi assim.

Porque eu já passei alguns momentos… Se eu não vivesse pelo que molha meu coração transbordando pelos olhos, teria sucumbido à secura do bolso.

Um dia eu percebi que a minha roupa estava desbotada. Podia ter ficado envergonhado. Mas, olhei para o meu interior e enxerguei meu peito inflando. Não era orgulho. Eu não tinha muito do que me orgulhar. Era de consciência! Era de dignidade!

Naquele dia, especialmente, eu andava por um corredor de shopping ignorando o meu saldo bancário negativo.

Olhei-me na vitrine espelhada de uma loja, e lá estava minha camisa desbotada. Sentei. Ao meu redor passavam homens de ternos impecáveis. Eu me perguntei “esses caras têm alma?” Porque me pareceu, observando-os, que suas almas na verdade eram de livros-caixa passeando apressados. Talvez mentalmente contassem dinheiro e, em breve, eu pensei, poderiam estar contando infartos.

Naqueles dias eu não contava nada. Apenas sentia. Sentia o mundo.

Sentia o amor copulando com a esperança, para gerar fé. Sentia a minha dificuldade e a dificuldade de algumas pessoas ligadas a mim. Mas eu não estava alheio a outros sentidos e percebia o sofrimento do menino no sinal, por exemplo, calção desbotado, nu da cintura para cima, descalço sob os calcanhares. Eu tinha minha camisa desbotada, porém estava calçado.

E ali, diante de outros “sentidos”, eu raciocinei que a humanidade moderna não perdoa o luxo das emoções. O único que eu podia ter naqueles dias. Afinal, quem vive apenas de sentimentos, vive à margem.

Para o gerente da loja de marca cara, à minha frente, encarando-me desconfiado, talvez eu fosse uma aberração ambulante, ou um cadáver social mal vestido no caixão das elegâncias.

Eu ri para ele e pensei que, naquele mesmo instante, muitos ricos estavam afogando suas angústias em uísque doze anos, embebedando suas úlceras nervosas.

Eu não! Eu apenas sangrava sentimentos pelas feridas do que havia dentro do meu peito, com a sensação de uma dignidade exasperante que o dinheiro é incapaz de comprar e, quando a falta dele deixa de importar, passa a ser só uma sensação gelada no que os olhos veem. O coração só esfria se for fraco.

Eu sou um homem vivendo do que tenho no coração, e não no bolso. Sou para mim mesmo – e isso me basta – um herói respeitado, porque já vivi o trágico, quase obsceno para a minha época e, também, para o meu lugar. Essa província de tantas exposições financiadas.

E eu ainda cometo o maior dos pecados modernos: a audácia de ser sentimental numa sociedade que só aprendeu a contar. E a contar vantagens que, às vezes, nem existem.

Nem por isso eu deixo de buscar aquilo que os antigos celtas vaticinavam às pessoas próximas e amadas: caminhar com “o coração leve e o bolso pesado”.

Somente para o que for necessário.

Talvez para não andar mais desbotado.

Talvez. Afinal, eu nunca liguei para isso mesmo.

Porque o importante eu levo dentro do peito.

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

COPA

Desde muito cedo eu aprendi a ler o futebol como algo muito além da questão de bola no fundo da rede. Nunca foi simplesmente isso. É, também, uma questão de desafios socioculturais. De bem-estar individual e coletivo ao mesmo tempo.

O futebol se expande para o universo lhe cercando fora das quatro linhas perimetrando o gramado, ganha o espaço ao redor do espetáculo e alcança a nossa própria nudez moral exposta sob o calor da nossa paixão. E quem enxerga a Copa do Mundo apenas como um torneio esportivo sofre de uma cegueira lamentável, uma incapacidade crônica de ler a filosofia da vida, e as agruras dos homens em seu conflitos. De entender coisas que parecem supérfluas e, no entanto, são essenciais para desnudar virtudes e defeitos. Primeiramente em nós.

O campo é o palco onde as nossas maiores virtudes e os nossos vícios mais inconfessáveis se digladiam em noventa minutos de puro desespero existencial. Mesmo que lá dentro se configure uma vitória fácil.

No fundo, no fundo, a bola é um fetiche absoluto. Um objeto sagrado despertando o adultério moral oculto na alma do dirigente burocrata e a santidade impura, súbita, no peito do torcedor fanático pecador. Em cada gol ela, a bola, promove uma pequena crucificação, ou uma inesquecível ressurreição.

Se em cada derrota há um funeral coletivo com hora marcada e sem direito a choro discreto na melancolia mansa e indecifrável do silêncio do torcedor que sofre sozinho, abraçado à própria solidão no meio de uma multidão, vendo o tempo escorrer entre os dedos, há também na vitória, inevitavelmente, a glória de um jogador superando limites para fazer de sua nação um paraíso de alegrias.

De um lado a tragédia de uma pátria arrasada pela desclassificação. Do outro a glória eterna. Sensações extraídas de um mesmo jogo e lugar; onde o herói e o vilão da partida vestiam cores diferentes mas se doavam num esforço igual pelo mesmo objetivo: a luz inconfundivelmente bela da vitória.

Ambos ficarão marcados no destino futuro, embora em apenas um mês estarão com as almas livres de tais estados. Porque a vida vai além do apito final, nas lembranças do jogo.

O expectador que busca apenas estatísticas, perde a poesia do absurdo existente esportiva e exclusivamente no futebol, e ignora que um drible pode ser algo conotativo, na verdade, da nossa vã tentativa de enganar a morte. Ou a má sorte do destino.

Depois do ato final do último jogo, o que resta não é o campeão erguendo a taça, mas o espelho cruel de quem somos.

A Copa pode ser a vida em miniatura. Uma espécie de prato temperado com o nosso lirismo mais dolorido e o nosso sarcasmo mais definitivo.

Só que a Copa para. A vida não.

E cada nação continua em seu bem-estar social, ou em seu flagelo cotidiano. Cada ser humano disputando um mata-mata de sua Copa individual.

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

MESSI

Eu nunca enxerguei o campo de futebol apenas como um retângulo de grama. Sempre o vi como o cenário esportivo sagrado onde certos destinos e almas humanas se encontram. Porque compreendi naquele Sarriá de 1982 que existem jogadores correndo em busca da bola, e existe aquele guerreiro silencioso que corre ao encontro da sua própria lenda pessoal.

Hoje eu tive o privilégio de ver um desses entrar em campo, carregando nos olhos a certeza dos que já cruzaram desertos emocionais.

Errou. Mas não se abateu. Como os gigantes jamais se abatem.

E quando o cansaço abraçou suas pernas, deixando-as pesadas, e parte da torcida calou na arquibancada, algo invisível o sustentou.

Não era o preparo físico de um jovem. Era uma força antiga, ancestral, um pacto com o próprio coração.

Eu digo que ele joga com a intensidade de quem sabe que a vida é curta demais para se entregar antes do apito final.

Os outros podem aceitar o placar adverso. Ele não. Para ele, cada queda em campo é apenas o prelúdio de um recomeço mais honroso. Até mais bonito. Ele cai e se levanta com a elegância de quem entende as suas próprias fragilidades, mas recusa-se a ser domado por elas. Há uma poesia quase dolorosa na sua teimosia: os músculos clamam por trégua, os adversários tentam lhe cercar, às vezes lhe caçam, mas a sua alma permanece livre, correndo em direção ao infinito dos minutos finais.

Ele não joga para ser apenas um vencedor. Ele joga para se manter fiel à sua verdade.

Hoje, quando o universo inteiro quis conspirar contra o seu time, ele fechou os olhos por um segundo, parecendo escutar o chamado do seu guerreiro interior, e continuou. Simplesmente continuou. Porque ele sabe que o pior fracasso não é perder a partida, mas sim deixar de lutar enquanto ainda houver um sopro de ar no peito, ou deixar o coração desprovido de uma palavra gigante composta pela combinação de apenas três letras: garra!

Há uma criança guerreira em seu espírito, que hoje me fez enxergar o campo de futebol como uma extraordinária universidade. Da vida.

Boquiaberto de admiração e grato a Deus por vê-lo nos ensinar sobre força, transformando os mistérios das chuteiras e o suor do cansaço, no ouro puro da persistência.

Natal, 07 de julho de 2026

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

CHÃO AMADO

Eu desci do carro e as minhas botinas de couro, cansadas das ruelas apertadas dos lugares por onde andei, acariciaram o chão de paralelepípedos irregulares e a terra grossa unindo as pedras.

Foram quase trinta dias longos comendo pão sem sal longe do meu chão, cruzando as pedras frias e polidas de velhas cidades, sentindo o corpo boiar num mar de gentes estranhas, línguas rápidas e prédios altos demais, antigos demais e suas almas arcaicas, porém vibrantes. Mas ali, de frente à casa que me viu crescer, fachada de pedras, o mundo se ajeitou para mim em uma mistura de duas línguas: amor e pertencimento.

O vento do Seridó veio de pronto ao meu encontro, quente como hálito de forno de caieira, trazendo o cheiro do mato da minha terra e da poeira viva que faz dela única. Assanhou meus cabelos e afagou a minha alma.

Eu busquei olhar para as serras azuladas no horizonte, riscando o céu desbotado pelo mormaço e lembrei das águas paradas do Gargalheira. Também quis pensar em cada pedra bruta que não recebeu o batismo do aço pelas mãos humanas. Porque a Europa tem seus monumentos de mármore esculpidos por homens, os gênios da arte, imortalizados em suas belíssimas e visitadas obras. Mas, o Sertão… Ah! O meu sertão tem sua própria arquitetura de sobrevivência, cinzelada pelo sol e pelo tempo, logo, compreendi a precisão cirúrgica da beleza de cada jurema.

Eu tirei a camisa que ainda cheirava ao final de inverno no Velho Mundo e a joguei no banco do carro. Aquilo não me servia mais; era vestimenta de empréstimo para cobrir uma saudade mansa e passageira. Depois caminhei até o meio da rua, ante a casa de papai. Fechei os olhos para sentir cheiros, matar a saudade desse ar quente, e me lembrei daquela casa grande no sítio de um bom amigo, onde o reboco velho mostra os tijolos de barro cozido, legítimos testemunhos das agruras do tempo. Quando lá estive pela última vez divaguei sentado num banco de madeira, velho, carcomido pelos anos, pois bem, eu divaguei que cada fresta na parede parecia uma ruga no rosto de um parente.

Mamãe me avistou da cozinha, não com os olhos, mas com o coração. Gritou fazendo festa para o filho que não via havia quase cinquenta dias. Depois não disse palavra alguma, apenas abriu os braços com a naturalidade de quem recolhe o gado no fim da tarde, ou faz o prato do filho à mesa posta. Seu abraço tem o perfume puro de alecrim, e de café torrado na hora; é o único remédio capaz de curar a tontura de quem cruzou o grande oceano. De matar a saudade, seja ela do tamanho que for.

Nós nos sentamos na calçada, enquanto o sol começava a tombar, tingindo as nuvens do poente de um forte vermelho-sangue. Falei da imponência do Tejo e das belas igrejas de Roma, mas as palavras pareciam pequenas diante daquele silêncio sagrado que só no sertão se possui. Um silêncio preenchido pelo pio alegre de uma ave que eu, na hora, não consegui identificar.

Ali, vendo pessoas amigas, vizinhos queridos, saindo à rua para me ver, eu descalcei os sapatos. Senti a terra quente acolher meus pés, num batismo de retorno. Em cada abraço uma comunhão de amor. Porque o sertanejo pode até pisar nos tapetes finos da Europa, mas sua raiz permanece fincada na terra rachada do chão que lhe viu chorar pela primeira vez, ao lado das pessoas que lhe deram colo.

O Seridó tem uma força que nenhuma Europa consegue apagar.

Agora eu sei que fui ver o mundo, mas descobri que o mundo inteiro mora aqui.

No chão acariciado pelas solas das minhas botinas antigas.

No espaço amado onde mora a minha gente.

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

POESIA SEM JEITO (e sem sentido)

Você disse adeus e foi embora
Me deixou pensativo e arrasado
Sem dormir alguns dias, endoidado
De saudade, pensando no seu fora.
Sem saber o que faço mais agora
Eu espero aquela ligação,
Um e-mail, um “zap”, na ilusão
De você perdoar o meu fracasso
Porque eu já não sei mais o que faço
Pra voltar a ganhar seu coração.

É difícil pensar que nem amigo
Posso ser de quem tanto me deu o colo
E agora insiste em voo solo
Desprezando o que já viveu comigo.
Se eu fui pra você qualquer abrigo
Em resposta ao colo que me deu
Deixe o tempo passar, que serei seu
Deixe a vida correr sem brevidade
Mas não queira me matar nesta saudade
Que só fere e traz dor ao peito meu.

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

DE CONVOCAÇÃO DA SELEÇÃO JAPONESA

Saiu a convocação da seleção do Japão

1 – 椭慭敧
2 – 獭氭湩慥牧
3 – 摡敩瑮
4 – 琨灯 捥捥捥慢正
5 – 牧畯
6 – 摮椭慭
7 – 敧楬敮牡 札散
8 – 散 牰杯摩慭
9 – 敧牔湡晳牯楍牣 獯
10 – 景牧摡
11 – 敩瑮猨慴 瑲潃
12 – 潬卲牴昣昸
13 – 昸牴昣昸
14 – 昸摮潃潬卲牴
16 – 攣散散 潢摲牥
17 – 硰猠汯摩
18 – 搻獩汰
19 – 祡戺潬正潭
20 – 潢 摲牥爭摡畩
21 – 瀲漭戭牯敤慲楤
22 – 獵硰敷止
23 – 戭牯敤慲楤

Particularmente eu achei a zaga muito fraca.

Esse time não venceria o Atlético do Sítio Limoeiro nem em sonho!

Principalmente se o Atlético do técnico Antõe Oião fosse escalado assim:

Caitipa no gol, Dudé Bueca e Bode Branco nas laterais, Carneiro Capado e Chico de Cininha de Zé Cego de zagueiros.

Pelo meio Zé Tabaco de Onça de primeiro volante, Oimar armando pela direita e o craque Orlando Taco com a dez, criando pela esquerda.

No ataque os famigerados Chico de Tica, Cafuçu e Dedezim Guepardo.

E eu nem quero falar nos poupados.

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

DOS MOMENTOS TÃO BONS QUE NOS AMAMOS

(Só mais uma poesia para a sofrência de alguns)

S’eu te fiz algum mal peço perdão
Nunca tive intenção em magoar-te
Mas fizestes deveras tua parte
Magoou-me, também, sem intenção.
Mas, dizer-te agora “foi em vão”
Todo o tempo que junto nós passamos
Cada vez que nós dois nos entregamos
Faltaria demais com a verdade
Vou falar-te apenas da saudade
Dos momentos tão bons que nos amamos.

Resumiste somente à poesia
Os rompantes tão belos da paixão
Quando eras a minha inspiração
Quando eras, por fim, minha alegria.
Desprezaste do amor toda magia
Dos instantes que nós nos declaramos

* * *

Não somente eu falhei, nós dois falhamos!
Queres paz? Dar-te-ei tua vontade
Mas, insisto em falar-te da saudade
Dos momentos tão bons que nos amamos.