ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

CICARINO DANTAS

Para Matilde Urbach

Era aguardenteiro em Pau Grande, daquele tipo de homem que só reserva paixão e amor pelo precioso líquido da cana. Dono de pasto vasqueiro, talqualmente o pai, o avô e o bisavô, desde o gosto do primeiro leite tomou paixão pela profissão cachacista, mesmo tendo uns cascos de gado que engrandecia sua terra de cana e cachaça.

Era homem ciumento, mas guardava ciúmes apenas para o precioso líquido que escorrupichava de suas turbinas de cobre areadas que chegavam a cegar no polimento dos metais. Devocioneiro de Santa Bárbara, São José e São Jorge carregava sempre um patoá encangalhado no pescoço e um oratório com água benta e as imagens dos santos de sua devocionice. Seu maior medo era morrer em caminho ermo, vítima de emboscada, ou mesmo no dente de jararaca, era morrer desbenificiado dos favores da religião e de seu povo de batina.

Apreciava fazer auditoria, sem hora marcada na usina de sua propriedade, aproveitava para gambá o asseio dos funcionários, o ritmo suíço de seu fabrico de cachaça, obtemperando com o mestre de alambique os melhores jeitos de se retirar da cana o doce mais de nababo para se fazer a melhor aguardente.

Reclamativo, como todo dono, queria isso, queria aquilo, mandava isso, mandava aquilo, dando reprimenda em João Fundo de Garrafa, que sugava um alambique mais que morcego e mamava uma cachaça mais que menino novo em peito de mãe de primeiro leite. Emboramente fosse reclamão, alma mais simples e inocente estava ali.

Até que veio a grande peste de trinta e quatro. Era um morrer de gado, um latir de cachorro, um assobiar de lobisomem. São Bartolomeu, nas noites ventosas estumava aquela matilha de empestiado a fuçar porteira, a arranhar janela e a correr pelos campos. No casarão de Cicarino, depois das Aves – Maria, a nenhum ser vivo era franqueado a gozar sua mulata no depois da meia noite, ou mesmo a fazer vadiagem em pés de casuarinas, ou moita de gravatá. A mão ossuda da morte estava por todo lugar.

E o gadinho ralo de Cicarino começou a morrer, como se a ceifadora tivesse contrato de firma assentada em cartório para levar para terra do além a fonte de leite de seus meninos. Somente o canavial e os alambiques continuavam produzindo, mas via-se o medo encalistrado nos olhos e almas dos seus empregados.

Prontamente apareceu nas terras vasqueiras de Cicarino um crioulo com grande fama de benzedor, desses que com uma reza braba, um fumegador de matar caninana no barato de duas braças, prontamente a debelar qualquer compromisso da peste com suas posses. Mas, sua fama de catimbó era meio esquisita. Para a reza dar certo e o rezador espantar a peste, este deveria ficar sozinho no quarto com a mulher do aguardenteiro, nus, com as janelas fechadas.

A coisa ficava pior, porque, segundo alguns maledicentes, o benzedor teria que passar a verruma dele no corpo todo da mulher do fazendeiro contratante, a mode a mazela ser debelada e o gado ir sendo salvo à medida que o crioulo rezava em partes específicas do corpo da dita senhora. Cicarino meio que desconfiou, mas como a certeza do prejuízo e os dissabores de ter que começar tudo do zero o espantava, concordou com esse método esquisito.

Dia aprazado para a benzedura, foi o rezador com suas trapizongas para o quarto, chamou a mulher do aguardenteiro, enquanto este estava gambando o polimento de seus mimos de fabricar cachaça. Ao saber do ocorrido, Cicarino deixou os seus afazeres mais rápido que um calangro quando vê perigo. Chegou em casa botando os bofes pra fora, e antes que o benzedor começasse a sua reza, gritou: olha, seu benzedor, a vaca preta e o boi zebu pode deixar morrer, viu…..

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

CAETICES

Ziad

Ziad Daud Ibrahim era comerciante de papelaria em Corumbá/MS e sua loja era bem movimentada porque fazia as vendas a crédito a todas as escolas públicas do município, na base do: quando entrar o dinheiro a gente corre aqui e paga. Naquela época eu adjuntava com a diretora da escola onde trabalhava e era o preferido para negociar com ele. Na sua língua arrevesada sempre dizia “brofessora Neuza non boa negociante, Ziad brefeve brofessor Roque”. Isso porque o velho gostava era de negociar, e não vender. E a negociação demorava horas, misturada com chá e pechincha. Seu filho, Sami era um amor de pessoa. Educado, fino, delicado. Alguns, na atualidade iriam dizer que era fresco, mas não. O rapaz era trabalhador e sabia conquistar fregueses. Casado, com um moleque de 4 anos que tinha o satanás no couro. Certa vez em uma negociação vespertina, vi o garoto ir para a rua. Seu Ziad, com um corpanzil de entulhar qualquer recinto, de dentro da loja grita: vilhinha, entra loja, entra senão babai dá a bunda! Olhei para o lado, disfarcei o sorriso e continuamos a negociar.

Eulâmpio

Eulâmpio foi meu aluno na sexta e sétima série do antigo primeiro grau – daí vocês já percebem que este caeté que vos fala já tá queimando óleo 45 e prafrentemente disso – Menino fora de tempo, atrasado em todas as situações, até para falar. Certa vez cobrei dele uma atividade de Língua Portuguesa que passara uma semana antes. Deu aquele sorriso idiotizado, escandindo cada ritmo do riso. Professor – numa voz que misturava batata assada e mingua na boca -, eu não fiz. Sai com minha mãe e esqueci. Isso porque eu pedira a atividade na quinta, e já estávamos na segunda-feira da semana seguinte. Coçou a cabeça, enfiou o dedo no nariz e foi sentar. Na última vez que o vi era assessor parlamentar de um vereador da Cidade Branca. Nesse momento me deu vontade de também sorrir com aquele olhar abobalhado que era a marca registrada de Eulâmpio com todos os seus professores.

Tio Vicente

Tio Vicente – saudoso e alegre tio – era loroteiro até não poder mais. Não pescava nem gripe, mas todo fim de semana era convidado pelos amigos para ir para a pescaria, só para ouvirem as lorotas dele, e meu irmão Heraldo atiçava ainda mais esse lado dele. Certa vez, na fazenda contamos que vimos um ninho de arichiguana – é um tipo de abelha preta que dá muito aqui no Centro Oeste. Produz um delicado mel claro, mas ferra doído -. Tio Vicente, de imediato disse que iria pegar essa colmeia. E planejou: iria montar em um cavalo, galopar, passar pela colmeia, laçar o tronco onde ela estava. Com a corrida, o tronco batendo no chão, espantaria as abelhas e ficaria só os favos de mel. Melhor dito, foi executado. Nós observando as peripécias dele. De fato, galopou, laçou o ninha e saiu correndo. Quando o laço deu o estirão, a cilha do cavalo arrebentou e o laço fez o efeito elástico. Titio voltou com a cela e tudo e bateu de costas no tronco onde estavam as abelhas, perdendo o ar. Voltou quinze minutos depois, todo ferrado e ameaçando surrar o primeiro moleque que risse dele.

Tio Coró

Tio Coró, também conhecido como Sebastião Siqueira da Cunha, tio por ter casado com minha tia era funcionário do Banco do Brasil, mas o que mais gostava era de caça, na época em que as pessoas se preocupavam mais com a manutenção da família do que em queimar mato enrolado em seda. Naquela sexta à noite, saiu ele e dois cupinchas que não se desgarravam e foram caçar cateto nas matas de São Vicente, a uns 80 Km de Cuiabá. Tio Coró tinha uma carabina 12 cano serrado. Dedé, amigo, compadre e cúmplice dele só relatou o seguinte: estavam no carro quando tio Coró viu um vulto correndo ao lado da pista. Sacou a sua carabina e lascou o tiro. O gatilho até pulou na alegria da pólvora. Mas, tio Coró esqueceu que a carabina tinha cano serrado e colocou a mão de apoio bem na boca do pau de fogo. O resultado foi dois dedos da mão esquerda a menos, uma corrida no pronto socorro e uma semana meu tio enchendo a paciência de minha tia, em casa, por causa do incidente.

Alvino

Outro que gostava de caça era o cunhado de meu irmão o Alvino. Meu saudoso irmão, Ronaldo contava que certa vez foram levar uma carga da cidade para o sítio de um senhor em que ele trabalhava de motorista, naqueles caminhões Mercedes, que o povo de má língua chama de muriçoca. Alvino levava a espingarda – e naquela época era muito comum, não tinha essa baboseira de porte e posse de arma – ao lado de seu banco. Meu irmão contava que Alvino viu um vulto correndo ao lado do caminhão, pediu para meu irmão segurar a direção, sacou a carabina e deu dois tiros no vulto que entrou no mato. Parou, desceu e foi ver o que havia abatido. Encontrou o estepe do caminhão que se soltara, com dois tiros na banda de rolagem, morto, mortinho da silva, em uma vala ao lado da rodovia.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

SEU JACÓ

Para Jesus de Ritinha de Miúdo

Conheci Seu Jacó quando o velho já estava dobrando a folhinha de dezembro com seus noventa e seis anos bem vividos e melhor consumido. Velho somítico, canguinha, unha de fome, pão duro, munheca de samambaia, pata de vaca, sovina, miserável, beira de sino, mesquinho, avarento, muquirana, cainha, forreta, do tipo que não dá bom dia para não gastar a língua.

O Benjamin, seu filho, vinho da mesma pipa que eu, me contava histórias divertidas do velho, como quando ele, ainda jovem, caixeiro viajante, foi acusado de ter prometido e não entregado uma panela para um compadre, também judeu. Levado às barras dos tribunais, deu-se que a querela só não caiu no terreno do deboche porque o juiz não permitiu, mas o Isaac dizia: Jacó brometeu banela pra eu, ia dar de graça, de amigo! E, seu Jacó seco respondia: Eu non brometer nada. Eu não dar nada. Nem bom dia Jacó dar, merendíssimo juiz!

Isso, nos casos que envolviam negócios e dinheiros, o que aliás, seu Jacó tinha aos tubos. Tudo guardado em jóias e ouros, já que seu Jacó não confiava em banco, e, muito menos em papel pintado e distribuído pelo governo. Governo ser safado! Jacó non usa babel bintado de governo. Jacó non ser mula de carga.

Essas eram as quizílias do cotidiano. Mas, Benjamim havia me contado que, na juventude Seu Jacó era grande frequentador de puteiro, dessas casas suspeitosas que só abriam suas portas à noite e moças alegres e divertidas com a cara toda pintada e sorriso fácil frequentam.

Mas, segundo o Benjamim, a grande façanha de Seu Jacó foi quando ele, já beirando os cinquenta, longe de casa por mais de par de meses, foi numa dessas casas e já chegou falando:

– Jacó quer moça bonita, dessas de bundón larga, mas que gosta de abanhar!

Aquila sentença arrepiou a maioria das meninas.

– Jacó baga bem, bom dinheiro bra moça bassar um noite com Jacó, mas moça brecisa gostar abanhar.

E o silêncio cada vez mais imperioso, ainda que Seu Jacó oferecesse cinco vezes mais o valor tabelado naquele comércio. Até que apareceu uma crioula, daquelas bem fornida de seus etceteras e tals que pegou o desafio pelos chifres se gambando de que ia arrancar dinheiro daquele judeu muquirana, ainda que com um frio na barriga. Subiu com seu Jacó para o quarto e foi logo perguntando:

– Seu Jacó, eu aceitei pelo valor que o senhor me ofereceu, mas antes de a gente ir para a cama o senhor pode me satisfazer uma curiosidade? O senhor gosta de bater, mas até quando o senhor bate?
– Simples. Jacó bate até hora que buta bretona de bundón devolve dinheiro de Jacó!

Mas isso são histórias de antigamente. Seu Jacó, já naquela idade, com o espinhaço já vergado pela idade, com aquela coloração pálido cadavérica, pisou no prego e murchou. Pegou uma gripe, da gripe passou para a pneumonia, da pneumonia passou para a UTI e na UTI tomou pau e foi reprovado. No leito de morte, já com os olhos baços (Violante irá ao delírio com este verbete), chamou toda a família.

– Rute minha mulher. Você voi combanheira de Jacó durante cinquenta e cinco anos.Quando Jacó faliu você estava ao lado de Jacó. Quando Jacó foi roubado você estava ao lado de Jacó. Quando casa de Jacó queimou toda você estava ao lado de Jacó. Conclusão de Jacó, Rute, minha esposa: Você deu azar danado bra Jacó em cinquenta e cinco anos.

Apesar de Dona Rute ficar emputiferada da vida, nada disse, devido ao momento final do marido naquela cama de hospital.

– Benjamin, filha meu, chega berto. Você abrendeu com Jacó tudo sobre comércio, mas ainda tem algo – e mostrou um grande relógio bolso de ouro cravejado de rubis grandes e pequenos – esta relógio bertenceu a bai da bai da babai. Depois bertenceu ao bai do babai, e por fim chegou ao babai, minha filha!

Benjamim, todo emocionado, com os olhos marejado de lágrimas, olhando para o pai e para o relógio, apertava as mãos de seu Jacó.

– Entón, Benjamin, filha minha. Esta relógio tem história de nossa família, e neste último momento, babai quer te dizer: quer comprar? Babai faz preço baratinha, bra relógio continuar no família.

Dito isso, entregou a alma a Iavé!

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

É LULINHA??

Tenho acompanhado, aqui da minha taba, com aquela proverbial preguiça caeté, as safadezas que estão ocorrendo em Pindorama e os guabirus “pìu grasso” que estão se enrolando nos diversos escândalos envolvendo grossos dinheiros roubado do otário pagador de imposto. E essa reflexão fez-se-me lembrar de um vaticínio do grande Potiguara Maurício Assuero quando o aiatolá Mulamed Ladron foi eleito. Se bem se me alembro, perguntaram a ele, em um seminário sobre contabilidade atuarial o que ele considerava como andariam as contas públicas, com a eleição do nosso aiatolá e ele, mangando, mas dizendo a verdade, espinafrou a plateia dizendo que seriedade iria se ter com aquele prontuário policial na cadeira de presidente.

Acertou no vinte! Nem demorou três anos para que os escândalos financeiros começassem a aparecer no atacado e no varejo, explodindo com os casos da ladroagem escancarada dos velhinhos do INSS e agora o golpe bilionário do Banco Master que já soterrou o STF com a lama podre do escândalo, colocou dois ministros – Dias Tóffolli e Moraes -, não como ministros, mas como gangsteres e criminosos que atuam na corte suprema do país, defendendo interesses próprios e de seus comparsas, e soberanamente dão uma banana para o pagador de impostos.

Mas, tudo isso são detalhes dentro de esquema maior e bem mais perigoso para o Mulamed Ladron: o envolvimento do nome do filho, conhecido como Lulinha, na roubalheira dos velhinhos aposentados do Brasil. E, eu chamo a atenção da bugrada de Pindorama porque a história apresentada, o enredo costurado tem falhas, tem inconsistências que não se ajuntam. É como a história do fazendeiro mentiroso que diz que atirou no ouvido direito de um veado e a bala saiu na pata esquerda. Simplesmente é estapafúrdia.

Ainda que eu, caeté, tenha uma preguiça monumental de pensar, vamos pensar um pouco. Um sujeito que era catador de merda de elefante em zoológico, de repente ganha uma bolada para entregar para uma operadora de telefonia um programa de jogos para celular. Nunca entregou, a operadora foi para o vinagre, mas a grana caiu na conta do rapaz. Mas isso, foi lá no começo do século XXI, quase todo mundo já esqueceu dessa maracutaia.

Agora o caso é outro. O mesmo catador de bosta recebe uma bolada inicial de 30 milhões de reais e uma mesada de 300 mil reais mensais, morando na Espanha, para fazer lobby no governo do pai, o dito aiatolá defensor de tiranos e ditadores, e facilitar a vida de ladrões de velhinhos. Eu, apesar de minha preguiça, não consigo ver nexo algum nessa ópera bufa que tenta tirar o foco do essencial e colocar no acessório.

Ainda que o dito “Lulinha” tivesse esse suposto acesso aos estamentos do poder comandado pelo pai, não faz sentido algum esse recebimento de dinheiro, mesmo porque o trabalho de lobista necessita tutano, massa cinzenta e desenvoltura para transitar pelas esferas do poder, coisa que esse senhor nunca teve, mesmo porque tem uma capacidade intelectual limitada.

Não, meus caros, para ser politicamente correto, “povos originários”, não é o senhor Lulinha o foco dessa mesada. Tem muito mais minhoca embaixo desse lameiro, tem muito surubim escondido embaixo dessas pedras nas sombras das águas. Eu não acredito um grama nessa conversa fiada de que Lulinha é um operador competente para se chegar a esses valores bilionários de ladroagem.

Lulinha é só um painel luminoso, só a fachada de um moulin rouge – hoje estou exercitando a língua de Racine -, todo iluminado e colorido para esconder algo mais sórdido e para esconder o beneficiário final dessa grana toda que era surrupiada dos velhinhos deste país amaldiçoado pelas nossas escolhas erradas.

Dinheiro é a coisa mais difícil de se esconder. Como a história do bode na sala, basta seguir o rastro do dinheiro, ou o cheiro do bode. Alguém, em Pindorama, que ainda não perdeu a sanidade, ou não se rendeu à canalhice institucionalizada, acredita mesmo que Lulinha recebia por mês, o que eu recebo por ano, morando na Espanha, retribuições por abrir portas para negócios safados, em Brasília? Alguém que ainda não recebeu um laudo do CID-10, atestando idiotia total, ou inimputabilidade, acredita que o beneficiário final dessa mesada é mesmo o Lulinha? Alguém pode me explicar, como se eu tivesse cinco anos de idade, que essa lorota contada e recontada, tem fundamento na verdade?

Não meus amigos! Lulinha não é o beneficiário final dessa bolada suja. É apenas um testa de ferro, um intermediário. Se ainda houver um pingo de honestidade e ética nas instituições dessa famigerada república, basta seguir o cheiro do bode e se chegará ao beneficiário final dessa ladroagem toda. Eu não acredito um grama que Lulinha seja esse beneficiário final, ou seja esse lobista competente que abre todas as portas na república petista, ainda que seja o filho do aiatolá presidente.

Meu conselho, se é que conselho de caeté vale alguma coisa: sigam o cheiro do bode e o rastro do dinheiro. A única coisa que fico de torcida é que sobre pelo menos um naco da panturrilha do “Sardinha” para eu poder assar aqui na minha taba.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

MIGUEL RUFINO

Tinha 1,96 metros de altura. Crioulo convicto daqueles de retinir à luz do sol. Desabusado de boca, invencioneiro e linguarudo, o povo de Currais de Dentro não via a hora dele se tornar importante, coisa de secretário municipal, ou algo mais avantajado como deputado, ou senador.

Devocioneiro de São Bartolomeu conhecia toda raça de vento e era municiado das mais variadas rezas para cortar febre palustre, ou miasmas dos pântanos que rodeavam a cidade. Nunca ficara doente, até ria, pouco casista, dos casos de doença que ouvia ter na cidade. Para cada mal tinha uma receita certeira, uma garrafada bem preparada, principalmente para as pantaneiras muito comum na cidade. Dizia que, para febre palustre, tinha uma garrafada que era pior que coice de mula. A mezinha caía no covil da pantaneira e a peçonha da febre saia nas urinas.

Para o povo atrasado da cidade, que era Currais de Dentro, Miguel Rufino era uma espécie de santo milagreiro, doutor em poções e sinapismos e benzedeiro oficial que curava espinhela caída, leiteira virada, bicho de pé. Só não curava falta de donzelismo porque dizia que isso era igual bananeira. Uma vez que deu fruto, não tinha mais o que fazer.

Era, também, conhecedor de toda raça de assombração que existia no mato. Benzia encruzilhada, ou aceiro ofendido por visagem do mato, ou mangação de lobisomem. Aliás, conhecia toda a raça desses assombrados só pela marca do pelo. Desde os tubianos nanicos, até os barrosos, de porta de cemitério, daqueles garbosos que arrepiam só com o uivo empestiado. Nunca que Miguel Rufino ia tremelicar de medo por causa de lobisomem de beira de estrada.

Mas, como nem tudo são fl ores, num domingo, que pita cachimbo, Miguel Rufino sentiu no vazio das costelas, bem lá, no miolo da lombar, uma pontada dolorosa que foi evoluindo para algo mais sério. Firmado na sua jurisprudência de medicação natural, recusou-se a buscar médico da cidade. A malina desfez de seus medicamentos e toda a sua parentagem obrigando Miguel Rufino a buscar doutor formado, já que tinha ficado mouco e perdido a capacidade de cheirar. Foi convencido pelo compadre Abelardo a procurar ajuda do Doutor Orozimbo, médico novo, desses de canudo ainda molhado pelos esforços dos exames.

Chegou ao consultório do doutor, entulhando sala e saleta e quase danifica uma teia de aranha que era da especial predileção do médico. O doutor, todo cheio de salamaleques e donzelices espantou-se com aquele crioulo de dois metros de altura entrando em seu consultório. Olhou o sarro da língua, futucou o sovaco com o apurador de febre, ponhou uns gravetos nas ventas dele e apalpou as conchas das orelhas.

– Doutor, dou duas semanas para ficar livre dessa mazela! O médico, colocou o “mata piolho” debaixo do queixo e sentenciou. É, seu Miguel. Doença cavilosa, dessas que tiram o cheirar do nariz e o escutar das orelhas, mas vou passar um remédio aqui para o senhor tomar duas colheres no depois do jantar e, em quinze dias o senhor vai estar novo e cheio de energia como aquele cabrito da Arca do Noé.

Meio descrente, Miguel Rufino pegou o papel com aquela garatuja de médico que só Belzebu consegue entender e foi na botica do Serafim preparar a beberagem, que era mais amarga que fel de sogra depois de brigar com o genro.

Duas semanas passadas e bem contadas, o doutor Orozimbo encontra Miguel Rufino todo embonecrado e cacarejoso na feira da cidade, mais falante que candidato a deputado em busca de voto. Miguel Rufino ao ver o doutor veio cambaio, com todos os dentes gozando a alegria da cura e do bom serviço do doutor médico.

– Doutor, eu tenho que agradecer a poção que Vossa Senhoria me passou. Já cheiro e escuito tudo dereito, ingual quando eu era criança e vou lhe provar. Vou soltar um peido aqui, daqueles silenciosos, mas fedido o suficiente para espantar todo esse povinho daqui da feira.

E soltou aquela bufa triunfal, certeira e convicta. Aspirou parta sentir a catinga. Viu, doutor? O povinho não ouviu nada, mas sentiu a catinga e saiu rapidinho daqui de perto. Doutor Orozimbo olhou para o céu, colocou a mão no ombro de Miguel Rufino e disse confiante: passa amanhã cedo no consultório, vamos ter que trocar o remédio para poder curar os seus ouvidos.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

DEDÉ

Conheci Dedé, pratrasmente, no tempo quando ele tinha seus 12 anos. Moleque sambudo, seco como taquara prestando vassalagem aos desmandos do vento. Passarinhista da melhor qualidade, desabusado da boca, mentiroso e invencioneiro. Tinha todos os sintomas do povo da política; não via a hora dele se tornar um deputado, ou um senador.

Vivia nos atrasos dos ermos, enterrado igual moirão em terra de pasto e boi, um lugarzinho mimoso, de grandes águas e vastos pastos chamado Remanso. Desde moleque dizia que cidade era coisa inventada por Satanás. O seu barulho dava, nele, câimbras nos olhos e deixava roncolho seu ouvido de ouvir.

Apaixonado por caça desde o gosto do primeiro leite, não tinha semana que sua mesa não estava desprovida de munição de boca, principalmente carne de capivara, ou mesmo onça, que ele tinha na mais alta qualidade de ser sustanciosa e revigorativa. Dedé estralava a língua quando falava em carne de caça e vivia sempre com sua lazarina encangalhada nos ombros. Passou caça alentosa, chumbo nela. Caça desimportante como preá, tatu, cotia, ou mesmo sariguê, ele deixava passar.

Voltei a reencontrá-lo dez anos depois, pardavasco troncudo, voz grossa de entulhar sala e saleta, já no depois dos seus vinte anos, liso como veado catingueiro, mais rápido que bacurau na boca da noite. Contou-me que o progresso foi chegando no seu paraíso de mato e bicho, e ele, Dedé, foi ficando desimportante no mato. Assim, tristento e cacarejoso fechou sua casinha, deu adeus a seus pés de pau e teve que ir para a cidade.

Instalado lá, não se cansava de praguejar o lugar, um oco do mundo chamado Sossego, terra que o que mais dava era assombração de cemitério, visage de menino pagão e assobiar de lobisomem no depois da meia noite. Terra que Belzebu renegou! Lugar que Satanás esconjurou, gritava ele! Mato era sempre melhor, mas teve que se adaptar.

Sempre fornido de coragem e valentia, como se tivesse acabado de ganhar a guerra dos Lopes, só queria que um desses empestiados viesse tirar farinha, ou desfazer de sua pessoa, nas noites de breu, sem lua, ou em sexta feira de lua cheia. Jurava para si mesmo que iria desfazer a audácia do desabusado a poder de safanão e grito! Toma sem-vergonha! Toma filhote de alisador de tamborete, com alma de dez por cento ao mês! Toma safardana!

Mas, de tudo isso, o que deixava Dedé tristento era a falta de um dia vadio para uma caçada de bicho portentoso no mato. Fazia para mais de ano e meio que o gatilho de suas carabinas estava em licença prêmio, sem ter o gosto de pólvora na ponta do cão. Dedé praguejava contra a cidade: Criadouro de vermina e febre palustre, morada de caburé e todos os atrasos da noite, isso sim é a cidade!

Mas, como nem tudo na vida é só sofrimento, recebeu de seu melhor amigo e vizinho, convite cerimonioso para um fim de semana no mato, para uma caçada especial, de uma capivara afamada, para mais de três arrobas, que fazia vadiagem no fim de tarde num brejal de um conhecido fazendeiro. Convite recebido e contratado em despacho de desembargador jubilado Dedé passou o resto da semana como se tivesse achado o seu Potosi. Era só alegria, a ponto de todos os seus dentes virem a gozar de felicidade, como se fosse negro cativo libertado.
Dia aprazado, caça contratada de morte, com atestado lavrado em cartório dentro da lei e da pragmática, saíram os nossos caçadores de madrugadinha, com o céu ainda compromissado com a noite, mas já querendo se divorciar dela. Aos poucos, o dia ia colocando para fora dos pés de pau a sua vida. Um ajuntamento de anuns carrapateiros já iniciava a sua faina carrapatista, enquanto uma sociedade de morcegos já bocejava no recolher do sono da manhã.

Para ajustar a mira e delimpar a trabucada, os dois vizinhos iam, meio que adernado na caminhonete, atirando sem compromisso, apenas para ajustar o cangote ao peso das armas e sentir o gosto de pólvora nas ventas. Dedé esfarelou um comício de caburés que teve o desplante de caçoar de sua pessoa, o vizinho espantou um ajuntamento de quero-quero que olhava todo pescoçoso para os caçadores. Atiravam a esmo, já que caça desimportante não os interessava. Queriam caça alentosa, dessas de destroncar balança de comércio.

Iam os amigos nessa vadiação quando Dedé viu um vulto correndo ao lado da caminhonete. Sem pestanejar, sacou sua lazarina e lá foi um tiro, certeiro, com endereço registrado e carimbado na dita caça. O gatilho da arma chegou a pular de alegria no gozo da pólvora. Parado o carro, os dois amigos desceram contentes como se fossem caçadores afamados e refamados, cobrindo o terreno para encontrar a caça abatida.

Para azar dos nossos caçadores, a caminhonete, dessas quem tem a caçamba feita de madeira, levava o estrepe amarrado na lateral. Um solavanco mais firme do carro fez o nó do estrepe partir e ele se soltou, correndo ao lado da caminhonete. Ao chegarem ao local da caça abatida, para constrangimento mútuo, Dedé e o vizinho encontraram o estrepe falecido, com um tiro certeiro na banda de rolagem.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

FILOSOFANÇAS CAETÉ

Sumido a mais de três meses, depois de um Kuarup prolongado, cuidando das partes subalternas e sem-vergonhistas de minha pessoa, retorno a este espaço para trazer algumas reflexões caetés, escovando a minha proverbial preguiça na rede de imbira, apesar da chuva de caroço aqui na gloriosa Campo Grande.

Pratrasmente, de uns dois meses para cá, andei assuntando a taba nacional, as fofocas regionais, e, mais especificamente, o que os curumins andavam bispando sobre Pindorama e nossa atual conjuntura. Assuntos aborrecidos, chatos e que me dão sono. Então, passei a focar em minhas elocubrações sobre o mundo, a vida e a filosofia. Sendo assim, sem mais enrolação, vamos la!

– Por que será que a bota se calça e a calça se bota?

– Os matemáticos dizem que a sequência numérica é infinita, e entre dois números também há infinitos números, mas, quem foi o corajoso que conseguiu ver isso e chegar a essa conclusão?

– A Matemática, na verdade, era uma coisa muito simples, até chegar um filho do sete couro e começar a colocar letra na Matemática e bagunçar tudo. Tudo muito simples: 2+2=4. Tá, até aí tudo bem. Aí o lazarento coloca lá A+B=X…..

– Vocês já repararam que quando um casal vai para o motel, um ajuda a tirar a roupa do outro no antes, mas no depois, cada um que vista a sua própria roupa. A resposta é mais do que óbvia, mas não vou expô-la aqui porque quero chegar ao fim do ano com o meu réu primário intacto.

– Mas, o que mais me assusta, vendo a roubalheira em Pindorama é: mas para que catzo criaram um sindicato de aposentados? Isso mesmo, aposentados….

– Depois dos sessenta é o início da chamada melhor idade. Sei não! Melhor Idade para quem? Nas minhas filosofanças só se for para o geriatra, para o ortopedista, para o fisioterapeuta, para o gerontologista, porque para o idoso, tenho certeza que não é.

– E, por falar em idade, nós, homens machos, do sexo masculino, sem essas baitolagens sobre homem sensível, ou fluídico, quanto mais nos adentramos na terceira idade, mais metálicos vamos ficando. Prata nos cabelos, ouro nos dentes e chumbo na jiromba…., realmente, ficar velho é metalizar-se!

– Ultimamente, passeando por igrejas da gloriosa Campo Grande, percebi que o nome de Jesus e Maria está mais comum em motéis do que em templos religiosos. Nessas bocas de fumo espiritual o que mais se houve é invocar o diabo, conversar com o diabo, dançar com o diabo, enquanto em motéis só se houve: ai Jesus! Minha Nossa Senhora! Jesus me socorre! Mundo estranho.

– E, finalmente, para não dizer que não falei do stf – em minúsculas para homenagear a grandeza daquele covil -, será que existe vida após a Magnitsky?

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

ENCRUZILHADAS

A vida reserva a todos nós, habitantes desta imensa taba chamado planeta Terra oportunidades de escolhas que definem nosso presente e apontam para o nosso futuro, ainda que, nessas encruzilhadas a maioria tenha mais passado que futuro. Porém, essas são ironias da própria existência que sempre está dando uma segunda chave a esse macaco sem pelo e bípede que usa tecido para se cobrir e taba para se esconder.

Neste momento de tempo, da história eu gosto de partir de uma pergunta simples: Quo vadis, Brasilis?, ou em caeté popular…. para onde vais, ó Brasil? Isso porque a história, o destino, a vida, ou Deus colocou diante de nós uma encruzilhada para que escolhamos o rumo a seguir: ou como nação estruturada, ou o retorno à barbárie caeté, onde cada um de nós vai brigar com o semelhante pela parte mais suculenta do Sardinha, de coque em frente a uma fogueira.

No entanto, o mais irônico da situação é que a providência vem dando, várias oportunidades a esta terra de botocudos, principalmente no século XX, quando sabiamente soubemos escolher entre a civilidade e a barbárie, sempre que elas se apresentaram diante de nós.

Politica e socialmente somos uma nação pobre, um agregado de indiaiada bruta, avessa à civilização, inimiga da intelectualidade, opositores do progresso, algozes da ciência, carrasco do enriquecimento individual, tudo em nome de um coletivismo que nos joga a uma forma amorfa, sem identidade ideológica, sem esperanças e sempre elegendo aqueles que mais trabalham pelo progresso do nosso atraso.

O Brasil de 2025 chegou a esse momento de encruzilhada. Pagando impostos extorsivos, nas mãos de agiotas institucionalizados, com uma dívida monstruosa que ninguém quer pagar e o credor também não quer receber. Nessa mazorca de dívida, é mais lucrativo rolar o principal e ir vivendo um “dolce far niente” parasita que reduz a bugrada a um bande pedinte e esmoler estatal.

Todavia está sendo nos dado dezesseis meses para que possamos escolher entre a racionalidade e a reconstrução da moralidade nacional e a salvação de nós mesmos, ou a aceleração rumo à autodestruição objetiva e certa. Todos estamos vendo como estamos fracassando como animais políticos, sociais, culturais, econômicos e morais. Os valores estão invertidos, pervertidos, como se estivéssemos vivendo uma “ópera do absurdo”, a ponto de nossa suprema corte decidir que prova coletada de celular, sem mandado tem valor jurídico, mas apreensão de quatrocentos quilos de cocaína em um avião, não tem, pois não havia mandado judicial para tal.

E nessa ópera do malandro, Lula também está numa encruzilhada, apesar do muito passado que tem e do pouquíssimo futuro que lhe resta. Como mandatário, conseguiu quebrar o país a ponto de já estar faltando dinheiro para comprar combustível. A encruzilhada dele é mais terrível. Resta somente dois caminhos: ou repudia todo esse lixo esquerdista e recupera o país para que este possa ter uma perspectiva de futuro, ou pisa no acelerador e acaba por destruir o país até o fim de 2026.

O resumo dessas encruzilhadas? Em 2027 o poder será entregue passando a faixa verde e amarela para o próximo eleito, ou uma borduna feito de pau de quixaba, e o país, ou verá essa cerimônia sentado em casas, ou em tabas com uma trempe em frente à porta de entrada. Eis a grande encruzilhada que precisamos decidir para onde seguir.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

LULA SABE

Como faço sempre todas as manhãs, sempre que acordo, após a higiene pessoal, começo a ouvir e ler as notícias sobre a bananolândia e o mundo, principalmente agora, sobre a guerra entre Israel e o regime terrorista do Irã. Vejam bem, eu disse o regime terrorista dos Aiatolás e seus fanáticos, e não sobre o povo do Irã que é, também, vítima de um regime patrocinador de terrorismo mundial e que celebra a morte, dos outros, como objetivo político e de vida.

E, nesse minueto mundial, o governo brasileiro está afundado até o pescoço, na merda, tentando defender o indefensável, colocar-se ao lado de gente que, na primeira oportunidade passaria a cimitarra no pescoço desses mesmos seus defensores, já que, na visão de mundo deles, ou você reza pela cartilha imoral imposta, ou sua vida não vale um dinar furado.

Mas, como na bananolândia tudo o que ruim pode piorar, eu tenho lido e ouvido que, neste caso específico, o nosso ladrão de estimação estaria apoiando o regime terrorista dos aiatolás porque não sabe, ou não conhece o que é aquele regime. E, assim, o apoa, porque aqueles tem um discurso antiamericano. Peço vênia aqui para discordar, até mesmo de jornalistas que eu tenho o maior respeito e admiração. Não, não é desconhecimento, não é antiamericanismo o que Lula faz, é identificação!

É impossível para Lula, tendo diplomatas que se formaram em uma das melhores instituições do mundo em diplomacia – O Instituto Rio Branco não fica nada a dever às melhores escolas de formação de diplomatas do resto do mundo -, como assessores diretos, ou indiretos, não saber e não conhecer o que é o regime teocrático do Irã e seu fundamentalismo assassino. Mesmo Celso Amorim, o aspone responsável pelo aconselhamento internacional e que é o ministro das relações exteriores “de facto” do país sabe disso.

Lula é um malandro político, mas malandro no pior sentido, daquele que está longe de se comparar à figura do malandro que o sincretismo religioso brasileiro condensou na figura do “Zé Pelintra” e Mário de Andrade na figura onipresente de Macunaíma. A malandragem de Lula é a da pior espécie. É torpe, é imoral, é destrutiva e que usa de discursos estropiados, se esses discursos o colocarem em primeiro plano para desviar a atenção de sua incompetência congênita.

Lula sabe sim o que é o regime iraniano. Repito, o regime iraniano e não o povo iraniano. Lula sabe que os aiatolás querem bomba nuclear para matar os israelenses e desestabilizar todo o Oriente Médio. Lula sabe que o regime de Teerã financia e arma terroristas no mundo todo. E, por saber os apoia. Isso revela quem, de fato Lula é. Intolerante, preconceituoso, antissemita, contra a democracia, contra os valores judaico-cristãos que formaram o ocidente, contra a liberdade de qualquer natureza. O comportamento de Lula revela o seu sonho: ter o mesmo poder que Ali Khamenei tem para matar e destruir todos aqueles que não se ajoelham diante dele e digam sempre “sim senhor!”.

Desculpem-me todos aqueles jornalistas sérios e comprometidos com a notícia de que Lula não sabe o que é o regime do Irã. Ele sabe sim, e por isso saber disso ele compromete o país, como um todo, apenas para saciar seu sonho abominável de um dia, quem sabe, ter o mesmo poder que os aiatolás para fazer uma nação, escrava de sua vontade. O pior de tudo é saber que no Brasil há um magote de doidos que, sendo livres, não veem a hora de se tornarem escravos desses regimes abomináveis.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

SANHA CENSORA

A esquerda brasileira, com sua proverbial preguiça macunaímica, encontrou um aliado de peso para proclamar uma república censora em que só eles devem ter voz, ação e direção para toda a sociedade brasileira. Na prática, tanto a esquerda, seja ela a carnívora, ou a herbívora, aliou-se ao stf – assim mesmo em minúsculo, para homenagear a bagunça institucional deles -, com o claro intuito de proclamar uma “democracia relativa”, em que o povo só tem o direito de votar nos candidatos deles, voltar para casa e ficar calado.

Mas, essa estratégia deles, diga-se de passagem, é um reflexo de dois tiros nos pés que deram ao longo do século XX, e agora precisam, com urgência de leis e instrumentos para calar todos aqueles que os incomodam. Como sabem que a sua sanha censora não passa no legislativo, mesmo com a baixíssima qualidade de nossos mandatários, então buscam guarida em um supremo tribunal que adora ditadura, mandam, mesmo atropelando todas as leis e estão a um passo de proclamar uma república norte-coreana na terra de Pindorama.

O primeiro tiro, dado no pé direito foi aquele movimento que Elio Gaspari chamou de “Ilusões Armadas”, ou seja, a esquerda cultivava o ideário de tomada de poder pelas armas, pelo paredão, pelo fuzilamento, como fizeram os irmãos assassinos Castro e o genocida Che Guevara. Deram com os burros n’água com o movimento de 1964 e foram lamber as suas feridas nos infernos capitalistas da Europa. Não há um ex-asilado daquela época que, defendia o modelo cubano, ou albanês, ou chinês de Estado que foi tirar uma temporada de exílio em Cuba, na Albânia, ou mesmo na União Soviética, ou China. Foram todos para infernos como Inglaterra, Escócia, França, Suécia, Itália. Mas, deixa isso para lá… são apenas queixas.

O segundo tiro, dessa vez, dado no pé esquerdo foi a volta dos mesmos e a mudança de sua prática. Como tomar o poder pelas armas foi uma frustração, abandonaram a lorota de revolução armada e se concentraram na estratégia do carcunda tarado de Roma: Antônio Gramsci. Este dizia, nos seus famosos “Cadernos do Cárcere” a fazer a revolução comunista infiltrando-se nas estruturas do estado burguês: economia, jornalismo, sistema judiciário, executivo, produção, e, de dentro para fora apodrecer o sistema para ele cair, por si só.

Não é à toa a sintomatologia da imprensa nacional, em que há mais comunista do que jornalista, em que as posições ideológicas das redações têm mais espaço que a notícia em si. Mas esses mesmos ideólogos e executores não contavam com o avanço da tecnologia, o surgimento das redes sociais e a pulverização da fonte de notícia e informação. A internet, apesar de seus defeitos e “zonas cinzentas” teve o condão de descentralizar a notícia, a informação e a busca do fato, independente dos militantes de redação.

A esquerda investiu quase trinta anos para formar militantes e infiltrá-los em todos os cantos, tanto da administração pública, das redações de notícias e das famigeradas ONG que vivem dependuradas, como carrapatos, no bolso do pagador de imposto, sugando o suor alheio e defendendo o belo, o bom e o justo, quando na verdade sonham e escravizar uma nação inteira em seus delírios vermelhos.

Da para entender, agora a sanha censora desses cabras, ou será necessário um desenho? São quase cem anos de lutas infrutíferas que deram com os burros n’água. Agora encontraram um supremo para chamar de “seu”, a fim de, finalmente, chegarem ao poder, dar um cala boca no país inteiro e se perpetuarem no poder, até caírem de podre e deixar uma nação arrasada, afora os milhões de mortos que será o resultado inexorável de sua visão de “admirável mundo novo”.