RODRIGO CONSTANTINO

GOVERNO LULA É UMA “MÃE” PARA OS BANQUEIROS

Endividamento Lula

O Master é um caso particular que envolve roubalheira. Mas os bancos, em geral, estão felizes com o governo Lula. O lucro dos bancos brasileiros subiu e alcançou a marca histórica de R$ 255 bilhões em 2025, novo recorde

O Banco Master, de porte médio, causou um estrago gigantesco no sistema com suas falcatruas, e só de devolução num eventual acordo de delação premiada se fala em R$ 60 bilhões que Daniel Vorcaro poderia entregar. Hoje já sabemos que esse esquema do Master teve ligações próximas com a turma do PT, principalmente da Bahia. Lula ofereceu “chuva de picanha” para os pobres, mas no fundo seu governo gosta mesmo de ajudar ricaços.

O Master é um caso particular que envolve roubalheira. Mas os bancos, em geral, estão felizes com o governo Lula. O lucro dos bancos brasileiros subiu e alcançou a marca histórica de R$ 255 bilhões em 2025, novo recorde. Os números são do Banco Central. O aumento ocorreu em um ano no qual a taxa básica de juros da economia, fixada pelo Banco Central para conter a inflação, subiu para 15% ao ano – o maior nível em quase 20 anos, e um dos mais altos do mundo em termos reais.

O governo Lula expande gastos de forma irresponsável, eleva o endividamento público a patamares insustentáveis, fomenta dívida recorde das famílias, pressiona o preço dos bens e serviços, e tudo isso leva à necessidade de uma taxa de juros alta. Sem a cavalaria fiscal, sem estancar a sangria dos gastos públicos, o que resta é depender de “agiotas”. A culpa não é do “mercado”, mas do próprio governo.

Com esse modelo lulista, o pobre fica mais pobre e o rico, mais rico. Em vez de picanha, os pobres leem no jornal como caldo de osso faz bem à saúde, ou que o ovo é um ótimo substituto da carne como proteína. Quem não tem cão caça como gato.

Criar pobreza é parte da estratégia de poder do PT. Quanto mais gente dependendo de esmolas estatais, melhor. Por isso nunca houve uma porta de saída para os programas assistencialistas, e os petistas sempre comemoraram mais e mais gente vivendo as migalhas estatais. É o velho voto de cabresto, e Lula, em ato de sincericídio similar ao que o levou a afirmar aos jovens que não encontrarão nele um político honesto, já revelou que quando o cidadão ganha um pouco mais e estuda mais deixa de votar no PT.

Por outro lado, é preciso criar dependência dos mais ricos também. Competir no livre mercado é sempre um enorme desafio, e as empresas grandes já estabelecidas adorariam mecanismos que impedissem essa concorrência. Subsídios do BNDES, barreiras protecionistas, isenções fiscais, compras do governo, esquemas com estatais e recursos de fundos de pensão: tudo isso ajuda a criar reservas de mercado e beneficiar os “amigos do rei”. Setores cartelizados adoram governos intervencionistas!

Segundo dados da Febraban, existem pouco mais de cem instituições financeiras no Brasil. O sistema bancário brasileiro, porém, é altamente concentrado: os maiores (como Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa e Nubank) dominam a maior parte dos ativos e clientes, enquanto há muitos bancos menores e digitais. Desses maiores, dois são estatais.

Nos Estados Unidos, existem 4.278 instituições financeiras seguradas pela FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation) no 1º trimestre de 2026. São quase quatro mil bancos comerciais. O setor é muito mais fragmentado nos Estados Unidos, onde há bem mais competição. São milhares de bancos pequenos e regionais (community banks), além dos gigantes como JPMorgan Chase, Bank ofAmerica, Wells Fargo, Citibank etc. Detalhe: o Bank of America, apesar do nome, não é estatal. Nenhum desses bancos grandes pertence ao Estado!

No Brasil, uma reunião do governo com os representantes de Itaú e Bradesco já representa quase um encontro de cartel, uma vez que o próprio governo concentra cerca de metade do crédito no país. É muito poder e dinheiro em pouca gente. Em vez de livre mercado, o que temos é um capitalismo de Estado, como na China. Agora ficou mais fácil entender porque temos essa aparente aberração de banqueiros socialistas, que fazem o L, não é mesmo?

RODRIGO CONSTANTINO

MENDONÇA CONTRA A MÁFIA: MINISTRO LAVOU A ALMA DO BRASILEIRO DECENTE

Mendonça diz ter recusado proposta de “delação seletiva” de Vorcaro: “Perderam o pudor”

Mendonça afirmou que “certos setores atuam para criar um vício” com o objetivo de anular a investigação do caso Master

O ministro André Mendonça, ao votar pela manutenção da prisão do pai e do primo de Daniel Vorcaro nesta terça-feira, protagonizou um embate com o ministro Gilmar Mendes que viralizou nas redes sociais. E não foi para menos! Mendonça lavou a alma do brasileiro decente, demonstrando coragem e independência para manter não só as prisões, como as investigações do caso Banco Master, contra toda a pressão do sistema.

Mendonça revelou ter recusado uma proposta de “delação seletiva” vinda da defesa de Vorcaro: “Me chegou uma proposta por um advogado, perderam o pudor, [dizendo]: ‘Queremos fazer uma delação seletiva’. Falaram na minha cara isso. Eu disse: ‘Não faço questão de delação. Agora, delação seletiva, comigo, não’”, disse Mendonça, sem identificar o advogado responsável pela proposta.

Mendonça reiterou que a colaboração premiada deve ser um ato de vontade da defesa e que seu único compromisso é com o que a investigação determinar, e não em “pegar todo mundo” por conveniência. O ministro deixou claro isso pois Gilmar fez logo um paralelo com a Lava Jato, sua grande obsessão, querendo claramente plantar a semente da nulidade ali na frente.

Gilmar Mendes nem sempre foi contra a Lava Jato. Ao contrário: ele era um dos seus maiores defensores no Supremo. Mas algo aconteceu que o fez mudar repentinamente de postura. E desde então o decano da Corte vem tratando a Lava Jato como o maior desvio da Justiça brasileira, não como a mais eficaz operação de combate à corrupção que tivemos.

O povo parece discordar, tanto que o ex-juiz Sergio Moro lidera a corrida para o governo do Paraná, segundo pesquisa recente do IGR (Registro no TSE sob o nº PR-07149/2026), que ouviu 1.000 entrevistados entre os dias 10 e 13 de junho de 2026 e tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 3,1 pontos percentuais. O ex-coordenador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, também tem boas chances de ser eleito para o Senado, conforme a mesma pesquisa do IGR. Não obstante, Mendonça fez questão de deixar claro que uma coisa é a Lava Jato, e outra é o caso Master. O ministro tem tomado o cuidado de fazer tudo dentro das regras para não permitir a anulação posterior das sentenças condenatórias, quando vierem.

“Não estamos aqui a julgar a Lava Jato. Estamos a julgar a maior fraude financeira do nosso país”, retrucou Mendonça no inicio de seu voto. Ele rebateu as críticas de Gilmar, afirmando que o processo não trata de “simples atores num gabinete na Faria Lima” praticando crimes de colarinho branco. Segundo o relator, a investigação revelou “contornos de máfia” e de “crime organizado mafioso”, com uso de fuzis, metralhadoras e infiltração no sistema policial.

De fato, “moer” uma empregada, “quebrar os dentes” de um jornalista e ter como braço-direito alguém chamado de Sicário, matador de aluguel, não é coisa de crime financeiro da Faria Lima apenas. No mais, o que o Tayayá de Toffoli tem a ver com a Faria Lima? O que o contrato de R$ 129 milhões com o escritório da família de Alexandre de Moraes tem a ver com o mercado financeiro?

O Brasil precisa passar a limpo esse caso Master, pois tudo leva a crer que Vorcaro se transformou na maior lavanderia do sistema podre e carcomido do país. Como tem muita gente envolvida, o esforço será para abafar as investigações e assar a pizza. Por isso mesmo, a postura de Mendonça merece tanto apoio: ele resolveu remar contra essa maré e desafiar os poderosos corruptos.

Mendonça precisa tomar cuidado, evitar jatinhos e reforçar sua segurança. Ele mexeu num vespeiro. O senador Sergio Moro comentou: “Cabe elogiar a Segunda Turma do STF que, por maioria, manteve a prisão preventiva do pai e do primo de Daniel Vorcaro pelo gangsterismo de suas condutas e pelo risco ao processo. Sinaliza ao próprio Vorcaro que ele ficará – como deve ficar – preso. Os Mins. André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques honraram as togas e não embarcaram nas narrativas falsas sobre a investigação ou sobre os motivos das prisões”. Moro acrescentou: “Gilmar Mendes, apesar de sua ladainha contra a Lava Jato, fracassou em sua tentativa de livrar da prisão preventiva a gangue do Master. Vitória da lei e da justiça”.

O advogado André Marsiglia fez a seguinte análise: “O resultado mais importante do julgamento de ontem não foi a manutenção das prisões do clã Vorcaro, mas a demonstração de força de Mendonça diante dos demais ministros, sobretudo de Gilmar. Se o clã Vorcaro tivesse sido solto, ou se Mendonça não tivesse atuado de cabeça erguida, estaria aberto o caminho para a soltura do próprio Vorcaro. O que aconteceu ontem, e a forma como aconteceu, dificultam esse movimento. A ala que quer enterrar o caso Master terá trabalho”.

Mendonça disse que a irmã de Sicário, quem ele custou a acreditar que se matou, teve acesso a dados do iCloud do celular do irmão que a PF ainda não conseguiu acessar. Em seguida, leu a troca de mensagens: “Destruir de vez com a menina não custa”. Mendonça, então, defendeu que esse conteúdo venha à tona, e disse: “Vem mais coisa por aí”. É o que o Brasil todo deseja, à exceção dos corruptos. Com sua postura firme contra a Máfia, André Mendonça alimentou a esperança de combate à impunidade, que vinha sendo destruída num país em que até Sergio Cabral está solto e Lula “voltou à cena do crime”…

RODRIGO CONSTANTINO

HADDAD E A ARGENTINA: EX-MINISTRO SÓ ENGANA QUEM QUER SER ENGANADO PELO PETISMO

Haddad sinaliza Marina, Tebet e França como possíveis vices para candidatura ao governo de São Paulo

Petistas não têm compromisso com a verdade, mas Haddad podia pegar leve nas mentiras sobre a Argentina de Milei

Que petistas não têm qualquer compromisso com a verdade todos já sabem. Mas eles deveriam, ao menos, pegar leve nas mentiras, evitar exageros grotescos. Não foi o que fez Fernando Haddad. Em uma publicação no X, o ex-ministro de Lula resolveu culpar Javier Milei pelos problemas ainda existentes na Argentina, que sofreu por anos com gestões lulistas terríveis. Haddad escreveu:

A Argentina era, até dois anos atrás, a referência de uma certa camada da sociedade brasileira que via no Milei o homem corajoso da motosserra. Olha o que está acontecendo com a Argentina hoje. Não é coragem ferrar o mais pobre. Isso é covardia. E nem na aritmética funciona: você deprime o consumo e a economia para de crescer. Dá para preservar direitos, sobretudo da população mais vulnerável, crescer mais e ajustar as contas ao mesmo tempo. Sem prejudicar ninguém. O governo Lula está provando isso.

O governo Lula está provando, uma vez mais, que a gastança irresponsável e o populismo fiscal sobram elevado preço, especialmente dos mais pobres. Já a Argentina de Milei vai à contramão, mostrando que as reformas liberais funcionam. A economia do país, que estava em frangalhos quando o lulista Alberto Fernández saiu, voltou aos trilhos, e até a inflação está desacelerando bem.

A pobreza na Argentina despencou. Milei tomou posse com 41%, e no meio de 2025 já estava em 28,2%. Não é muito distante do Brasil, que ao fim de 2024 estava em 23%. A pobreza argentina atingiu com Milei o menor nível em sete anos. Haddad foi desmentido por vários leitores do X, mostrando que não é tão fácil assim enganar as pessoas com mentiras tão escancaradas. A Argentina, inclusive, teve novo upgrade da S&P, que elevou sua nota soberana para B-, citando justamente o ajuste fiscal e a melhora da liquidez.

A receita liberal de Milei é o oposto da política petista liderada por Haddad. O ex-ministro promoveu 28 aumentos de impostos, recebendo a alcunha de “Taxad” não por acaso. Deixou o ministério com um recorde de carga tributária e gastos públicos. A dúvida bruta do governo se aproxima de 100% do PIB, patamar insustentável para países emergentes. Cerca de R$ 200 bilhões de estímulos econômicos se deram fora do orçamento, ou seja, com “pedaladas fiscais”.

A economia argentina cresceu 4.4% no último ano, contra apenas 2.3% do Brasil. O governo registrou superávit primário pelo segundo ano seguido, enquanto o Brasil petista fechou o último ano com déficit de 60 bilhões de reais. A inflação da época lulista chegava a incríveis 30% ao mês, e com Milei ela foi para perto de 3%.

O Brasil está pagando IPCA + 8% ao ano de retorno aos investidores de títulos públicos, uma taxa de agiotagem, e isso se deve exatamente ao descaso com as contas públicas. Ou seja, Haddad mente que nem sente, mas só engana mesmo os trouxas que querem ser eternamente enganados pelo petismo. Qualquer um que sabe o básico de aritmética entende que o PT está destruindo a economia brasileira novamente, enquanto o liberal Milei está recolocando a economia argentina nos trilhos.

Costuma ser sempre assim: a esquerda destrói a economia, a direita chega para limpar as lambanças esquerdistas, e a esquerda, fingindo não ter nada com isso, denuncia a fase dura de ajustes como culpa da direita. É um ciclo conhecido, e felizmente cada vez mais gente percebe o truque.

RODRIGO CONSTANTINO

A REVOLTA CONTRA A EXCELÊNCIA

MPF aciona Justiça para que o Albert Einstein reserve 55% das vagas de residência médica para cotas, conforme regra do Ministério da Saúde

O Ministério Público Federal (MPF) protocolou uma ação civil pública na 8ª Vara Cível Federal de São Paulo para solicitar que o Hospital Israelita Albert Einstein implemente a política de cotas. O pedido visa que a instituição abra editais complementares no processo seletivo de residência médica de 2026. O órgão afirma que o hospital tem imunidade tributária e precisa retribuir o benefício à sociedade.

A Sociedade Israelita Albert Einstein alega usar recursos próprios na residência e requer autonomia administrativa para organizar o próprio processo seletivo. O MPF defende que haja uma reserva de vagas com os seguintes critérios: 30% para negros; 10% para pessoas com deficiência; 5% para indígenas; 5% para quilombolas; 5% para transexuais.

O Einstein é reconhecido por sua excelência em vários tratamentos de doenças, mas para o câncer da política identitária não há cura fácil. Trata-se de uma ideologia nefasta que vem se infiltrando na sociedade há décadas por meio do aparelhamento esquerdista. O Ministério Público não está impune. A mentalidade coletivista e marxista predomina.

Do ponto de vista jurídico, a defesa do hospital é robusta. Nas informações encaminhadas ao procedimento do MPF, a instituição argumentou que seus programas de residência médica são financiados com recursos próprios e que, portanto, não haveria obrigação legal específica para a reserva de vagas. O Einstein afirmou ainda que os programas de residência não mantêm vínculo com os projetos do Proadi-SUS, e sim com as normas editadas pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM). Esse órgão teria tornado as cotas facultativas ao não estabelecer critérios objetivos para estruturá-las nos processos seletivos.

Mas a ação movida pelo MPF denota um problema mais profundo no país dos coitadinhos: a rebelião contra a excelência, a revolta contra o mérito. Enquanto a esquerda não destruir tudo aquilo que presta no Brasil, ela não vai sossegar.

Quando alguém busca um médico, a última coisa a ser questionada é a cor da pele, a origem indígena ou a preferência sexual. O que se procura é a capacidade, o talento. Como alguém que passou recentemente por um pesado tratamento contra um câncer agressivo, posso atestar que sequer entrou na minha lista de prioridades quais características identitárias meus médicos possuíam. Em tempo: os dois principais, meu oncologista e minha médica do transplante de medula, são brasileiros trabalhando na Universidade de Miami. Eles não chegaram aqui por cotas.

Imagina alguém pegar um voo e perguntar, antes de mais nada, se o piloto é cotista e se a empresa aérea “devolveu” à sociedade os benefícios recebidos pelo Estado. Creio que absolutamente ninguém, nem mesmo um esquerdista, queira pilotos de avião com base na “justiça social”, não é mesmo?

Essa ideologia perversa vinha avançando com tudo nos Estados Unidos também, mas o presidente Donald Trump declarou guerra a ela. Logo no começo de sua nova gestão, lembrou que existem apenas dois gêneros, vetou homens em esportes femininos e instituiu a volta da meritocracia na esfera federal, inclusive e principalmente nas forças militares. Afinal, na hora de enfrentar terroristas islâmicos ou russos e chineses, a última coisa que importa é se há transexuais o suficiente nas forças armadas!

Essa ação do MPF é tão absurda que sequer deveria ser debatida. Mas, infelizmente, essa tem sido a regra em nosso país. A ideologia esquerdista é sempre colocada acima do mérito, e uma legião de oportunistas encontra nisso uma carreira que independe dos talentos individuais.

Para ser mais justo, ao menos deveria ter a seguinte regra: os esquerdistas defensores de cotas serão atendidos pelos médicos cotistas, enquanto os demais serão atendidos pelos médicos que se formaram sem depender de critérios identitários. Na prática isso é inviável, claro. E por isso a esquerda pode seguir com sua hipocrisia: a turma socialista que “adora” o SUS sempre busca a excelência do Einstein ou do Sírio Libanês, enquanto os inocentes úteis que votam neles se lascam nas mãos dos incompetentes.

RODRIGO CONSTANTINO

POPULISMO EXPLOSIVO

Lula

Os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres: eis o resultado inexorável do esquerdismo

Em seu editorial de hoje, o Estadão mostra que Lula quebra o Brasil para se reeleger. Não é novidade: foi o que aconteceu no passado recente, quando as “pedaladas fiscais” garantiram a reeleição de Dilma e o país, logo depois, foi à bancarrota. Não se trata de incapacidade, portanto, mas de método, de projeto deliberado do PT para se manter no poder.

“Petista usa truques contábeis para esconder o aumento cavalar de despesas, lembrando as malfadadas pedaladas fiscais de Dilma. Mas a conta da dívida pública explosiva sempre chega”, diz o jornal. O editorial toma como base estudo da XP Investimentos, assinado pelo economista Marcos Mendes. “Segundo o economista, somente neste ano foram nada menos do que 33 medidas diferentes, somando a incrível marca de R$ 215 bilhões em aumento de despesas ou redução de receitas”, diz o jornal.

Para o Estadão, porém, o problema está no timing e nos truques para ocultar os gastos, não nos gastos em si: “Não se discute a conveniência desses gastos – todos parecem bastante justificados quando analisados um a um, ainda que se possa questionar a incrível coincidência de todos estarem sendo feitos justamente em ano eleitoral. O problema está em escamotear esses gastos da sociedade, fazendo parecer que o arcabouço fiscal continua em pé e saudável. Esses truques servem apenas para cumprir formalmente as regras fiscais, mas não são suficientes para fazer o dinheiro aparecer do nada”.

Mas o problema não é “apenas” esse, e sim o modelo de bem-estar social em si. O welfarestate tupiniquim é uma máquina de criar dependência, resgatando o velho voto de cabresto. Há cidades no Nordeste em que temos mais gente dependendo de migalhas estatais do que trabalhador com carteira assinada. Isso vai à contramão de Santa Catarina, que é o estado com menos assistencialismo, e não por acaso aquele mais conservador do país.

Como consequência disso tudo, temos o empobrecimento permanente de boa parcela da população, que vota na esquerda populista perpetuando um círculo vicioso. Enquanto isso, aqueles com poupança acumulada se beneficiam dos altos retornos oferecidos por um governo perdulário e irresponsável.

As taxas dos títulos públicos do Tesouro Direto voltaram a patamares historicamente muito altos. O Tesouro IPCA+ voltou a pagar 8% ao ano acima da inflação, enquanto os papéis do Tesouro Prefixado estão oferecendo mais de 14% ao ano. São taxas insustentáveis, que remetem à agiotagem. Não adianta culpar o “mercado” quando fica claro que o problema está na sangria fiscal.

O rentismo prospera no Brasil justamente porque o populismo é a regra nas finanças públicas. Com cerca de 17 anos de petismo desde 2003, não poderia ser diferente. A esquerda ferra com os mais pobres, endivida o Estado de forma insustentável, e depois reclama dos investidores que exigem elevados retornos para financiar o Estado falido. Os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres: eis o resultado inexorável do esquerdismo.

Todo economista sério conhece a solução: reformas estruturais, cortes de despesas, privatizações, redução drástica do tamanho do Estado. O melhor programa social é o trabalho, e isso depende de um ambiente mais competitivo, com menos burocracia e insegurança jurídica, menores taxas de juros, mão de obra mais qualificada e infraestrutura decente. Investir nisso, contudo, significa dar mais liberdade e independência ao povo, ao eleitor, e isso é intolerável para a esquerda, que vive dos votos dos mais pobres e ignorantes.

A velha imprensa precisa parar de achar que o PT erra tentando acertar. O petismo aposta na desgraça econômica justamente porque ela produz dependência estatal. É por isso que o lulismo sempre promove esse populismo explosivo. Quebrar o país para se manter no poder é a estratégia política da esquerda.

RODRIGO CONSTANTINO

LIÇÕES PERUANAS

A conservadora Keiko Fujimori e deputado de esquerda Roberto Sánchez se enfrentam em segundo turno para o cargo de presidente do Peru

Escrevo esse texto com o resultado eleitoral ainda inconclusivo no Peru. Mais de 90% das urnas foram computadas e Keiko Fujimori lidera por uma margem bastante estreita. Provavelmente menos de cem mil votos vão definir o pleito. Independentemente do resultado oficial, já podemos extrair algumas lições importantes para o caso brasileiro.

Em primeiro lugar, a prioridade é sempre derrotar o comunismo. Quando o Foro de SP consegue colocar suas garras no poder, o estrago que se segue, tanto em termos econômicos como de perda de liberdades, costuma ser fatal. Impedir a destruição total do país deve ser o foco.

Para esse objetivo é preciso lembrar que nenhum candidato de oposição ao comunismo precisa ser perfeito. Política é a arte do possível, não um concurso moral. Keiko Fujimori está longe de ser uma candidata que empolga.

Os principais escândalos associados a ela giram em torno de acusações de financiamento irregular de campanhas e lavagem de recursos, especialmente no contexto do escândalo Lava Jato. Ela nega todas as acusações e se declara vítima de perseguição política.

O caso mais emblemático é o Cócteles, uma investigação sobre o suposto recebimento de fundos ilícitos para as campanhas presidenciais de 2011 e 2016. Ela teria recebido US$ 1,2 milhão da Odebrecht por meio de doadores falsos em “coctéles”, eventos de arrecadação. Keiko chegou a ser presa e ficou cerca de 18 meses detida.

Ou seja, ninguém de direita pode efetivamente vibrar com essa vitória. Mas tem o direito de comemorar a eventual derrota do seu adversário, Roberto Sánchez. O psicólogo foi ministro do governo de Pedro Castillo e defende várias bandeiras socialistas. Deseja inclusive uma nova Constituição para o país. Sua base de apoio é o interior rural mais pobre, zonas andinas e eleitores indígenas. É um crítico do modelo capitalista, adotando discurso extremamente populista.

Sánchez também foi acusado de crimes financeiros relacionados a declarações falsas de contribuições de campanha (2018-2020). O Ministério Público pediu mais de 5 anos de prisão eo caso ainda está em andamento na Justiça.

Essas eram as alternativas apresentadas ao eleitor. Diante disso, o “isentismo” parece uma péssima opção. O liberal Alvaro Vargas Llosa, filho do grande escritor Mario Vargas Llosa, comentou: “Acabei de votar nas cruciais eleições peruanas. Cedo, confiante na maturidade do povo peruano após tantas desilusões, com a serena satisfação de ter cumprido um dever moral elementar diante da encruzilhada que o país enfrenta”.

Keiko Fujimori agradeceu publicamente o apoio de Alvaro: “Todos unidos por uma grande defesa democrática”. O voto nulo, nesse caso, representaria uma chance extra para o socialismo. E eis a lição mais importante que o Peru deixa.

Cada voto importa. Numa disputa tão acirrada, a decisão é no photochart. O corolário disso é que toda demonização de outros candidatos anticomunistas é fazer o jogo dos comunistas. No segundo turno, é voto a voto, e é preciso fomentar a união daqueles que rejeitam o destino socialista. Para tanto, é preciso engolir sapos e compreender que o candidato não será perfeito. Não se pode perder de vista o real objetivo: impedir a destruição total do país, resultado inexorável da manutenção da esquerda radical no poder.

RODRIGO CONSTANTINO

O INIMIGO É O NARCOESTADO

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Porta-voz do Departamento de Estado diz que CV e PCC também atuam nos EUA

“Vínculo do PCC com setor de combustíveis eleva risco para Brasil após decisão de Trump”, diz manchete da Folha de SP. “Bancos não descartam se unir ao governo para tentar convencer os EUA a reverterem medida sobre facções”, diz chamada do Valor Econômico. O problema é a decisão americana, não o controle de vários setores pelo crime organizado? Tecla SAP: combater as facções terroristas ameaça nossa economia, ou seja, o Brasil já é um narcoestado!

Isso nos remete à época da Lava Jato em que petistas condenavam a operação de combate à corrupção porque afetava a Petrobras. Ou seja, o problema não é a corrupção na estatal, mas combater essa corrupção! O grau de inversão é chocante e parece que muitos normalizaram o absurdo: não podemos enfrentar o crime porque ele é importante para a economia!

Enquanto isso, o Paraguai segue a Argentina e classifica o PCC e o CV como terroristas. Os países vizinhos ainda reforçaram suas fronteiras para tentar impedir o avanço das facções em seus territórios. Seria bizarro se alguém argumentasse que isso pode prejudicar as economias dos dois países, não é mesmo?

Essa decisão do governo Donald Trump tirou do armário muito “advogado” do crime organizado. Não falta gente saindo em defesa do PCC e do CV, o que nos mostra como décadas de lavagem cerebral e bilhões de interesses fazem com que as pessoas abandonem qualquer juízo. O papo de defesa da soberania é ridículo quando pensamos que essas máfias dominam territórios inteiros em que o estado não consegue entrar. Toda ajuda para combater isso deveria ser aplaudida!

Leandro Ruschel resumiu bem: “O melhor dessa decisão dos EUA de tratar PCC e CV como grupos terroristas é facilitar a identificação das lideranças brasileiras, entre políticos, juízes, influenciadores e jornalistas, que estão na linha de frente da proteção aos bandidos”. Nunca foi tão fácil separar o joio do trigo.

Neste domingo tivemos eleições na Colômbia, e o primeiro colocado foi o candidato de direita Abelardo de la Espriella, seguido do comunista ligado a Gustavo Petro. Como a imprensa deu a notícia? Tanto O Globo como Veja disseram que teremos a “ultradireita” contra a esquerda no segundo turno. A esquerda ligada ao narcotráfico, assassina, comunista, é chamada só de esquerda. Mas a direita é “ultradireita” para a velha imprensa. Que piada!

Petro é condenado por ter dinheiro de narcotráfico na campanha dele, o filho está preso por isso, e ele abertamente apoia Maduro e Cuba. Mas não é extremo! Não existe “extrema-esquerda” ou “ultraesquerda” para nossos jornalistas. Enquanto isso, Paloma Valencia, a candidata de centro-direita que ficou em terceiro lugar, imediatamente declarou apoio ao candidato de direita contra os comunistas.

A Colômbia deveria ter melhor memória dos tempos de Pablo Escobar e das FARC, combatidas pelo linha-dura Alvaro Uribe, que também declarou apoio a Abelardo. O elo entre a esquerda radical e o crime organizado não é novidade no continente. Cuba se transformou em hub internacional de tráfico de drogas e terrorismo, enquanto a Coreia do Norte é exportadora de heroína. Não estamos lidando “apenas” com corruptos, mas sim com bandidos totalitários que querem controlar tudo impondo o terror.

Petro já disse que não aceita o resultado das urnas. Isso não é golpismo? Pelo visto a esquerda radical pode tudo. Miguel Uribe foi morto durante a campanha, e a esquerda continua com seu discurso hipócrita contra o “ódio”. Trump, Charlie Kirk, Scalise, Bolsonaro: são vários casos de atentados contra conservadores por motivação ideológica. A extrema-esquerda é assassina!

Vários países da América do Sul têm conseguido se livrar do Foro de SP. Resta o Brasil. Saberemos em breve se o eleitor brasileiro compreende a dimensão do problema. Lula vem destruindo a economia, colocou o país no eixo do mal, a corrupção voltou com tudo e os feminicídios aumentaram. Mas o pior aspecto ainda é a ligação do PT com a bandidolatria, os “diálogos cabulosos” com o PCC. O que está em jogo é grave demais. Espera-se que o Brasil consiga fazer como o Chile e, tudo leva a crer, a Colômbia agora: dar um basta ao comunismo e estancar a sangria que vem transformando o país num verdadeiro narcoestado.

RODRIGO CONSTANTINO

DONALD TRUMP CONTRA TERRORISTAS BRASILEIROS

O governo Trump demonstrou total alinhamento com a agenda do senador Flávio Bolsonaro na questão da segurança pública

A decisão do governo Donald Trump de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas foi uma vitória do Brasil e de Flávio Bolsonaro. “O governo Trump continuará utilizando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar financiamento e recursos a narcoterroristas”, escreveu o secretário de Estado Marco Rubio. Era o dia do seu aniversário, mas quem ganhou um presente foi o brasileiro decente.

Claro que o timing dessa decisão não foi coincidência. O governo Trump demonstrou total alinhamento com a agenda do senador Flávio Bolsonaro na questão da segurança pública, indo contra o Lula, que chama traficante de vítima de usuário. O governo petista nunca quis considerar PCC e CV grupos terroristas, e reagiu com histeria à decisão americana, puxando a cartada da “soberania”.

Mas esse argumento é ridículo. Os Estados Unidos possuem bases militares na Europa e ninguém acha que, por isso, os países europeus são colonizados pela América. Os americanos ajudaram a Colômbia a combater o narcotráfico e só quem era simpatizante de Pablo Escobar poderia ser contra essa ajuda necessária.

Quem não usa boné do CPX ou não mantém “diálogos cabulosos” com o PCC está comemorando. Ninguém acha de verdade que os americanos vão sair colocando alvos aleatórios do nada em brasileiros comuns. Isso é pura paranoia ou narrativa ideológica. O fato inegável é que o Brasil não está dando conta, sozinho, de combater o crime organizado, que aterroriza a população. Confundir soberania com PCC é simplesmente absurdo.

Flávio Gordon questionou: “Estou entendendo errado ou a esquerda brasileira está assumindo de vez que CV e PCC equivalem ao que ela chama de ‘pátria’?”. É o que está parecendo. Celso Amorim reagiu ao comunicado de Rubio, para a surpresa de zero pessoas, alegando que “equiparar crime organizado a terrorismo não é útil”. Não é útil para o Foro de São Paulo, certamente. Amorim é o mesmo que defende o regime iraniano e que escreveu prefácio em livro favorável ao Hamas!

O Globo embarcou na histeria petista com a seguinte chamada: “Para especialistas, classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA pode oferecer risco à soberania nacional”. O senador Rogério Marinho rebateu: “Para surpresa de zero pessoas, os especialistas do Globo e da esquerda afirmam que classificar criminosos como terroristas oferece riscos a soberania nacional. Soberania padrão PT”.

A direita foi à contramão, celebrando a decisão. Flávio Bolsonaro divulgou a postagem de Rubio e escreveu: “Grande dia”. Nikolas Ferreira chamou a decisão de “golaço” do Flávio Bolsonaro. Podem existir algumas preocupações legítimas de especialistas, principalmente na questão dos bancos usados para lavar dinheiro do crime organizado, mas os benefícios superam e muito os riscos. Os Estados Unidos não possuem um histórico de abusos, e sempre estiveram do lado certo nas grandes guerras, seja contra o nazismo, o comunismo, o fascismo e o terrorismo.

Depois de criticarem o senador Flávio Bolsonaro pela relação de proximidade com Daniel Vorcaro ao longo das últimas semanas, os ex-governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema usaram o anúncio da classificação das facções brasileiras como terroristas pelos Estados Unidos para criticar o governo Lula. Ambos reagiram à decisão, anunciada ontem pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, em vídeos publicados nas redes sociais, nos quais subiram o tom contra a conduta da gestão petista na segurança pública.

“Vejam que absurdo, o PT diz que tratar facção como terrorista ameaça a soberania do Brasil e que isso facilita uma interferência americana no Brasil. Quem ameaça a nossa soberania é justamente o PCC e o Comando Vermelho. Eles dominam territórios do Brasil. Lá, quem manda são eles, e não o governo. Nossa soberania não está ameaçada, ela foi roubada e o Lula nunca fez nada a respeito. Pelo contrário, ele só passa pano para bandido”, disse Zema.

A disputa nunca esteve tão clara no que diz respeito ao crime: do lado esquerdo, a turma que quer proteger as facções que aterrorizam o povo brasileiro; do lado direito, aqueles que querem endurecer no combate à bandidagem, contando com a ajuda americana para libertar o povo brasileiro. Que o eleitor tenha juízo e possa compreender o que está em jogo nessa disputa…

RODRIGO CONSTANTINO

A POLÍTICA FLUMINENSE

Cláudio Castro

Oitava fase da Op. Compliance Zero apura influência de Castro na aplicação de recursos da previdência fluminense em papéis podres do Master

Mensagens trocadas entre o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro levaram a Polícia Federal a mapear uma série de encontros entre eles em datas próximas aos aportes do Rioprevidência no Banco Master, que totalizaram cerca de R$ 3 bilhões. Foram oito ocasiões em que os dois estiveram juntos no Rio, em São Paulo e em Nova York, de maio de 2023 a maio de 2024. Os agentes concluíram, a partir do conteúdo extraído do celular de Vorcaro, que os investigados mantinham “laços de amizade”.

O material, revelado ontem pela GloboNews e obtido pelo Globo, mostra que Vorcaro convidou Castro, em 14 de maio de 2024, para uma degustação exclusiva de uísque em Nova York. Segundo a PF, o evento, restrito a dez pessoas, custou US$ 1,013 milhão, o equivalente a mais de R$ 5 milhões na cotação atual. No dia seguinte, o Rioprevidência adquiriu R$ 80 milhões em letras financeiras do Banco Master.

Se Cláudio Castro acabar preso, será apenas mais um ex-governador do Rio a seguir esse caminho, que já virou uma sina a ponto de Eduardo Paes brincar que se não for preso após um eventual futuro governo já seria uma vitória.

O Rio de Janeiro tem um histórico notório de ex-governadores envolvidos em escândalos de corrupção, especialmente a partir da Operação Lava Jato e outras investigações da Polícia Federal. Sergio Cabral foi preso em 2016, após ser condenado a mais de 400 anos de prisão. Ficou preso, porém, por cerca de 6 anos apenas.

Pezão foi preso em 2018 por lavagem de dinheiro, o único preso em exercício do mandato. Garotinho foi preso ao menos cinco vezes entre 2016 e 2019, e sua esposa Rosinha também foi presa envolvida em investigações de corrupção e fraudes eleitorais. Moreira Franco foi preso em 2019. Nenhum deles continua preso, mostrando que o crime compensa e a impunidade é a regra.

Wilson Witzel não chegou a ser preso, mas teve o mandato cassado por impeachment. Entre os governadores eleitos nas últimas décadas, quase todos enfrentaram prisão, cassação ou inelegibilidade. E isso para focar apenas nos governadores. É do Rio também a família Brazão. Domingos Inácio Brazão (ex-deputado estadual e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro) foi preso em março de 2024, acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes em março de 2018.

No caso das movimentações suspeitas que o Coaf apontou, que deu destaque à “rachadinha” no gabinete de Flavio Bolsonaro, o primeiro da lista era André Luiz Ceciliano, um político do PT com longa trajetória na política fluminense. Ele tinha movimentado quase cinquenta milhões de reais! Ele é uma figura influente na Baixada Fluminense e na ALERJ, com forte articulação política. Este ano, seu nome chegou a ser cotado para candidato a governador tampão caso houvesse eleição indireta na Assembleia.

Muito mais poderia ser dito, mas o leitor já pegou o jeitão da coisa. O Rio é um experimento social fracassado. Como “carioca da gema”, posso dizer isso com convicção. Há malandro demais para otário de menos no meu saudoso estado. Se há corrupção em todo lugar, no Rio já virou algo totalmente endêmico. O grande risco do Brasil é virar um enorme Rio de Janeiro, um narcoestado dominado por bandidos e com território dividido entre traficantes e milicianos.

Que, neste ambiente tóxico, Jair Bolsonaro tenha participado da política fluminense por décadas sem envolvimento em qualquer escândalo mostra que realmente esse parece um caso raro de honestidade em meio a uma multidão de picaretas. É um mérito que ninguém pode negar…

RODRIGO CONSTANTINO

O SIMBOLISMO DE UMA IMAGEM

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O senador e pré-candidato a Presidência Flávio Bolsonaro durante encontro com o presidente Donald Trump, dos EUA, nesta terça (26)

O senador Flávio Bolsonaro conseguiu o encontro com o presidente Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca, com direito a uma foto e tudo. Até a hora do almoço de terça-feira (26) esse encontro não estava garantido, principalmente pela agenda corrida de Trump. Mas Flávio foi capaz de se reunir com o presidente, mesmo não sendo chefe de Estado, e isso representou um gol importante em sua campanha.

Claro que não significa um endosso de Trump à candidatura de Flávio, e não deveria. Mas é um sinal de respeito inequívoco, que serve também para mostrar ao presidente Lula que existe alternativa para os Estados Unidos. Trump vem negociando com Lula pautas sensíveis, e o presidente brasileiro promete muita coisa, mas não entrega. Agora mesmo baixou decretos que incomodaram as Big Techs. Trump quer um Brasil mais afastado da China, e Flávio representa a candidatura mais alinhada do ponto de vista ideológico.

Na questão das organizações criminosas, Flávio Bolsonaro levou a Trump a demanda pela classificação do CV e PCC como grupos terroristas, o que mostra o abismo em relação à postura lulista, que se recusa a definir assim essas entidades, chama traficante de vítima de usuário, veste literalmente o boné de uma facção e sobe morro dominado sem escolta policial.

A campanha de Flávio estava na defensiva, nas “cordas”, principalmente por conta dos áudios vazados das conversas com Daniel Vorcaro. Tinha também o caso da “rachadinha” de Mario Frias, aliado próximo, e nova operação da Polícia Federal mirando Cláudio Castro no Rio, outro aliado. A foto com Trump dá fôlego novo para a campanha, e ajuda a reverter esse quadro. Lauro Jardim comentou no Globo: “Passado o choque, empresariado volta a ter Flávio Bolsonaro como candidato preferencial”.

Caberá ao Flávio, agora, buscar se afastar dos aliados mais tóxicos e radicais, de olho na turma do mercado e nos eleitores de centro, que Lula tem conseguido seduzir em maior número. A aproximação de Trump ajuda nesse sentido, e a esquerda, esquizofrênica, não consegue decidir se responde alegando que Lula também esteve com Trump ou se receber os afagos do presidente americano é ameaça à soberania nacional pelo “imperialismo ianque”. Aliás, a maior prova de que o encontro entre Flávio e Trump foi importante para sua candidatura é a reação histérica da esquerda. Não souberam como lidar com isso e lotaram as redes sociais com pura gritaria.

Flávio se saiu bem na coletiva de imprensa, que contou com a participação de Paulo Figueiredo, uma espécie de assessor informal do candidato, que coordenou a ordem das perguntas e até ajudou seu candidato nas respostas. Figueiredo desponta como forte candidato ao cargo de porta-voz do governo numa eventual vitória de Flávio.

Quanto ao local da coletiva, o hotel em que Flávio estava hospedado, o senador repudiou a postura da Embaixada Brasileira de não lhe conceder o espaço. Adalberto Piotto comentou: “É vergonhoso, ultrajante e mesquinho o Itamaraty negar o uso do Embaixada do Brasil em Washington para que Flávio Bolsonaro concedesse uma entrevista após a reunião com Trump, na Casa Branca. A embaixada é um espaço público no exterior que pertence a todos os brasileiros, não é do governo Lula. Flávio é um senador da República no exercício do cargo, antes de tudo. É um constrangimento diplomático e internacional que denuncia, uma vez mais, que o governo Lula sequestrou o Estado. O Brasil não pode aceitar isso”.

Enfim, Flávio marcou um gol importante nessa ida aos Estados Unidos, que pode representar o começo de uma virada eleitoral para quem vinha só apanhando. Resta saber, claro, se o PT não guardou munição contra o adversário para usar mais à frente…