RODRIGO CONSTANTINO

VOTO ÚTIL E A MATEMÁTICA DA RETA FINAL: VOTO DISPERSO NÃO VIRA LIÇÃO DE MORAL, MAS VIRA QUATRO ANOS A MAIS DE PETISMO

Não há terceiro caminho viável em 2026 – e quem finge que há está brincando com o futuro do país

A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta (24) (registro no TSE BR-00304/2026.) confirma o que a reta final das eleições de 2026 exige: Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 36% no primeiro turno, e 47% a 45% no segundo. Empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos, com a ressalva de que o instituto tende a subestimar o voto na direita. A dez dias da votação, o eleitor que ainda hesita entre Flávio e nomes menores está, na prática, facilitando a reeleição do petista.

O voto útil não é renúncia de convicção. É aritmética. Cada voto disperso em Cury, Renan, Caiado ou Zema – que somam juntos pouco mais de 10% – é um voto que não chega ao Flávio e que, indiretamente, empurra Lula para o Planalto. Quem quer tirar o PT do poder e não vê outro nome competitivo no primeiro turno tem um único caminho racional: concentrar o voto no nome que disputa de igual para igual.

A polarização brasileira é real e não vai desaparecer por wishful thinking. Lula e Flávio têm rejeição idêntica, 45% cada. O país está dividido ao meio, e essa divisão não é invenção de redes sociais: é o reflexo de dois projetos opostos de país. De um lado, o lulismo de gasto público ilimitado, ativismo judicial e dependência de benefícios eleitoreiros. Do outro, a proposta de menos Estado, mais segurança e freio ao STF. Não há terceiro caminho viável em 2026 – e quem finge que há está brincando com o futuro do país.

No meu X, publiquei ontem à noite os dez argumentos para os indecisos votarem já no Flávio. O primeiro é o mais direto: alternativa explícita ao lulismo no Executivo. O segundo, segurança como prioridade número um, com o plano “Brasil sem Medo” tratando facções como narcoterroristas. O terceiro, tesoura no Estado: corte de pelo menos dez ministérios e reforma administrativa, contra o governo que reduz congelamento e piora o déficit em ano eleitoral. O quarto, imposto, luz e combustível mais baratos, com revisão da reforma tributária. O quinto, o mais importante para mim: STF como Corte constitucional, não superpoder – fim das competências criminais originárias, limite a decisões monocráticas e fim da censura estatal. Lula é Moraes, Moraes é Lula.

Os demais cobrem continuidade do que funcionou entre 2019 e 2022, proteção concreta à mulher sem pacote identitário, saúde e INSS que funcionem de verdade, educação para aprender e não para militância, e política externa alinhada ao Ocidente, não ao eixo do mal. O resumo é este: fazer equivalência entre Lula e Flávio por causa de um filme bancado por Vorcaro é absurdo. Analise o entorno, as agendas e o histórico – Bolsonaro contra Lula, Guedes contra Haddad, Mendonça contra Dino.

Marina Helena, candidata do Novo a deputada federal por São Paulo, gravou vídeo anunciando apoio a Flávio já no primeiro turno. Ela conversou com Zema antes e recebeu autorização. A frase dela resume o raciocínio: “Precisamos tentar nos livrar do Lula já, no primeiro turno”. Ela citou o STF como motivo central – o país não pode correr o risco de ter mais quatro Dinos na Corte, que em 2022 e 2024 censurou redes e bloqueou o X.

Sebastião Coelho, candidato ao Senado pelo Distrito Federal pelo mesmo Novo, fez o mesmo movimento. Desembargador aposentado, ele vinha defendendo Zema e pedindo união da direita. Agora anunciou: “Temos um país para salvar e meu apoio para presidente é Flávio Bolsonaro”. Dois candidatos do partido do Zema, com aval do próprio Zema, abandonando a candidatura do chefe para já apoiar Flávio no primeiro turno. Cada vez mais gente tem feito isso.

A reta final não perdoa dilema de gabinete. Quem ainda espera o “candidato ideal” do Novo no Planalto está negociando com um número que não existe: Zema oscila em torno de 2% no Datafolha. Contra Lula, perde por 48% a 39%. Flávio, no mesmo instituto, empata tecnicamente no segundo turno. A matemática é cruel e simples – voto pulverizado no primeiro turno é o único presente que o petismo ainda pode receber de eleitor liberal.

Quem recusa o voto útil costuma esconder um preconceito estético. Não gosta do sobrenome, do jato, do filme, do Vorcaro, do barulho. Tudo isso pode e deve ser fiscalizado. Nenhuma dessas denúncias, porém, apaga o histórico comparativo: de um lado, Guedes e desestatização; do outro, Haddad e gasto com imposto maior. De um lado, Mendonça; do outro, Dino. De um lado, crítica aberta ao ativismo do STF; do outro, aparelhamento que transformou a instituição em puxadinho lulista. Equivaler os dois projetos porque um empresário apareceu nas duas margens da política brasileira é preguiça intelectual.

A polarização não é um defeito a ser “superado” com candidato de 2%. Ela é o dado. Lula e Flávio têm a mesma rejeição, 45%. O país já escolheu o eixo da disputa. O eleitor do interior, da classe média espremida pela conta de luz e do cidadão refém de facção não vai premiar a pureza doutrinária de quem espalha voto para “marcar posição”. Marcar posição sem alterar o placar é o luxo de quem não paga o preço do lulismo no supermercado, na fila do INSS e na esquina dominada.

O plano de Flávio – tesoura em ministérios, fronteira com Forças Armadas, presídio de segurança máxima, limite a monocrática, energia mais barata, escola para aprender e não para militância – pode ser incompleto. Todo plano de campanha é. O que não é incompleto é o diagnóstico: sem concentrar voto agora, o segundo turno chega com Lula à frente e o Supremo como sócio oculto da reeleição. O indeciso que espera o debate perfeito está, na prática, terceirizando a decisão para o petismo.

Voto útil não canoniza Flávio. Cobra dele o que o liberal sempre deveria cobrar: menos Estado, menos tribunal político, mais segurança e contas públicas. Mas cobra na urna que existe, não na urna imaginária. No dia 4 de outubro, o voto disperso não vira lição de moral. Vira quatro anos de mais petismo, o que pode ser a destruição total do país.

RODRIGO CONSTANTINO

PRA CIMA DELES, MENDONÇA – O STF EM GUERRA E LULA NA CENA DO CRIME

O ministro André Mendonça, que ousou enfrentar Alexandre de Moraes no STF

O Brasil amanheceu mais uma vez com o Supremo Tribunal Federal (STF) transformado em palco de faroeste institucional. André Mendonça partiu para cima de Alexandre de Moraes e do eterno inquérito das Fake News – aquela investigação que já dura mais de sete anos e serve menos para apurar crimes reais do que para amedrontar adversários.

Mendonça pediu acesso integral aos autos após ser incluído nele por Moraes, jogada de mestre, e demandou o arquivamento da representação vingativa do colega e até a apuração de denunciação caluniosa e abuso de autoridade. Em seu despacho, denunciou os “relatórios apócrifos” que, no fundo, não passam de “dossiê confeccionado com desvio de finalidade para ser usado como peça de intimidação”. Apertando a tecla SAP: arapongagem.

A ala podre do STF, a ala lulista, está em desespero. Inventam conexão de sexto grau: Mendonça pegou um Uber em 2016 cujo motorista era primo do irmão do empregado do amigo de Vorcaro? Pronto! Qualquer coisa serve para embaralhar o jogo e proteger o ministro corrupto que tinha contrato de milhões com o banqueiro para lhe prestar consultoria criminosa. Enquanto isso, descobre-se que o advogado de Vorcaro informara que Lula teria aceitado um novo encontro com o banqueiro. Lula sempre na cena do crime. Sempre.

Cristiano Zanin, que nunca deixou de ser o advogado do presidente, negou liminar para obrigar Davi Alcolumbre a instalar a CPI do Banco Master. O requerimento tem assinaturas de sobra, fato determinado e prazo. Mas o presidente do Senado, como Pacheco antes dele, simplesmente senta em cima. Esse poder descabido de um só homem travar a vontade de um terço da Casa precisa ser revisto numa reforma política de verdade. Sem isso, o Congresso vira decoração.

Mesmo com todo esse esforço supremo, o clima no Globo já diz tudo. A turma que durante anos tratou Moraes como herói da democracia agora se contorce para relativizar mensagens, relatórios clandestinos da PF e o uso do inquérito como arma política. Militantes disfarçados de jornalistas fazem o trabalho sujo de sempre: proteger o esquema e atacar quem ousa cutucar o vespeiro.

Não obstante, duas colunas no jornal revelam a verdadeira causa do temor: “Não será surpresa se eleição acabar dia 4 com vitória da oposição”, assina Maurício Moura, e “Após negação, Lula parece entender risco de derrota”, diz Vera Magalhães. Lula derrete, Flávio avança.

No meio dessa guerra institucional, o eleitor ainda tem que engolir o circo paralelo. Nando Moura detonou o MBL no Flow e a direita mais uma vez se divide entre quem quer o espetáculo e quem entende que briga de ego não substitui estratégia. Posso torcer pela briga? Até posso. Mas o país precisa de mais do que entretenimento. A tal “terceira via” sonhada por muitos derreteu.

O termômetro mesmo está nas pesquisas e no nervosismo do Planalto. O antipetismo segue vivo e forte no país. Vários nomes empatam com Lula no segundo turno. O eleitor de direita já calcula voto útil. O Centrão observa. Diz manchete no Globo: “Campanha de Lula vê dificuldades em conter apoio do Centrão a Flávio no segundo turno e busca dissidências nos estados”.

No fundo, o que se vê é o mesmo padrão: um sistema que protege os seus, usa o aparato estatal contra quem investiga e conta com a mídia para lavar a narrativa. Mendonça fez o que poucos ousam: enfrentou o dono do inquérito eterno. Se o plenário tiver um mínimo de decência, o pedido de investigação por vingança cai. Se não tiver, o recado estará dado: no Brasil de 2026, alguns ministros continuam acima da lei. Os intocáveis!

A democracia liberal não sobrevive quando o Supremo vira partido, o Senado vira obstáculo e o presidente da República aparece sempre no entorno de esquemas corruptos. Ou o país enfrenta essa captura de instituições, ou segue fingindo que o problema é Fake News de conservadores…

RODRIGO CONSTANTINO

VINTE E CINCO ANOS DEPOIS DA QUEDA DAS TORRES GÊMEAS, OCIDENTE CONTINUA EM PERIGO

O 11 de setembro não foi um ponto final. Foi o início de uma guerra assimétrica que muitos ainda recusam reconhecer

Vinte e cinco anos se passaram desde aquele 11 de setembro de 2001, e a imagem das Torres Gêmeas desabando ainda deveria servir de alerta permanente contra a ilusão de que o Ocidente pode conviver pacificamente com o fanatismo islâmico. Dois aviões sequestrados por jihadistas da Al-Qaeda, comandados por Osama bin Laden, atingiram os símbolos do capitalismo e da liberdade em Nova York. Quase três mil inocentes morreram. Não foi “um acidente”, nem “resistência”, nem “consequência da política externa americana”. Foi terrorismo islâmico puro e simples.

Como escrevi anos atrás, ao comparar o massacre do Hamas em Israel com aquele dia: “Quando os terroristas islâmicos atacaram os Estados Unidos no 11 de setembro de 2001, morreram cerca de três mil pessoas, isso numa nação com mais de 300 milhões de habitantes. […] Sabemos qual foi a reação americana àquele atentado terrorista sem precedentes”. Os americanos, ao contrário da esquerda caviar que hoje prefere relativizar tudo, entenderam que havia um inimigo declarado e reagiram.

A esquerda, no entanto, fez o que sempre faz: negou a natureza religiosa e ideológica do ataque. Preferiu falar em “pobreza”, “humilhação” ou “imperialismo”. Essa denegação, que já denunciava em 2016 diante de outros atentados na Europa, continua até hoje. Chamam terroristas de “militantes” e transformam as vítimas ocidentais em algozes. O politicamente correto impede que se diga o óbvio: o problema não é o Islã “moderado” de fachada, mas a doutrina que prega a submissão do infiel e a glória do mártir.

As Torres Gêmeas não caíram apenas por impacto e fogo. Caíram porque representavam o que o islamismo radical odeia: a liberdade individual, o comércio, a criatividade humana sem califado. Quatro aviões, dezenove sequestradores, um plano calculado para máxima carnificina. Quem ainda insiste em teorias da conspiração sobre “explosivos controlados” ou “inside job” só demonstra a mesma recusa em encarar o inimigo real.

Vinte e cinco anos depois do 11 de setembro, o Ocidente pagou um preço alto nas guerras do Afeganistão e do Iraque, mas o erro maior não foi reagir. Foi acreditar que o multiculturalismo e a abertura irrestrita de fronteiras resolveriam o problema. Enquanto isso, células terroristas se proliferaram na Europa e até nos Estados Unidos. O 11 de setembro não foi um ponto final. Foi o início de uma guerra assimétrica que muitos ainda recusam reconhecer.

Hoje, em 2026, vemos prefeitos de esquerda em Nova York relativizando a memória das vítimas e documentos sendo usados para politizar o luto. A mesma turma que chama patriotas de “terroristas” hesita em nomear o islamismo radical. Essa inversão moral é a maior vitória póstuma de bin Laden.

Em 23 de março de 2019, num discurso para o CAIR (Councilon American-Islamic Relations), a democrata Ilhan Omar falou: “Algumas pessoas fizeram alguma coisa”. O contexto era o 11 de Setembro. Leandro Ruschel resumiu: “A união entre a esquerda radical e o fundamentalismo islâmico é a maior ameaça ao Ocidente”.

Não se trata de ódio a muçulmanos. Trata-se de recusar a submissão. A civilização ocidental sobreviveu a nazistas e comunistas porque teve clareza sobre o inimigo. Com o jihadismo, essa clareza foi minada pelo complexo de culpa e pela imprensa “progressista”.

Vinte e cinco anos depois, o dever é simples: lembrar quem atacou, por que atacou e o que está em jogo. As Torres Gêmeas caíram. A memória delas não pode cair também.

RODRIGO CONSTANTINO

TERRA SEM LEI

O ministro Flávio Dino determinou nesta quarta-feira (9) a reintegração aos cargos do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, que foram afastados pelo ministro André Mendonça. Ele o fez sob o pretexto do inquérito das emendas parlamentares (?), e ainda blindou ambos de quaisquer medidas cautelares futuras. Não é preciso ser jurista para enxergar o total absurdo dessa ação. Mas vamos pedir ajuda a quem é do Direito mesmo assim.

André Marsiglia comentou: “Flávio Dino suspendeu a decisão de um colega, já respaldada pela maioria da Turma, sob a estapafúrdia alegação de conexão com casos sobre emendas parlamentares relatados por ele. Se Dino pode revisar decisões de Mendonça, Mendonça também pode revisar as de Dino. E se Mendonça agora decidir suspender a suspensão de Dino? O STF virou um bangue-bangue”.

Emerson Grigollette desabafou: “Não temos um Estado, não temos Democracia, não temos Direito, não temos República, não temos Federação, não temos Separação entre os Poderes, não temos direitos fundamentais. Além de impostos, Bolsa Família (por enquanto) e a maior associação criminosa da história da humanidade, sejamos francos: o que sobrou do Brasil?”

Ludmila Lins Grilo resumiu: “Em vez de apresentar petição no procedimento que o afastou do cargo, Andrei Rodrigues resolveu escolher o juiz que julgaria seu caso (“forum shopping”) e achou por bem entrar de filão no inquérito das emendas parlamentares (?!). Em vez de rechaçar a manobra ilícita, Flávio Dino matou no peito e a endossou, revertendo monocraticamente uma decisão que havia sido dada por órgão colegiado”. A juíza sugeriu: “Virou bang-bang. A segunda turma vai se permitir ser humilhada desta forma por um único ministro? Se é bang-bang, derrubem a decisão de Flávio Dino, e o façam rápido”.

Vários outros advogados comentaram com espanto a decisão do comunista Dino, mas, repito, nem é preciso ser do ramo para notar o grau de arbítrio presente. Dino chega a mencionar encontro entre Daniel Vorcaro e Mendonça para alegar que o ministro “interfere” na Polícia Federal, deixando de lado a relação entre Vorcaro e Andrei Rodrigues. É um nível de surrealismo que nenhum autor de ficção teria a ousadia de inventar, pois não seria crível.

O tribunal virou a casa da mãe Joana, terra sem lei, onde o poder bruto impera. Dino fez o que fez pois “pode”, pois não há consequências. Edson Fachin age como a rainha da Inglaterra, alheio ao caos total que tomou conta da instituição. “Soberano é quem decide sobre o estado de exceção”, disse Carl Schmitt. E quem tem poder de fato é a gangue que tomou de assalto o órgão.

A situação é tão absurda que decidi perguntar ao Grok como seria se o STF fosse substituído pela Inteligência Artificial. O Grok, advogando em causa própria, foi mais imparcial que nossos ministros e apresentou alguns riscos institucionais, mas também elencou várias melhoras, entre elas: “Eliminar alguns vícios humanos óbvios: amizade, vaidade, cálculo de sobrevivência institucional, troca de favores, ‘código de conduta’ que nunca vira código”.

Ele resumiu: “Em tese, seria o fim da ‘juristocracia personalista’: o poder deixaria de residir em 11 currículos e passaria a residir em um sistema”. Mas isso é utopia. Nosso “sistema” seguirá dominado por currículos humanos, e os piores possíveis. A juristocracia personalista avança de forma impressionante, rasgando totalmente a Constituição.

Pensando numa “solução” mais realista e de curto prazo, é importante lembrar que temos uma eleição se aproximando. Em essência, o eleitor terá de escolher se deseja mais quatro ministros com o perfil de Dino, Zanin, Moraes e Toffoli, ou quatro ministros mais parecidos com André Mendonça. É isso que está em jogo.

RODRIGO CONSTANTINO

MENTE COM FACILIDADE CONSTRANGEDORA E FINGE QUE NUNCA GOVERNOU

redes

Em entrevista, Lula comentou temas como Lulinha, Lava Jato, crime organizado e dívida pública

Para muita gente, o simples ato de escutar o presidente Lula falando já dá nos nervos. É compreensível: o petista está na cena política há décadas, e nunca desceu do palanque. Age como se não tivesse sido presidente por três mandatos, além do governo Dilma, cuja campanha associava diretamente a ex-guerrilheira ao ex-metalúrgico, sem falar do mesmo ministro das Finanças.

Em suma, nos últimos vinte anos, o PT governou por 17, e mesmo assim Lula finge ser novidade, com promessas fantasiosas e sem qualquer reconhecimento pelos fracassos evidentes. Em linguagem mais clara, Lula mente que nem sente, e não seria diferente na entrevista para o Jornal Nacional. Ossos do ofício, tive que acompanhar, e posso resumir: Lula mentiu o tempo todo.

Logo de cara, César Tralli abriu perguntando sobre o caso Lulinha, o que colocou o presidente na defensiva. E ali já começaram as mentiras escabrosas. Lula disse, por exemplo, que trata o filho como trata os demais 215 milhões de cidadãos, sem qualquer privilégio. Chegou a dizer que nunca tentaria afastar um delegado federal responsável pela investigação, o que, de fato, fez. Lula tentar bancar o republicano quando todos sabemos do esforço petista para enterrar a CPMI do INSS é realmente o cúmulo do cinismo.

Mas não ficaria “só” nisso, naturalmente. “Marisa morreu pelas falsas acusações da Lava Jato. Fábio tem obrigação de não ter feito nada de errado”, disse Lula, mostrando ser o sujeito mais cínico do planeta! Lula se vendeu como um injustiçado que foi condenado por perseguição política, ignorando que nove juízes e desembargadores o condenaram por corrupção passiva, em três instâncias, com “provas sobradas”.

“Fui inocentado da acusação da chacra”, mentiu Lula, que nunca foi inocentado e que era o dono de fato do sítio que tinha pedalinhos no nome dos netos, e que estava no nome de Fernando Bittar, laranja por ser “amigo” do filho Lulinha.

Quando a entrevista incluiu o nome de Roberta Luchsinger, a outra “amiga” de Lulinha, Lula chegou ao ápice da cara de pau. Disse que conversas telefônicas não dizem absolutamente nada, chamou Roberta de “pilantra” e ainda soltou essa: “Malandro é igual em todo lugar do mundo”. Logo em seguida, Lula malandramente tentou mudar o assunto de Lulinha pra Master.

Sem ajuda do entrevistador, Lula perdeu a paciência e soltou a maior pérola de todas: disse que nem conhecia a Roberta, que nunca esteve com ela. Imediatamente várias pessoas nas redes sociais resgataram várias imagens dos dois juntos, inclusive postagens em que a Roberta demonstra carinho e intimidade para com o pai de seu “amigo”. Para mentir de forma tão descarada assim o sujeito tem que ser um mentiroso profissional mesmo!

“Não sou procurador nem juiz”, disse Lula para alegar que não vai prejulgar o filho, enquanto acusa todos os adversários sem qualquer prova. A vida toda Lula meteu rótulos em seus adversários, tratados como inimigos mortais, e nunca teve melindre de acusá-los das piores coisas com base em qualquer factoide. Mas, no caso do seu filho, tudo não passa de “ilação”.

Em outro tema espinhoso para o presidente, os entrevistadores quiseram saber o motivo do avanço do crime organizado no país e na Bahia, já que o PT controla o estado há vinte anos e está no comando do governo federal desde 2003, com pequeno intervalo de Temer e Bolsonaro. Lula tergiversou, tentou fugir pela tangente, mas não foi capaz de apresentar um só argumento. Restou, então, afirmar que nenhum governador conseguiu enfrentar o problema. Ou seja, Lula quer ser reeleito admitindo que não sabe o que fazer para conter o crime organizado, que ele se recusa a classificar como terrorista.

No único momento em que Lula disse a verdade, ele desdenhou da preocupação geral com o endividamento público, que está se aproximando de dez trilhões de reais, afirmando: “A dívida pública não me preocupa”. Isso todos podemos notar. E por isso mesmo os investidores estão tão apavorados e a taxa de juros não cai, mantendo-se no incrível patamar de 14% ao ano.

A dúvida inevitável que surge ao acompanhar uma entrevista dessas é a seguinte: como foi que um sujeito desses foi eleito três vezes e ainda emplacou seu “poste” outras duas? Que tipo de país permite uma coisa dessas? O que isso diz sobre o Brasil, do ponto de vista moral e intelectual? Não é por acaso que o país vai tão mal em segurança pública, educação, saúde, transporte e crescimento. Como esperar algo diferente?

RODRIGO CONSTANTINO

MUSARANHOS: O CURIOSO NOME DO GRUPO DE WHATSAPP DO LULINHA E SUA TURMA

O filho do presidente participava de um grupo de WhatsApp com nome peculiar e revelador

A revista Veja divulgou mensagens da lobista Roberta Luchsinger altamente comprometedoras. Nelas, a “amiga” de Lulinha fala que quer ganhar cem milhões de reais somente naquele ano, diz que o presidente Lula lhe ofereceu o cargo que quisesse no governo e garantiu que ela, Lulinha e Fernando Bittar eram “irmãos” e que aquilo que um dissesse, valia pelos três. Lulinha, porém, só entrava em campo quando era realmente necessário, segundo ela.

São relatos fulminantes, que colocam o próprio Lula no centro dos esquemas liderados por seu filho. Lulinha é reincidente no tráfico de influência: no começo do primeiro mandato de seu pai, ele abandonou o trabalho no zoológico, que lhe rendia seiscentos reais, para se tornar sócio da Gamecorp, empresa de jogos que vendeu por cinco milhões para a Telemar (Oi). A empresa de telefonia aportou outros dez milhões no negócio depois, e finalmente conseguiu o que desejava: comprar a Brasil Telecom após seu pai, o então presidente, alterar a Lei Geral de Telecomunicações que impedia essa transação.

O “Ronaldinho” da família só é um fenômeno nos negócios quando seu pai está no poder. Estranho, não? Agora ficamos sabendo pela Malu Gaspar que a casa usada por Lulinha em Brasília foi alugada pelo dentista que disse à Lava Jato morar no sítio de Atibaia, aquele que era do “Fefe”, como Roberta chama Bittar, mas que tinha pedalinhos com os nomes dos netos de Lula. De acordo com a imobiliária, a lobista Roberta negociou o aluguel, mas passou o contrato para o amigo do filho de Lula. Tudo em casa, portanto!

Para alcançar os cem milhões almejados, Roberta estava atuando com Lulinha e Bittar no Ministério da Saúde, de olho num contrato de mais de seiscentos milhões, dos quais o trio de lobistas ficaria com 20%. A ideia era dispensar a licitação para vender produtos de canabidiol, extraído da planta da maconha. Não é a primeira vez que petistas se metem com a cannabis.

O caso “Hemp” do Consórcio Nordeste refere-se à contratação, em 2020, da empresa Hempcare (originalmente voltada para produtos à base de cannabis) para a compra de 300 respiradores pulmonares por R$ 48,7 milhões durante a pandemia de COVID-19. Os equipamentos nunca foram entregues e o dinheiro não foi recuperado, gerando investigações da Polícia Federal e do TCU. Um dos petistas envolvidos disse que não sabia falar inglês, por isso não estranhou uma empresa chamada Hempcare, criada há meses, operar a compra de tantos respiradores.

A Hempcare não tinha nenhuma experiência anterior no comércio ou fabricação de equipamentos médicos. O Consórcio Nordeste repassou os valores de forma antecipada, mas os fornecedores internacionais não cumpriram os acordos e o montante sumiu em repasses. Ou seja, um claro esquema de corrupção.

O nome do grupo de WhatsApp de Lulinha, Roberta e Bittar não poderia ser mais apropriado: Musaranhos. São mamíferos que medem cerca de 10 cm (alguns não ultrapassam 2,5 cm) e pesam cerca 15 gramas. Contudo, apesar do pequeno porte, são capazes de atacar, matar e devorar animais que têm o dobro do seu tamanho.

Comem o equivalente ao seu peso de três em três horas. Algumas espécies praticamente não dormem para não deixar de se alimentar. Por causa do metabolismo acelerado, muito tempo sem comida pode significar a morte. Seu coração bate 1200 vezes por minuto, quase doze vezes mais rápido que o do ser humano.

Quando é atacado por um inimigo, solta um odor igual ao dos cangambás. Suas glândulas salivares contêm um veneno tão forte quanto de certas serpentes. Em suma, musaranho é uma espécie de rato minúsculo, extremamente guloso, fedido feito gambá e venenoso como uma cobra. Não poderia haver nome mais adequado para o grupo que tramava esquema multimilionário no Ministério da Saúde, não é mesmo?

RODRIGO CONSTANTINO

FIM DA ESCALA 6X1: A “CONQUISTA” QUE VAI IMPEDIR O TRABALHADOR DE GANHAR MAIS

Lula e Alcolumbre

Segundo encontro entre os dois políticos buscou acertar o andamento de pautas como o fim da escala 6″1 e PEC da Segurança Pública

Lula se reuniu com Alcolumbre, na casa de Alexandre de Moraes pela primeira vez, e ambos fizeram as pazes. Disso deve sair a decisão de pautar a PEC do “fim da escala 6×1” antes das eleições, ou seja, um projeto eleitoreiro que cria uma armadilha para a direita, como no caso da misoginia. Quem votar contra será rotulado de inimigo do trabalhador, e não terá sequer tempo para se explicar. Mas a medida é boa mesmo para o trabalhador?

O nome já é enganoso: na prática, trata-se de um projeto que visa a proibir o trabalhador de trabalhar mais para ganhar mais, se assim desejar. Ou seja, retira liberdade de escolha do trabalhador. O Brasil, desde a CLT de Vargas, acumula muitas “conquistas trabalhistas”, que a esquerda celebra. No entanto, temos cerca de um terço da mão de obra na informalidade, uma parcela grande no desemprego e milhões no assistencialismo estatal. Deu certo?

Nenhuma dessas “conquistas” brasileiras é obrigatória por lei federal nos Estados Unidos. O sistema americano é muito mais baseado em negociação individual ou política da empresa (at-will employment + poucas obrigações federais além de salário-mínimo, horas extras e algumas proteções contra discriminação). O que existe é voluntário, desigual e frequentemente inferior ao padrão brasileiro da CLT.

Trabalhadores americanos não desfrutam desses direitos como garantias legais. O que existe depende fortemente do empregador, do setor (tech e finanças costumam ser mais generosos), do sindicato (quando há, já que pequena parcela da mão de obra é sindicalizada) e da localização. Benefícios comuns nos EUA incluem plano de saúde (muito caro e frequentemente o principal atrativo), 401(k) com matching, e paid time off (PTO) combinado, mas o pacote trabalhista obrigatório é bem mais enxuto que o brasileiro.

Em troca, o mercado americano tende a ter salários nominais mais altos em muitas áreas (especialmente qualificadas), maior flexibilidade de demissão e contratação, e menos encargos patronais obrigatórios sobre a folha (o “custo Brasil” de encargos + 13º + férias + FGTS é bem superior).

O trabalhador americano, sem qualquer regalia legal como o brasileiro, ganha na média cinco a seis vezes mais que o trabalhador brasileiro. Não tem americanos tentando invadir ilegalmente o Brasil para desfrutar das “conquistas” do nosso sindicalismo estatizante. Já o contrário não podemos dizer: há uma multidão de brasileiros querendo viver nos Estados Unidos para trabalhar, mesmo sem qualquer “conquista” legal.

Vivendo sob décadas de mentalidade esquerdista estatizante, e com uma imprensa que repete os dogmas marxistas, muitos brasileiros se acostumaram a acreditar que conquistas na lei significam avanços na prática, o que é totalmente falso. O trabalhador não precisa da “proteção” dos sindicatos e do estado, e o empregador não é um “explorador”. O melhor caminho é a flexibilização do mercado de trabalho e mais concorrência do lado das empresas, possível com o livre mercado, para que os patrões tenham que pagar o máximo possível ao trabalhador dentro da realidade de sua produtividade.

Mas explicar tudo isso para uma população bastante ignorante e em ano eleitoral é uma missão impossível. Por isso Lula quer mais um projeto populista aprovado: para ganhar votos dos desavisados. Quem realmente explora o trabalhador é a esquerda política. Por isso o PT quer mais pobreza e ignorância, mais dependência das migalhas estatais. Trabalhador livre que ganha bem não costuma votar em socialista.

O único que vem remando contra essa maré vermelha é Zema. O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência defendeu uma proposta que prevê o cancelamento de benefícios sociais para quem recusar, sem justificativa plausível, três ofertas consecutivas de trabalho formal apresentadas por órgãos oficiais, como o Sine (Sistema Nacional de Emprego).

A medida busca vincular a manutenção dos programas de transferência de renda à reinserção do cidadão no mercado de trabalho. De acordo com os defensores da proposta, o objetivo é incentivar a autonomia financeira das famílias e otimizar a aplicação do dinheiro público. Excelente proposta, mas com pouco atrativo eleitoral.

Como dizia Ronald Reagan, o trabalho é o melhor programa social que existe. Poucos políticos brasileiros entendem isso ou querem efetivamente libertar o povo trabalhador das amarras estatais.

RODRIGO CONSTANTINO

CENSURA E DIREITA PREJUDICADA: O HISTÓRICO DO TSE JUSTIFICA A DESCONFIANÇA DAS CAMPANHAS

Censura e direita prejudicada: o histórico do TSE justifica a desconfiança das campanhas

Agora sim, começou oficialmente a disputa eleitoral. Os pré-candidatos, já em campanha faz tempo, podem se assumir como candidatos e passar a pedir votos – aquilo que Lula já tinha feito fora da lei antes. São menos de dois meses para definir os futuros governadores dos estados, deputados estaduais e federais, senadores e o presidente da República. Dias agitados à frente.

Não é tarefa fácil para o TSE regular essas disputas num ambiente de redes sociais. Mas, historicamente, sua atuação tem sido para prejudicar a direita, que tem justamente nas redes sociais um habitat natural, enquanto a esquerda conta com o viés da velha imprensa. O deputado Marcel van Hattem, que disputa vaga para o Senado pelo Rio Grande do Sul, criticou decisão recente que impõe regras ao X de Elon Musk:

“A censura começou. Você só está lendo este tweet porque já me segue no X. O TSE criou por resolução – ou seja, e não por lei aprovada pelo Congresso – um mecanismo que, na prática, reduz absurdamente o alcance orgânico dos candidatos nas redes. No X, perfis declarados à Justiça Eleitoral estão excluídos a partir de hoje das recomendações da aba ‘Para Você’. Quem já me segue continua vendo meu conteúdo, mas quem ainda não me conhece tem menos chance de receber minhas propostas, opiniões e ideias, a não ser que alguém as reposte”.

Numa eleição ideal, os candidatos apresentariam suas ideias e os eleitores, livremente, poderiam analisá-las e tomar uma decisão mais embasada. Mas, na prática, há o risco de “abuso de poder político e econômico”, o que gera certa subjetividade e permite ao TSE um filtro arbitrário. Marcel reclama: “Defendo que todos os candidatos, inclusive aqueles de quem discordo profundamente, tenham o direito de apresentar suas ideias e disputar a atenção dos eleitores. A democracia verdadeira requer o livre mercado de ideias: cada candidato fala, cada eleitor compara, confronta e decide. O Estado não deveria interferir para reduzir a chance de que as ideias dos candidatos cheguem ao eleitor”.

O TSE mandou retirar também vídeo de Flávio Bolsonaro que associa Lula a facções criminosas. A decisão do Tribunal Superior Eleitoral, que só existe no Brasil, reverte posição inicial de Nunes Marques. Lula disse que traficantes são vítimas dos usuários. Isso poderá ser usado na campanha? Nas eleições passadas, esta Gazeta do Povo, jornal centenário e respeitado, ficou impedido de fazer reportagens sobre os elos históricos de Lula e ditadores comunistas. Será igual este ano? Essas decisões afetam a liberdade dos candidatos e, acima de tudo, dos eleitores, que têm todo o direito de se informarem de maneira adequada para decidir os rumos da nação.

Isso quando não há intervenção direta para influenciar nas alianças partidárias. O jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil, afirmou que ministros do STF pressionaram partidos do centrão para que ficassem neutros, sem apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro. Merval Pereira, no Globo, disse que tal informação é “grave”. Um colunista do UOL pediu investigação sobre essa denúncia. Se comprovada, estaríamos diante de um golpe mesmo, algo totalmente ilegal e absurdo. Não custa lembrar que o então presidente do STF, Luís Roberto Barroso, confessou num convescote de comunistas da UNE: “Nós derrotamos o bolsonarismo”.

Toda atenção, portanto, faz-se necessária. O jogo deveria ser limpo para que o eleitor, de fato, seja o protagonista. Mesmo com regras justas, filtrar conteúdo decente em meio a tanto barulho já seria uma missão difícil. Há, ainda, o mito do eleitor racional, como diz Bryan Caplan. Eleição tem muito de emoção e nem tanta razão como deveria. E os candidatos exploram isso, evidentemente.

São partidos demais também, fruto do modelo estatizado que temos. O editorial do Estadão diz: “Partido político é negócio da China”. Como exemplo, o jornal alega que escândalo não é o PCO desviar fundo eleitoral, e sim um partido sem voto ter direito a fundo eleitoral. “Quem abre um partido político – seja ele comunista revolucionário ou capitalista selvagem – não precisa nem ganhar eleição para garantir sua prosperidade”, diz. Se acabar com o fundo eleitoral e o fundo partidário, essa palhaçada acaba! O “Ruizão” do PCO é milionário “vendendo” comunismo com recursos públicos!

Por fim, ver tantos colegas disputando vagas na política me deixa com sentimentos mistos. Por um lado, acho ótimo que tanta gente boa queira fazer a diferença na política; por outro, isso pode sinalizar que o mecanismo de incentivos é perverso no país e todos querem os privilégios estatais. Não é para menos, quando lembramos que mais de 80% das famílias estão endividadas e que a inadimplência já atinge mais de nove milhões de empresas no país, com mais de R$ 230 bilhões de dívidas em atraso! Que o eleitor faça sua parte, portanto, para o país voltar a sonhar com um futuro melhor.

RODRIGO CONSTANTINO

ESCOLHA ACERTADA

Deputado Alfredo Gaspar, relator da CPMI do INSS.

Deputado Alfredo Gaspar, relator da CPMI do INSS

Tenho dito – e repito – que há um exagero na relevância que alguns dão ao vice na chapa. FHC derrotou Lula no primeiro turno com Marco Maciel como vice, e ninguém acha que isso fez qualquer diferença. Dito isso, a escolha do vice serve como simbolismo, para sinalizar algo aos eleitores. E, nesse sentido, considero boa a escolha de Alfredo Gaspar como o vice na chapa do PL.

Muitos esperavam uma mulher, na crença um tanto mitológica de que uma vice do sexo feminino traria mais votos femininos para Flavio Bolsonaro. Sempre achei isso um tanto furado. O PL bem que tentou, e convidou Tereza Cristina para o cargo. Ela topou, mas seu partido, o PP de Ciro Nogueira, vetou. O centrão escolheu a neutralidade no primeiro turno, o que nos leva a crer que esperam uma disputa realmente acirrada e não querem fazer nenhuma aposta precipitada.

Com Tereza Cristina fora do páreo, falaram em Michelle Bolsonaro, Priscila Costa, Bia Kicis, Julia Zanatta e Daniella Marques, do lado feminino, e Rogerio Marinho e Luiz Phillippe de Orleans e Bragança do lado masculino. Qualquer nome desses seria bom, em minha opinião. Cada um agregaria num ponto diferente. Mas Flavio preferiu alguém de fora das especulações, uma surpresa que ninguém esperava: Alfredo Gaspar.

Minha primeira impressão, assim que vi a escolha na coletiva de imprensa, foi positiva. Seu nome, afinal, é associado ao excelente trabalho como relator na CPMI do INSS. Gaspar conduziu as investigações com total independência, seriedade e competência, e preparou um relatório de mais de quatro mil páginas pedindo o indiciamento de mais de duzentas pessoas, entre elas o Lulinha, filho do presidente. Seu relatório foi derrotado por maioria após forte pressão petista, e os senadores Lindbergh Farias e Soraya Thronicke chegaram a acusar Gaspar de estupro para levantar uma cortina de fumaça e desviar o foco.

Mas a imagem de Gaspar está fortemente associada ao combate à corrupção, especialmente nesse caso grotesco de desvio de bilhões dos idosos. O caso do INSS chegou à casa de Lula e também ao Palácio do Planalto, com as evidências de que o ex-chefe de gabinete de Lula, o Marcola, recebeu dinheiro da lobista Roberta Luchsinger, “amiga” próxima de Lulinha e também cúmplice do careca do INSS. Gaspar de vice, portanto, sinaliza que a campanha não vai abandonar a bandeira ética, fundamental para um enfrentamento contra o PT.

Além disso, Gaspar é formado em Direito e atuou por 24 anos como promotor de Justiça em Alagoas, tendo sido duas vezes Procurador-Geral de Justiça do estado e coordenador do Grupo Estadual de Combate a Organizações Criminosas (GECOC), além de presidente do Grupo Nacional de Combate ao Crime Organizado (GNCOC) — o primeiro alagoano a ocupar o cargo. Também foi Secretário de Segurança Pública de Alagoas em duas gestões, período em que a queda no número de mortes violentas intencionais no estado e na capital foi apontada como a maior já registrada.

Em uma entrevista à época, Gaspar disse que prefere a morte de um milhão de bandidos do que a de um só policial, reforçando a mensagem de que é preciso ter clareza moral e defender aqueles responsáveis por nossa segurança. A pauta da segurança pública será uma das mais importantes nessa eleição, e Lula chama traficante de “vítima do usuário”. Nesse contexto, é um golaço ter um vice com o perfil linha dura de Alfredo Gaspar.

Por fim, trata-se de um nome ligado ao Nordeste e, apesar de Alagoas ser um estado pequeno, há aqui um recado importante de que os nordestinos serão prioridade no eventual governo de Flavio. Faz tempo em que o Nordeste é reduto esquerdista por conta da exploração demagógica da miséria, mas cada vez mais gente acorda para a realidade e entende que as promessas de chuva de picanha do Lula são uma farsa. Na prática, o PT entrega o caos da violência e a inflação, criando um círculo vicioso de dependência das migalhas assistencialistas.

Como constatei no começo, a escolha do vice não tem esse impacto todo que alguns acreditam. Mas, dentro das possibilidades, Alfredo Gaspar foi uma boa escolha que pode contribuir para uma campanha mais firme contra o que o lulismo representa: corrupção, incompetência e leniência com a bandidagem.

RODRIGO CONSTANTINO

AGORA VAI? DEPOIS DE DUAS DÉCADAS NO PODER, LULA AINDA PROMETE MUDAR O BRASIL

Que povo conservador é esse que coloca o PT no comando da nação por duas décadas? É simplesmente impossível ser de direita e votar no Lula

Lula disse que vai mudar o Brasil. O PT está no poder desde 2003, com um breve intervalo de governo tampão de Michel Temer e quatro anos de Jair Bolsonaro. Lula mesmo está indo para seu quarto mandato se for reeleito. E seu mote de campanha é mudança? Agora vai? Até mesmo o editorial do Estadão, jornal tucano que gosta de se iludir com o “democrata” do PT, constatou:

Será a sétima eleição com Lula na cédula. Portanto, brasileiros estão cansados de saber quem ele é. Mas petista é imbatível na arte de engambelar: agora promete ‘fazer diferente’.

Ninguém pode alegar ignorância: todo mundo está careca de saber quem é Lula! Votar no petista depois de tudo que se conhece é desejar a destruição do país, é permitir que a ilusão vença a experiência, é não aprender com os erros passados.

Não obstante, Lula ainda é o favorito. Pode-se descontar o uso abusivo da máquina estatal, claro, mas ainda assim é espantoso que tanta gente esteja disposta a conceder mais quatro anos para esse desgoverno. O que isso nos diz sobre o brasileiro médio? Como encaixar na equação eleitoral qualquer fator ético?

Muitos gostam de repetir que o povo brasileiro é conservador, mas a realidade refuta essa tese. O povo brasileiro parece desprovido de filtro moral, isso sim. Que povo conservador é esse que coloca o PT no comando da nação por duas décadas? É simplesmente impossível ser de direita e votar no Lula.

Por conta do desgaste de um governo com resultados sofríveis, a eleição está bem polarizada, e o Centrão faz o que sempre fez: fica neutro aguardando a definição para saber de que lado do muro desce. O Centrão talvez seja quem melhor represente o eleitor médio, eis a triste verdade.

Nenhum escândalo parece alterar esse cenário. O caso Banco Master chegou ao berço do petismo na Bahia, enquanto o patrimônio de Jaques Wagner encosta em R$ 25 milhões. Sem contar os eleitores, ainda existe algum petista que não seja milionário? O caso do INSS entrou na casa de Lula, e seu filho Lulinha já é investigado em três inquéritos.

Sua “amiga” lobista mandou dinheiro para Marcola, assessor direto de Lula. Está tudo “em casa”, e os escândalos de corrupção voltaram com tudo quando o ladrão retornou à cena do crime, como diria seu próprio vice. Mas nada parece afetar o quadro eleitoral. O que isso diz sobre o Brasil?

Enquanto o povão fica sonhando com a nova chuva de picanha, a despesa trilionária com juros puxa o déficit nominal para 10% do PIB e a dívida bruta encosta em 100% do PIB. O triste é a quantidade de gente sem noção do perigo dessa dinâmica e com “soluções” bizarras, tipo “calote” ou corte de juros na marra, por voluntarismo político. A ignorância econômica é uma bênção para os governantes irresponsáveis, e mesmo na “direita” há quem prefira culpar o “mercado” ou o Banco Central, com discurso similar ao do PT. Há salvação?

Isso para não falar de Justiça! O segundo suspeito de tentar enviar 400 quilos de cocaína para a Europa pelo Aeroporto Internacional de SP foi solto. O rapper Oruam, que debocha da Justiça, teve seu pedido de prisão revogado. O Brasil sempre foi o paraíso dos bandidos, pois a impunidade campeia. Mas agora podemos falar em narcoestado mesmo, não há outra definição. E querem reeleger Lula?

É bem desanimador, convenhamos. Mas a esperança é a última que morre. Não podemos desistir. E é preciso torcer para que a maioria compreenda o que está em jogo e tenha senso de proporções. Não importa o que se pensa sobre o candidato do outro lado, se você gosta dele ou não, se acha que suas promessas de campanha são boas ou medíocres: do lado esquerdo é o Lula!

Aquele que criou o Foro de SP para “ensinar a esquerda a respeitar a democracia”, como ele mesmo disse, sendo que o Foro foi criado com Fidel Castro, o pior ditador que o continente já teve, com o intuito declarado de “resgatar na América Latina o que se perdeu no Leste Europeu”, ou seja, o comunismo.

Lula promete mudar de vez o Brasil, depois de duas décadas no poder. Só se for para transformar o país numa Venezuela mesmo. Agora vai!