RODRIGO CONSTANTINO

O “ROCEIRO” QUE REALMENTE DÁ AS CARTAS NO BRASIL

joesley batista

O empresário brasileiro Joesley Batista, um dos proprietários da empresa de processamento de carne JBS

“Não posso responder essa pergunta”, disse Joesley Batista sobre ajudar Lula e Donald Trump a se encontrarem. Jornalistas alegam que a ligação de Lula a Trump teria sido feita pelo celular de Batista, o maior doador para a festa de comemoração da vitória de Trump, num valor de US$ 5 milhões. Enquanto isso, rolava em Nova York um evento com o filho de Trump, Don Jr, além de André Esteves, do BTG, e Wesley Batista, da JBS.

Quem achava que Eduardo Bolsonaro tinha essa moral toda com a administração Trump foi forçado a descobrir, do jeito mais duro, que o “roceiro” da JBS é quem manda nessa “joça” de verdade. Money talks, como dizem os próprios americanos. No evento, o filho de Trump falou da China, tentando passar o recado do pai para que o Brasil se afaste do país comunista. Mas Lula vai mesmo seguir esse “conselho” ou só fingir, como sempre faz?

Pedi ao Grok um levantamento dos principais benefícios do governo Lula ao grupo JBS, dos irmãos Batista. Foi praticamente o Estado brasileiro que fez da JBS um gigante internacional, dentro da ótica “desenvolvimentista” de seleção dos campeões nacionais. O principal benefício foi o apoio massivo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que ajudou a transformar a JBS de frigorífico regional em gigante global.

Aportes e participações acionárias via BNDESPar (braço de investimentos do BNDES): cerca de R$ 8,1 bilhões entre 2007 e 2011. Esse dinheiro foi usado principalmente para aquisições internacionais (como a Swift Foods nos EUA, a Pilgrim’s Pride, a Bertin etc.). O BNDES se tornou sócio da empresa, chegando a deter até 21% das ações.

Financiamentos indiretos e diretos adicionais: milhares de operações via Finame (máquinas e equipamentos), BNDES Exim (exportação) e outros programas. Estimativas totais do período 2005-2014 chegam a R$ 10 bilhões a R$ 12,8 bilhões, quando somados empréstimos e aportes.

A alteração do estatuto do BNDES por um decreto de Lula, em 2007, permitiu que o banco financiasse empresas brasileiras para compras no exterior, o que antes era proibido. Isso foi essencial para a internacionalização da JBS.

Isenções tributárias federais (renúncias fiscais): entre janeiro de 2024 e maio de 2025, a JBS deixou de pagar R$ 8,5 bilhões em tributos federais (principalmente Cofins, PIS/Pasep e contribuição previdenciária). Isso representa 68% do lucro líquido do grupo no período (R$ 12,5 bilhões). A JBS lidera o ranking de renúncias fiscais do agronegócio.

Benefícios da reforma tributária e isenções do agro: a JBS foi beneficiada pela manutenção ou ampliação de isenções sobre carnes (PIS/Cofins, IPI etc.), que já existiam e foram preservadas ou reforçadas. O setor de proteína animal é um dos mais desonerados do país.

Medida Provisória 1.232/2024 (energia): beneficiou indiretamente o grupo J&F (controlador da JBS) via empresa Âmbar Energia. A MP converteu contratos de térmicas e transferiu custos bilionários para os consumidores de energia (a estimativa é de R$ 2 bilhões por ano). Não é benefício direto à JBS, mas ao mesmo grupo econômico.

Crédito rural e Plano Safra: a JBS, como maior processadora de carne, se beneficia indiretamente dos grandes volumes de crédito rural (Pronamp, Pronaf etc.) liberados para fornecedores (pecuaristas). Não há valores exclusivos da JBS divulgados, mas o Plano Safra 2025/2026 bateu recorde (R$ 516 bilhões).

Benefícios estaduais (ICMS): vários estados concederam ou mantiveram incentivos fiscais (créditos presumidos de ICMS) à JBS. Em 2017 houve auditorias em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, mas muitos continuam válidos.

Além disso, como se fosse pouco, o grupo dos irmãos Batista contou com a “ajudinha” direta do STF. O relator Dias Toffoli, por exemplo, suspendeu uma multa de R$ 10,3 bilhões no acordo de leniência em 2023. Mais de dez bilhões de reais!

Relembrar desses fatos é uma ducha de água fria em quem ainda tem esperanças no futuro do Brasil. A corrupção em nosso país tem um passado glorioso e um futuro promissor, como diria Roberto Campos. O Estado vem sendo tratado como a locomotiva do desenvolvimento desde sempre, e isso pariu um “capitalismo de laços” em que a meritocracia cede lugar ao clientelismo e ao patrimonialismo. Investe-se muito em lobby político em vez de competitividade. Com os recursos da “viúva”, grupos com boas conexões sempre se dão bem à custa do povo. E hoje percebemos que tais tentáculos vão longe.

Joesley Batista virou “chanceler” informal, fazendo ponte entre Brasil, Estados Unidos e Venezuela, onde também possui inúmeros investimentos, e o elo entre Lula e Trump. Tudo isso com muito dinheiro público, como fica claro. O “roceiro” é o homem que realmente manda nessa “bagaça”. O Brasil não é para amadores, tampouco um país sério.

RODRIGO CONSTANTINO

O PODER CORROMPE ATÉ OS BICHOS

Cena da animação Animal Farm

Cena da animação Animal Farm, baseado na famosa obra de George Orwell 

Levei meu filho para ver Animal Farm esse fim de semana. Dirigido por Andy Serkis, Animal Farm é um filme de animação satírica que chegou aos cinemas no começo do mês. Baseado na famosa obra de George Orwell, o filme retrata uma revolução animal que se transforma em uma ditadura, com vozes de Seth Rogen, Woody Harrelson e Glenn Close.

Algumas pessoas comentaram que Orwell estaria se revirando no túmulo, pois o filme adota uma visão anticapitalista. Justiça seja feita, Orwell era um socialista, por mais que tenha denunciado o regime soviético. Ele acreditava que era possível um modelo de organização igualitária sem tirania, mas acabou descrevendo justamente como as lideranças acabam substituindo seis por meia dúzia.

No novo filme inspirado na obra, Glenn Close faz a voz de uma ambiciosa “capitalista” sem coração, que mecaniza toda produção de leite e quer possuir todas as terras possíveis. Não obstante essa alfinetada no sistema capitalista, a mensagem essencial segue intacta: o porco Napoleão dá um golpe depois da revolução, usando seus obedientes cães raivosos, e assume o poder na fazenda.

Em troca de migalhas, de “comida grátis”, vai acumulando poder e ignorando as regras que todos criaram. Muda-se para a mesma casa do antigo proprietário explorador, aprende a andar com duas patas como os humanos e passa a consumir os luxos capitalistas sonhados por todos. Tudo em nome do “bem geral”, claro.

Em determinado momento, Napoleão, falando para uma multidão, alega que a frase “o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente”, de Lord Acton, foi dita por um “perdedor”. Fica claro que ele não passa de um porco recalcado tentando ser aceito pelos humanos, como costuma acontecer com tiranos.

Em geral, continua sendo uma mensagem válida e necessária. Levem seus filhos para ver o filme, e conversem com eles depois sobre a lição moral da história, sobre o perigo de se acreditar em líderes que prometem resultados fáceis e igualitários, enquanto vivem de forma nababesca enganando trouxas. Segue um trecho da resenha que escrevi sobre o livro de Orwell:

Dá-se início a um verdadeiro culto de personalidade, como costuma ocorrer em todos os países socialistas. Napoleão passa a dormir na cama, ignorando um dos mandamentos da revolução, que passa a contar com um adendo que diz que nenhum animal deve dormir em cama com lençóis. O mandamento de que nenhum animal mataria outro foi substituído, após uma chacina de alguns dissidentes do regime, para outro onde nenhum animal deveria matar outro sem motivo.

Ora, não foi difícil, com tanto poder, achar motivos para justificar o massacre de Napoleão. A miséria se abateu sobre a granja, mas os porcos comiam cada vez melhor. O cavalo Sansão trabalhava cada vez mais, convencido de que Napoleão estava sempre certo. Acabou doente de tanto cansaço, e foi levado para um abatedouro, sem piedade alguma por parte do “grande líder”.

Os sete mandamentos davam lugar a apenas um agora: “Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros”. Os porcos ligados a Napoleão passaram a negociar com os homens de outras granjas vizinhas, algo totalmente condenado na revolução. Passaram a beber álcool, também condenado, e aprenderam a andar em duas patas. No fim, era completamente indistinguível quem era porco e quem era homem. Eis o destino inevitável dos igualitários revolucionários. Instalam um regime tão opressor ou mais que o anterior, tudo em nome da granja da igualdade.

RODRIGO CONSTANTINO

A MESADA DE CIRO NOGUEIRA

Flávio tem eleição “nas mãos”, mas pode jogar fora, diz Ciro Nogueira

O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira

O senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, foi alvo de buscas nesta quinta-feira, em nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga um esquema bilionário de fraudes envolvendo o banco Master, de Daniel Vorcaro. O primo do ex-banqueiro, Felipe Vorcaro, foi preso na operação.

A ação da PF que tem Ciro Nogueira como alvo foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na decisão, o magistrado aponta que o parlamentar é indicado pelos investigadores como “destinatário central” de vantagens indevidas pagas pelo dono do Master.

A representação policial descreve um contexto de vantagens indevidas entre o senador e Vorcaro, como a compra de participação em empresa por um valor abaixo do mercado, a identificação de pagamentos mensais recorrentes de R$ 300 mil à “estrutura vinculada ao senado”, o uso de um imóvel de Vorcaro como se fosse do próprio senador e custeio de viagens internacionais, hospedagens, restaurantes e voos privados.

A principal contrapartida, ao que tudo indica, foi um projeto de lei apresentado pelo senador para elevar em quatro vezes o valor coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito, que foi feito sob medida para beneficiar o esquema do Master. A “emenda Master” daria fôlego às vendas de CDBs do banco com retornos extraordinários, pois haveria uma enorme rede de proteção para investidores que alocassem até um milhão nesses títulos. O rombo, caso o projeto tivesse sido aprovado, seria quatro vezes maior e poderia quebrar o sistema financeiro brasileiro.

Kakay, advogado petista de Ciro Nogueira, diz em nota que a defesa “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”. Eu já tenho visão diferente: contratou o Kakay provavelmente porque está encalacrado mesmo, e precisa de proteção perante o Poder Judiciário.

A atividade de lobby não é permitida no Brasil, como é nos Estados Unidos, e isso talvez seja um erro. É natural da democracia que empresas apresentem suas demandas para melhorias dos setores, mas isso deve ser feito sempre de forma transparente. No Brasil, o que se vê é puro tráfico de influência, “investimento” em conexões políticas para projetos sob medida para privilegiar o empresário. É corrupção ativa e passiva mesmo, com trocas de “favores” que se traduzem em milhões transferidos para contas de políticos.

O caso de Ciro Nogueira gera reflexões interessantes. Primeiro sobre o duplo padrão: a mesada do senador seria de 300 mil reais. Sofreu busca e apreensão, está com tornozeleira eletrônica, passaporte confiscado. Lulinha recebia mesada da mesma quantia, 300 mil reais também, de lobista do INSS. Está na Espanha curtindo a vida com dinheiro desviado.

Isso para não falar de Alexandre de Moraes. O senador foi alvo por um montante total de R$ 18 milhões, mas o ministro supremo segue no cargo, sem uma apreensão de celular, mesmo com um contrato de R$ 129 milhões do mesmo banqueiro com o escritório da sua família, sendo que Vorcaro já teria admitido que essa montanha de dinheiro era para “se aproximar de Moraes”?

Outro ponto que merece reflexão. Ciro Nogueira foi ministro importante da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro, e foi nessa ocasião que Jair disse: “Eu sou centrão”. Ele admitiu à época estar entregando a “alma” de seu governo ao centrão. O problema de a direita fazer tantas concessões ao centrão fisiológico é que isso respinga feio no conservadorismo.

O caso vem bem a calhar para uma reflexão sobre escolhas do PL, com aval do Eduardo Bolsonaro, principalmente a de indicar André do Prado para o Senado por SP. Mello Araújo faria infinitamente mais sentido: sério e conservador. Mas é Valdemar, o mensaleiro do PT, quem manda. O mesmo Valdemar que chegou a afirmar que Ciro Nogueira, ele mesmo, seria um ótimo vice para Flávio Bolsonaro!

Quando ministros do PT são pegos com malas de dinheiro, como os 51 milhões de reais do Geddel Vieira, nós, da oposição, batemos no governo Lula com toda razão. São as alianças da esquerda com o centrão fisiológico corrupto, mas fazem parte do governo do PT. Não se vence ou se governa sem o “centro”, mas é preciso muito cuidado nas escolhas, pois claro que um ministro bolsonarista, ainda que centrão, mancha a reputação do governo quando é pego num escândalo desses.

Política não é convento, não dá para ser purista. Mas redobrar os cuidados e evitar claras armadilhas, cascas de banana evidentes, isso é o mínimo que se exige! E claro: quando alguém do “seu lado” é pego com batom na cueca, cabe à direita exigir punição sem melindres, justamente para mostrar a diferença em relação à esquerda.

Ciro Nogueira já disse que renunciaria ao mandato de senador se seu nome fosse citado no caso do Banco Master. Sendo assim, o povo aguarda a sua renúncia até o fim do dia! É o mínimo que se espera para evitar que esse caso desgaste ainda mais o bolsonarismo. Lembrando que Ciro não é um bolsonarista em si, mas sim alguém que já elogiou muito o próprio Lula enquanto chamava Bolsonaro de “fascista”.

Todos podem mudar de opinião, mas em se tratando de ícones do centrão, sabemos que a probabilidade maior é mudança de interesses apenas. O centrão do PL, comandado por Valdemar, quer diluir o bolsonarismo até se tornar nada mais do que um puxador de votos (e recursos) para seu partido, repleto de fisiológicos corruptos. E é exatamente isso que precisa ser combatido pela direita. A menos que os bolsonaristas queiram admitir logo aquilo que alguns já vêm repetindo por aí: não são de direita, mas sim… bolsonaristas! A direita agradece a distinção…

RODRIGO CONSTANTINO

COMO VALORIZAR O TRABALHO DE VERDADE

Após Romeu Zema defender ampliar o trabalho a adolescentes, esquerda associa fala a incentivo ao trabalho infantil

Dois meninos, com cerca de 10 a 12 anos no máximo, bateram à minha porta e deixaram um folder anunciando o serviço de limpeza de carros e latas de lixo. Aqui nos Estados Unidos é muito comum a garotada trabalhar com isso, ou montar uma barraca de limonada na esquina. Liguei para eles e os “contratei” para lavar dois carros na sexta-feira, o Dia Internacional do Trabalho.

Os garotos ficaram três horas lavando os carros. Cobraram cinquenta dólares pelo serviço, incluindo a limpeza do interior. Ao término, descobri que eu era o primeiro cliente deles, e paguei o dobro: uma nota de cem dólares. Eles não conseguiam esconder a cara de felicidade! Eu disse que era um incentivo pelo trabalho duro e o empreendedorismo, e depois dei uma lição de moral semelhante ao meu filho, de oito anos.

Os americanos valorizam muito o trabalho. É comum filho de gente rica trabalhar como caixa de supermercado, por exemplo. Aqui se pergunta quanto dinheiro você faz por ano, não quanto você ganha. Todos entendem que dinheiro não é um presente dos céus, do estado ou algo que brota do solo, mas sim algo que você precisa correr atrás, oferecendo valor em troca, pela ótica dos consumidores. E no final sempre o agradecimento: “Obrigado pela escolha”; “obrigado por fazer negócio comigo” etc.

Não há, nos Estados Unidos, décimo-terceiro salário, férias remuneradas, vale-transporte, vale-refeição ou vale-alimentação. Uma parcela ínfima dos trabalhadores é sindicalizada e não há qualquer obrigatoriedade de pagar por sindicatos. O mercado de trabalho é bem mais livre e dinâmico, as leis são bem mais flexíveis. E o trabalhador médio americano faz cinco a seis vezes mais do que o trabalhador médio brasileiro, repleto de regalias e “conquistas legais”.

O ex-governador Romeu Zema aproveitou o feriado para defender a redução da idade mínima para assinar carteira, lembrando que ele mesmo começou muito cedo a trabalhar. Zema está certo. O trabalho enobrece, cria senso de propósito, dá responsabilidade e dignidade. Muito melhor trabalhar cedo em algo decente do que ficar de bobeira nos jogos eletrônicos ou virar “aviãozinho” de traficante. Barão de Mauá, o maior empresário do Império, começou a trabalhar aos nove anos!

Essa visão de quem valoriza de verdade o trabalho contrasta com aquela marxista, que enxerga no trabalho uma “exploração capitalista” e que deposita no estado e nos sindicatos o poder para “proteger” o trabalhador. São os mesmos que aplaudem um assistencialismo hipertrofiado que faz com que, em várias cidades nordestinas, haja mais gente dependendo do estado do que com carteira de trabalho assinada. É o antigo voto de cabresto, já que a dependência cria eleitores apavorados com o risco de perder essas benesses.

Lula tenta explorar justamente essa mentalidade com seu populismo, com a propaganda pelo fim da jornada 6×1. Enquanto isso, Zema afirma que não vai permitir marmanjo vivendo à custa de mesada estatal. No Brasil, infelizmente, o discurso fácil da esquerda ainda rende votos, pois muita gente enxerga o trabalho como um fardo intolerável, como “exploração”, buscando um atalho para uma vida mais mansa – ainda que ao custo da perda da liberdade.

O ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), se declarou como “vermelho” ao afirmar que “nós, vermelhos, temos causa”. A afirmação foi feita durante um evento institucional sobre a Justiça do Trabalho, realizado em 1º de maio.

“Nós, vermelhos, temos causa. Não temos interesse. E que fique bem claro isso, para quem fica divulgando isso aqui no país. Nós temos uma causa. E eles que se incomodem com a nossa causa. Porque nós vamos estar lá lutando o tempo todo na defesa da nossa instituição, porque as pessoas vulneráveis desse país precisam de nós. E a Constituição nos dá o poder para isso”, afirmou.

Segundo o ministro, a Justiça do Trabalho não deveria se limitar à aplicação estrita da lei, mas atuar como instrumento de contenção ao que classificou como “capitalismo selvagem e desenfreado”, além de exercer papel regulador nas relações entre empresas e trabalhadores. Ele se enxerga como alguém que enfrenta os “defensores dos interesses econômicos”.

Esse tipo de mentalidade é o grande problema em nosso país. Aliás, a própria Justiça do Trabalho é uma espécie de jabuticaba, algo inexistente em países mais desenvolvidos. Os “juízes” trabalhistas vivem tomando decisões com base nesse conceito marxista de que trabalhadores são vítimas de seus patrões, e isso certamente cria um ambiente desfavorável ao empreendedorismo no Brasil – lembrando que são os empreendedores que criam riqueza e trabalho. Passou da hora de mudar essa cultura. Zema está de parabéns por ter mexido nesse vespeiro!

RODRIGO CONSTANTINO

O SENADO AINDA RESPIRA

Jorge Messias chorando durante sabatina na CCJ do Senado

“Derrota histórica do PT! O Senado rejeitou o avanço de um projeto de poder, aparelhamento e censura que coloca em risco a nossa democracia. Jorge Messias era uma ameaça clara ao reequilíbrio entre os Poderes. O Parlamento reagiu e deixou claro: Lula é mercadoria vencida! O Brasil ainda tem jeito, quer normalidade democrática, e o próximo nome para o STF definido após as eleições, com legitimidade e novos critérios”. A análise foi feita pelo senador Rogério Marinho, que teve participação importante nas articulações com o centrão para a derrota de Lula.

O bordão do presidente petista vem bem a calhar aqui: “Nunca antes na história desse país”. De fato, Lula é o primeiro presidente em 132 anos a ter uma indicação para o Supremo rejeitada. Isso não é pouca coisa. São placas tectônicas se movendo em Brasília. Claro que não acreditamos que todos os senadores que votaram contra Messias o fizeram por razões nobres. Mas o resultado importa, e muito.

Há uma autofagia no sistema, e até mesmo dentro do STF existe um racha hoje. Lula liberou cerca de R$ 12 bilhões em emendas parlamentares para garantir a aprovação do seu “despachante” de confiança, mas não levou. Vai ter que reclamar no Procon agora! Os senadores do centrão fisiológico embolsaram as emendas, mas mesmo assim se recusaram a entregar o “produto”. Lula se sente traído e fala em guerra. Haverá retaliações, sem dúvida. David Alcolumbre e seus pares sabem disso, mas mesmo assim fecharam questão com a oposição e impuseram a derrota mais humilhante de Lula até hoje.

Flávio Bolsonaro foi humilde e não quis assumir qualquer protagonismo nessas articulações, mas até Malu Gaspar no Globo reconhece: “Como Alcolumbre e Flávio Bolsonaro derrubaram Messias e conseguiram impor derrota histórica a Lula”. “De acordo com fontes envolvidas nas conversas, o presidente do Senado não se comprometeu a pautar nenhum pedido de impeachment, mas foi bem-sucedido ao convencer os senadores de que a derrubada do indicado de Lula seria um passo necessário para chegar lá”, diz trecho da reportagem.

Não se sabe ao certo os termos do acordo costurado, mas foi sem dúvida uma vitória e tanto dos bolsonaristas. Foi uma derrota acachapante para Lula, Messias e André Mendonça, que fez campanha aberta para o colega “evangélico” e, após sua derrota, lamentou a “oportunidade perdida” de um país ter um grande ministro no STF.

O cabo de guerra entre Lula e Alcolumbre pode não ter os interesses republicanos em pauta, mas o efeito prático dessa rejeição histórica é reforçar a ideia de que o Senado pode e deve agir com independência. É sua prerrogativa sabatinar e aprovar ou não o indicado pelo presidente para a Corte Suprema, e se a aprovação já é esperada de forma automática, isso significa que os senadores são apenas carimbadores de decisões do Executivo e a sabatina não passa de um teatro. Daí a importância de lembrar que os poderes são autônomos, o que abre a expectativa para um eventual pedido de impeachment de ministro supremo ser votado no plenário também.

Não houve uma epifania republicana por parte dos ícones do centrão fisiológico, por certo. Mas é assim que funciona a democracia na realidade: com jogo de interesses, motivações mesquinhas, ambições pessoais. Os mais idealistas adorariam que fosse tudo bem diferente, que cada senador votasse com base somente em princípios decentes e valores morais nobres. Mas é melhor são saber como as leis – e as salsichas – são feitas. A realidade é mais feia do que muitos imaginam.

Uma batalha importante foi vencida, mesmo que por motivos errados. Mas a guerra está longe do fim, até porque os métodos adotados para essa vitória continuam dominantes no Congresso e nos impedem de sonhar com mudanças mais profundas e estruturais. O máximo que podemos esperar, portanto, é que mais mudanças relevantes ocorram daqui para frente, em doses homeopáticas, com elevados custos nesse trade-off que é a política. O Brasil não é para amadores e a política é a arte do possível. Mas hoje o Senado ainda respira, e isso é motivo de comemoração.

RODRIGO CONSTANTINO

NEPOTISMO NÃO É UM VALOR CONSERVADOR

Carlos Bolsonaro olhando para o lado.

Carlos Bolsonaro (PL) fez críticas aos integrantes do PL que não declaram apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República

“Carlos Bolsonaro será ministro no Planalto em governo do irmão Flávio”, diz manchete da coluna de Guilherme Amado. Ninguém confia nesse jornalista, mas seria bom o Flávio Bolsonaro deixar bem claro se seus irmãos terão ou não papel relevante em seu eventual governo. Ele já descartou Eduardo como chanceler numa entrevista recente. Deveria dizer em alto e bom som que Carlos também não teria espaço em sua gestão.

O conservadorismo é oposto ao tribalismo. A direita valoriza o mérito individual, a trajetória de quem se fez por conta própria, pelo trabalho, não pelos títulos ou sobrenome. Quando deixamos de analisar indivíduos com base nesses princípios básicos, estamos agindo como petistas. Infelizmente, vejo estarrecido muito “conservador” confundir conceitos e achar que sobrenome define, sim, valor político.

Ao menos alguns são mais sinceros e assumem que não são direitistas, mas sim bolsonaristas. Ou seja, eles admitem que querem uma espécie de clã político no país, com base apenas no sobrenome, sem levar em conta os méritos individuais e os valores agregados ao país por cada um. É algo que remete ao velho tribalismo africano, ou então ao detestável nepotismo.

Ora, se conservadores e liberais sempre condenaram políticos que empregaram parentes e colocaram como “sucessores” seus filhos, isso deve valer para todos, da esquerda à direita. Se é errado quando Sarney ou Renan Carvalho fazem isso, tem que ser errado quando Bolsonaro faz também. E já temos na política seus quatro filhos, inclusive o mais jovem Jair Renan, além de seu irmão Renato, sua esposa Michelle e sua ex-mulher Rogéria estarem disputando cargos este ano. Só falta a Laurinha, pelo visto!

Nem vou entrar a fundo na questão da coesão dos parentes. Duas postagens esta semana revelam como a casa Bolsonaro segue dividida. Se os próprios irmãos ou seus porta-vozes não seguem um pedido básico de união e paz do Flávio, isso mostra que não respeitam sua liderança, ele que foi o escolhido por Jair Bolsonaro como candidato, e que lidera as pesquisas graças à sua postura moderada e agregadora. “Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá”, diz a Bíblia (Mateus 12:25).

Que fique claro: não é porque tem o sobrenome Bolsonaro que deve ser descartado; mas tampouco deve ser enaltecido somente por esse critério! Isso é o óbvio ululante: cada um deve ser avaliado e julgado com base em seu histórico, em sua capacidade, em como pode contribuir para a nação. Mas não basta ter um sobrenome para fechar questão e encerrar o debate. Isso é uma mentalidade bastante atrasada e equivocada.

Digo isso pois, por conta da disputa eleitoral, Romeu Zema vem sendo massacrado por bolsonaristas nas redes sociais, inclusive por seus acertos! Uma coisa é criticar o ex-governador por seus erros, como na postura durante a pandemia. Outra, bem diferente, é desqualificar seus méritos, como tem feito José Dirceu e essa ala “eduardista”.

Zema doou seu salário para a caridade, dispensou inúmeros funcionários para seu atendimento pessoal, morou de aluguel numa casa que pagou do próprio bolso, ia de carro próprio para o trabalho e não empregou um único parente em seu governo. Isso tem que ser elogiado por qualquer um que se diz de direita! Afinal, não queremos políticos usando o estado e os recursos públicos para garantir o “filé mignon” aos seus filhos e parentes em geral. O nepotismo e o patrimonialismo devem ser condenados sempre.

Os grandes ícones da direita, como Reagan e Thatcher, não colocaram seus parentes em seus governos e seus filhos não foram sucessores “naturais” de seus legados políticos. Mesmo Donald Trump, que desconfia de todo mundo, montou uma equipe com base em critérios objetivos e descartou colocar seus filhos em funções de governo. Os nomes cotados para disputarem as próximas eleições são Marco Rubio e JD Vance, não Donald Trump Jr.

Essa turma “eduardista” que vive atacando Nikolas Ferreira ignora justamente isso: o jovem deputado tem luz própria pois tem mérito próprio. Sim, recebeu ajuda de Bolsonaro no começo e é grato por isso. Mas mostrou resultados como deputado, soube se comunicar bem com o eleitor e virou um fenômeno nas redes sociais. Vários que também receberam apoio de Bolsonaro no início não chegaram nesse mesmo lugar. Isso talvez crie muita inveja em quem tem basicamente um sobrenome para mostrar, e nada mais, como no caso de Jair Renan e alguns bajuladores dos irmãos Eduardo e Carlos, de olho em cargos.

Que fique claro: Flávio tem seus méritos e tem conduzido bem sua pré-candidatura, inclusive afirmando que pretende dar continuidade ao governo de seu pai, com uma linha liberal na economia como a de Paulo Guedes. Mas ninguém deveria votar nele – ou em quem quer que seja – apenas pelo sobrenome. Numa república, queremos avaliar o trabalho pessoal de cada um. Ser filho de alguém não define absolutamente nada. Ou o filho do Pelé também foi craque como o pai?

RODRIGO CONSTANTINO

ACERTAM AO DEFENDER PRIVATIZAÇÕES

Em vídeo publicado nas redes, Zema critica governo Lula e afirma que irá privatizar Petrobras e Banco do Brasil

Em vídeo publicado nas redes, Zema critica governo Lula e afirma que irá privatizar Petrobras e Banco do Brasil

O ex-governador Romeu Zema foi para cima do Estado hipertrofiado e disse que vai privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil, cortar supersalários e reduzir ministérios: “Privatizar Petrobras e Banco do Brasil (…) Vamos vender também as estatais que só dão prejuízos (…) Vou passar a faca em supersalários”. Essa mensagem é importante especialmente num país em que o Estado se agigantou de tal forma que a verdadeira luta de classes se dá entre pagadores e consumidores de impostos.

A agenda de redução do Estado sempre foi fundamental para a direita. Não tem cabimento algum o Estado ser empresário, manter empresas sob seu controle, mesmo em “setores estratégicos”. Como autor do livro Privatize Já, mostrei tanto com argumentos teóricos como com inúmeros casos empíricos, no Brasil e no mundo, as vantagens de se privatizar estatais e defender o livre mercado. Infelizmente, ainda há muita gente que discorda, como toda a esquerda e uma ala da “direita” defensora do PCO e Aldo Rebelo.

Ao pregar as privatizações, Zema vai ao encontro do que desejava Jair Bolsonaro no final do seu governo. Com seu Posto Ipiranga Paulo Guedes, o liberal que cuidava de toda área econômica, Bolsonaro chegou a falar abertamente em privatizar os Correios e até a Petrobras. Seu filho Flávio Bolsonaro prometeu um “bolsonarismo centrado” e uma agenda liberal a empresários, afirmando que seu futuro governo, caso eleito, será nos moldes daquele de seu pai: “Darei continuidade ao que o Paulo Guedes começou”. Flávio defendeu abertamente privatizações e corte de impostos, pautas liberais.

Há uma enorme falácia repetida por alguns “conservadores”: a de que JBS, Odebrecht e a “Faria Lima” querem o liberalismo e as privatizações. Não! Eles adoram o PT, as estatais e os fundos de pensão corruptos. Adoram a corrupção que só o governo hipertrofiado permite. O livre mercado é contra tudo isso. Eles amam o capitalismo de Estado, pregado justamente pelos “desenvolvimentistas”. Ciro Gomes é um nome muito mais palatável para essa turma do que Romeu Zema ou Flávio Bolsonaro.

O único banco estatal que financia o agronegócio nos Estados Unidos, por exemplo, é o Bank of North Dakota. Não há um análogo ao Banco do Brasil. O Bank of America é privado. Não existe tampouco uma Petro USA, mas sim dezenas de empresas privadas, nacionais e estrangeiras, competindo no mercado de energia. A revolução do fracking e do shalegas só foi possível graças a esse ambiente capitalista, e hoje os Estados Unidos são um dos maiores produtores de petróleo, sem qualquer estatal cuidando disso.

Mas os “conservadores russos” que vivem agora de bater no Zema, ao lado de Reinaldo Azevedo e outros esquerdistas, condenam qualquer privatização como algo “entreguista”. O modelo que os inspira é o chinês. Eles querem falar em nome da direita e de Bolsonaro, que chegou a defender a privatização da Petrobras e cujo ministro Posto Ipiranga era o liberal Paulo Guedes. Essa turma adora o Estado! Direita? Nem aqui, nem na China…

Como disse o colunista Fabiano Lana no Estadão: “O famigerado liberalismo atacado pelo manifesto do PT melhorou espetacularmente as condições sociais”. Tanto Jair como Flávio Bolsonaro se cercam de economistas liberais, como Paulo Guedes e Adolfo Sachsida. Mas eles deveriam deixar claro publicamente que certos “aliados” não falam em seu nome, já que são figuras que deploram as privatizações, a economia livre e o mercado de capitais. Essa turma estranha é contra até o Banco Central independente, conquista importante do governo Bolsonaro, que aproximou o Brasil do modelo de todo país desenvolvido.

São pessoas que, por ignorância ou má fé, misturam liberais clássicos com “liberais” como Arminio Fraga e João Amoedo, “progressistas” que defendem pautas de esquerda, como George Soros. Eles fazem um tremendo esforço para colocar conservadores contra liberais, ignorando que todo conservador é liberal na economia. O “pai do conservadorismo” moderno, Edmund Burke, era um liberal Whig. Bastiat, Benjamin Constant, Milton Friedman, Friedrich von Hayek, Ludwig von Mises e tantos outros liberais são leitura obrigatória para todo conservador legítimo.

O problema é que essa gente de “direita” não lê, não quer se informar. Prefere repetir slogans prontos e vazios que mais parecem retirados da cartilha do PSOL. Falam com desprezo dos milionários, do mercado de capitais, da meritocracia. Preferem fundos de pensão envolvidos em vários casos de corrupção. Com uma “direita” dessas, os verdadeiros conservadores nem precisam de adversários à esquerda. Felizmente Zema e Flávio ignoram esse discurso tacanho e pregam privatizações e menos estado. Eis o caminho certo para endireitar o país!

RODRIGO CONSTANTINO

VORCARO CADA VEZ MAIS PERTO DE LULA

Vorcaro tem mais é que entregar todo mundo envolvido em esquemas do Master. E é bom ele fazer isso o quanto antes

A coluna de Igor Gadelha no Metrópoles hoje revela: “Governo Lula alugou navios para COP 30 via empresa do sócio de Vorcaro”. Segundo documento da Casa Civil, ao qual a coluna teve acesso, o governo alugou navios para hospedar delegações na COP 30 por meio da “Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda”. A Qualitours foi contratada pela Secretaria Especial da COP 30, vinculada à Casa Civil, por meio da Embratur, a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo.

Contratada pelo governo via Embratur, a Qualitours pertence ao empresário Marcelo Cohen. Ele é apontado como sócio de Daniel Vorcaro no hotel de luxo Botanique, localizado em Campos do Jordão (SP). A ligação da Qualitours com Vorcaro, porém, vai além. A empresa pertence à holding BeFly, criada em 2021 por Marcelo Cohen a partir do impulsionamento de fundos ligados ao Banco Master.

As partes envolvidas atestam que não houve qualquer irregularidade na contratação, mas chama a atenção a “onipresença” de Vorcaro. O dono do Banco Master parece estar ligado a basicamente tudo! Desde aluguel de jatinhos por várias autoridades e empresários até hotéis e embarcações, além de crédito consignado até com o Exército. Cabe perguntar: o que não tem o dedo de Vorcaro ou seu banco?

As cifras envolvidas são sempre milionárias. É como se alguém que quase ninguém tinha ouvido falar até “ontem” se tornasse uma das figuras mais importantes em Brasília da noite para o dia. O Banco Master idem: comprou o Máxima, banco pequeno e desconhecido, e em pouco tempo já era um dos mais presentes e ativos em operações envolvendo a turma de Brasília.

Esse contrato para alugar os cruzeiros na COP 30, por exemplo, custou R$ 350 milhões aos cofres públicos! No documento, o governo diz que o aluguel de navios foi necessário em razão do déficit de hospedagem em Belém e da necessidade de cumprir o acordo para que o Brasil fosse o país-sede da conferência da Onu. Conveniente, não? Será que foi por isso que Belém foi escolhida? Justamente para justificar gastos exorbitantes?

Nas redes sociais, Flávio Bolsonaro classificou o gasto como “surreal” e questionou o legado do evento para a população do Pará. “Com R$ 350 milhões dava para construir 40 UPAs para atender até 450 pessoas por dia. Mas não foram construídas. Lula torrou alugando cruzeiros”, disse o senador nas redes sociais.

Enquanto Flávio explora com razão o caso para desgastar Lula, seu novo aliado espalha bobagem por aí. Pablo Marçal disse ter ficado “impressionado” com o esquema orquestrado por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Em entrevista à coluna de Paulo Capelli no Metrópoles, Marçal afirmou que Vorcaro “mostrou um nível de inteligência que não esperava ver no Brasil”. Ao minimizar a prisão do banqueiro, o empresário citou as prisões de José do Egito, de Jesus, de Lula e do apóstolo Paulo.

“Eu acredito que o Vorcaro vai ser um cara que, quando alguém for usar uma expressão de alguém que é muito inteligente, vai falar assim: ‘Você é muito Vorcaro’. Você é muito arquiteto de algo que ninguém percebeu”, disse.

Na sequência, o empresário citou Lula. “Nosso presidente do Brasil não ficou preso na cadeia por 580 dias? E continuou sendo inteligente. Eu tive coragem de assumir aqui que ele [Lula] é o político mais influente da história. Não foi a prisão que diminuiu, não. Ele não baixou a cabeça. Então quando você olhar para algo, esse algo não determina o futuro de uma pessoa. Determina se ela desistir”, afirmou Marçal.

Candidato a prefeito de São Paulo em 2024, Marçal disse ainda não acreditar que Daniel Vorcaro celebre delação premiada para reduzir a pena. Para o empresário, o banqueiro pode sair da prisão em 5 anos mesmo que não entregue nomes de autoridades envolvidas no esquema do Banco Master. “Não faz muito sentido, não [Vorcaro selar acordo de delação premiada]. Não faz de jeito nenhum. Se você está num sistema onde esse tanto de gente está comprometida, fazer uma delação meia-boca com tantas provas não faz sentido. Vai livrar um cara e vai ferrar 80. Você pode até sair da cadeia, mas você não vive mais”, argumentou Marçal.

Com aliados assim, talvez Flávio nem precise de adversários! Será que a delação de Vorcaro chegaria perto do próprio Marçal? O Brasil todo, ao menos a parcela que não tem rabo preso, quer justamente uma delação completa de Vorcaro. Pela importância que ele adquiriu em Brasília, como uma espécie de lavanderia geral do sistema, Vorcaro tem mais é que entregar todo mundo envolvido em esquemas do Master. E é bom ele fazer isso o quanto antes…

Afinal, vimos o destino de Sicário, seu “matador de aluguel”. E agora ficamos sabendo que Daniel Vorcaro passou mal na Superintendência da Polícia Federal (PF) de Brasília, onde o banqueiro está preso, e precisou de atendimento médico. Delata todo mundo logo, Vorcaro!

RODRIGO CONSTANTINO

A ESCOLHA DO VICE É FUNDAMENTAL

Escolher o vice para sua chapa eleitoral não é tarefa simples. A escolha do vice não é baseada em quem gostamos mais, e sim em quem pode agregar mais votos. Isso pode se dar por palanque direto em um colégio eleitoral importante, ou pela imagem que o vice agrega para a chapa. Lula, visto (com razão) por muitos como um esquerdista radical, colocou o empresário da Coteminas como seu vice em sua primeira disputa vitoriosa para a Presidência.

Geraldo Alckmin cumpriu papel similar na última eleição: servir como um selo de moderação para acalmar os mercados e eleitores em geral quanto ao risco de radicalização socialista. Com Alckmin, a velha imprensa e economistas como Arminio Fraga e Elena Landau podiam falar em “frente ampla democrática”, mesmo que Alckmin tenha tido o papel basicamente de posar ao lado de tiranos que Lula admira.

Existem vices mais discretos, e existem vices mais ativos. Há ainda a escolha por precaução. Me parece o caso de Mourão como vice de Jair Bolsonaro: receoso de um impeachment, Bolsonaro quis colocar um general para “intimidar” a oposição. Mas Mourão se mostrou bem mais domesticável pela mídia do que Bolsonaro gostaria.

Chegamos, então, à escolha do vice na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Vários nomes vêm sendo ventilados, mas alguns com mais frequência. A ala bolsonarista fala muito no deputado Luiz Phillippe de Orleans e Bragança, nosso “Príncipe”. Trata-se de um excelente nome… como deputado, ou senador. Mas como vice, infelizmente acho que pouco agrega. Dobradinha do PL já não atrairia nenhum outro partido para o bloco. E o perfil do eleitor que vota em Luiz Phillippe já é o mesmo do que vota no Flávio. Parece redundante.

Falam na senadora Tereza Cristina, do Progressistas, com boa entrada no agronegócio. Foi ministra do próprio governo Bolsonaro. De postura moderada, mais de centro do que conservadora, Tereza pode ajudar Flávio perante o eleitorado feminino, onde há maior rejeição ao seu nome, em que pese ser mais mito do que ciência essa crença de que mulher vota em mulher. Mas a escolha da Tereza daria uma sinalização maior de aproximação do Flávio ao centro, reforçando sua imagem de “Bolsonaro moderado”.

Já mencionaram também o nome de Renata Abreu, deputada federal por São Paulo desde 2015 e presidente nacional do Podemos. Suas credenciais são boas: votou a favor do processo de impeachment de Dilma Rousseff; já durante o governo Michel Temer, votou a favor da PEC do Teto dos Gastos Públicos; em abril de 2017 foi favorável à Reforma Trabalhista; em julho de 2019, votou a favor da Reforma da Previdência proposta pelo governo Bolsonaro.

Como diz trecho de uma reportagem da Oeste: “Renata possui características que passaram a ser valorizadas nessa etapa da pré-campanha. Está no terceiro mandato como deputada federal e foi reeleita em 2022, com pouco mais de 180 mil votos em São Paulo. Comanda nacionalmente o Podemos, partido de centro sem escândalos de corrupção na ficha corrida, e mantém interlocução com diferentes correntes políticas”.

Por fim, temos o mais falado de todos, Romeu Zema, do Novo. Zema foi governador por dois mandatos em Minas Gerais, reeleito no primeiro turno. Antes, teve sucesso como empresário na iniciativa privada. Ou seja, agrega a experiência executiva que falta ao Flávio, apesar de isso não ser impeditivo de fazer um bom governo: seu pai tampouco tinha tal experiência e se cercou de gente boa e competente, dando a eles autonomia operacional. Os casos de Paulo Guedes e Tarcísio Freitas ilustram bem isso.

Além da experiência administrativa, Zema traria o palanque do segundo maior colégio eleitoral do país, lembrando que há aquele mito: quem vence em Minas, vence no Brasil. Isso talvez seja pelo fato de MG representar um microcosmos do país. O Vale do Jequitinhonha é uma espécie de Nordeste ali dentro. Logo, Zema agregaria bastante à candidatura do Flávio.

Mas há um trade-off que deve ser levado em conta: Zema como candidato solo vai focar sua energia contra Lula nos debates, e no segundo turno, sendo mesmo Flávio contra Lula, ele certamente vai apoiar Flávio. O próprio Zema lembrou que foi Jair Bolsonaro quem disse que ter várias candidaturas à direita era algo positivo. Trazer Zema para o time já no primeiro turno, portanto, pode ter esse custo de perder um debatedor afiado que já estaria fechado com o PL no segundo turno de qualquer forma.

Como fica claro, são escolhas difíceis, e certamente a campanha do PL está avaliando outros nomes que não trouxe aqui. De minha parte, como alguém liberal com viés conservador, que tem como prioridade derrotar o Lula, minha escolha seria provavelmente o Zema. Mas os outros nomes também agregam e podem fazer sentido. Que o Flávio e seu partido escolham aquele ou aquela que realmente for contribuir para atrair votos e facilitar a governabilidade, sem sacrificar os nossos valores conservadores. Democracia, porém, é concessão.

RODRIGO CONSTANTINO

PL E NOVO: DIREITA UNIDA CONTRA A ESQUERDA

Flávio Bolsonaro (PL) ao lado de André Marinho (Novo) e Romeu Zema (Novo): sinalizações de diálogo e articulação entre PL e Novo no cenário político atual

Existe uma prioridade nessa eleição: derrotar o lulismo. Com isso em mente, Jair Bolsonaro já escreveu carta do próprio punho, na prisão, pedindo a união da direita, o fim dos ataques mútuos e o respeito à sua esposa Michelle, alvo de “cobranças” um tanto chulas de uma ala bolsonarista.

Flavio Bolsonaro foi na mesma linha e já disse várias vezes que o importante é deixar o passado para trás e focar no futuro, buscando, inclusive, aliança com quem criticava bastante Bolsonaro. Flavio também elogiou Nikolas Ferreira, alvo de ataques absurdos de alguns, afirmando que se trata de um “moleque de ouro” que está 100% do seu lado.

É nesse espírito de união que as imagens deste fim de semana no Sul são tão importantes. O deputado Marcel van Hattem, do Novo, e Sanderson, do PL, estiveram juntos em uma grande festa para lançar suas candidaturas ao Senado, enquanto Zucco, do PL, será o candidato ao governo. Marcel escreveu: “NÃO DEIXAREMOS A QUADRILHA QUE ASSALTOU O BRASIL ASSALTAR TAMBÉM O RIO GRANDE: agora é ZUCCO governador! Festa maravilhosa de lançamento da pré-campanha do Luciano Zucco ao governo do Rio Grande do Sul. A quadrilha que assaltou o INSS agora quer se instalar no RS, mas, juntos, nós não deixaremos isso acontecer. Com Zucco e Silvana no governo e comigo e Sanderson no Senado, faremos uma trincheira de batalha para o bem do nosso Estado e do nosso Brasil. Fora Lula! Fora Alexandre de Moraes! A direita está unida para retomar o RS e o Brasil”.

Enquanto isso, Flavio e Zema postaram um vídeo que viralizou nas redes sociais. Em clima descontraído, em tom de brincadeira, Zema, do Novo, convida Flavio, do PL, para ser seu vice. Flavio é o líder nas pesquisas e aquele com maior chance de derrotar Lula numa fotografia de hoje, e Zema é um dos cotados para ser seu vice. O ex-governador de Minas, reeleito em primeiro turno, traria não só um palanque importante no segundo maior colégio eleitoral do país, como sua experiência administrativa e seu tom incisivo contra os abusos supremos. Zema voltou a criticar os “intocáveis”: “Todo dia um tapa na cara do brasileiro. Chegou a hora de a gente acabar com essa farra dos intocáveis de Brasília”.

No Paraná, o Novo e o PL se uniram contra a esquerda. Sergio Moro, que foi para o PL, lidera as pesquisas para o governo, e a dobradinha para o Senado conta com Deltan Dallagnol, do Novo, e Felipe Barros, do PL. Divergências passadas foram deixadas de lado em prol do foco nos resultados.

O PL e o Novo também estão juntos no Rio, e Flavio gravou um vídeo ao lado de André Marinho, candidato ao governo. Marinho e seu pai foram duros críticos de Jair Bolsonaro, mas Flavio está focado, com pragmatismo, em seu objetivo maior: derrotar Lula. E ele sabe que, para isso, vai precisar de cada voto. Afinal, seu pai perdeu para Lula em 2022 por apenas 1%! Não dá, portanto, para desperdiçar um só voto nessa disputa tão acirrada e importante para o país. Ninguém quer imaginar o que seria do Brasil com mais quatro anos de PT.

Por isso mesmo, Flavio vem tentando se afastar do radicalismo de uma ala bolsonarista, dominada por seus irmãos Eduardo e Carlos. Pergunta: qual é a melhor forma de tratar quem pretende votar em Zema ou Caiado no primeiro turno, pela ótica do Flavio e do Brasil? Vê-los como prováveis aliados no segundo turno ou chamá-los de traidores, canalhas, esquerdistas e repetir que não precisamos de seus votos? A resposta parece evidente para quem pensa.

Fiz uma enquete no meu X, com 4.800 votos, perguntando em quem o público votaria no primeiro turno. Flavio ficou com 65%, Zema com quase 22% e Caiado com 13%. Isso mostra, dentro da minha base de seguidores, como será crucial para o Flavio atrair os votos de Zema e Caiado no segundo turno. E, para tanto, ele terá de ser moderado, acenar ao centro, aos liberais — e é justamente o que ele vem fazendo. Inclusive elogiando a equipe econômica do governo de seu pai e publicando uma foto ao lado do ex-ministro Paulo Guedes, grande liberal que goza do respeito dos agentes do mercado financeiro.

É um receio que muita gente boa tem, principalmente ao acompanhar a postura dessa turma contra Nikolas e outros nomes importantes da direita. Caso contrário, muita gente vai acabar desistindo de votar no Flavio por associá-lo a essa conduta tóxica.

Nikolas, aliás, não para de trabalhar em prol da candidatura de Flavio ao desgastar Lula com seus vídeos, que alcançam milhões de visualizações. Ele também esteve em evento em Goiás apoiando o deputado Gustavo Gayer. O PL, em sua página oficial, publicou: “Nikolas lembra: escolher bem os representantes é o primeiro passo para transformar o país. O Brasil precisa de coragem, ação, compromisso e, acima de tudo, caráter. E é com essa convicção que seguimos juntos, firmes na luta por um Brasil melhor”. Mas, acreditem se quiser, a ala “eduardista” conseguiu problematizar sua camisa branca e amarela!

O jovem deputado também gravou um vídeo incentivando os jovens a tirar seu título de eleitor. “Tira o título e vota, para pelo menos você poder cobrar em quem votou. Senão, nem reclamar depois você vai poder”, diz Nikolas no vídeo. Esse tipo de iniciativa é fundamental e pode fazer toda a diferença no resultado da eleição.

Jair Bolsonaro dizia: “Meu partido é o Brasil”. O ex-presidente sabia que nenhum partido no país é perfeito ou realmente conservador, e que o mais importante eram indivíduos com compromisso com as pautas de direita.

O Brasil não é uma dinastia familiar, e a direita sempre pregou a meritocracia. É por isso que o próprio Jair e sua esposa Michelle respeitam o trabalho de Nikolas, e é por isso também que parlamentares do Novo são mais aliados da agenda de direita do que muitos do próprio PL.

Daí a importância de vermos essa turma do Novo e do PL unida com o objetivo único de derrotar o PT. Quem se coloca contra essa união quer, no fundo, boicotar a própria candidatura de Flavio…