BOBAGEANDO BESTEIRAS OU BESTEIRANDO BOBAGENS
Salve, salve, Humberto
A chegada de Humberto Araújo ao Jornal da Besta Fubana me deixa feliz e, mais que isso, vaidoso, de tê-lo, logo no número de estréia, ilustrando minha coluna. Humberto, além do grande artista que é (chamo-o de Poeta do traço, pela beleza de seu risco e originalidade de suas idéias) consegue conciliar duas características difíceis de encontrar numa só pessoa: grande artista e grande figura humana. De parabéns, os leitores do JBF pela agregação de valor causada pela benvinda chegada desse cabra lá das bandas de Itambé. As caricaturas que ilustram meu derradeiro disco – COM A SANFONA AGARRADA NO PEITO, elogiadas pela crítica especializada e pelo público em geral, são de autoria de Humberto.
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Verdades ou mentiras
Jamais saberei se o cineasta Polanski estuprou ou não Samantha. Nunca terei a certeza acerca da propalada pedofilia de Jackson, o do Pop. Mas, o que me importa essas certezas, essas verdades ou mentiras? O que acrescentará ao meu modo de vida saber das proezas de um ou de outro? Deixem-me em dúvida.
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Nobel da Paz? A notícia caiu como uma bomba
Com 7 palmos de areia na caixa dos peitos, Alfred Nobel deve estar sem nada entender com a indicação de Obama para o prêmio que leva o seu nome. O americano agora é “colega” de Madre Tereza de Calcutá, Martin Luther King, Bispo Desmond Tutu, Nelson Mandela … Pode? Em que virtudes terá se baseado a Comissão Sueca (ou é de Oslo?) para delegar-lhe esse prêmio? Pelas balas e bombas no Iraque e no Afeganistão, pelos bloqueios econômicos impostos a quem discorda de sua política ou pela instalação de bases militares na vizinha Colômbia? Isso tudo, dirão alguns, é coisa de seus antecessores, principalmente do Demobush (o demo é de demônio, não confundir com outra coisa) ou do branquelo Clinton. O único mérito da escolha é que, com o prêmio – a meu ver concedido em tom preventivo – o Barack deverá pensar duas vezes, de agora em diante, antes de atear fogo no barril de pólvora do Oriente ou de comandar a escravidão a que, do ponto de vista econômico, submete o pessoal de Cuba, do Irã e da Coréia do Norte. Teremos que esperar pra ver. Enquanto isso, Alfred Nobel estrebucha na cova.

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Mineira de Pernambuco ou pernambucana de Minas?
Conheci Irah há dez anos e há dez anos me tornei seu fã. Incondicional. Pela bravura, pela tenacidade, pelo talento, pela amizade. Testemunha de sua luta, a cada dia me tornei mais admirador dessa cantoraa/pessoa. Tanto que, em diversas oportunidades fico na dúvida se devo ou não aceitar convites que me são formulados para homenageá-la, porque parecerão suspeitos ante a amizade e o carinho que por ela tenho. Assim foi na solenidade da Câmara – já comentei nesse mesmo espaço sobre o assunto, e assim foi quando convidado fui para escrever a apresentação de seu último trabalho musical, o disco Compositoras Nordestinas, por ela produzido e interpretado. Mas não pude recusar e escrevi o texto abaixo:
“NO REINO DA VERDADE E DO TALENTO
Eis que nos chega essa também Maria registrando o canto das Marias já descobertas ou cantando as Marias por descobrir. Ainda bem que tantas Marias há, com muito mais luzes que dores.
Da alma à boca, as notas musicais se enfeitam com laços de fita e se vestem de arco-iris para perfumar a vida, receita sempre presente quando a artista é Irah.
Passeando por entre canções e forrós ou flertando com cocos e sambas, outra vez ela vai muito além do fazer bem o seu, não se limitando a ser apenas a boa cantora que é.
Produziu. Dirigiu. Fez. Combinou, na dose adequada, a maturidade de seis discos já lançados com a energia e a vontade de um primeiro trabalho, de uma estreante. Nada de mais, nada de menos, tudo na medida certa. Estranharia se assim não fosse.
Essa é a Irah que eu conheço: Rainha da verdade e do talento.
Quando o dia, cansado, adormecer, se enfeitiçando em noite, ou quando esta, buliçosa, viçosa, acordar para que o dia seja tecido, qualquer que seja a hora será uma boa hora para se escutar Irah e suas divinais mulheres. Resta-nos fazê-lo.
Feliz de um povo que tem Irah para ouvir.
Xico Bizerra, Poeta e Compositor
Numa noite de quase Setembro, ouvindo Irah e vendo a lua refletir-se no espelho/mar de Candeias.”
