6 julho 2010 A PALAVRA DO EDITOR

GÉLIDO CASCO

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A Holanda acabou de botar no furico do Uruguai por 3 x 2.

É apenas mera coincidência que o Presidente Lula tenha declarado, hoje pela manhã, que iria torcer pelo Uruguai.

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Robben correndo pra comemorar o terceiro gol e agradecer a torcida de Lula pelos hermanos

6 julho 2010 FULEIRAGEM

JUSCILAN - CHARGE ONLINE

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A BOLA DA VEZ

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Pra quem não acredita em nada que Lula diz, nem no que o PT diz, nem o que toda a quadrilha diz,

 

aqui vai um momento de Lula Verídico da Silva, onde ele fala a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade.

 

6 julho 2010 FULEIRAGEM

ELVIS - AMAZONAS EM TEMPO

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CARDEAL RAIMUNDO FLORIANO - BRASÍLIA-DF

Balipodíssimo Papa,

NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESTE PAÍS…

De volta á Internet, já vou dando a mão à palmatória a respeito de minha previsão aqui foi publicada, no dia 7 de junho, quando eu dizia que NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DEMOCRÁTICA DESTE PAÍS UM PRESIDENTE PERDERA DUAS COPAS SEGUIDAS! PORTANTO, O HEXA TAVA NO PAPO!

E ignorei os nomes dos pés-frios, enumerando, apenas os sortudos: Juscelino, campeão em 1958; Jango, bi em 1962; Médici, tri em 1970; Itamar, tetra em 1994 e FHC, penta em 2002. Naquela minha lógica, FHC perdera a de 1998, nas ganhou a de 2002. Assim, O Cara perdera a de 2006, logo, ganharia a de 2010. Lasquei-me!

Só houve um presidente brasileiro que perdeu duas copas seguidas: Getúlio, mas isso foi no tempo da DITADURA DOS ANOS 30!

Quanto às restantes partidas desta Copa, não preverei o futuro que virá pela frente. Calado estou, calado ficarei.

6 julho 2010 FULEIRAGEM

HERINGER - CHARGE ONLINE

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6 julho 2010 A PALAVRA DO EDITOR

VAMOS SONHAR

O ex-prefeito petista do Recife, João Paulo, escolheu um poste pra sucedê-lo e a iniciativa foi vitoriosa. Elegeu um outro João, um boneco que ele manobrava. A idéia era continuar cagando e andando na administração municipal e dando ordens ao seu sucessor.

Só que o tiro saiu pela culatra e, com menos de seis meses, o novo João que entrava botou no furico do João que saia, rompeu com seu criador e com toda turminha que mamava nos biquinhos da prefeitura. Uma verdadeira revolução que perdura e se aprofunda a cada dia que passa.

Uma fonte brasiliense bem informada me garantiu que a cumpanherada pendurada no saco de Lula tá se cagando de medo que Dilma, caso eleita, siga o exemplo do prefeito-boneco-ingrato do Recife. Esta fonte me disse que tem neguinho que não dorme direito pensando nesta possibilidade.

Agora é que vou torcer mesmo pra Dilma ser eleita. Puta merda!

Seria uma alegria da porra para o meu ano de 2011 ver a Pinóquia botando sem pena e sem cuspe na petralhada que está mamando nos biquinhos do erário, substituindo-a pelos seus próprios parasitas.

O que vai ter de artigo de dissidente pra eu publicar…. Bom, não custa nada sonhar…

6 julho 2010 FULEIRAGEM

EDER - COMÉRCIO ARARAQUARA

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PADRE GIOVANNI GOUVEIA - RECIFE-PE

Viajante Papa Berto Primeiro e Único:

Passei minhas férias, na virada do ano, no interior de São Paulo, e fiquei impressionado com o que se paga de pedágio por aquelas bandas. Curiosamente, apesar dos pedágios, não raras foram as cenas que eu presenciei de desrespeito às leis de trânsito (excesso de passageiros e de velocidade por exemplo) sem nenhuma fiscalização por parte das autoridades competentes.

Aí  um pessoal está fazendo o levantamento do que se paga em pedágios pelas estradas de São Paulo, e é bem absurdo, em algumas viagens paga-se mais de pedágio do que de combustível.. .

Vejam só a máquina de fazer dinheiro que montaram em São Paulo:

http://pedagiometro.com.br/

R. Já viajei muito de carro pelo interior de São Paulo e conheço bem aquele inferno. Cada caminho mais esquisito do que o outro e os pontos de parada ou descanso são verdadeiros pardieiros imundos e sem recursos.

E o pior de tudo é que as estradas são uma merda. Todas elas esburacadas, sem sinalização, sem segurança, sem acostamento e sem um único palmo de pistas duplas.

E ainda cobram pedágio. É uma merda mesmo.

Três flagrantes da Via Anhanguera, na qual já viajei muito e da qual não tenho a menor saudade por conta do desconforto e dos pedágios; uma rodovia horrível, acreditem…

 

6 julho 2010 FULEIRAGEM

S. SALVADOR - ESTADO DE MINAS

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INSTANTE ESPORTIVO

OUTRA VEZ A INADIMPLÊNCIA DO PAGAMENTÁVEL

“Fechou o tempo” lá para as bandas dos Aflitos. E desta vez acabou com um desfecho até certo ponto, desagradável.

A razão do mau tempo ? Outra vez, a “inadimplência do pagamentável” como bem define o alvirrubro Gustavo Krause.

Claro que a minha intenção em escrever este texto, não está centrado no julgamento de quem está certo, ou mesmo, quem está errado. Volto a abordar o tema porque é uma vergonha para uma instituição chamada CLUBE NÁUTICO CAPIBARIBE, entrar vez por outra no noticiário esportivo, aparecendo como inadimplente naquilo que para qualquer um é um assunto que não requer nenhuma alternativa para justifica-lo: o atraso no pagamento dos salários.

Diriam alguns: “mas isso acontece com freqüência no futebol brasileiro da atualidade”.

Eu tenho aminha opinião formada e dela não abro mão. Isto desde os tempos em que exerci as minhas atividades profissionais. Em todas as empresas que labutei, sempre escutei afirmativas do tipo :”salário de funcionário é coisa sagrada e a data acordada para o pagamento não pode ser desrespeitada”. E enquanto exerci cargos de comando, sempre cultuei este pensamento.

Se formos levar para o lado prático, bastaríamos tomar por base um ditado popular que diz: “saco vazio não se põe de pé”. E é a mais perfeita analogia que se poderia fazer com relação ao pagamento do salário de qualquer trabalhador. Você trabalhou, logo, tem o direito de receber aquilo que corresponde ao seu salário no dia aprazado.

E ainda tem mais: qual é o “patrão” que pode cobrar alguma coisa do seu empregado, se ele é o primeiro a não cumprir com as suas obrigações ?

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6 julho 2010 FULEIRAGEM

LÉZIO JR. - DIÁRIO DE REGIÃO

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POR QUE NINGUÉM SE LEMBRA MAIS DE TOINHO ALVES?

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Toinho Alves, saudoso músico pernambucano

Luiz Gonzaga levou a música lá do seu pé de serra para as grandes capitais do Brasil. Seu QG era entre o Rio e São Paulo, mas foi expulso pelos acordes dissonantes da Bossa Nova e pelo iê-iê-iê da Jovem Guarda. O baião, no entanto, não morreu e foi reintegrado à MPB graças aos baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil. Duas outras pessoas também foram extremamente importantes para a “ressurreição” do forró como um todo: o sanfoneiro Dominguinhos (que agora se bandeia pra fuleiragem) e o contrabaixista Toinho Alves, responsável pela criação do notável conjunto chamado Quinteto Violado.

Antonio Alves, o Toinho, era conterrâneo de Dominguinhos, ambos nascidos em Garanhuns/PE. Toinho aprendeu a cantar com os monges beneditinos e só depois de formado em Engenharia Química pela UFPE e de ter exercido a profissão, tomou gosto de vez pela música a ponto de largar seu antigo ofício. Em 1971, juntamente com Sando (flauta), Fernando Filizola (viola sertaneja), Luciano Pimentel (percussão) e Marcelo Melo (violão), fundaram o famoso quinteto.

Era a música nordestina com novos arranjos e executada por um conjunto que aparentemente abolia a sanfona (instrumento maldito para muitos), elevando-a para um nível de maior sofisticação. Além das composições próprias, o Quinteto ainda recriou a música de Luiz Gonzaga conseguindo levá-la para platéias muito exigentes do Brasil e do exterior.

Os arranjos feitos por Toinho Alves para a música Asa Branca (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira), regravada no primeiro LP do grupo, lançado em 1972, lhe deram uma nova e belíssima vestimenta que renderam ao Quinteto o reconhecimento e os aplausos da crítica especializada de todos os cantos do País, notadamente do exigente eixo Rio de Janeiro - São Paulo.

Após trinta e sete anos de estrada, a formação do Quinteto já não era a mesma. Morrera o baterista Luciano Pimentel e se desligaram do grupo o flautista Sando e o violeiro e sanfoneiro Fernando Filizola. Aí o conjunto ganhou novo estilo com a introdução do tecladista Dudu Alves, filho de Toinho Alves, mais o flautista Ciano Alves, sobrinho de Toinho, e Roberto Medeiros na percussão. Continuava em atividade, porém sem aquele mesmo brilho dos anos setenta porque estavam ausentes a viola e os componentes da formação original.

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6 julho 2010 FULEIRAGEM

ANDRÉ - O IMPARCIAL

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TV NA COPA

A TV Bobo se aproveita da tolice popular e alimenta a manchete “Quem será o novo técnico da seleção de futebol?” para torná-lo assunto da moda durante uns 15 dias.

A pergunta correta deveria ser: “O que o próximo Presidente vai fazer para moralizar este país?”. Mas esta pergunta não figura nem nos “debates” de perguntas combinadas.

Certamente a rede está sendo “orientada” pelos que desejam manter o povo distraído enquanto armam os conchavos imorais nas salas atapetadas dos palácios do poder neste período pré-eleitoral.

Quem vai se distrair com o próximo capítulo da pobre novela?

Tire a TV podre da sala e coloque-a na copa. Bem mais perto da lata de lixo (não reciclável).

6 julho 2010 FULEIRAGEM

BELLO - TRIBUNA DE MINAS

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A ARTE DE PATATIVA DO ASSARÉ E UM FOLHETO DA DUPLA MARCO HAURÉLIO E JOÃO GOMES DE SÁ

Patativa do Assaré - DESILUSÃO

Como a folha no vento pelo espaço
Eu sinto o coração aqui no peito,
De ilusão e de sonho já desfeito,
A bater e a pulsar com embaraço.

Se é de dia, vou indo passo a passo
Se é de noite, me estendo sobre o leito,
Para o mal incurável não há jeito,
É sem cura que eu vejo o meu fracasso.

Do parnaso não vejo o belo monte,
Minha estrela brilhante no horizonte
Me negou o seu raio de esperança,

Tudo triste em meu ser se manifesta,
Nesta vida cansada só me resta
As saudades do tempo de criança.

* * *

No Memorial Patativa do Assaré, espécie de museu vivo em sua cidade natal, Assaré/CE, há uma quadrinha onde o inesquecível poeta resume como gostaria de ser visto:

Conheço que estou no fim
e sei que a terra me come,
mas fica vivo o meu nome
para os que gostam de mim.
Chegando o dia afinal
baixarei a sepultura
mas fica o Memorial
para quem preza a cultura.

 
* * *

Patativa do Assaré - MINHAS FILHAS

Minhas filhas eu vejo que são três
E cada qual é da beleza irmã,
Se eu quero Lúcia, muito quero Inês,
Da mesma forma quero Miriam

Vendo a meiguice da primeira filha,
Vejo a segunda que me prende e encanta
A mesma estrela que reluz e brilha,
Se olho a terceira vejo a mesma santa

Se a cada uma com fervor venero,
Fico confuso sem saber das três
Qual a mais linda e qual a mais eu quero,
Se é Miriam, se é Lúcia ou se é Inês

E já velho a pensar de quando em quando
Que brevemente voltarei ao pó,
Eu sou feliz e morrerei pensando
Que as três filhas que eu tenho é uma só.

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6 julho 2010 FULEIRAGEM

MACHADO - CHARGE ONLINE

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6 julho 2010 DEU NO JORNAL

UM TEXTO DE CHICO BRUNO

NÃO COMPARE LULA A FHC, MAS A MÉDICI

As últimas pesquisas dão a Lula 78% de aprovação popular muito semelhante aos 80% de popularidade de Médici, mas é no milagre econômico que os dois mais se assemelham.

Infelizmente, a mídia tem contribuído com sua omissão para que o povo brasileiro não perceba essas similitudes, principalmente os mais jovens que não viveram o milagre econômico.

É fato que o brasileiro não se liga em política e em economia, o que ele quer é inflação baixa e dinheiro no bolso.

Com Médici não faltou dinheiro no bolso do povo. Lula seguiu a mesma receita. Ambos vestiram no povo a mesma fantasia.

A fantasia de Médici custou muito caro ao país. A de Lula, tudo leva a crer, custará tanto ou mais ao país.

É que esses tempos de milagre econômico custam caro no futuro.

O PAC de Médici era conhecido por PIN – Plano de Integração Nacional, que incluía a construção das rodovias Transamazônica, Cuiabá-Santarém e Manaus-Porto Velho, entre outras propostas mirabolantes de ocupação na marra da Amazônia a época.

As três rodovias estão inconclusas até hoje e são as maiores responsáveis pelo desmatamento desenfreado da região amazônica.

Coincidentemente, as três estão incluídas no PAC de Lula. Uma semelhança entre Médici e Lula que descobri agora, quando escrevo essas linhas.

Entre 1969 e 1974, Médici usou o futebol como ponta de lança de seu discurso graças à conquista da Copa do Mundo de 70.

Lula em seus dois mandatos fez o mesmo, a diferença que o Brasil perdeu as duas Copas do período do lulismo.

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6 julho 2010 FULEIRAGEM

J. BOSCO - O LIBERAL

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6 julho 2010 DEU NO JORNAL

TROFÉUS

Em decisão proferida nesta segunda-feira (5), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Ricardo Lewandowski, negou sete recursos apresentados por pré-candidatos à eleição de outubro, atingidos pela Lei da Ficha Limpa.

* * *

Acabei de assinar uma Portaria nomeando o Ministro Lewandowski ”O Cabra Bom da Semana”.

Cabra bom que só a mulesta dos caxorros! ! !

Na mesma Portaria, designei que fosse entregue o “Troféu Peroba da Boa” a cada um dos Ministros Gilmar Mendes e José Antônio Dias Toffoli.

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Ministro Ricardo Lewandowski: botando sem cuspe no furico dos fichas-sujas e dando alento às esperanças dos 5% que ainda rezam na cartilha da ética, da vergonha no focinho e que sonham com um Brasil sem sarneys ou dirceus

6 julho 2010 FULEIRAGEM

CASSO - DIÁRIO DO PARÁ

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CARDEAL HUYTAMAR – NATAL-RN

Papa Berto I:

Olha aí o que a carga tributária anda fazendo com nossa população de asnos!

R. Segundo Otacílio, o filósofo palmarense, da morte, do PT e dos impostos ninguém escapa.

Mas parece que no Brasil estes dois últimos itens são mais letais que o primeiro.

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6 julho 2010 FULEIRAGEM

DÁLCIO - CORREIO POPULAR

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6 julho 2010 DEU NO JORNAL

UM TEXTO DE ANTÔNIO CAMPOS

JOSÉ SARAMAGO, A CONSISTÊNCIA DOS SONHOS

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Tive a oportunidade de ver no Instituto Tomie Ohtake, na capital paulista, há dois anos, a exposição José Saramago: a consistência dos sonhos. A mostra, que também foi exibida em países como Espanha e Portugal, reuniu cerca de 500 documentos originais do escritor apresentados através de recursos digitais e audiovisuais. Organizada pelo diretor da Fundação César Manrique, Fernando Gómez Aguilera, o evento contou com obras inéditas, traduções, manuscritos, notas, primeiras edições, fotografias pessoais e vídeos. Foi uma forma de comemorar os 85 anos bem vividos de Saramago. Uma bela exposição.

No último dia 18 de junho, uma nota publicada pela Fundação José Saramago anunciou que o escritor português homenageado pela instituição morreu aos 87 anos. O intelectual faleceu por conta da leucemia que enfrentava há vários anos. No momento de sua morte, o autor de “Ensaio sobre a cegueira” estava em casa junto da família no arquipélago espanhol Lanzarote onde vivia desde 2003.

Conheci Saramago na minha adolescência, durante o segundo governo de Miguel Arraes em Pernambuco. O escritor era um dos integrantes da comitiva do presidente de Portugal na época, Mário Soares. Na ocasião, lembro-me que meu pai, o escritor Maximiano Campos, conversou longamente com Saramago e que Arraes - meu avô - foi presenteado por Mário Soares com uma litografia do pintor português Julio Pomar com a imagem de Fernando Pessoa. Litogravura essa que também foi dada à José Saramago, que a expunha em sua casa. Hoje, guardo carinhosamente o quadro que herdei do meu avô lembrando dele, de Fernando Pessoa, de Saramago e de nossa ancestralidade ibérica.

O vencedor do prêmio Nobel de Literatura em 1998 ficou conhecido pelas obras “Memorial do convento”, “O evangelho segundo Jesus Cristo” e “O ano da morte de Ricardo Reis”, livro através do qual conheceu sua segunda esposa: a jornalista e tradutora espanhola Pilar del Rio que passou a se interessar pela obra de Saramago a partir da leitura do romance traduzido para espanhol “La muerte de Ricardo Reis”. Ao terminar de ler o livro, a jornalista se sentiu extremamente emocionada e “chorou compulsivamente”. Foi então que ela resolveu procurar o escritor para agradecer o livro e a emoção que sentira ao lê-lo. Nasceu assim uma relação de amizade, que aos poucos deu lugar a uma relação sedimentada e em 1988 se tornou um casamento construído com a mais intensa cumplicidade. Foi uma grande história de amor.

No dia em que o falecimento do português completou sete dias, a escritora e atual diretora da Casa Fernando Pessoa, Inês Pedrosa, que esteve na edição da Fliporto 2009, juntamente com a viúva do literato criaram um evento que marcou a morte do autor. Através da leitura coletiva do clássico O ano da morte de Ricardo Reis, centenas de pessoas puderam recordar Saramago. O mundo ficou um pouco mais cego e triste com a morte de Saramago. Contudo, a consistência de seus sonhos por um mundo mais livre e justo permanecerá.

 

6 julho 2010 FULEIRAGEM

TIAGO RECCHIA - GAZETA DO POVO

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RESENHA SEMANAL (3)

As chuvas voltaram a cair com grande intensidade nas regiões Agreste e Mata Sul do Estado e a população mais uma vez se viu em apuros, na tentativa de salvar os pertences que restaram e escapar com vida de mais uma avalanche de águas.
 
Felizmente, São Pedro fez valer o seu prestígio no seu dia, dando um basta no aguaceiro, para a alegria de todos. Pensem na ironia, nordestino pedindo pra não chover.

É grande a mobilização no sentido de enviar donativos para as pessoas atingidas pelas cheias. O recomeço é árduo e necessita de uma boa orientação dos órgãos governamentais. É preciso avaliar se é válido refazer tudo no mesmo lugar, como ocorreu em outras vezes para depois assistir impotente, tudo ir rio a baixo. Talvez fosse necessário um monitoramento dos rios menores, bem como dos açudes e se possível, construir barragens de contenção próximas às áreas de risco.   Mas Isto é assunto para os órgãos encarregados da defesa civil.

No campo da política, a “grande novidade”: os tribunais começaram a desmoralizar o Projeto Ficha-Limpa. Dá até para usar aquela manjada frase: EU JÁ SABIA!

No dia 28 a Justiça decretou a cassação da prefeita Cleide Oliveira. Segundo dizem, ela poderá recorrer da decisão sem deixar o cargo até o julgamento do mérito.
 
Passadas as festas juninas que este ano não empolgaram, aguarda-se com certa ansiedade que a FUNDARPE divulgue a programação do Festival Pernambuco Nação Cultural, que segundo deu no JC caderno Agreste, acontecerá de 02 a 08 de agosto.
 
É o antigo Circuito do Frio com nova denominação, tendo a sua formatação baseada na cultura popular e local. Isto é o que esperamos.
 
Uma notícia boa para quem curte um chorinho: nos dias 30 e 31 deste mês, teremos aqui  na cidade, o Circuito de Choro, com as participações de renomados grupos do gênero.
 
A Copa do Mundo chega à reta final. O samba e o tango foram desconvidados para a festa dos finalistas. Menos mal, pois já imaginaram a Argentina classificada e o Brasil fora. 

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6 julho 2010 FULEIRAGEM

CLÉRISTON - FOLHA DE PERNAMBUCO

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LUIZ CARLOS MONTEIRO - RECIFE-PE

Caros amigos e amigas,

estou enviando novos textos no blog:

Lembrando Carlos Pena, Os vaqueiros e Chá das cinco com o vampiro.

Abraços e boa leitura,

http://omundocircundante.blogspot.com

6 julho 2010 FULEIRAGEM

AMORIM - CHARGE ONLINE

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GLOSAS

Mote e glosas de Allan Sales.

Liberdade pra nós bem valioso
Que nos dá bom sentido de viver
Ser só nós como quer nosso querer
Sem ligar pra quem acha perigoso
Ter assim nosso modo é precioso
E nos dá bom impulso da vontade
De buscar de viver nossa verdade
Escolher nesta vida quais vertentes
Sem direito de sermos diferentes
Nós perdemos direito à liberdade

Ser igual por temer ser criticado
É pra nós tão mortal pra nossa alma
Faz perder o sossego e nossa calma
Ser igual por querer ser ajustado
Abafar nosso modo nosso estado
É pra nós a senil temeridade
Faz perder como tal a identidade
Dissolver a essência em nossas mentes
Sem direito de sermos diferentes
Nós perdemos direito à liberdade

Quero ser como quero sem pendenga
Quero ser como quero sem atalho
Quero ser como quero é do caralho
Que se dane poltrão filho duma quenga
Quero ser sem temer o lenga lenga
De quem quer me impor autoridade
Vou seguir por aqui nesta cidade
Enfrentar os bundões mais indecentes
Sem direito de sermos diferentes
Nós perdemos direito à liberdade

Com poder de escolher nosso destino
E julgar para ser sem ser podado
Respeitar seu irmão considerado
Detonar o algoz que for suíno
O que sou só eu mesmo determino
Sem cair na geral leviandade
E correr da senil futilidade
Consumismo comum dos indolentes
Sem direito de sermos diferentes
Nós perdemos direito à liberdade

6 julho 2010 FULEIRAGEM

SPONHOLZ - JORNAL DA MANHÃ

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PADRE ZAMENHOF SITÔNIO - MACEIÓ-AL

Papa Berto I,

Esse vídeo é imperdível, pois não são acusações contra a candidata Dilma Rousseff e seus “cumpanheiros”, são verdadeiros testemunhos das mais altas figuras do Planalto. Assistam e tomem conhecimento da verdadeira face da candidata do Lula. Do seu passado e do seu futuro para nós cordeiros enrabados.

Uma boa oportunidade para reflexão. Votar num candidato que tem um curriculum invejável ou numa candidata que tem ficha corrida na polícia…

Papa Berto, cuidado que a mulher, vai terminar como Papisa.

Abraços, Bom São João a todos. Muita canjica, milho e pamonha.

R. Meu caro, antes de tudo peço desculpas pela demora na publicação de sua carta. Não foi pelo acúmulo de matéria aqui na redação. Foi negligência, desleixo e incúria mesmo, junto com irresponsabilidade, serviço ruim e desorganização. Já dei uma pisa em Chupicleide junto com uns “conselhos” no pé-de-ouvido dela.

Tomo a liberdade de reproduzir, logo após o vídeo que você nos mandou, matéria publicada pela revista Isto É sobre a candidata Dilma Rousseff. Ao contrário da revista Veja, uma publicação a soldo das elites golpistas e expoente da imprensa reacionária, a revista Isto É é um órgão isento, sob controle social e dirigido por trabalhadores e revolucionários brasileiros.

Tanto é verdade que esta mesma matéria me foi enviada por mais de 20 diferentes membros da comunidade fubânica, todos militantes da esquerda, eleitores de Dilma e admiradores do Presidente Lula. Um deles, no maior espírito do socialismo muderno e bem distante de qualquer ânimo revanchista, me mandou a reportagem junto com o seguinte bilhete:   “Os generais vão bater muita continência para ela...”.

Certamente ele está se referindo aos generais dos novos tempos, que não dão entrevistas, não falam de política, vivem aferrados às suas tarefas profissionais e só saem das casernas pra prestar serviços humanitários no Haiti, em Alagoas e em Pernambuco. Na verdade, estes generais já batem continência, com respeito à hierarquia e à Constituição, desde que terminou o período militar e os civis voltaram, felizmente, a ocupar a Presidência da República. Que o diga os Presidentes José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. E irão também bater continência para Dilma Roussef caso seja ela a eleita. Ou para José Serra, se assim os eleitores quiserem. Esta é apenas uma das inúmeras vantagens da “democracia burguesa” sobre os “regimes revolucionários”.

Por oportuno, quero lembrar que o JBF reproduziu entrevista publicada na revista Veja com a candidata Dilma Roussef. A entrevista mais “a favor” dos últimos tempos. Dos três entrevistados por Veja, Serra, Dilma e Marina, a candidata de Lula foi a única que mereceu o privilégio de ser reproduzida aqui nesta gazeta da bixiga lixa, sempre tendenciosa e bem longe da isenção que se exige de uma publicação de respeito como esta.

De modo que, pra continuar na sua linha que “beira o ridículo” e que só traz “o que tem de pior na direita”, segundo um apaixonado leitor carioca, vamos ver as duas versões: o seu vídeo e a matéria da revista Isto É, aquela que no passado derrubava presidentes e hoje, felizmente, ajuda a eleger presidentas.

Boa leitura!

* * *

A TORRE DAS DONZELAS

Como era a vida de Dilma Rousseff na masmorra que abrigava presas políticas durante o regime militar no presídio Tiradentes
 

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MARCO - Portal tombado pelo patrimônio histórico é o que restou do presídio

Durante quase três anos, Dilma Rousseff, a candidata do PT à Presidência da República, morou na Torre das Donzelas. A construção colonial não pertencia a nenhum palácio. Encravada no presídio Tiradentes, em São Paulo, ganhou o singelo nome por abrigar presas políticas do regime militar. Para chegar à Torre, Dilma e suas companheiras atravessavam um corredor com celas em uma das laterais. Os cubículos eram ocupados pelas corrós, as presas correcionais, tiradas de circulação por um mês, em geral por vadiagem ou prostituição. Essas mulheres costumavam ficar seminuas ou com a roupa virada pelo avesso, para se apresentarem em trajes limpos quando liberadas.

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COMPANHEIRAS DE CADEIA - Dilma, Eleonora, Guiomar, Rose e Cida na época em que foram presas

“Terrorista! Linda! O que você está fazendo aqui?”, gritavam as corrós ao verem passar uma nova presa política. Depois do corredor, havia um pequeno pátio. Em seguida, vinha a Torre. Dilma atravessou o corredor das corrós em fevereiro de 1970, aos 23 anos, após mais de 20 dias nos porões da repressão política. “Ela chegou fragilizada pela tortura, mas logo se recuperou”, lembra a jornalista Rose Nogueira, 64 anos, que passara pelo mesmo processo três meses antes.

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O presídio Tiradentes, onde Dilma esteve presa, já havia sido usado para encarcerar os estudantes detidos no Congresso da UNE em Ibiúna (SP), em 1968.
Na era Vargas também abrigara presos políticos, entre eles o escritor Monteiro Lobato

Ao entrar pela primeira vez na Torre, Dilma viu as celas pequenas do térreo e duas escadarias laterais que saíam de uma espécie de hall e se encontravam no piso superior. Nesse andar, havia a cela 4, chamada de celão, pois se espalhava por 80 metros quadrados. Tinha também a cela 5, mais tarde adaptada como cozinha, e a 6, que Dilma dividiu com outras mulheres. “No começo, ficávamos na tranca o tempo todo”, conta a advogada Maria Aparecida Costa, a Cida Costa, 65 anos, uma das ocupantes da cela 6. Depois de algumas semanas e muitas reivindicações, as celas passaram a ficar abertas durante o dia.

Não demorou para que as donzelas da Torre se agrupassem, primeiro com base nas organizações clandestinas às quais pertenciam no “mundão”. Porque a Torre, no vocabulário das presas, era o “mundinho”. Mas as afinidades pessoais também contavam muito, como relata a médica e pesquisadora Guiomar Silva Lopes, 66 anos. “No mundão, o vínculo era de vida e morte”, diz Guiomar. “Na cadeia, estabelecemos uma relação de confiança inabalável.” Dilma é até hoje lembrada pelo espírito solidário. Durante um período, cuidou de uma estudante de arquitetura. “Quando a menina chegou da tortura, estava muito desestruturada emocionalmente”, afirma a advogada Rita Sipahi, 72 anos. “A Dilma ficou de olho nela o tempo todo para evitar que cometesse algum desatino.”

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Com a possibilidade de circular entre as celas, as presas políticas tentavam curar as feridas umas das outras e também se organizavam. Havia escala para as tarefas da limpeza e da cozinha. Com os víveres levados pelas famílias, elas preparavam as próprias refeições. Algumas conseguiam bons resultados, embora só contassem com dois fogareiros elétricos. Outras, nem tanto. A dupla mais desastrada na cozinha era formada por Dilma e Cida. “Não dominávamos a arte do tempero”, reconhece Cida. Numa ocasião, as duas resolveram caprichar no preparo de um prato de legumes. Acabaram servindo uma sopa de quiabo intragável. “Ficamos um pouco frustradas com o resultado, pois havíamos nos esforçado.”

Dilma se sobressaía nos grupos de estudo. “Ela é muito engenhosa na macroeconomia”, elogia outra companheira da Torre, a economista Diva Burnier, 63 anos. Na cadeia, Dilma, que abandonara a faculdade por causa da clandestinidade, dava aulas de economia para as colegas e participava dos debates. Num deles, defendeu a ampliação dos limites marítimos do Brasil. “Embora fosse uma iniciativa dos militares, Dilma apoiava, pois acreditava ser uma questão de soberania”, recorda Rose. “Hoje é fácil perceber a importância daquela decisão, tanto por causa da biodiversidade como pelo pré-sal.”

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Diante do Tiradentes, mães de estudantes fazem protesto contra a prisão de seus filhos. As mães das “donzelas da Torre” chegavam para as visitas nas tardes de sábado. Era o contato delas com o “mundão”

Aos 82 anos, a advogada Therezinha Zerbini, mulher do general Euryale de Jesus Zerbini, cassado em 1964, também recorda de Dilma com admiração. Presa na Torre durante o ano de 1970, Therezinha se destacava tanto pela origem quanto por ser uma senhora entre a população carcerária extremamente jovem. “As amigas dela me chamavam de ‘burguesona’ e ela me defendeu. Ela tinha uma liderança nata”, diz Therezinha. Quando precisava, Dilma endurecia. No final do ano, Therezinha estava bordando o vestido que a filha usaria no Réveillon quando um grupo de militares a procurou. “Acho que queriam me convencer a entrar num programa de arrependidos”, diz, referindo-se aos presos que foram à tevê renegar a opção pela resistência ao regime. “Não quis atendê-los. Eles voltaram mais tarde e, quando eu estava mandando-os ir embora, a Dilma gritou: ‘Dá duro neles, Therezinha. Se precisar, nós colocamos todos para fora’ .”

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Naqueles tempos, a atitude desafiadora só seria possível mesmo no presídio Tiradentes. Como muitos torturadores costumavam repetir durante as sessões que promoviam, o Tiradentes “era o paraíso”. Isso porque, ao entrar no presídio, a pessoa estava com a prisão reconhecida pelo Estado. Às vezes, era levada para interrogatórios em outras instituições, mas praticamente não corria risco de morrer ou “desaparecer”. Na escala macabra estabelecida nos porões do regime, a Operação Bandeirante (Oban) era o inferno, ficando o purgatório por conta da Delegacia Estadual de Ordem Política e Social (Deops). Como várias companheiras de cadeia, Dilma passou pelo inferno e pelo purgatório antes de chegar à Torre.

Por conta das sevícias, sofreu uma disfunção hormonal que levou anos para ser curada. Não perdeu, porém, o gosto pela vida. Com Cida, passava horas lendo os livros de ficção científica. Quando o rodízio do único aparelho de tevê da Torre caía em sua cela, entrava na madrugada vendo os filmes da sessão “Varig, a dona da noite”. Aprendeu até a bordar. “Ela fez uma tapeçaria com flores coloridas, que colocamos na parede”, lembra Rose. Na Copa do Mundo de 1970, acompanhou os jogos de perto. “A Dilma torceu muito pela Seleção Brasileira”, diz a socióloga Rosalba de Almeida Moledo, 66 anos.

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Criado em 1852, o presídio Tiradentes recebeu no começo escravos recapturados.
A Torre das Donzelas, onde ficaram Dilma e suas companheiras, é a construção redonda ao centro. Todo o complexo foi demolido a partir de 1973, durante a construção do metrô

No período em que o advogado Carlos Franklin Paixão de Araújo, seu companheiro, permaneceu encarcerado no Tiradentes, Dilma se comunicava com ele com a ajuda dos presos comuns. A rota usada por ela e outras presas políticas consistia em baixar mensagens por meio de uma corda artesanal, chamada “teresa”, para a carceragem dos “comuns”, que ficava embaixo da Torre. “De cela em cela, as mensagens chegavam ao destinatário, na ala dos presos políticos”, comenta Guiomar. “O recurso também era fundamental para sabermos o que estava acontecendo lá fora.”

Outro canal com o “mundão” eram as visitas, nas tardes de sábado, a maioria proveniente da capital paulista. “Nossas famílias, de Belo Horizonte, não conseguiam viajar com tanta frequência”, diz a pró-reitora da Universidade Federal de São Paulo, Eleonora Menicucci de Oliveira, 66 anos. “De qualquer forma, a mãe da Dilma e o irmão dela conseguiam vir bastante. Era uma alegria.” Para a mãe e as irmãs de Eleonora, viajar era mais complicado. Elas cuidavam de Maria, a filha de Eleonora, que tinha apenas um ano e dez meses quando a mãe foi presa.

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Conhecidas desde os tempos em que estudavam em Belo Horizonte, Dilma e Eleonora comemoravam com as meninas da Torre o Natal, o Réveillon e o Carnaval. As fantasias eram improvisadas, é claro, mas havia até desfile no “celão”. No caso de Dilma, as estratégias para manter o moral elevado atrás das grades também passava pelo humor. “Ela pôs apelido em todas nós”, conta Rita. “Uma era a Ervilha, outra a Moló, porque tinha jogado um coquetel-molotov em uma ação.” Essa faceta pouco conhecida de Dilma é ressaltada por outras entrevistadas. “Ela tem um humor impagável”, garante Eleonora. Quando a hoje presidenciável deixou a Torre, as companheiras de cadeia repetiram o ritual criado para o momento da libertação: cantaram “Suíte do Pescador”, de Dorival Caymmi, que começa com o verso “Minha jangada vai sair pro mar”. Quase 40 anos depois, tudo o que sobrou do presídio foi o portal de pedra, tombado como patrimônio histórico. No final de 1972, a construção de 1852 começou a ser demolida, para a construção do metrô paulistano.

 


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