BOA NOITE (e sonhem com os anjos)

Dormir é bom. Pelo menos, eu gosto. Pense num cabra ‘gostadozim’ de dormir! À noite, depois do almoço, a qualquer hora, desde que o sono chegue. No meu caso, ele chega, sempre. E entre o tibungar na cama e o ajeitamento da cabeça no travesseiro, já se foram pelo menos dois roncos. Sou dos que fazem inveja àqueles que sofrem da tal da insônia. Dizem, também, que Poeta não precisa dormir para sonhar. Eu prefiro meus sonhos dormidos – acordados estamos mais suscetíveis aos pesadelos. Numa noite dessas, parece piada de mau agouro, sonhei com o extermínio de todos os Xororós da face da terra. Não sobrava um Xitãozinho pra contar a história. Mas Deus preferiu levar Pena Branca pra junto de Xavantinho. E Deus não é besta: refez a dupla para cantar pra ele, num cantinho do céu. Fazer o quê? Dormir, sonhar.
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SÓIS QUENTES (no norte e no sul o sol é igual)

Juntou os bregueços, botou o pé na estrada e tome léguas… Para trás, um sol escaldante, um roçado infértil, uma mulher fértil e cinco filhos pequenos. Todo ano vinha aquela vontade, mas agora era pra valer. O Sudeste maravilha o esperava, a sorte estava lançada. Seus planos, sua vida, tudo mal cabia em sua cabeça, num sentimento só misturado com a saudade. Seus santos o protegeriam na terra distante e desconhecida. Tinha fé. O futuro? A Deus pertence, desde cedo aprendera. E tome léguas… Em São Paulo, sem roçado, sem mulher, sem filhos, apenas com a saudade preenchendo a alma, fazia um sol danado de quente.
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GAROTA DE IRACEMA (maiôs com muito mais pano que os biquínis de hoje)

Já na segunda, torcíamos para que o domingo próximo não demorasse e que fosse tão bom quanto o anterior. Toda a turma que fora a Praia de Iracema concordava que Vinícius errara a letra de sua música, trocando Iracema por Ipanema, em louvor àquela Garota. A de Iracema, essa sim, ‘era coisa mais linda, mais cheia de graça’ e, tenho certeza, ria e passava a caminho do mar com muito mais elegância que a sua colega, a de Ipanema. Ainda que de longe, era bom olhá-la, admirá-la. Até que o filho da Chevrolet – assim o chamávamos por ser o seu pai o maior revendedor GM da região, à época – com ela casou, privando-nos de sua beleza, entristecendo nossas manhãs de domingo. A partir dali, nossa praia de sonhos não mais se encheu de graça…
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OS BENS DE CIÇO (Santo e Padre ou Padre e Santo?)

Quando escrevi sobre o Padre Cícero, em Janeiro, deixei sem resposta uma questão levantada pelo amigo Abílio, também articulista do Jornal da Besta Fubana, pelo fato de que, até quando escrevia aquela nota, ainda não tinha chegado às páginas que desvendaria o mistério suscitado. Agora sim. Posso dizer aos que nos lêem que, segundo relatos da época, um dos principais herdeiros de seus bens – provavelmente o maior, foi a Ordem dos Salesianos, fundada por Dom Bosco. Cícero exigiu, em contrapartida à doação, que aquela Ordem realizasse um trabalho sócio-religioso e educacional no Juazeiro, tendo por lastro financeiro os bens doados. Essa informação é corroborada por um outro livro que estou lendo – este bem mais denso e tecnicista que o de Lira Neto, mais leve e romanceado. Trata-se de SOCIOLOGIA DE UM PADRE, ANTROPOLOGIA DE UM SANTO, de autoria de Antônio Mendes da Costa Braga.
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INUTILIDADES INÚTEIS (foi pra isso que estudei aritmética?)
Conversando com Delbert – amigo e dono do Estúdio Gusdel, na Imbiribeira, ele me revela que, quando criança recebia como encargo em suas aulas de judô a tarefa de circular uma quadra de futebol de salão de cócoras, 6 voltas, 3 vezes por semana, com a finalidade de reforçar os músculos dos membros inferiores. Esse treinamento durou 6 anos, o que vale dizer: como uma quadra de futsal tem 40 x 20 de dimensão, cada volta em redor da quadra representa um percurso de 120 metros. 6 voltas equivalem a 720 metros que, multiplicados por 3 nos leva ao número de 2160 metros por semana. Se o ano tem 52 semanas, Delbert andou em cada um dos 6 anos de treinamento o equivalente a 112320 metros ou 673.920 metros nos 6 anos de treinamento. De cócocras. Daria 2 idas e voltas a Caruaru e ainda sobrariam 73 quilômetros pra ele gastar como bem quisesse – dá pra ir a Itamaracá e voltar, sugeri. De cócoras.
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VERMELHO OU AZUL (que me perdoem os daltônicos)

Adoro a obra de Chico Buarque e considero-o nosso maior Poeta vivo. Noel foi um exemplo de como se deve unir a Poesia à Música para daí se extrair os clássicos que sua breve existência entre nós permitiu-lhe criar. Nesse mesmo time estão Aldir Blanc e Paulo César Pinheiro. Mas tudo é uma questão de gosto pessoal e, por isso, indiscutível assunto. É a lei do gosto, princípio pelo qual se deve respeitar a preferência alheia, ainda que essa preferência recaia, por exemplo, sobre a Banda Calypso. Só isso para justificar o grande sucesso que fazem as Calcinhas Rodadas e as Saias Pretas que proliferam pelo nosso bem-querido chão. Tem gente que adora o amarelo, outros gostam do roxo …





































1 março 2010 às 10:07
Eita, Xico, botasse pra arrombar!
1 março 2010 às 10:53
Isso são coisas de Poeta! Como diz Maciel: “Isso vale um abraço, Companheiro”.
13 março 2010 às 18:46
caros abilio e ismael,
obrigado.