29 abril 2010MERENDA CORRIQUEIRA
Ah, se minh`aula retornasse
Pro giz da minha infância
Pro meu caderno encapado
E o meu nome escancarado:
EU, Primeiro Ano A.
Ah, Primeiro ano A!
A professora: “Bom-dia!!!”
A bolsa, a banca, a folia
A turma do dia-a-dia
A lei da Diretoria
A sineta, a correria
A hora de merendar…
Ah, se minh`aula retornasse
Pro meu recreio de infância:
Pro ritual da lancheira
Da merenda corriqueira:
O copo – irmão da garrafa
O bolo, o ponche, a toalha,
Goiaba, biscoito, pão…
Não há no mundo dos cheiros
Na mais antiga distância
Cheiro melhor que a fragrância
Dessa lancheira de infância.
Não há no reino das cores
Nos arco-íris, bandeiras
Nos frutos das romãzeiras
Amora, amor que avermelha,
Um rubro mais colorido
Que o tom da minha lancheira.
Enganam-se os poetas
Trovadores, seresteiros
Que celebram Chão de Estrelas
Versejando sem razão
Ao dizer, de vão em vão
Que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão.
É não!!!
A mais doce ventura desta vida
É a lancheira, os recreios e a lição.




































29 abril 2010 às 13:21
Comentar o quê??? É só fechar os olhos e sentir SAUDADES!
29 abril 2010 às 13:45
É um grande poeta, de grande sensibilidade, mostrando que as coisas mais simples da nossa vida säo as que deixam marcas indeléveis e, geralmente, as mais gratificantes.
Obrigado pela generosidade de dividir com a macacada seus momentos täo inspirados.