19 abril 2010HISTÓRIA DE MINHAS MÚSICAS – 8
FARELIM DE NADA
Sentados à mesa, eu, Dulce, Maria Dapaz e Jô, numa tardinha de sexta-feira. Após o cuscus, o café, o pão, os bolinhos, Dulce insistia para que Dapaz comesse mais um pouco, ainda que fosse um farelim de nada, para atestar a qualidade daquele queijo chegado do Crato. O pedido não surtiu efeito, mas o termo ‘ farelim de nada’ chamou-me a atenção, saiu dali direto pro computador e, mais tarde, inspirou o xote que foi gravado originalmente por Maciel Melo e, depois, por Aracílio Araújo, Irah Caldeira, Antônio Paulino (CD e DVD), Osmando Silva (de Monteiro) e Kelly Rosa.
FARELIM DE NADA
de Xico Bizerra
eu gosto tanto de tu e tu de mim um farelim de nada,
eu quero tanto bem a tu e tu não pisa na minha calçada,
o que é que eu vou fazer? quero um pedaço de felicidade,
mais um tiquinho de tua amizade,
é só o que me resta pra eu ser feliz
se adoro xote, tua alpercata só dança bolero,
se o meu lero-lero, cheio de ô-xente não te encanta mais,
se uso chita e tu prefere paletó de linho,
se pelo meu caminho tu arrodeia e passa por trás,
se quando eu canto pras tuas ‘oiça’ eu sou um cabra mudo,
pra mim tu és um farelim de tudo, é só o que me falta pra eu ser feliz
na tua orquestra eu não consigo ler a partitura,
tua pedra é dura e minha água mole não tem jeito de furar,
tu és o grito e eu sou cabrito desses que não berra,
tu és um pé de guerra, eu sou um lenço branco pra te acenar,
és onça braba, sou bicho manso, passarim miúdo,
pra mim tu és um farelim de tudo, é só o que me falta pra eu ser feliz
se dou um cheiro, tu me devolve zero de afeto,
meu caminho é reto, nas tuas curvas não posso passar,
sois do azul e eu sou do partido encarnado,
tu fecha o cadeado, sou porta escancarada a te esperar,
tu não me quer, mas mesmo assim de ti eu não desgrudo,
pra mim tu és um farelim de tudo, é só o que me falta pra eu ser feliz
eu gosto tanto de tu …




































19 abril 2010 às 15:00
Meu poetamigo Xico!
Um dos filhos do Mestre das Artes Zé de Cazuza, sem ser os do Vates, desta vez foi Antenor Cazuza, gravou também essa cantiga. Por sinal, ficou de primeira! Acho que as meninas do mercado de Madá, já tem esse CD.
Um abraço!
19 abril 2010 às 16:11
poetamigo,
estive no mercado este fim de semana e não vi o disco de que vc fala. tem como consegui-lo pra mim, pro meu acervo pessoal? diga-me e o valor para que eu possa reembolsá-lo. E obrigado pela ‘dica’.
abraço
19 abril 2010 às 16:19
filó, eu de novo: falei com o cumpádi zelito, que tá indo pra prata. incumbi-o de trazer a encomenda . fique tranquilo. grande abraço,
19 abril 2010 às 20:08
Tirar esse brilho todo de um Farelim de nada, é coisa só pra poeta mesmo. Ainda faz o favô de cantar a poesia, com uma moda lindíssima, pro módi da gente não ter trabalho nenhum. Eita Lasca!
19 abril 2010 às 22:55
Genial como sempre, caro Xico.
Tu és um mestre.
20 abril 2010 às 0:49
MESTRE XICO BIZERRA.
Um sujeito que faz uma belezura de música dessas, patindo de um farelim de nada, coisinha à toa, só pode ser genial.
Meus parabéns, Poeta/Músico.
20 abril 2010 às 5:26
esses cabras, com esses elogios todos, só podem ‘tá querendo me matar de emoção. abraço a todos,