10 maio 2010CONTÍCULOS DE UMA MANHÃ SEM SOL
A BAILARINA E OS INSANOS

Nize dançava e dançava. De todas as formas, de todos os jeitos. Dançava todos os passos e era uma alegria só. Cada compasso lhe trazia um alargar de sorriso como que a desafiar todos aqueles que a julgavam insana. Nize, calada, apenas dançava. E ria. A paz estava em seus pés, a alegria em seus passos, em seu sorriso, em sua alma. Seu dançar, contradizendo a lógica, era como um chamamento a um duelo, a uma derradeira e fatal disputa, entre ela, a que dançava, e todos aqueles que não escutavam a música. Enquanto isso, Nize dançava e dançava. E ria sem se importar.
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ANDAR É BOM

Andar, acordar cedo, olhar pela janela e ver um céu ainda escuro clareado por uma luzinha solitária. Um avião que passa, um pára-raios que não passa ou um vagalume a pirilampear na madrugada? Ou seria um pirilampo vagalumeando a manhã que está chegando? Virar de lado, não andar, fechar os olhos, re-dormir. Deixar de perder alguns quilos, ganhar o conforte de um lençol quentinho numa madrugada escura e esfriada pela preguiça do sol. Amanhã, a mesma manhã, a mesma janela, o mesmo céu, o mesmo não-andar. Ao final do dia, gramas e felicidades a mais. E o sol, tão preguiçoso quanto eu. .
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ESTRELAS E LUARES

Ficava na parte alta da cidade e tinha nome de mulher: Cristiane’s, assim mesmo, com apóstrofo e tudo. Lugar chique, o jantar era servido à sombra do céu e com a mesa salpicada de luares. Isto é o que me disseram, lá nunca fui. Até que passei pertinho, certa noite e vi o neon anunciando a casa, mas não fui. Era apenas um estudante e só em sonho poderia estar ali. Soube, tempos depois, que o restaurante fechou: o proprietário vendia ilusão e drogas. À chegada da Polícia, escondiam-se sob as mesas algumas estrelas brancas e um raio prateado de luar. Os lustres estavam apagados e as toalhas sujas de lagosta. Chovia.
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CHINELA PERDIDA

Dona Bastia, encrenqueira e já entrada nos anos, recebeu na sua casinha a visita de uns cabras da Secretaria de Saúde à procura do mosquito dessa tal de dengue. Depois de mil e uma perguntas, saíram pelo terreiro procurando focos onde pudessem se alojar o infeliz do mosquito. Nada encontraram mas, em cumprimento à obrigação, deram alguns conselhos e informações para a dona da casa e um dos zelosos funcionários perguntou: - E estes potes? A senhora tem o cuidado de lavá-los direito? - Ah, meu senhor, estes potes eu lavo eles todo santo dia, de manhã e de tarde. Pode espiar, disse ela! O cabra alumiou uma lanterna dentro de um deles, meteu a mão e arrastou de dentro um chinelo de couro feito por Expedito Seleiro, lá de Nova Olinda e sacudiu no meio da sala. Dona Bastia, surpresa, falou: - Eita, minha chinela que fazia quinze dias que eu procurava! Olha onde é que a danada tava escondida!




































11 maio 2010 às 2:48
Querido Xico!
Tu não és somente bom em poema-poesia!
Tu também és muito bom em poesia em prosa!
E eu sou bom em pontos de exclamação. Só assim sei exprimir meus sentimentos, pelos verdadeiros talentos!
Agora dá uma licencinha que vou reler teus escritos, em forma de benditos!
11 maio 2010 às 5:44
Obrigado, Natan! Fico feliz que tenhs gostado. Abraço grande,
11 maio 2010 às 8:06
Se o JBF fosse uma escola, Xico seria o recreio. Se fosse um ano, seria as férias. Se fosse um mês, seria o feriado. Se fosse uma semana,seria o sábado. Se fosse um dia, seria a madrugada.
Cabra bom.