7 junho 2010EM CIMA DA TERRA, DEBAIXO DO SOL
ESCUTANDO O MAR

Ela foi, não havia como deixar de ir. Não queria, mas findou por ir, junto com os pais. O pretexto de conhecer o mar não lhe parecia convincente, mas incontestável se mostrava. Como ficar, sem pai, sem mãe, apenas com ele, seu amor, à espreita, aguardando uma chance? O mar? E ela queria lá saber de mar! Muito mais lhe aprazia os carinhos recebidos e testemunhados pela lua, só por ela. Mas estava lá o mar à sua frente, sem graça, totalmente imenso e insosso, uma coisa grande, mas sem sal. De nada teria valido aquela paisagem não fossem as conchinhas recolhidas na areia para ofertá-las, como presente, quando voltasse. Ao recebê-las, ele levou aos ouvidos o regalo e, da conchinha mais bonita, ouviu o mar, distante. Beijou-as, a concha e quem a trouxe de tão longe. Ela adorou ter visto o mar. Ele adorou ter escutado o mar.
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RAMIRO, O BELO

Ramiro era muito feio e todos os bonitões da cidade riam de sua feiúra. Descaradamente. Até os que também eram feios riam de sua feiúra, tão exagerada que era. Ele não se importava e seguia a vida, carregando bagagens na estação de trem, trabalhando como chapeado: era assim que se chamavam aqueles que transportavam malas, identificados por um número na chapa de bronze colada ao quepe: O dele era o 341. Um dia Ramiro ganhou de um viajante um espelho encantado que refletia a alma das pessoas que nele se olhassem. Ramiro olhou, viu-se e passou a rir da feiúra de todos os bonitões da cidade. Discretamente, sem que ninguém percebesse o seu riso. Como era feio aquele povo! Como era belo o Ramiro!
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PRA QUE PROVOCOU?
Quando o presidente da Câmara dos Deputados Ranieri Mazzili deu a palavra ao Deputado Carlos Lacerda, representante do Distrito Federal – Rio de Janeiro, à época, o deputado Bocaiúva Cunha, rápido e grosseiramente, gritou ao microfone, sob os risos do plenário:
- Lá vem o purgante!
Lacerda, num piscar de olhos, respondeu:
- Os senhores acabaram de ouvir o efeito! A Câmara quase vai abaixo, tanta a risadagem.
Sem entrar no mérito das virtudes (ou desvios) morais dos envolvidos, há de se reconhecer a presença de espírito e a malícia do Deputado Lacerda.




































7 junho 2010 às 11:22
Sempre gostoso de ler. Fica clara a doce intenção de vestir o tempo com uma roupa nova, bonita e colorida.
7 junho 2010 às 11:26
Valeu poeta! Bom de ler que só a gota!
12 junho 2010 às 22:20
Excelente! Com escritos assim, você fala de de bons assuntos…
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