Vou repetir uma história
Que muito se tem contado
Comparando o Bicho Homem
Conquistador traquejado
Com coisas do dia a dia
Só pra ver a valentia
Dos Pelés aposentados.
 
Olhando bem direitinho
Pela porta da traseira
O homem tem tudo haver
Com o jogador e a chuteira:
No começo é só ataque
Já no fim é queda e baque
Esperando na banheira.

Lá dos quinze até os vinte
A chuteira é afiada
O jogador vive pronto
Não resiste a uma pelada
Com dureza e valentia
Joga de noite e de dia
Joga até de madrugada.
                  
E mesmo estando sozinho
Ensaia qualquer jogada
Escala muro e telhado
Pra assistir uma pelada
Joga nos fundos, na frente
Joga feliz e contente
Sua vida é uma parada.

Dribla Gilmar e Mazola
Garrincha, Pelé e Zito
Passa por Zico e Bebeto
Só pára mode o apito…
…Um burro foi pro gramado
Tacou-lhe um coice danado
Mas driblou o supradito.

 

Já dos vinte até os trinta
Passa a ser reconhecido
Tem chuteira bem cuidada
Tem jogo bem definido
Só dá jogada de craque
É calçado, leva baque
Vez por outra é contundido.

Tem contrato garantido
Mas consegue rescindir…
“Êta palavra arretada!”
Acho que vou repetir:
Rescinde sem demora
Pega a grana e vai-se embora
Não quer mais saber daqui.

Dos trinta até os cinquenta
Já passa a ser diferente:
Tem chuteira amarelada
Mas tem chute experiente
Não chuta pra qualquer um
Não faz jogada comum
Só dá passe inteligente.

Não joga em todo gramado
Varia de posição
Não divide uma jogada
Tem medo de contusão
Não desperdiça por nada
Faz jogada ensaiada
Retorna pro seu timão.

E dos cinquenta aos sessenta
A chuteira tá cansada
Só chuta uma vez ou outra
Se tiver bem costurada
Só joga em jogo sem graça
Por cada jogo ela passa
Um tempão dependurada.

O jogador por seu lado
Também tá sacrificado
O corpo fora de forma
Quase nunca é escalado
Apesar do seu afinco
Faz um gol e erra cinco
Vez por outra sai vaiado.

Quando vai bater um pênalti
Diz que a barra tá pequena
Que o goleiro se mexeu
Fica naquele dilema
Chuta pra cima e pra fora
E lamenta: Só agora
Daqui a quatro quinzena.

E dos sessenta em diante
A potência da chuteira
Mas mole do que mangaba
Já nem chega na barreira
Já nem quer bola parada
Fica ali desconsolada
Do prego pra prateleira.

E o jogador tem saudade
Do esporte que admira
Já não joga nem de mão
E se jogar é mentira
Não passeia no gramado
Pra não lembrar do passado
Deixa pra lá e se vira.

Descobre neste momento
Um jeito de se ocupar
Um jeito de ficar rico
Um jeito de se virar:
Exibir pelos Brasis
Prostitutas x Travestis
Num jogo pra se lascar.

Do lado dos Travestis
Sheyla, Ruth, Telma e Nice
Derly, Rogéria, e Lalá
Fê, Karina, Berenice
Monique, Lu e Cacá
Massagista Baltasar
Manicure Doralice.
Do lado das Prostitutas
Vanda, Lady e Mariáh
Sharlla, Sherlla, Sheylla e Shirley
Vandessa, Vanda e Sinhá
Clotilde, Nêga e Geni
Massagista  Paturí
Cafetão Zé Ribamar.

Jogador ganha dinheiro
Na base da brincadeira
Enquanto pelo gramado
Na batalha verdadeira
Travestis e Prostitutas
Vão conhecer as labutas
De jogador e Chuteira.

Jessier Quirino


2 Respostas em: “O HOMEM, O JOGADOR E A CHUTEIRA”

  • Padre Jorge Macedo Diz:

    PAPA BERTO I: Estou ouvindo o sucesso do nosso Cardeal Jessier na Rádio Jornal, no programa do Geraldo Freire. Mandei uma mensagem, a qual foi lida, fazendo um comercial do nosso BESTA FUBANA. Presentes ao programa e brilhando também, o nosso Padre Maciel Melo e o nosso extraordinário Santanna.

  • Goiano Diz:

    Jessier Quirino, porque é que não te encontrei no MySpace?
    http://www.myspace.com/goianobh

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