19 julho 2010CRONIQUETAS, CONTÍCULOS OU NOVELINHAS?
ESCRITOS QUE NINGUÉM LÊ

Seu ofício era escrever. Tinha compromisso com os editores dos jornais e blogs que lhe cobravam uma crônica semanal. Quando inspirado, ele escrevia 4, 5, 6 crônicas atemporais de uma só vez e as guardava, distribuindo-as, semanalmente, entre as editorias a que servia. E assim foi durante anos até que se exauriram suas idéias. Nada mais lhe surgia à mente para escrever. Recorreu, algumas vezes, a simplesmente transcrever textos de outros autores, mas dando-lhes o devido crédito e nunca deixando de esclarecer que aquilo se devia à falta de imaginação sua, à falta de idéias. Até que resolveu parar de escrever, comunicando o fato aos jornais e blogs. Depois de um tempo percebeu que sua ausência em nada afetou o mundo, o estado, a cidade, seu bairro e que ninguém sequer percebeu que ele deixara de escrever. Voltou a fazê-lo, para alegria dos Editores e indiferença dos leitores. Poderia, ao invés disso, ter-se internado numa clínica para loucos ou exilar-se, ir embora pra Compostela. Poderia, ainda, colocar um anel no dedo, usar um cajado e roupas de mago. Sair pelo meio do mundo inventando anjos, fazendo chover, tirando coelhos da cartola e iludindo o mundo. Mas não. Preferiu voltar a escrever suas crônicas que ninguém lê.
* * *
A CASA E A BOLA

Na esquina, a casa e, fronteiriça com ela, separada apenas por uma cerca de arame farpado, o improvisado campinho de pelada. Inevitável que, vez por outra, a bola caísse naquele terreno, às vezes quebrando o vidro da janela, às vezes batendo em alguém, às vezes nada acontecendo, mas sempre irritando o pai de Teté. Quando ele estava em casa, nessas situações a bola ficava retida e só era devolvida uma semana depois. Considerava o castigo justo para quem não atendia aos seus pedidos de cuidado. Pior era na casa da outra fronteira: seu Armindo furava a bola, na hora. Em ambos os casos o jogo terminava antes dos 45 do segundo tempo. Quando seu pai não estava, o pequeno Teté devolvia a bola e continuava assistindo ao jogo, sentado à beira do ‘gramado’, do lado de cá da cerca. Ainda hoje, 50 anos depois, Teté gosta de futebol e de vez em quando sonha ter sido jogador de futebol. Ainda hoje devolveria as bolas se por acaso elas caíssem no terreno de sua casa.




































19 julho 2010 às 11:33
“cronica que ninguem lê” é o verdadeiro oficio do escritor:
quando vc escreveu aquilo já está velho, caducou!
Melhor mesmo é escrever bobagens, discursos e propagandas…
estas são infalíveis, são do gosto popular!
Um abraço meu caro, espero que ainda possa ler as cronicas que mesmo sem ser mago, são as mágicas da sua caneta!!!!!!!!!!!!!!!!
19 julho 2010 às 14:34
Obrigado, Layla. Que bom que algúem que leia meus escritos e, mais que isso, considere mágina minha caneta. Haverá diferenças entre a DEMOCRATURA e DITACRACIA?
19 julho 2010 às 14:41
a pressa, sempre ela. Fica valendo o comentário a seguir:
‘Obrigado, Layla. Que bom que algúem leia meus escritos e, mais que isso, considere mágina minha caneta. Haverá diferenças entre a DEMOCRATURA e DITACRACIA?’
19 julho 2010 às 15:50
Caro Xico,
Um prazer, sempre que puder estarei seguindo sua caneta mágica!!!!
Sabe que acho que sim, tem uma diferença…
Democratura é a ditadura manipulando a Democracia, tipo no Brasil!
Ditacracia é a Democracia demonizando a Ditadura, tipo o que acontece em Hong kong que hoje pertence a China Comunista!
ehehehehehhehhheheh!!!!!
19 julho 2010 às 16:21
Xico não escreve, desliza suavemente nas águas calmas do bom texto, para outros sempre dificeis e tormentosas.
Aviso aos navegantes e marinheiros de primeira viagem: não se fiem muito no raso e mansidão dessas águas. Elas são bem mais profundas e crespas do que aparentam.
19 julho 2010 às 16:29
Cardeal:
profundas? crespas? minhas águas são tão mansas, tão calmas. apenas às vezes as acho tormentosas, quando por elas navegam quem não deveria ou quando deixa de fazê-lo quem assim não deveria proceder. mas ainda assim, a tormenta se processa de uma forma rasa e leve, como convém a quem ama a vida.
grande abraço, cardeal.
PS: sua partitura ‘tá demorando mas vai chegar.
19 julho 2010 às 16:49
O recado foi bem dado. Fácil de entender.
19 julho 2010 às 17:28
prezadíssimo Cícero,
falando em “profundezas”, me lembrei de belo poema… Fernando Pessoa sabe muito destas coisas quando recita:
Como é por dentro outra pessoa
“Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Como que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo…”
20 julho 2010 às 7:05
AMO VC,JBF!VC É A PASSARELA POR ONDE DESFILA FERAS COMO ESSAS AÍ EM CIMA E,EU O APRENDIZ QUE ATENTO A TUDO FICO APRENDENDO MUITO E APLAUDINDO FERVOROSAMENTE.OBRIGADO MINHA GAZETA DA BIXIGA LIXA.OBRIGADO MESTRE XICO E TODOS OS OUTROS QUE CONTRIBUEM PARA O ENGRANDECIMENTO INTELECTUAL DE INCIPIENTES COMO EU! BEIJOS NO CORAÇÃO DE TODOS!!FUI
20 julho 2010 às 14:24
Ninguem lê, uma ova, seu moço. Eu leio e até me emociono, pois me leva a um passado distante, sem malícia, sem preocupação. Um passado feliz. Essas coisas tem tudo a ver com todo mundo.
20 julho 2010 às 15:20
Ôpa, mais um que lê meus escritos. Já contabilizei bem uns quatro, fora eu mesmo. Obrigado, Beni.
29 julho 2010 às 20:57
Eu também leio e duas vezes !!
kkkkkkk pq leio aqui e no blog do sanharol