30 julho 2010GRANDES MOTES, GRANDES GLOSAS
Moisés Sesiom glosando o mote:
Dá sapato e dá gibão
Toda obra o couro dá.
Dá manta, bota e silhão,
Dá chapéu, dá bandoleira,
Dá carona e dá perneira,
Dá sapato e dá gibão.
Pra se fazer matulão
O couro é como não há,
Serve até pra caçuá,
Dá peia, dá rabichola,
Se prendendo a couro ou sola,
Toda obra o couro dá.
* * *
Laurindo Rabelo trabalhando o mote:
Os segredos do caralho
Ninguém os pode entender
Alegre,quando tem fome
Triste depois de comer !
De pedreiro oficial
Contratou um casamento,
E guardava (oh! que portento!)
Um estado virginal.
Em a véspera nupcial
Acabou o seu trabalho,
E, à sombra de um carvalho,
Disse, vendo a terna irmã:
“Eu vou saber amanhã
Os segredos do caralho”.
Passando a noite ditosa
Desse prazer tão completo,
Que, para o tal arquiteto,
Tinha sido deleitosa,
Deixa um pouco a terna esposa,
Vai da irmã à casa ter;
E, ao vi-lo receber,
Diz-lhe ele baixo à orelha:
“Mana, segredos d’abelha
Ninguém os pode entender”.
“É verdade”, lhe replica
A irmã, que a foder é destra;
“Nem com ser abelha-mestra
Sei os segredos da pica…
Não viste tu como fica
Antes e depois que come?
É uma cousa sem nome!…
Nota bem que não gracejo;
É só o bicho que vejo
Alegre, quando tem fome”.
“Reparei, irmã querida,
E fez-me grande impressão
Vir-lhe aquela indigestão
Logo depois da comida!
Cansado da dura lida
Parece que vai morrer;
Embalde tenta se erguer
Porque a fraqueza o tolhe,
E entre os culhões se recolhe
Triste depois de comer!”
* * *
Braulio Tavares glosando o mote:
A mulata quando fode
Parece querer voar
Buceta que bem sacode,
Cheiro de gata no cio:
Por isso que eu aprecio
A mulata quando fode.
Nega criada com Toddy
Marréta sem se cansar
E na hora de gozar
O pinguélo fica em brasa,
Meu caralho cria asa,
Parece querer voar!
Crispiniano Neto glosando o mote:
O Maranhão nunca mais
Quer SARNEY pra se coçar
Maranhão dos minerais,
Rios e belas florestas,
Carnaval, São João, Bois, Festas,
Foguetes, babaçuais;
Tu já sofreste demais
No regime militar
Não dá mais pra se curvar
A “Rosengana” e seus pais
O Maranhão nunca mais
Quer SARNEY pra se coçar
Maranhão da inspiração
Do mestre Zeca Baleiro,
Da grande Rita Ribeiro,
De Catulo da Paixão,
De Alcione e de João
Do Vale, herói a cantar;
Quem tem Ferreira Gullar
Vai pra frente e não pra trás
O Maranhão nunca mais
Quer SARNEY pra se coçar
Chega de analfabetismo,
De IDHs nanicos,
Peões pobres, ladrões ricos,
De máfia e coronelismo.
Vá pra o diabo o nepotismo,
Que o Maranhão quer mudar,
Nunca mais vai se dobrar
Ao babão dos generais
O Maranhão nunca mais
Quer SARNEY pra se coçar
Itagiba e Bequimão,
Bravos tapuias, tupis,
Negro Cosme e Bem-te-vis,
Josimo e a Grande Aragão,
“Sêo” Mané da Conceição,
Venham todos alertar
A quem está a lutar:
Se render, nunca… Jamais
O Maranhão nunca mais
Quer SARNEY pra se coçar
O seu voto é sua lei
E quem do roubo é devoto
Não pode roubar seu voto…
Rainha louca nem rei…
Nem pai nem filha Sarney
Seu voto podem roubar.
Se o povo não quer votar
Pra que comprar tribunais?????
O Maranhão nunca mais
Quer SARNEY pra se coçar
Venham com a força dos raios
Os sem terra, os professores,
Operários lutadores,
Destruindo estes lacaios…
Sejamos todos balaios
Dizendo a Zé Ribamar:
“Deixe o homem trabalhar”
Que Jackson sabe o que faz…
O Maranhão nunca mais
Quer SARNEY pra se coçar
* * *
José de Sousa Dantas glosando o mote:
A minha infância dourada
os anos não trazem mais
Eu tenho grande saudade
do meu tempo de criança;
está na minha lembrança
a velha propriedade,
que mantém a identidade,
os seus costumes locais,
os modos, os rituais,
toda a tradição formada.
A minha infância dourada
os anos não trazem mais.
No meu tempo de criança,
no ambiente feliz,
me aliava aos guris,
colegas da vizinhança,
numa vida de bonança,
cheia de felicidade,
me divertia à vontade,
brincando com a meninada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
Eu relembro quando eu ia
nos domingos visitar
as pessoas do lugar,
com meus pais na companhia,
era grande a alegria,
brincar nos meios rurais,
com meus amigos leais,
em cada nobre morada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
Do alpendre da vivenda,
eu contemplava a beleza
da excelsa natureza,
as paisagens da fazenda…….
Eu me lembro da moenda,
das produções sazonais,
dos alfenins colossais,
da batida temperada,…..
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
Eu tenho recordação
o tempo bom que se foi,
do velho carro de boi,
nossa melhor condução,
que cantava com o cocão,
nas estradas vicinais,
cujas notas musicais
advinham da toada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
Corria pelo terreiro,
no meu cavalo de pau,
arrodeava o jirau,
seguindo pelo aceiro,
passando pelo barreiro,
espantando os animais,
de outros, corria atrás
até a mata fechada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
É belo ver o vaqueiro,
no seu cavalo montado,
cantando e tangendo o gado,
no campo, no tabuleiro,
transpondo despenhadeiro,
espinhos e cipoais,
garranchos e carrascais,
na condução da manada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
No período do inverno,
começando de janeiro,
eu curtia o tempo inteiro,
vendo a mudança de terno,
do campo verde e moderno,
no brilho dos vegetais,
das ervas e cereais,
fruto da terra molhada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
Com a chegada da chuva,
de repente muda o clima,
o sertanejo se anima,
em todo canto há saúva,
sai canapu, como uva,
no aceiro dos currais,
no meio dos matagais,
na época da invernada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
Tomava banho no rio,
no riacho e no açude,
naquele ambiente rude,
aconchegante e sadio,
ainda hoje aprecio
as riquezas naturais,
os mais belos visuais,
daquela terra sagrada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
Nunca me sai da lembrança
a aurora, o nascer do sol,
aquele grato arrebol,
a brisa suave e mansa,
o orvalho da ervança,
o plantio nos quintais,
nas baixas, os arrozais,
e algodão, na lombada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
Lembro-me da embuzada,
mel de abelha, rapadura,
a melancia madura,
mingau, cuscuz, maxixada,
arroz, feijão, carne assada,
comidas regionais,
os filhós, os mungunzás,
manteiga, queijo, coalhada,…..
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
O canto da acauã,
do rouxinol, do concriz,
seriema, codorniz,
juriti e jaçanã,
canário, maracanã,
rolinhas e sabiás,
graúnas e carcarás,……
com início na alvorada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
Um canário cantador,
nas galhas da catingueira,
na linha da cumeeira,
que parecia um tenor,
gorjeando com fervor,
pelos pátios e currais,
descampados e frechais,
a partir da madrugada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
Lembro quando procurava
ao redor de casa ninhos
dos alegres passarinhos,
alguns deles, encontrava,
muito contente eu ficava,
transparecendo demais
nos meus olhos os sinais,
pela aventura alcançada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
Cacei ninho de galinha
e guiné, pelo aceiro
do terreiro e tabuleiro,
por perto dos pés de pinha,
de moita, de vassourinha,
por dentro dos capinzais,
das cercas, dos milharais,
e do lado da calçada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
Lembro as flores de pereiro,
velame e mandacaru,
catingueira, cumaru,
de angico e marmeleiro,
de jurema e juazeiro,
dos diversos roseirais,
cor amarela, lilás,
branca, azul, verde e pintada,…..
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
A argolinha, o São João,
os contos, a cantoria,
o passeio, a pescaria,
as domingueiras, leilão,
o rosário, a procissão,
as atrações culturais,
as festas habituais,
casamento e farinhada,…..
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
De vez em quando me lembro,
das quadrilhas do São João,
mamulengo, apartação,
e aniversário em novembro,
as festas até dezembro,
nos diversos arraiais,
que são tradicionais,
cada uma é recordada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
Toda área nordestina
mantém sua tradição,
faz a comemoração
da grande festa junina -
atraente e genuína,
com sanfoneiro tenaz,
e o forró nos satisfaz,
debaixo de uma latada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
Tive uma infância ditosa,
modesta, rica, abundante,
divertida, fascinante,
atraente e prazerosa,
sadia, maravilhosa,
cheia de vigor e paz,
com lições fundamentais,
para a minha caminhada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
Eu tive a felicidade
e a grata satisfação
de viver no meu sertão,
com fé e prosperidade;
depois vim para a cidade,
no meu tempo de rapaz,
cultivar meus ideais,
numa escola renomada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
Estou morando distante
do lugar que fui criado,
mas meu pensamento alado,
com meu peito palpitante,
vai bater lá num instante,
para reviver assaz
os momentos principais
daquela fase passada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
Quando relembro os momentos
do meu tempo de criança,
o meu sonho de esperança,
mexe com meus sentimentos,
nas asas dos pensamentos,
viajo correndo atrás
dos dias iniciais
daquela fase adorada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
Toda a minha trajetória
do meu tempo de infância
foi cheia de exuberância,
de esplendor e de glória;
reviver essa história
me anima e me apraz,
me fortalece e me faz
escrever essa balada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
Quando chego no lugar
que nasci e fui criado,
fico emocionado,
dá vontade de ficar
mais tempo, pra desfrutar
das atrações matinais,
vespertinas e reais
de uma noite enluarada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
Quer ver meu peito apertar ,
me fale do meu sertão !
Eu sinto forte emoção,
recordando o meu lugar -
meu berço nobre, exemplar,
não esquecerei jamais,
nesses versos pessoais,
minha paixão é notada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
Fazendo comparação,
da minha infância querida
com minha forma de vida,
é grande a transformação;
me desperta a atenção
pra aqueles tempos atrás
e a minha memória traz
uma saudade danada !
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.
Quero sempre agradecer
a Deus, pela minha vida,
a minha infância querida,
que me ajudou a vencer;
pelo que pude aprender
com as lições dos meus pais
e dos velhos ancestrais,
pra seguir minha jornada.
A minha infância dourada,
os anos não trazem mais.



































