30 julho 2010UM ESTRANHO NO NINHO
PARTE I – O SONHO
Eu já disse, redisse e não canso de repetir: todo homem antes de começar a namorar devia fazer um curso de mulher primeiro. E isso obrigatoriamente. Previsto em lei e tudo.
E, por outro lado, toda mulher só se permitiria ser namorada se caso o pretendente apresentasse o respectivo diploma, reconhecido pelo MEC.
Digo isso porque o bicho macho é um despreparo só quando inicia sua pobre vidinha sexual. Mulher, pro cabra que ta começando, e ainda é manicaca nos voos macios de um corpo feminino, não passa de uma maquineta idiota composta de dois peitos, duas bundas e um buraquinho molhado.
É por aí que os desastres acontecem. Sem ligar direito suas turbinas, as pobres coitadas que se expõem a esse risco, ficam nas rasantes baixas das morcegas cegas e seus potentes motores viram hélices de ventilador.
O resultado desse risco iminente é a descrença das pobres infelizes sobre a gostosura que é uma transa competente, devidamente tida com um cabra conhecedor de todos os botões, mostradores e alavancas que compõem o fantástico painel de um corpo feminino.
E isso é coisa seríssima. Talvez a barbeiragem masculina nesses inícios, seja responsável por mais de 60% de todos os casos de lesbianismo no mundo. Que desperdício do cacete. Ou pro cacete, sei lá. O fato é que esses humanoides principiantes, saem da bicicleta recém-aposentada pra pilotar verdadeiros aviões complexos e sofisticados e assim, muitas das vezes, acabam por estragar uma mulher pela vida inteira.
E isso se deu comigo nos meus 23 aninhos de pura ignorância séquissual. Não fosse pela minha ladinagem e safadeza genética, eu teria destruído a vida de Leidinha e provocado nela um trauma irreversível.
Ah Leidinha! Quantos suspiros as minhas saudades ainda suspiram por você. Na videoteca da minha perdição essa lembrança é a imagem que dói mais. Anos de ouro da minha história erótica, ainda recentemente saída das punhetas, embaladas pelas delicias do Zéfiro e seus catecismos fantásticos.
Lembro bem da nossa primeira noite. Como lembro. Eu fui romântico como uma anta e suave e delicado como um rinoceronte. Mas também pudera, eu desconhecia quase tudo da feminilidade e achava que fazer amor era me enfiar dentro de uma mulher, friccionar e pronto, tudo resolvido. A única vantagem que eu levava era não ser possuidor da dolorosa e cruel deformação da ejaculação precoce e isso sempre me ajudou a ser considerado um bom de cama.
Mas era só isso. Com a sede de ir ao pote, que sempre fica no quartinho lá no fundinho da casa, eu pulava apressado por todos os cômodos e, às vezes, desajeitadamente por cima do telhado, sem considerar a ante-sala, a sala, a copa, a cozinha e a área de serviço. Em minutos lá estava eu , chegante com pressa, arfando como um bicho, sem dar a mínima pro jogo do amor que se encanta e se adoça nas preliminares.
Mas na primeira noite com Leidinha até que houve um tempo paciente e calmo, como nunca eu fizera antes. Foram seis meses de azarações diuturnas e que não podiam ser jogados fora por uma barbeiragem desnecessária e sem sentido.
Quando Leidinha deu seu primeiro sim, um vazio imenso se abriu na minha frente.
Era o desconhecido.
A possibilidade da falha começou a morder a minha segurança. A incompetência e o descuido pediam calma para minha ereção precipitada dentro do carro. Tudo isso sem contar que a sala de espera da realização do sonho, nesse caso, é a própria sala de visitas do inferno e de um pesadelo.
Mas ia tudo bem. Levei Leidinha para um motel de primeiríssima. E lá, depois de algumas taças de vinho que ela degustou servido pelas minhas mãos de gole em gole , fomos para uma piscina térmica ao ar livre, cercada inteiramente por canteiros de flores e rosas.
As luzes iluminavam apenas as flores, deixando a mágica dos nossos corpos na água em uma penumbra suave e deliciosa.
Terminado o sensualíssimo banho eu subi as escadinhas da piscina, dei a mão pra apoiar Leidinha na subida e a cobri com um felpudo roupão do motel. Em seguida a carreguei nos braços e pousei seu corpo suavemente em um lençol branco delicadamente ilustrado com rosas vermelhas.
* * *
PARTE II – O PESADELO
Já na cama ficamos um bom tempo nos alisando e sentindo a texturas dos nossos corpos. Minhas mãos passearam por cada centímetro daquela pele lisa e sentiram o mormaço doce que adormece as mãos, situado entre as coxas e pertinho daquele montinho molhado que em breve iria me levar ao paraíso.
Sem precipitações subi minhas mãos pelas suas pernas, passei pelo seu ventre e comecei a sentir a textura dos seus seios. A pele da moça já tremia todinha e eu já me preparava pra fechar com chave de ouro essas doçuras.
Enfim o momento chegou. Desci minha mão por sua barrica, fiz um carinho no seu ventre, depois, já na zona do agrião, levantei o elástico de sua calcinha com o dedo e comecei a fazer carinhos bem no comecinho de uma pentelheira macia e delicada. Logo em seguida, aprofundando um pouco mais na busca daquelas texturas do risquinho de fêmea, aconteceu o inesperado.
Eu jamais poderia imaginar que havia um pinto ali. HAVIA UM PINTO ALI. Foi exatamente isso que eu disse.
Eu que nunca toquei em pintos de terceiros, soube disso imediatamente. Aquilo era um pinto sim. Não era um PIIIIIINNNNTTTOOOO grande e volumoso. Mas era um pinto de uns 3 ou quatro centímetros. E pra piorar, o membro tinha uma cabeça.
De um sobressalto só eu me sentei na cama e esbravejei minha indignação em um grito quase pavoroso.
_QUÉQUÉISSO LEIDINHA?
A moça caiu em prantos na hora. Virou-se de bruço e pôs-se a chorar copiosamente. Eu ainda consegui piorar as coisas.
_Você tem dois sexos é?
Que merda! Até hoje me envergonho disso. A moça soluçava em um choro estranho de quem fora totalmente aniquilada no seu orgulho feminino. E não pensem que parei por aí não.
_Leidinha, seja sincera…voce é um…
Nem disse a palavra travesti. A moça, num tranco só se levanta e me aplica um bofete tão ardido que até hoje só de pensar nele sinto um zumbido no ouvido.
Chorando ainda começou a me agredir verbalmente.
_ Pega no meu peito seu idiota. Pegaaaaaa!
Eu obedeci e peguei.
_ Isso é peito de biba seu indecente, é? Perguntou indignada.
_ Sente a minha pele! Vê se eu tenho barba seu imoral!
Empurrou minha cabeça pro meio das suas pernas. Olha isso aí e veja se isso não é uma buceta seu cretino.
Eu olhei. Era uma buceta sim. E linda. Só que o pinto não estava lá mais. Só vi uma protuberanciazinha, maior que as outras que eu já tinha visto, mas pinto mesmo não vi mais não.
Chorando ainda Leidinha me passa um sabão doído que só.
_ Você acha que a gente escolhe o jeito que quer nascer é? As pessoas são diferentes seu ignorante. E eu que pensava ter saído com um homem inteligente. Você não passa de um imbecil que não sabe nada de mulheres, disse me olhando com ar de nojo.
Eu só balbuciei um “ …me desculpe”.
Em seguida me deitei de bruço com a cara no meio dos braços, tentando purgar minha deselegância.
Assim fiquei por uns quinze minutos.
Leidinha percebeu meu arrependimento e ainda se compadeceu deste pobre imbecil e idiota e cretino. A prova disso é que eu senti suas mãos afagando os meus cabelos.
Eu me virei pra ela e dei o abraço mais gostoso da minha vida. Abraço com gosto de perdão. Abraço do amor mais profundo que um homem pode dedicar a uma mulher.
Em seguida conversamos calmamente sobre o assunto. Em pouco tempo tudo voltou a normalidade e eu, gaiato que só papagaio de zona, ainda fiz uma piadinha safada.
_ Eu amo você moça bonita. Mas quero pedir uma coisa.
Pois peça meu amor, peça o que quiser, disse ela.
_ Você vai me prometer que nunca, mas nunca mesmo, vai tentar me comer com esse seu “coiso”.
Rimos de rolar.
E eu ainda pensei comigo: quem bate punheta pra um pinto, bate pra dois. Que diferença faz isso?
E tudo terminou bem. E vivemos felizes. Não para sempre, mas por um tempo delicioso.





































30 julho 2010 às 17:14
Mistérios da sexualidade humana. Ri pra caramba!
30 julho 2010 às 17:30
xxxxxxxxxxxxxxxxxx
30 julho 2010 às 17:30
hahahahahahahahahahahahahah.
30 julho 2010 às 17:35
Certa vez eu disse: têm coisas que só acotecem com você e com meu pai. Essa da Leidinha so com você seu cabra da peste. Mas tenho que admitir você escreve bunito pra caramba, quando eu crescer quero escrever assim feito você.
Parabens Cardeal. Ri até perder o fôlego.
Itaerço
Imperatriz-Ma
30 julho 2010 às 17:38
Foi pouco pe-re-pe-pé
E muito pa-ra-pa-pá
A verdade é que falhou
Pertinho da hora agá
Deu um chute no traveco
Inda saiu sem pagá!
30 julho 2010 às 17:41
ahahahahahahahaahahahahahahahahaááááá…
Abilio tá é com inveja do seu conto, cardeal!
30 julho 2010 às 18:54
E eu to morrendo de rir dele Cardeal Huy. Nada como um pouco de bom humor né mess? Obrigado Itaerço, Marley e Cego Abílio…ops Gavião.
30 julho 2010 às 18:58
Muito bom. Melhor só os arranjos tecladistas com os quais nos brinda.
30 julho 2010 às 19:23
Cardeal Ciço, parabéns pelo seu belíssimo conto. Bota erotismo e lição de vida nisso. Valeu!
30 julho 2010 às 19:32
Monsenhor - Obrigado.Vou mandar uma moda especial do Cardeal Xico. Aguarde.
Padre Sitônio - Esses seus desmerecidos elogios, me incentivam muito. Brigadão mesmo.
30 julho 2010 às 19:34
Esses dois cardeais são uns prisiacas! Óia só as histórias que eles divulgam no mesmo dia.
30 julho 2010 às 21:07
Cição e o clero do Recife:
Acabo de receber a notícia que o grupo empresarial comprou uma unidade aí na Veneza brasileira. Me aguardem! Vou visitar o papa!
30 julho 2010 às 21:09
Não tenho a mínima inveja…( mordendo o mouse)
30 julho 2010 às 22:18
Cícero, primeiro, quero parabenizá-lo pela parte introdutória (!), verdadeira lição de vida para os jovens que vão se lascar nessa de achar que mulher gosta de meter igual homem, não têm a mínima noção de que elas precisam de um preparo, um bom preparo, e que esse preparo é praticamente tudo para as mulheres. Na verdade, as preliminares são importantes também para os homens, que em geral não sabem também disso e contentam-se em friccio0nar e gozar, porque isso é fácil para o sexo forte. E acontece, também, que as mulheres não se tocam de que é preciso não apenas ficar esperando olhando para o teto que o homem faça tudo, alise, acaricie, aperte, chupe, elas precisam agir para que a coisa fique legal, e um boquete cai bem demais, além, é claro, de todas as carícias de que não só elas gostam, nós também apreciamos. É sobre isso que tenho falado diretamente a elas aqui no JBF e elas fingem não entender porque não querem se daro ao trabalho, e também porque não foram preparadas para isso. Em segundo lugar, também cumprimentá-lo pelo texto agradável, engraçado e didático. Em terceiro, mas não menos importante, devo dizer que acredito que muitas partes das coisas que nos acontecem (e acredito que o seu caso aconteceu mesmo) a gente não conta integralmente. É que um grelo de três ou quatro centímetros já é um pau de japonês! Duro!
30 julho 2010 às 22:30
rsrsrs…adorei o comentário Goiano. kkkkkkkkk
30 julho 2010 às 22:36
eu tive tanta pena desse homi.Jesuis qui sofrimento!
30 julho 2010 às 22:41
Obrigado Lourdes por ficar penalizada com meu sofrimento terrivel…
31 julho 2010 às 0:38
A primeira parte do conto, é um ato preparatório, para um neófito dos mistérios do sexo, para receber um belo par de chifres. Já na segunda parte, quando é relatado o desenrolar da coisa e o aparecimento da “coisa”, é que muda totalmente o sentido erótico, para a particularidade anatômica, e o desfecho é bem diferente.
31 julho 2010 às 1:51
A intenção era essa Padre. Eu não tentei fazer erotismo, apenas dei umas pinceladas mais coloridas em uma situação dificil que passei.
31 julho 2010 às 6:29
PINCELOU BEM,CICINHO!PINCELOU BEM!
31 julho 2010 às 8:51
pqp.me mijei de tanto rir! arretado. ele só não disse se deu umas lambidas no “pintinho”
31 julho 2010 às 9:14
Eu sou muito tímido Nilson. Não tenho coragem de contar essas indecenças não.
31 julho 2010 às 10:15
Pincelei Padre Irineu? Pincelei foi?
rrsrs…
31 julho 2010 às 20:19
Cardeal Cicero,além de escrever dessa forma,ainda sois musico ? É covardia !Cardeal Cicero,é cultura !
31 julho 2010 às 20:38
Menos Eutimio, menos. Assim eu estoporo.
1 agosto 2010 às 6:34
PODE ESTOPORAR CICIM! PODE ESTOPORAR. QUANTO MAIS VC ESTOPORA MAIS NÓS VAMOS LENDO COISAS MARAVILOSA COMO ESSA E MILHÕES DE OUTRAS!! ABÇs
1 agosto 2010 às 19:30
Cardeal Ciço:
Vossa eminência recomendou a ordenação do padre Irineu, agora aguente! hahahahahahaáa
1 agosto 2010 às 20:30
Padre Irineu é do nosso time Cardeal Huy, deixe de bestage!
2 agosto 2010 às 6:07
isso,cicim! ruma a mão na”urèia” do HUY…
2 agosto 2010 às 16:16
Que texto precioso…
Mas gente, nao sei por onde o Goiano tem andado.
Mulher despreparada pra sexo ? Onde? Cadê?
Mulheres estão sim, preferindo virar lésbicas, para serem tratadas com carinho, técnica e caalma! Não tem coisa mais broxante do que um homem com pressa. Tá com pressa? Bate uma!
(O duro é que tem muito homem que prefere mesmo bater uma. Dá menos trabalho…)