3 fevereiro 2009DOR DE UM PALHAÇO



Confetes, doces, pintura,
Mascarados, mascaradas
Sem contar a formosura
Das fantasias douradas.
O palhaço da sinal…
É chegado o carnaval
Com frevo, passo e folia.
Põe a toca avermelhada
E co” uma roupa engraçada
Vem nos trazer alegria.

Pinta a boca de batom
Rodeando até o nariz;
Na voz busca um belo som,
Gritando pro povo diz:
“Rá, rá, rá chegou a festa
Que é de forma bem modesta
Festança boa demais.
Aproveitem com vontade
Pois é ou não é verdade
Amanhã Deus é quem faz”

E todos no mesmo passo
Fazem coreografia
Amarrados por um laço
Vão aproveitando o dia.
O povo todo sorrindo
Frevando num passo lindo…
Mas o tempo é tão fugaz
Que a noite fez despedida…
Porque as coisas dessa vida
Passam depressa demais.

O povo sai, fica mudo
Volta pro seu lugarejo
O palhaço lembra tudo
Que terminou por lampejo.
Ninguém fala do viver
Só vendo a terça morrer
E a quarta-feira chegando.
As lembranças que ficaram
Logo, logo dispersaram
Pra os que estavam ali brincando.

O palhaço busca a hora…
Vê que é por volta das duas;
Pega a roupa, vai embora
Andando só pelas ruas.
A vida que nunca espera
Voltou ao que sempre era
E, com ingenuidade,
Sentindo o triste mormaço…
Aquele alegre palhaço
Voltou pra realidade.

4 Respostas em: “DOR DE UM PALHAÇO”

  • Paulo Moura (Dunga) Unicordel Diz:

    Que maravilha, poeta!!!!

  • Ismael Gaião - Unicordel Diz:

    Bonito, poeta.
    Parabéns.

  • Severino Fidelis de moura Diz:

    Gostaria muito de poder traduzir no papel as peraltices dum palhaço como fez o amigo. O padre Antonio tomaz vivenciou o assunto nesse soneto:

    O Palhaço

    Padre Antonio Tomás

    Ontem, viu-se-lhe em casa a esposa morta
    E a filhinha mais nova, tão doente!
    Hoje, o empresário vai bater-lhe à porta,
    Que a platéia o reclama, impaciente.

    Ao palco, em breve surge… pouco importa
    O seu pesar àquela estranha gente
    E ao som das ovações que os ares corta,
    Trejeita, canta e ri, nervosamente.

    Aos aplausos da turba, ele trabalha
    Para encontrar no manto em que se embuça
    A cruciante angústia que o retalha.

    No entanto, a dor cruel mais se lhe aguça
    E enquanto o lábio trêmulo gargalha,
    Dentro do peito o coração soluça.

  • julia Diz:

    nossa fiquei emprecionada com esse poema!!! muito bom!!!

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