2 março 2009LUIZ ALBERTO MACHADO - MACEIÓ-AL
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Nada merece mais a nossa gratidão que o ventre materno, seja ela simples dona de casa alagoana ou uma resignada do mosteiro de Argenteuil.
Decerto todos nós passamos pelo canal de parturição. Nós, vivos ou mortos, já viajamos nove meses na aeronave do ventre, dependentes da ternura materna até termos a consciência do oxigênio e da vida.
Nada seria interessante se não fosse o poder da concepção que elas carregam no ventre, seja ela secretária executiva de Natal ou trabalhadora de Orange.
Nada é mais admirável que a fecundação quando tudo se faz de prazer atravessando a zona pelúcida para gerar filhos da vida, adubados pelo carinho e a ternura da maternidade, seja de uma simples balconista de Terezina ou aquela de Guaratinguetá de Di Cavalcanti.
Admirável é a sua anatomia, o seu design belo de recipiente do amor e do prazer, seja ela gueixa de Kioto, Aprés le l bain de Degas ou vendedoras de frutas da Martinica.
Ou mesmo a de Unamuno no banho, ou costureira do mercado de Abi Djan.
Que seja amada como uma simples rendeira de Aracati, ou mestiça do Gabão, ou tuaregue do Níger, ou ticoqueira da cana-de-açúcar.
Que seja amiga mesmo como camponesa nordestina ou do milharal do Haiti.
Ou mesmo uma cachorrona sexy, maluca pauleira, fatal miss ou sedutora perversa.
Que seja malandra, dócil ou abestada, ou quitandeiras do Recife, prostitutas de Brasília ou a executante de alaúde de Caravaggio.
Sempre serão belas mesmo que seja uma simples jovem turca, ou esquimó da Groenlândia ou, mesmo, a Garota de Ipanema.
Sempre serão exuberantes mesmo na simplicidade daquela das colinas de Chittagong em Bangladesh ou aquela lavadeira de Portinari.
Ou uma nativa birmanesa, ou aquela marabá de Rodolfo Amoedo.
Ou mesmo a colhedora de chá do Ceilão ou uma linda índia Kamayurá.
Ou, ainda, Le bain au serail de Theodore Chasseriau.
Pode ser uma humilde tecelã de seda em Bali ou operária de qualquer montadora de São Bernardo do Campo.
Ou a nômade Fars, ou humilde verdureira da feira de Caruaru.
Pode ser uma dedicada vendedora de cosméticos de Aracaju ou Nu à contre jour de Bonnard.
Ou uma Diana de Lee Falk, ou a Danae de Rembrand.
Pode ser uma teimosa da vida ou Fleurs de la prairie de Maillol ou humilde enfermeira de um hospital de João Pessoa.
Pode ser uma adolescente eterna sonhadora ou a estudante de Anita Malfati ou uma nativa das ilhas Trobriand, ou a Vênus Anaduomene de Ingres ou a d´As Artes de Van Gogh.
Que seja musa dos escritores, poetas e compositores ou mesmo uma perdida nas veredas da vida, ou Vairumati de Gaugin, Vênus de Brozino ou a que carda lã no Nepal.
Seja a Bovary de Flaubert ou a de 30 de Balzac ou a dedicada submersa entre marido e filhos.
Ou a Nu de Modigliani ou uma passageira de Olinda.
Seja a mãe de Almada Negreiros, ou de Gorki, ou Valentina de Guiido Crepax.
Seja ela Velta, ou Lôra Burra, a Vênus de Urbino de Ticiano ou Léda Atomique de Salvador Dali.
Ou femme de frisant de Toulouse-Lautrec, ou aquela da cadeira de David Lingare.
Mas também que seja ela Safo, louca, aguerrida ou desgarrada.
Que seja uma sumidade intelectual ou muçulmana de Oman, mestiça de Cuenca, mulata do Rio de Janeiro ou mesmo estabanada andrógina da noite na paulicéia desvairada.
Seja mesmo o que for:
a “Mulher” de Geraldinho Azevedo & Neila Tavares,
ou mesmo “Todas elas juntas num só ser” de Lenine & Carlos Rennó,
ou tantas outras grandes e anônimas mulheres deste planeta, aqui só gratidão.
Obrigado por existirem.
Esta a minha homenagem, MULHER.

































2 março 2009 às 14:06
Sempre fui apaixonado por mulheres grávidas. Acho lindo. O direito a gerar um ser em seu ventre é algo divino, inclusive nos animais.
Mas, o mais interessante é o amor e a proteção que elas dão aos seus filhos. Ainda não consegui escrever um poema para elas, mas fiz um para minha mãe que serve para todas as mães do mundo.
É o “Soneto para a Estrela da minha vida” e que foi publicado pelo JBF em 25 de janeiro deste ano.
Foste tu que me deste a minha vida
E contigo aprendi o que é o amor
Protegeste-me nos dias de calor
E no frio tu me deste a guarida
Na estrada da vida és a luz
Que me guia e também me ilumina
Hoje vejo em teu rosto de menina
O caminho que sempre me conduz
Aos setenta e quatro anos de idade
Eu te vejo bem longe da partida
E pra mim a maior felicidade
É notar no teu corpo tão disposto
Os sinais de uma vida bem vivida
Nas poucas rugas que te enfeitam o rosto
2 março 2009 às 15:34
Maravilha de soneto, Ismael, todas as mulheres do universo merecem nossa homenagem.
Abração
http://www.luizalbertomachado.com.br
27 fevereiro 2010 às 22:05
oi meu nome nadja belissima almenagem que vc vez as mulheres também me sentir almenagianda , eu agradeço ei nome da mulheres ,obrigado por tanta palavras bonitas ..
beijos
boa noiite …