11 janeiro 2010HISTÓRIA DE MINHAS MÚSICAS - 1
BAIÃO DO SOL ESCONDIDO
Música construída num instante de decepção com o PT, em quem sempre votei, desde os tempos do Lula sindicalista. Daquele PT resta o Presidente Lula, coligado com os Sarneys, Collors, Renans, Temers e Barbalhos da vida, se defendendo de alianças tão espúrias com o argumento da governabilidade. A intenção da música foi mostrar minha indignação não com a figura pessoal do Lula, mas com o que ele representa com essas alianças imorais.
A letra, de minha autoria, com todas as metáforas a que tive direito, se encaixou na melodia de meu parceiro Ozi dos Palmares e foi interpretada por Miguel Filho, do Bodocó, constando do CD Forroboxote 6 – BAIÃO: DO REINO ENCANTADO DO NOVO EXU ÀS VEREDAS DO RESTO DO MUNDO E ADJACÊNCIAS, disco em que presto modesta homenagem aos 60 anos do Baião, tendo como intérpretes artistas nascidos na região do cariri cearense/pernambucano.
BAIÃO DO SOL ESCONDIDO
De Ozi dos Palmares e Xico Bizerra
Com Miguel Filho
nos lupanares de uma aldeia sem esquinas
mãos tão malinas escondiam nosso sol
e a consciência da peneira
se agigantou pra que a sujeira
se derramasse feito lama encharcando toda a terra
vendo o boi que ao rebanho anuncia, grita e berra
que todo o pasto se foi e não voltará
nem hoje, talvez nunca mais
a fé que não foi replantada
a lua que não se acendeu
um rio que de água tão suja que se desencheu
e a paz de tão rara, tão pouca
calou-se, de rouca, se foi
e a flor numa roça tão louca, sumiu





































11 janeiro 2010 às 7:49
Xico, estragastes a obra ao interpretares as metáforas e explicares que falas de Lula. Poderia passar como uma letra de Zé Ramalho, produzida como uma expressão inconsciente de realismo fantástico e até mesmo fubânico, mas agora eu não quero mais ouvir, perdeu a graça. Desculpe.
11 janeiro 2010 às 8:02
Cardeal Xico Bizerra
…ainda estou esperando a 2ª etapa da produção de seus CD´s para adquirir os que não tenho.
Achei ótima a sua sincera explicação.Penso que é quase sempre melhor sonhar com o momento da criação ,mas essa foi legal.
” …o rio de tão sujo desencheu…a lua não acendeu…a paz rara e pouca calou-se rouca e a flor sumiu.”
11 janeiro 2010 às 8:27
agradecimentos ao goiano e a roserlei pelos comentários. devo confessar que sempre fui contrário às explicações poéticas, por desnecessárias que são e por revelarem intimidades do poeta que, num regime democrático, devem ser respeitadas. Por outro lado, elas se justificam até para evitar que as pessoas pensem num gênio como zé ramalho confundido-o com um pretenso poeta de minha pequena estatura. mas é este o propósito da coluna: levar ao público os momentos de inspiração e criação da música.
11 janeiro 2010 às 8:31
Na letra de BAIÃO DO SOL ESCONDIDO, por mim encaminhada ao JBF, cometi pequeno erro de digitação.
Assim, onde se lê:
“um rio que de água tão suja que se desencheu”
leia-se:
“um rio de água tão suja que se desencheu”
11 janeiro 2010 às 12:22
Xico, obrigado pela elegância da resposta. Quanto à genialidade, não creio que você fique a dever a ninguém. Cada um tem seus momentos: Zé Ramalho tem coisas como Chão de Giz, tiradas da inspiração dos anjos, mas nem tudo é assim tão bom. Eu mesmo tenho letras que, como recomenda a modéstia, posso afirmar que são maravilhosas, já algumas são tão ruins que nem parece que fui eu que escrevi. Assim é a arte.
11 janeiro 2010 às 22:54
Prezado Xico, um escândalo que não houve, o do suposto mensalão, acho que lhe afetou a inspiração para um registro não condizente com a grandeza da sua arte.
Prefiro o poeta de “Se tu quisé” e “Seu Amadeu”. Abraços
12 janeiro 2010 às 6:17
Temos que avisar com urgência o STF.
O mais importante tribunal da república aceitou denúncia contra 40 pessoas que estão envolvidas num “escândalo que não houve”.
Abomino injustiças!!!
12 janeiro 2010 às 7:44
caro abilio, a quem tanto admiro apesar de não conhecê-lo pessoalmente e de quem sou leitor assíduo neste JBF: o poeta de ’se tu quisé’ é o mesmo do ’sol escondido’, apenas traduzindo em música instantes diferentes, de amor, num caso, de desencanto, noutro, direito que lhe cabe enquanto cidadão e eleitor de lula. prometo, para evitar pendengas que não desejo, nas próximas edições do ‘HISTORIAS DE MINHAS MÚSICAS’ abordar apenas a minha obra que trate do amor. Do desamor, que tratem os políticos profissionais injustamente classificados como ‘mensaleiros’.
12 janeiro 2010 às 9:44
Prezado Xico, não me leve a mal, mas como disse o Goiano encabeçando esses comentários, depois de você dar as explicações para as suas metáforas, a beleza da música já não é a mesma, pelo menos pra nós dois.
Mas é um direito seu, Xico, falar do desencanto com um partido, os políticos. E não entenda o que escrevi acima como uma crítica ao seu trabalho, afinal quem sou eu pra fazer isso?
Reitero aqui a minha admiração pelo conjunto da sua obra! Abraços