BANQUEIRO CHEIO DE BANCA
Mesmo no mais brabo dos interiores existia – e acho que ainda existe, a figura do ‘banqueiro’ informal, mais conhecido nas hostes policiais como agiota. Também nas Capitais esse tipo de gente continua a existir, concorrendo com os agiotas oficiais e com as Igrejas do Queijo do Reino. Não sei se por conta do tempo de serviço dedicado ao Banco Central e em decorrência das funções de Inspetor ali desempenhadas, criei declarado ódio a esses ‘profissionais’ do mercado financeiro, tanto quanto a todos os que exploram o ser humano sob as mais diversas formas. Mas as histórias são tantas que a gente é obrigado a contá-las e com elas se divertir. No Cariri cearense havia um tal de Mané da Costa de seu Severo que, miserável como era, conseguiu amealhar dinheiro ao longo do tempo e emprestava as sobras a ‘módicos’ 10% ao mês. Era meio antipático, cheio de banca, utilizando sua antipatia até como argumento para afastar os inconvenientes. Certo dia Joaquim de Danda, agricultor, filhos doentes e uma mulher prostrada, mais sofredor que joelho de freira na semana santa, procurou Mané com o intuito de obter um empréstimo. Joaquim, além de sacrificado, tinha a fama de desligado, de não ligar para quando a promissória vencia. Aliás, nem quando empatava ou perdia, pois, como ele mesmo dizia, não torcia por promissória nenhuma, era Vasco até debaixo d’água.
Mané, precavido como era, desculpou-se dizendo que, naquele dia não dispunha do Capital solicitado, mas que o procurasse dali a 3 dias que o empréstimo seria concedido. Por umas e outras, apenas 15 depois o solicitante voltou a falar do empréstimo com Mané que, mais uma vez, negou-lhe deferimento sob o seguinte argumento:
- Infelizmente não vou poder atendê-lo, Joaquim. Se para vir buscar o dinheiro, vosmicê atrasou 15 dias, imagina quando for pra pagar.
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SEU LUNGA É ‘DE VERA’

Seu Lunga no balcão de sua loja
Duvido que algum dos que lêem essa Coluna nunca tenha ouvido falar de Seu Lunga. Ele é um personagem natural de Juazeiro do Norte, local aonde reside até hoje e é dono de uma loja de peças sucateadas. Bastante conhecido por sua “delicadeza”, dizem até que ele é um sério candidato a Homem Mais Ignorante do Mundo pelo Guiness Book. Sua fama já o levou até a ser entrevistado pela Rede Globo do Ceará. Algumas histórias são verídicas e outras decorrem do folclore que se criou a seu redor em função de seu modo delicado de tratar as pessoas quando elas lhe fazem perguntas estúpidas.
Contam as más línguas que Seu Lunga ao completar 18 anos se apresentou à Marinha para a entrevista que antecedia ao engajamento nas Forças Armadas:
- Você sabe nadar? pergunta o oficial.
- Sei não, senhor.
- Mas se não sabe nadar, como é que quer servir à marinha?
- Eu ia me apresentar à Aeronáutica, mas como também não sabia voar …
Dizem que seu Lunga terminou por servir ao Exército, que não exigia qualidades ‘voadeiras’ nem ‘nadadoras’.

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O URUBU E O PAVÃO
O período é propício para reflexões. Se pensarmos bem veremos que nunca estamos satisfeitos com o que temos, com o que somos. Sempre queremos mais, por mais que tenhamos e nem sempre valorizamos o que temos. Uma fábula – se não me engano de origem chinesa, retrata bem essa situação.
Diz-se que o Pavão, inobstante sua plumagem belíssima, não vivia nada satisfeito com a vida, por não saber voar. De que adiantava penas tão lindas se não as podia mostrar ao mundo, voando, de uma forma bela como fazia, por exemplo, o Urubu? Este, por sua vez, com sua ‘roupa’ preta e seu jeito feioso, vivia a se lamuriar por ser tão feio, embora voasse de forma magnífica, despertando, inclusive, inveja, em outras aves que não sabiam fazê-lo tão bem. Foi quando surgiu a Fada que resolveu por fim àquela situação, promovendo o cruzamento entre as aves que se invejavam mutuamente. A Beleza do pavão se juntaria às aptidões aeronáuticas do urubu e estaria pronto o pássaro perfeito, belo e voador. Só que o pretendido não deu certo: do cruzamento surgiu o peru, tão feito quanto o urubu e tão inapto para as alturas quanto seu colega pavão.
Tivessem os dois sabido aproveitar suas habilidades naturais …

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NA GAZETA E NO JBF
Nossa coluna está sendo reproduzida no JORNAL DA BESTA FUBANA, com a mesma periodicidade dessa Gazeta Nossa, a cada quinzena, sob o título XICO COM ‘X’, BIZERRA COM ‘I’. Naquele Jornal, entre uma edição e outra (ou seja, também quinzenalmente, mas nas segundas e quartas segundas-feiras de cada mês)) conto como nasceram algumas de minhas canções e, ao final, mostro a letra e a melodia em MP3 – recurso que apenas os jornais virtuais permitem. O acesso ao Jornal da Besta Fubana se dá através do site






































18 janeiro 2010 às 13:47
Poizé, “seu” Xico.
As histórias säo boas e bem contadas, e a torcida agradece.
Quanto ao juízo que faz Vosmecê dos agiotas, comento que a gente depois de alguns anos de estrada vê, estupefato, que defendíamos o indefensável e cuidávamos apenas dos privilégios dos senhores da guerra.
Afinal de contas esses personagens cobravam apenas 10%, concediam o crédito no ato e sem o juro “por dentro”, sem taxas de cadastro nem “manutençäo de conta, nem vendiam seguros “casados” e outras filigranas que fazem essas antigas figuras serem anjos, comparados com os demônios que a legislaçäo defende.
Säo as peças que a vida nos prega!
18 janeiro 2010 às 15:28
Tinha um genro de Seu Lunga ( o cabra é aí do Recife), que aposentou, foi pro Juazeiro e vendia água gelada e água de coco, bem na porta da Residência de Seu Lunga, na esquina de baixoquase em frente ao Memorial/Museu do Pe. Cícero.
Será que ainda tá aguentando as “delicadezas” do sogro?
18 janeiro 2010 às 17:10
Esses a que você se refere, meu caro DeAmbrosio, eu chamo de ‘Agiotas Oficiais’ e são mais perniciosos que aqueles outros, com o agravante de a exploração que produzem ser amparada pelos diplomas legais que regem o sistema financeiro. Realmente a vida nos prega peças. Somos atores? Somos palhaços? Ao Bispo Welinton ALencar lamento não poder informar da relação entre Lunga e seu genro, mas desconfio que o velho não respeita nem família: é bruto até umas horas … Grande abraço,
18 janeiro 2010 às 17:13
CONCORDO INTEGRALMENTE COM O COMENTÁRIO DO HILÁRIO, AÍ EM CIMA, COM RELAÇÃO AOS AGIOTAS, TEMA DE MINHA COLUNA. QUANTO AO GENRO DE SEU LUNGA, ELE CONTINUA VENDENDO GELO E AGUA DE COCO PERTINHO DE SEU LUNGA, MAS SEM TRAVAR COM ELE QUALQUER DIÁLOGO. É O QUE SEI.