Um assassinato misterioso ocorrido na Lagoa Mundaú – onde, por uma infeliz coincidência, uma mina está cedendo e afetando milhares de moradores de Maceió – é o cenário que abre o romance de Carlito Lima, que leva o nome da lagoa.
A obra conta a história de uma família, suas lutas, aventuras e alegrias em um período histórico para o Brasil entre as décadas de 1960 e 1970. Uma mistura de ficção e realidade que retrata o país durante a ditadura militar.
Para Carlito Lima, mais que um romance, a obra é a historiografia de uma época.
“Mundaú é um depoimento do modo de vida daquela época, quando o machismo e a violência contra a mulher eram naturalizados, mas também quando havia muita música popular brasileira, romantismo e ideais. Em 50 anos as coisas mudaram e o leitor pode tirar suas conclusões”, afirma.
Eu tenho falado aqui do peso moral de uma autoridade quando ela se esvazia. Há um vácuo de autoridade quando há um vácuo de moral. É o caso de Dias Toffoli, que recuou na decisão contra Renan Santos, coincidentemente no mesmo dia em que a Polícia Federal mostrou provas de uma ligação muito íntima entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. O ministro do STF aparece como consultor, conselheiro, até quase um advogado de Vorcaro, que dá R$ 300 mil em cartão de crédito para cada filho de Moraes, negocia jatinhos com a mulher de Moraes, faz um contrato de mais de R$ 130 milhões, revisado no computador de Moraes. Apareceu até o procurador-geral da República dizendo que estava com saudades de Vorcaro!
Felizmente, apareceu também uma referência de legalidade no Supremo: o ministro André Mendonça. Com base na Constituição, ele diz que o Supremo é o tribunal que julga por crimes comuns os ministros da corte, que há indícios fortíssimos, que é preciso investigar, que a Constituição exige moralidade e publicidade, e que por isso ele precisa pôr tudo às claras. Agora, o Supremo vai ter de tomar uma atitude – e o Senado também.
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Algumas escolhas de Flávio Bolsonaro estão confundindo os apoiadores
Está causando estranheza em muitos dos seguidores de Flávio Bolsonaro esse anúncio de prováveis ministros que já apoiaram Lula. Primeiro foi o ministro da Saúde, Cláudio Lottenberg, diretor do Hospital Albert Einstein, o que não agradou a uma grande parte dos seguidores de Flávio. Agora, diz o noticiário que Flávio teve um jantar com banqueiros, e o anfitrião foi um banqueiro que, na última eleição, apoiou Lula e criticou muito o pai de Flávio, Jair Bolsonaro: é Marcelo Kayath, de uma dessas financeiras que administram fundos. Ele foi apresentado a Flávio como indicação para ser ministro da Fazenda; estavam lá Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco; Milton Maluhy Filho, do Itaú; Gilson Finkelsztain, do Santander; Roberto Campos Neto, do Nubank; Richard Gerdau, da Gerdau; e João Camargo, do Esfera Brasil.
Daniela Marques também estava presente; quando disseram que ela seria um bom nome para a Casa Civil, que gerencia a ligação entre o presidente e os ministérios, houve aplausos, segundo o noticiário. O anfitrião Kayath diz que já recebeu lá, em outros tempos, Ronaldo Caiado, ACM Neto, Fernando Haddad, Guilherme Boulos. Ele é um violonista clássico e formado em Business (o que seria Negócios, ou Economia) em Stanford, nos Estados Unidos.
Essas coisas dão o que falar porque há determinadas aspirações entre os eleitores de Flávio. E essa é a grande questão da necessidade de reformas políticas no Brasil: aproximar mais o eleitor, o cidadão, o pagador de impostos dos seus representantes. Ontem eu estava cortando o cabelo e, na cadeira ao lado, dois homens, o barbeiro e o cliente, só falavam em futebol. Fiquei pensando que o pessoal no Congresso Nacional deve estar muito satisfeito quando os eleitores não saem de um estádio de futebol, porque assim eles podem fazer o que querem, mesmo não sendo os mandantes. Os mandantes estão no estádio, esperando um gol, mas o gol não vai mudar nada no dia seguinte, enquanto um voto no Congresso muda a vida dos filhos e netos desses torcedores. Precisamos de politização, de informação, porque vejo que 30 milhões a 40 milhões de eleitores não devem participar da eleição, não estão interessados. E eles são decisivos. Os que têm mais de 70 anos, e os que têm 16 e 17 anos, que não precisam votar, deveriam votar. Não deixem que os outros escolham o futuro de vocês.
Não é de hoje que eu digo que se existe uma profissão que atinge desde a classe AAA até a E, é a do lixeiro.
Não tem na área urbana quem não se beneficie dela, juízes, professores, policiais, trabalhadores; até o desocupado precisa do lixeiro.
O atual governo já f*deu com a vida deles ao proibir que eles permaneçam nos estribos traseiros dos caminhões enquanto não estão pegando lixo. Isso mais que dobrou a distância que eles correm ao dia, que é mais que 30 km.
Pensa, mais de 30 km ao dia. Eu não conheço nenhuma mulher que faça esta tarefa.
Fora o que trabalham dia e noite, com chuva, com sol, com frio, em ruas não asfaltadas, cachorros de rua correm atrás.
Quando o saco rasga, eles têm que fazer a catação, há sacos com vidros que cortam as luvas, com resíduos hospitalares de pessoas que se tratam em casa (seringas, gaze, panos), toneladas de bosta de cachorro e gatos são coletados.
Aí vem o Bocudo e fala que é uma profissão vergonhosa?
As novas informações que vieram à luz nesta terça-feira, com a divulgação de mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes, mostram um relacionamento turvo, polpudo e indecente – mas não surpreendente. Os brasileiros de bem já sabem há muito tempo quem é Moraes: muito antes de haver Vorcaro e o Banco Master, já havia o abuso de autoridade, as decisões inconstitucionais, a perseguição a desafetos, as violações do devido processo legal, os múltiplos papéis em processos. Mas as novidades desta terça-feira não apenas confirmam o que muitos já sabiam; elas jogam a verdade inescapável diante de todos os demais brasileiros, os que não sabiam ou não queriam saber. E tornam ainda mais urgente aquilo de que o Brasil precisa há um bom tempo: o afastamento definitivo do ministro de suas funções no STF.
Quando o Brasil inteiro soube do contrato completamente imoral de R$ 129 milhões celebrado pelo Banco Master com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, sem qualquer fundamento ou contrapartida proporcional, o mínimo que se poderia esperar, e que a Gazeta do Povo e outras vozes influentes pediram, era a abertura de uma investigação corajosa sobre o tema, seguida do inevitável impeachment. A existência do contrato tinha sido confirmada, ao menos R$ 80 milhões foram pagos, e Moraes tomou decisões em ao menos em um caso de interesse de Vorcaro. Os elementos para um impeachment já estavam presentes. No entanto, inúmeras forças convergiram em uma “operação abafa” – forças poderosas, como um presidente do Senado covarde e conivente, um procurador-geral da República cúmplice, e elementos da Polícia Federal dispostos a deixar o assunto na sombra, para que esfriasse.
Felizmente, não esfriou. A terça-feira começou com a notícia de que o ministro havia editado o fabuloso (e ainda hoje muito mal explicado) contrato – cujo valor, sabe-se agora, era de R$ 131 milhões, e não R$ 129 milhões – entre o Master e Viviane Barci de Moraes. O próprio escritório confirmou a informação, demonstrando que Moraes sabia muito bem da negociação e parecia não se incomodar com o fato de o escritório de sua família ser contratado por valores muito superiores aos recebidos pelas melhores bancas da capital federal. Mas ainda havia muito mais, graças à determinação, ao espírito cívico e à coragem do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo.
Mendonça havia solicitado à Procuradoria-Geral da República informações sobre uma mensagem enviada por Vorcaro a um contato identificado como sendo Moraes, pedindo que o ministro intercedesse junto ao procurador-geral Paulo Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para “não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem”. Em outras palavras, Vorcaro pedia proteção. A repercussão foi tão grande que Mendonça levantou o sigilo da ação, e mais conversas surgiram. Ao longo dos diálogos, Vorcaro deixa subentendido que tem informações sobre as investigações contra ele, e pergunta a Moraes, em 15 de novembro de 2025: “acha que segunda já tenho que estar fora?”. Não se sabe o que o ministro respondeu, mas o fato é que, coincidência ou não, em 17 de novembro, a primeira segunda-feira depois daquele pedido de aconselhamento, Vorcaro foi preso no aeroporto de Guarulhos, enquanto tentava sair do país.
As novas mensagens – porque o Brasil já conhecia algumas outras, trocadas inclusive no dia da prisão do banqueiro – só reforçam um tipo de relacionamento que vai muito além do aceitável, entre um membro da mais alta corte do Judiciário brasileiro e uma pessoa que estava sob investigação por uma gigantesca fraude financeira. Um relacionamento de proximidade e confiança, no qual Vorcaro pede socorro e blindagem a um ministro do STF cuja esposa recebe dezenas de milhões de reais do banco de propriedade desse mesmo investigado – por meio de um contrato, sabe-se agora, que tem o dedo de Moraes. A pergunta óbvia é: como é possível que Vorcaro se sentisse livre para enviar a Moraes pedidos de proteção e perguntas sobre o andamento das investigações sem temer uma ordem de prisão por obstrução de Justiça? A resposta também nos parece bastante óbvia.
Ao longo do dia, avolumaram-se os pedidos para que Moraes tome a iniciativa de deixar a corte, ou que ao menos o Supremo costure internamente algum tipo de afastamento temporário. Nada disso, no entanto, basta. É ao Senado que cabe a mais urgente atitude capaz de iniciar um retorno à normalidade, depois de anos de ditadura do Judiciário: o impeachment de Moraes. Impeachment já, sem atrasos, sem justificativas inaceitáveis.
O Congresso está reunido na sua última semana de “esforço concentrado” antes das eleições, priorizando temas que nem de longe são aqueles realmente importantes para o país, ou que exigem um tempo mais alongado de reflexão e deliberação. Se os senadores querem fazer jus ao papel histórico que têm, se querem fazer desta semana uma semana realmente valiosa para o país, um único tema merece seu empenho: a abertura do processo de impeachment de Moraes.
A lei do impeachment diz que um ministro do Supremo comete crime de responsabilidade quando “proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções”. Quando um ministro tem esse tipo de conversa com alguém como Vorcaro, na situação em que ele estava, podemos ter certeza completa de que a honra, a dignidade e o decoro já foram jogados no lixo há muito tempo. Moraes fez sua escolha, e agora é a vez dos senadores: que eles sejam honrados, tenham consciência do seu papel histórico, acabem com esta ditadura infame que mantém encolhidos milhares e milhões de cidadãos. Em resumo: que façam o seu papel.